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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Não me obriguem a vir para a rua cantar.

Cantaram na rua em defesa de chalets históricos
Grupo de cidadãos quer travar degradação de velhos palácios, onde já viveram Spínola ou Luiz Pacheco
Luís Garcia
Um grupo de cidadãos manifestou-se ontem pela recuperação de duas vilas centenárias em Benfica (Lisboa), cantando, enfeitando o exterior dos edifícios e oferecendo presentes de Natal aos moradores. Mas a situação parece longe de estar resolvida.

Quem dava mais nas vistas eram os elementos da tuna da Universidade Intergeracional de Benfica que, de instrumentos em punho, cantavam a plenos pulmões em frente aos dois edifícios históricos que ocupam o n.º 674 da Estrada de Benfica.

Ao mesmo tempo, dois ou três membros do Movimento de Cidadãos pela preservação da Vila Ana e da Vila Ventura colocavam alguns enfeites natalícios na fachada de ambas as casas apalaçadas, que já acolheram inquilinos ilustres como general Spínola ou o escritor Luiz Pacheco. Do outro lado da rua, elementos do grupo distribuíam panfletos aos transeuntes, alertando para o estado de degradação do edifício.

João Pires, 43 anos, aceitou um panfleto mas não ficou surpreendido com a acção promovida pelo grupo. "Antigamente, pensava que as casas estavam abandonadas", explica, adiantando que só se inteirou da situação quando o grupo começou a desenvolver acções em defesa dos imóveis.

Morador em Benfica, João Pires concorda com os alertas lançados pelo movimento de cidadãos. "Realmente, são palácios dignos de se preservar e é triste que ninguém faça nada por isso. Infelizmente, edifícios antigos a cair é o que não falta em Lisboa", diz.

Construídos há mais de 100 anos por uma família portuguesa que fez fortuna no Brasil, os dois "chalets" gémeos são dois dos poucos exemplares que ainda resistem das casas apalaçadas e quintas que caracterizavam a zona de Benfica no século XIX.

Abrigo de toxicodepentes

Actualmente, os dois edifícios têm três inquilinos legais mas estão profundamente degradados, por dentro e por fora. Uma das casas, a Vila Ana, serve mesmo de abrigo a toxicodependentes e sem-abrigo.

Segundo Alexandra Carvalho, do Movimento de Cidadãos pela preservação da Vila Ana e da Vila Ventura, quando o grupo de cidadãos foi criado, a empresa proprietária dos dois imóveis tinha requerido à Câmara de Lisboa que eles fossem retirados do Inventário Municipal do Património, de modo a que pudessem ser demolidos para dar continuidade a uma urbanização existente nas traseiras dos edifícios.

Fazendo parte do inventário, as vilas só podem ser demolidas caso ameacem ruir, o que, de acordo com a Câmara, não é o caso.

Após várias acções de sensibilização desenvolvidas pelo movimento, que incluíram a entrega de uma petição com mais de 1500 assinaturas à autarquia, solicitando a preservação dos dois edifícios, a Câmara intimou o proprietário a fazer obras de restauro até 31 de Dezembro.

No entanto, não foi feita qualquer intervenção, prevendo-se, como penalização para o proprietário, um aumento de 30% no Imposto Municipal sobre Imóveis.

Entretanto, o movimento voltou à luta. "O nosso objectivo é que as vilas sejam recuperadas e que se preserve parte do património histórico que tem vindo a ser aniquilado ao longo dos anos", diz Alexandra Carvalho.

A vontade do proprietário continua a prevalecer, uma vez que a vereadora da Habitação, Helena Roseta, que tem acompanhado o processo, já disse que será "muito difícil" a autarquia avançar com obras coercivas, devido às restrições orçamentais.

(in Jornal de Notícias).

segunda-feira, 27 de abril de 2009

DEMOLIDOS.


Prémio Valmor (1930)
Rua Castilho, 64-66
Arqt.º Raul Lino da Silva


Prémio Valmor (Menção Honrosa) (1930)
Av. da República, 54
Arqt.º Porfírio Pardal Monteiro

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Bom Ano, Lisboa!





Quantos prédios dos séculos XIX e inícios do XX foram demolidos em Lisboa em 2010? Quantas demolições aprovadas pela CML colocaram em risco a vida e o património de munícipes? Quantos mais pedidos de demolição para mais construção nova irá a CML deferir em 2011? Demasiados. Sempre demasiados quando comparamos com o exemplo de outras cidades da Europa. A Arquitectura Romântica de Lisboa está em vias de se tornar num dos recursos patrimoniais (que é o mesmo que dizer recurso económico) mais escasso da capital.


Foto: Rua Azedo Gneco em Campo de Ourique um dos bairros que mais tem sofrido com demolições de prédios românticos.
Fernando Jorge

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Mil em risco.

Lisboa: Dados do pelouro da habitação da Câmara Municipal

Mil prédios estão em risco de cair
A cidade de Lisboa tem cerca de oito mil edifícios não municipais em mau ou muito mau estado de conservação e, destes, cerca de mil apresentam mesmo um grande risco de derrocada. Os dados são do pelouro da Habitação da Câmara Municipal de Lisboa e foram compilados em Fevereiro, mas, segundo o director municipal da Protecção Civil, Vítor Vieira, "o número actual não deve diferir muito, e já é muito significativo".

Por:Helder Almeida/P.P.M.

Estes dados ganham relevo numa altura em que se esperava que um prédio na avenida 5 de Outubro, em Lisboa, evacuado anteontem à tarde, ruísse a qualquer momento. Até ao fecho desta edição, a estrada continuava cortada no sentido Norte-Sul. "O edifício está bastante degradado e, se entretanto não cair, vai ter de ser demolido", explica Vítor Vieira ao CM. Já em Fevereiro, numa reunião do executivo municipal, a vereadora com o pelouro da Habitação tinha dado o aviso. "A dimensão do risco de derrocada em Lisboa é enorme", alertou Helena Roseta, avançando que "a câmara, sozinha, não vai conseguir fazer frente a isto, nem os proprietários, sozinhos, conseguem". Defendeu, por isso, um programa de apoio à reabilitação urbana na capital.

Segundo os dados da câmara, dos 54 934 edifícios não municipais em Lisboa, 7757 estão em mau estado ou muito mau estado de conservação e 972 apresentam grande risco de segurança. Em termos geográficos, a freguesia com maior percentagem de edifícios não municipais em mau ou muito mau estado de conservação é a de Coração de Jesus. Quase metade dos 698 edifícios está nestas condições. Até ao fecho desta edição, não foi possível obter um esclarecimento junto do pelouro da Habitação.

"RECEIO QUE ISTO VÁ TUDO ABAIXO"

Quem mora ou trabalha junto de prédios degradados ou em risco de ruir vive "com o coração nas mãos". É o caso de Fernando Lopes, 50 anos, que explora a Leitaria Brilhante, nas escadinhas de S. Cristóvão, que dão acesso à rua da Madalena, na Baixa. "O piso deste prédio está a abater porque os prédios das traseiras ruíram. Vivo com o receio de que isto vá tudo abaixo", conta. Mas em muitos pontos da cidade é possível observar prédios em muito mau estado. Na rua de S. Bento, dois prédios frente a frente tiveram de ser demolidos.

ALUNOS RETIRAM ROUPAS E LIVROS DE RESIDÊNCIA

Cerca de 50 estudantes universitários, maioritariamente da Universidade Lusófona, puderam retirar ontem, ao final da tarde, com a supervisão da Protecção Civil, roupa, objectos de higiene pessoal e livros da residência que tiveram de abandonar anteontem, devido à derrocada iminente de um prédio na avenida 5 de Outubro, em Lisboa. "Os pisos estão a desagregar--se e hoje [ontem] já abateu mais um pouco", explicou ao CM o director Municipal da Protecção Civil, Vítor Vieira.

No local, alguns estudantes explicaram ao CM que houve colegas que não conseguiram tirar tudo. "Como cheguei há pouco tempo, consegui tirar a roupa e os livros, mas conheço pessoas que tiveram de deixar televisores e computadores", referiu Natacha Melo, 20 anos, estudante de psicologia.

(in Correio da Manhã).

quarta-feira, 22 de abril de 2009

DEMOLIDOS.


Prémio Valmor (1910)
Av. Fontes Pereira de Melo, 30
Arqt.º Ernesto Korrodi


Prémio Valmor (Menção Honrosa) (1914)
R. Pascoal de Melo, n.º 5-7
Arqt.º António da Silva Júnior


Prémio Valmor (Menção Honrosa) (1914)
R. Cidade de Liverpool, 16
Arqt.º Rafael Duarte de Melo


Prémio Valmor (1919)
Av. Duque de Loulé, 47
Arqt.º Álvaro Machado

terça-feira, 21 de abril de 2009

DEMOLIDOS.


Prémio Valmor (1907)
Palacete Empis
Av. Duque de Loulé, 77
Arqt.º António Couto de Abreu


Prémio Valmor (Menção Honrosa) (1908)
Av. da República, 36
Arqt.º Manuel Norte Júnior


Prémio Valmor (Menção Honrosa) (1909)
Rua Tomás Ribeiro, 4-6
Arqt.º António C. Abreu


Prémio Valmor (Menção Honrosa) (1909)
Av. Duque de Loulé, 72-74
Arqt.º Adolfo A. Marques da Silva

quinta-feira, 23 de abril de 2009

DEMOLIDOS.


Prémio Valmor (1927)
Av. da Liberdade, 176-180
Arqt.º Manuel Norte Júnior


Prémio Valmor (1928)
Calçada de Santo Amaro, 83-85
Arqt.º Pardal Monteiro

terça-feira, 3 de maio de 2011

Palácio do Contador-Mor: falsa reabilitação do BES.



























Mais um lamentável exemplo da FALSA reabilitação que está a ganhar terreno nos Bairros Históricos. O PDM, e o Plano de Urbanização da Colina do Castelo & Alfama, proíbem a demolição integral dos interiores dos edifícios (a não ser em caso de ruína iminente o que não era o caso). Acresce ainda que este antigo Palácio faz parte da Carta Municipal do Património, anexa ao PDM o que lhe conferia ainda maior protecção. Os pareceres obrigatórios e vinculativos do IGESPAR foram de início negativos mas mais tarde, não se percebe como, fecharam os olhos à demolição. De facto, de nada lhe valeram as supostas protecções legais pois o seu proprietário parece que esteve acima da lei do comum dos mortais: os interiores foram integralmente demolidos sem um pestanejar. E para piorar a situação, está a ser reconstruído com recurso a tecnologias modernas, isto é, atrás das fachadas antigas estão a surgir uma construção nova totalmente em estrutura de betão armado (até a estrutura da cobertura é em aço). O proprietário é o BES e os autores do projecto de arquitectura: Atelier Aires Mateus e Frederico Valssasina. Que diferença existe entre este novo prédio de habitação de luxo e um predio 100% novo na Alta de Lisboa desenhado por Frederico Valsassina ou Aires Mateus? Apenas a fachada é diferente. O que têm em comum? A máquina municipal que aprovou e os autores do projecto de Arquitectura. Esta obra do BES é um crime contra o património de Lisboa. É este modelo de desenvolvimento que queremos para Lisboa? Questione o que lhe está a ser imposto no novo PDM. PARTICIPE NA DISCUSSÃO PÚBLICA DO PDM!
Fernando Jorge






terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

As obras de São Vicente.





Estuques pintados na Igreja de S. Vicente de Fora destruídos durante o restauro
Por Ana Henriques

Apesar de não saltarem à vista de qualquer um, as transformações no monumento nacional são criticadas pelos historiadores de arte Raquel Henriques da Silva e Ricardo Lucas Branco

As obras de restauro da Igreja de S. Vicente de Fora, em Lisboa, destruíram estuques pintados nos tectos. Parte da operação foi autorizada por técnicos ao serviço do Estado, que entenderam que não se justificava refazer os estuques, uma vez que eles não eram originais da época de construção do templo (séc. XVII), mas houve áreas deste monumento nacional onde a Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo, que acompanhou os trabalhos, assegura não ter autorizado qualquer remoção de estuques.

Dois historiadores de arte, Raquel Henriques da Silva e Ricardo Lucas Branco, criticam a operação, mesmo nas áreas em que ela foi feita com o consentimento das autoridades que tutelam as questões de património. Ricardo Lucas Branco fala mesmo em atentado: "Foi tudo picado, arrancado e atirado para o lixo, não só na abóbada da capela-mor, mas também nas capelas laterais, que não tinham patologias significativas resultantes de infiltrações pluviais e agora apresentam abóbadas caiadas lisas." As pinturas em causa imitavam a pedra que reveste a abóboda.

Orçado em milhão e meio de euros, o restauro destinou-se sobretudo a resolver graves problemas de infiltrações de que a igreja padecia e que resultaram em frequentes quedas de estuque em cima de quem ali ia. No Verão de 2008, a igreja foi encerrada ao público como medida de precaução para só reabrir no mês passado, já de cara lavada. Como proprietário do imóvel, cabia ao Estado abrir os cordões à bolsa.

A falta de verbas da administração central fez com que tivesse sido o Patriarcado a pagar os trabalhos. "O Estado demitiu-se das suas responsabilidades e deixou a Igreja fazer o trabalho que lhe competia", observa Ricardo Lucas Branco.

Necessidade ou leviandade?

Há cerca de um ano, um técnico da Direcção Regional de Cultura descrevia o estado em que tinha encontrado a abóbada da nave central: "Os estuques estão soltos e com queda iminente (...) e são relativamente recentes e de má qualidade. Não há a menor dúvida de que deverão ser demolidos. Não é possível repará-los de forma a garantir a sua estabilidade, não colocando em risco os utentes da igreja."

Uma opinião que seria corroborada por um especialista do Instituto do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar). Restava saber se se deveria substituí-los por uma pintura com o mesmo aspecto, ou se se deveria caiar de branco estas partes do tecto. De menor custo, a solução adoptada acabou por ser esta última. "É de uma leviandade absoluta usar num monumento nacional o argumento de que se retira isto ou aquilo, porque está em mau estado ou porque se trata de uma obra tardia", comenta Raquel Henriques da Silva, "especialmente quando isso altera profundamente a imagem do imóvel".

Patriarcado "sem posição"

Aos olhos de um leigo as transformações efectuadas não saltam à vista, admite a especialista. Mas isso não justifica, no seu entender, aquilo que Ricardo Lucas Branco classifica como "uma intervenção simplista, destrutiva e criticamente autista - para não dizer ignorante - que não fez caso dos mais elementares princípios do restauro contemporâneo".

O PÚBLICO tentou obter um comentário da Direcção Regional de Cultura ao caso, mas este organismo limitou-se a disponibilizar o respectivo processo para consulta.

O Patriarcado mostrou-se parco em explicações. "Não existe uma posição oficial sobre o assunto", respondeu o porta-voz da instituição eclesiástica, o cónego Nuno Brás. "As obras foram feitas sob a supervisão do Igespar e o tecto que lá está, que foi reparado a expensas do Patriarcado, é o original. Não temos mais nada a acrescentar."

(in Público).

terça-feira, 9 de março de 2010

Em defesa da Vila Ana e da Vila Ventura.

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Caros Amigos,

A Vila Ana e a Vila Ventura, localizadas no Nº 674 da Estrada de Benfica, são dois edifícios centenários e um dos últimos testemunhos arquitectónicos das casas apalaçadas e quintas através das quais a freguesia de Benfica era conhecida no século XIX.

Por favor, ASSINEM ESTA PETIÇÃO e ajudem-nos na sua DIVULGAÇÃO, de modo a que estes dois imóveis não venham a ser demolidos:

http://retalhosdebemfica.blogspot.com/2010/03/peticao-pela-preservacao-da-vila-ana-e.html

Muito obrigada!


Um grande abraço,
Alexandra.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Lisboa, la capital del vacío





El corazón de Lisboa está envejecido. Este es el diagnóstico de Helena Roseta, concejal de vivienda, al describir el despoblamiento de la capital portuguesa y el abandono de muchos edificios. Las casas desocupadas abundan en el centro histórico, en barrios tan conocidos como Chiado, Baixa, Alfama, Graça o Alcántara. Es una imagen que se repite hasta en las zonas más cotizadas. Entre tiendas de lujo, hoteles, bancos y empresas multinacionales asoman edificios en avanzado estado de degradación. El Ayuntamiento contabiliza una quincena en la Avenida da Liberdade, la principal arteria lisboeta, comparable con el paseo de la Castellana de Madrid o el paseo de Gracia barcelonés. Lisboa y Oporto se encuentran a la cabeza de las ciudades de la UE que más se han vaciado desde 1999 y con el mayor índice (24%) de habitantes de más de 65 años.
La noticia en otros webs
Helena Roseta, arquitecta de profesión, trabaja desde hace años a favor de una política de vivienda decente y fue reelegida en octubre pasado como concejal independiente en la lista del Partido Socialista. Roseta menciona tres elementos comunes del panorama urbanístico de ciudades como Lisboa, Oporto y Braga: el elevado número de pisos desocupados, el declive demográfico y el envejecimiento de la población.
Según un recuento de 2008, en Lisboa hay 4.000 edificios abandonados, de un total de 55.000. "Una parte ya tienen programas de rehabilitación aprobados por el Ayuntamiento, otros no pueden ser recuperados y tendrán que ser demolidos", explica el también arquitecto Manuel Salgado, teniente de alcalde y responsable de Urbanismo. De su estudio salieron proyectos urbanísticos como el Centro Cultural de Belem, los espacios públicos de la Expo de Lisboa, el estadio de Oporto y el paseo marítimo de San Miguel (Azores). En 2007 cambió la arquitectura por la política activa, y de momento no parece desencantado en su papel de brazo derecho del alcalde socialista António Costa.
En los últimos 30 años, Lisboa perdió unos 100.000 habitantes por década, y pasó de 800.000 habitantes al medio millón actual. Salgado dice tener "perfectamente identificadas" las causas del despoblamiento: "La mala calidad de los equipamientos de proximidad: guarderías, escuelas, centros de salud; la búsqueda de viviendas unifamiliares; y, la más importante, el coste del metro cuadrado, que en Lisboa es dos o tres veces más caro que en los municipios limítrofes".
Una cuarta parte de la población de la ciudad vive en el umbral de pobreza, según cálculos del Ayuntamiento. Jubilados, desempleados, gente que vive del subsidio mínimo, en un extremo. En el otro, quienes tienen más recursos y pueden acceder sin problemas al mercado de la vivienda en Lisboa. En muchos casos tienen casa en las zonas más exclusivas de los alrededores, como Estoril y Cascais. "Queremos acabar con la brecha enorme que existe en Lisboa entre los muy ricos y los muy pobres, y para ello es muy importante que la clase media y los jóvenes sean parte importante de la población de la ciudad", señala Manuel Salgado.
La ciudad tiene 650.000 puestos de trabajo, pero solo 500.000 residentes, de los que una cuarta parte son activos, explica el teniente de alcalde. "Esto significa que cada día entra y sale de Lisboa más de medio millón de personas. Es una situación prácticamente única en Europa, solo comparable con Oslo, que tiene más puntos en común con las ciudades estadounidenses". El geógrafo João Seixas, profesor de la Universidad de Lisboa, define el fenómeno como "una enorme fragmentación de residencia".
Las consecuencias de este trasiego diario son dramáticas para una ciudad que se llena y vacía como un pulmón. Desequilibrio, congestión de la vía pública, contaminación y ruido. "Hay 162.000 vehículos registrados en Lisboa y entran cada día unos 400.000, que suponen un gran desgaste para la ciudad y no aportan ingreso alguno a las arcas del Ayuntamiento porque pagan sus impuestos en otros municipios", explica Salgado.
Las noches y los fines de semana, Lisboa se vacía y hay zonas que adquieren un aire fantasmagórico. Algunos barrios más céntricos, donde abundan edificios abandonados, tienen notables carencias de servicios. Ante la falta de demanda hay poca oferta de tiendas, bares o taxis, lo que ahuyenta a los moradores jóvenes, que optan por vivir en barrios más lejanos pero con más vida.
Propietarios, inquilinos y autoridades municipales se acusan mutuamente del deterioro del parque inmobiliario. Los primeros se quejan de la ley de arrendamientos urbanos, que se remonta a los años cincuenta, en plena dictadura salazarista, y mantiene congelados alquileres irrisorios que no permiten afrontar obras de rehabilitación. "La propiedad se ha convertido en Portugal en una asistencia social privada al inquilino", dice Monteiro de Barros, de la Asociación Lisboeta de Propietarios.
Los contratos firmados desde 1990 son libres y el nuevo régimen de arrendamiento de 2006 permite aumentar los alquileres si la casa está en condiciones de habitabilidad, lo que no ocurre en bastantes barrios. Pero no se han tocado las rentas antiguas porque, según Manuel Salgado, "provocaría un choque social muy serio". Romão Lavadinho, presidente de la Asociación de Inquilinos Lisboetas, reconoce que "hay muchos pisos en mal estado, por los que el inquilino paga unos 70 euros al mes". "Pero no es menos cierto", añade, "que muchos propietarios dejan que las casas estén al borde de la ruina, para lograr su demolición y construir un inmueble con más pisos y más rentable". Lavadinho también acusa a los ayuntamientos de ciudades como Lisboa y Oporto: "Son los mayores propietarios y los que tienen el patrimonio más deteriorado".
A pesar de la decadencia de la Lisboa antigua y señorial, la belleza de la ciudad, con sus siete colinas y el río Tajo omnipresente, sigue siendo un poderoso imán para el visitante extranjero. Consciente de ello, el Ayuntamiento ha encontrado un instrumento para recuperar la vitalidad de la ciudad: el programa Erasmus, que facilita la movilidad académica de los estudiantes dentro de la Unión Europea. "Nuestro objetivo es transformar Lisboa en una ciudad Erasmus", asegura Manuel Salgado. Según los indicadores municipales, los 3.000 estudiantes extranjeros que llegan por año están contribuyendo a dinamizar el mercado de vivienda de alquiler.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Em defesa do Hospital Miguel Bombarda.


Pela Reprovação Global do projecto de Loteamento Hospital Miguel Bombarda – nº 14/URB/2013, em  Consulta e Discussão Pública de 1 a 12 de Julho, assim como dos projectos de Loteamento para os Hospitais de S. José, Sta Marta e Capuchos.


Por pequeno aviso publicado num jornal, soubemos que iriam para consulta e discussão pública entre 1 e 12 de Julho no edifício do Campo Grande, 1F, quatro Projectos de Loteamento (venda mais facilitada, por lote) para os Hospitais Miguel Bombarda, S. José, Sta Marta e Capuchos, que deram entrada na Câmara Municipal de Lisboa em meados de Junho, para aprovação. Durante a consulta desses volumosos projectos não é permitido tirar fotocópias ou fotografias, dificultando seriamente a interpretação, e obrigando a demorada cópia manual das partes mais relevantes.
Pela quantidade e importância de edifícios que os projectos prevêm demolir ou transformar, estamos desde logo em presença de uma das maiores intervenções urbanísticas de sempre realizadas na zona histórica de Lisboa. Os projectos foram apresentados pela Estamo, empresa do Ministério das Finanças, que há uns anos “comprou” esses hospitais, pedindo empréstimos cujo montante serviu para encapotar o défice da Saúde …


Descrevemos a seguir as principais intervenções contidas nesses projectos:

- Hospital Miguel Bombarda

 Seria mantido e restaurado o Pavilhão de Segurança e o pequeno Laboratório /Morgue, destinado a fins culturais não especificados (não se refere o singular Museu existente, único na Península …); também mantido o outro pequeno edifício classificado, de Interesse Publico, o Balneário D. Maria II.

O Edifício Principal, o notável e histórico Convento da Congregação da Missão de S. Vicente de Paulo (1720-1740), que resistiu sem danos ao terramoto de 1755, onde se instalou em 1848 o primeiro hospital psiquiátrico do país, e que se conserva na quase totalidade sem alterações (ao contrário do que afirma em sucessivos erros históricos grosseiros o dito projecto, ignorando dezenas de documentos e as plantas de 1835 existentes no Arquivo Militar) será destinado a Hotel, com parque subterrâneo e demolição dos interiores, à excepção das fachadas, da Igreja, do salão nobre e do gabinete onde o Prof. Miguel Bombarda foi assassinado em 1910, sendo integrado no Hotel o já referido Balneário…

Todos os outros edifícios seriam totalmente demolidos, apesar do seu excepcional valor histórico e arquitectónico, apesar de todo o Hospital ser Zona Especial de Proteção (Portaria nº 1176/2010 de 24 de Dezembro) e apesar de ter sido proposta a sua classificação em Março último, em Candidatura apresentada à Direção Geral do Património, sustentada em investigação irrefutável, subscrita pelas prestigiadas Sociedades de Psiquiatria, de Neurologia, de Arte Terapia, de Arte Outsider, e pelos dois mais distintos historiadores de arte do país, Prof. Raquel Henriques da Silva e Prof. Vítor Serrão.

Assim, as demolições seriam quase totais, abrangendo os interiores históricos do Convento (que resistiu ao terramoto mas não resistiria ao vandalismo que assola Lisboa), o Edifício de Enfermarias em poste telefónico (de 1885-1894), dos primeiros do mundo, de um piso baseado em Esquirol e de racionalismo pré modernista, rodeado de jardins, do arquitecto José Maria Nepomuceno, o Edifício de Enfermarias em U (de 1900), vanguardista dos primeiros em betão, a Cozinha (de 1904), com tecto futurista em ferro, o enorme, elegante e raríssimo Telheiro, para o Passeio dos Doentes (1894), o Edifício das Oficinas para doentes, os painéis de 165 azulejos diferentes criados por doentes, o poço e o tanque da Quinta de Rilhafoles, anteriores ao convento, com cerca de 500 anos, etc.



O Balneário, inaugurado pela rainha D. Maria II em 1853, considerado na época e ainda hoje o melhor da Europa, a primeira construção do país destinada a Psiquiatria, que conserva grande parte dos equipamentos … integrado num reles Hotel sem identidade … que conterá também o gabinete do Prof. Bombarda, o mais significativo testemunho material da implantação da República, e constituirá uma infâmia para a Congregação da Missão de S. Vicente de Paulo e para a Família Vicentina.





O que se pretende é escandaloso, representa um Grave Atentado contra a Cultura Portuguesa e Europeia, destruindo edifícios de excepcional valor histórico e arquitectónico, em termos nacionais e internacionais, e apagando a Memória, da religiosidade, da Ciência e das suas inovações e mestres, da vivência dos Doentes Mentais e da sua criatividade artística e sofrimento.

E para quê? Para um Hotel sem identidade, para 4 lotes/prédios paralelos, outro prédio duplo junto à Gomes Freire, com  seis torres de 8 pisos (que depois subirão para 12, como é costume …), num condomínio desenquadrado e hostil à zona, por onde será rasgada uma incrível e perigosa Rua para viaturas, em zig zag com 6 curvas, 2 delas em cotovelo, que passará por baixo de 4 prédios e irá do Conde Redondo até à Gomes Freire … um pavor!


O que propomos? 

Dizer Não à destruição da Cultura e da Identidade de Lisboa, e criar no belo espaço e edifícios do ex Hospital Miguel Bombarda, praticamente sem obras, um Pólo Cultural de excelência, revitalizador da zona e da cidade, dinâmico e rentável, aberto aos moradores, atração para turistas e visitantes (com retoma do eléctrico Martim Moniz-Gomes Freire), que inclua um Museu alargado dedicado à Arte de Doentes e de Autodidactas de todo o país, e à História da Psiquiatria e das Ciências da Mente, desde logo com os integrais arquivos médico e forense do Hospital, dos melhores da Europa, as coleções de arte e de fotografia, com mais de 12000 exemplares (dos artistas Jaime Fernandes, José Gomes, Valentim, do poeta Ângelo de Lima, e de tantos outros), um centro de investigação, amplas exposições permanente (uma delas dedicada à Congregação da Missão) e temporárias, conferências e workshops, um ateliê de artes plásticas, espectáculos de música, teatro e bailado, etc.

No Hospital de S. José, memória do Hospital de Todos-os-Santos e símbolo da Medicina Portuguesa, não se indica o destino do notável edifício, ex Colégio dos Jesuítas (deveria ser um Museu da Saúde), dois novos prédios de 6 pisos prejudicam a leitura do Colégio/Hospital, e tapam o Torreão de Sant’Ana, o maior da muralha Fernandina, de 1383. E sem justificação é demolido o notável edifício do Instituto de Medicina Legal, do arq. Leonel Gaia. No Hospital dos Capuchos só o estritamente classificado é mantido, e eleva-se um silo de estacionamento no horizonte da Igreja. E  no Hospital de Sta Marta com a sua bela Igreja e Claustros, instala-se outro Hotel, com demolição do edifício da Cardiologia e construção de novos prédios. Em tudo, parece quererem esquecer a História da Assistência, além de ser questionável o encerramento de todos os hospitais do centro da cidade.

Sem prejuízo de outras ações, apelamos aos cidadãos consciente para exercerem os seus direitos na Discussão, sem medo, e a solicitaram ao Sr. Presidente da Câmara de Lisboa, Dr. António Costa, até dia 12, a REPROVAÇÃO destes projectos, que terá de ser efectuada em separado por Hospital e em impresso ou termos específicos.


Comissão para a Salvaguarda do Património

contactar  933220913 / 217585085 / reginacarr@hotmail.com

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A muralha de D. Dinis?

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Será a muralha de D. Dinis, ali no futuro Museu da Moeda? Por Ana Henriques
Estrutura de pedra e argamassa detectada no subsolo de uma igreja antiga da Baixa lisboeta. Especialistas aguardam por novas sondagens para tirar dúvidas
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O subsolo da Igreja de São Julião, local da Baixa lisboeta onde decorrem neste momento obras para instalar o Museu da Moeda, tem "fortes probabilidades" de esconder um valioso acha- do arqueológico: a muralha que D. Dinis mandou fazer para proteger Lisboa, no final do século XIII. Quem o diz são os arqueólogos contratados pelo Banco de Portugal para fazer as son- dagens que precederam as obras de transformação da velha igreja no museu, com conclusão prevista para o final de 2011.A confirmar-se, "será uma descoberta importantíssima", salienta o historiador e investigador António Borges Coelho, defendendo nesse ca- so a sua preservação e exposição ao público, como acontece com vários troços da muralha fernandina - que é posterior à de D. Dinis -, encontrados entre a Baixa e o Chiado. No relatório de escavação, de Setembro de 2009, os arqueólogos não colocam, porém, de lado a hipótese de a grande estrutura de pedra e argamassa encontrada ser, afinal de contas, um pedaço da cerca de D. Fernando. "As primeiras muralhas de Lisboa terão sido, respectivamente, a cerca romana/visigótica e a cerca moura. Estes dois momentos de edificação dizem respeito a uma ocupação ainda restrita do território; ainda um "fenómeno de acrópole" adstrito à actual colina do castelo", contextualizam Artur Rocha e Jessica Represas, da Zephyros Arqueologia, empresa que fez as sondagens. "É no século XIII que temos notícia da construção da muralha da Ribeira ou de D. Dinis, que ficaria na praia ou junto à rebentação do rio. Este alargamento substancial do espaço amuralhado da cidade indicia que ela havia já descido da colina, desenrolando-se de forma orgânica e desordenada em direcção ao rio (...) Marca também pela primeira vez a transferência do centro económico da cidade para a zona ribeirinha".O que diz um mapa antigoO arqueólogo José Luís de Matos pensa que é bem provável que se trate efectivamente da muralha de D. Dinis. Ou não tivesse o olisipógrafo Vieira da Silva, há um século, traçado, com base em documentação antiga, um mapa em que faz passar precisamente neste local a antiga estrutura de pedra. "No seu natural movimento de expansão para ocidente, Lisboa depressa passou por cima da cinta de muralhas com que a haviam envolvido os povos godos ou os muçulmanos. E entulhando o estuário do Tejo preparou um excelente campo para a construção de habitações. Depois da conquista cristã, rapidamente a nobre vila adquiriu uma importância considerável, não só pelo (...) comércio dos seus ha- bitantes, como pela sua excepcional situação como um dos melhores portos da Europa. Também por isso se via frequentemente atacada pelos piratas, que, entrando pelo Tejo sem impedimento, nem no mar nem em terra, encontravam nos ricos moradores e comerciantes do vale da Baixa uma cómoda e fácil presa", descreveu, então, aquele especialista.José Luís de Matos explica que, além dos mouros do Norte de África, a cerca tinha como objectivo repelir também as incursões marítimas dos castelhanos. "Era importante preservar esta memória", observa. A confirmar-se a sua origem de forma inequívoca, trata-se do primeiro troço da muralha de D. Dinis detectado até hoje. "Seria uma descoberta fantástica", comenta a especialista em arqueologia urbana de Lisboa e ex-técnica do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) Jacinta Bugalhão. Chama a atenção para o facto de, do ponto de vista legal, todas as cercas antigas de Lisboa estarem classificadas como um monumento nacional - uma protecção que abrange também os troços por descobrir. "A lei diz que os monumentos classificados não podem ser demolidos", acrescenta, "mas factores como o mau estado de conservação podem levar a tutela a autorizá-la."Como a obra para instalar o museu vai ter acompanhamento arqueológico, serão estas segundas escavações que permitirão tirar uma conclusão. Ou não: "Na zona onde existe probabilidade de passar a muralha as obras para o museu não decorrerão a uma cota tão profunda como noutras zonas", informa o subdirector do Igespar, João Pedro Ribeiro. Como é de lei, "só haverá escavação arqueológica nos locais afectados pelas obras". As sondagens iniciais não desceram a profundidade suficiente que permitisse identificar vestígios mais antigos. Permitiram, isso sim, encontrar vários esqueletos do século XIX sob o templo. "Qualquer cidade civilizada tem orgulho no seu passado", nota Borges Coelho. "Se a muralha foi encontrada, é uma notícia magnífica. E há todo o interesse em pô-la à vista."
(in Público).

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Vão construir um silo de 3 pisos ao lado desta Igreja. Você, fica-se?


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A Sé está conspurcada de grafitos, a Capela de Santo Amaro idem, na Igreja de São José chove lá dentro, em São Vicente os carros atropelam-se no adro. Agora, querem construir ao lado da Igreja da Memória um silo automóvel com 3 pisos acima do solo. Esta gente não percebe que devemos preservar o pouco património que nos resta? Tudo vandalizado: Avª Fontes Pereira de Melo, Avª da Liberdade, Avenidas Novas, Avª da República. Caem prédios, são demolidos interiores efachadas, as igrejas são cercadas de silos automóveis... E você, fica-se? Ou só vai acordar quando NÃO HOUVER NADA para defender?

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Quatro dias, quatro derrocadas.




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Quatro derrocadas em quatro dias revelam estado de ruína de Lisboa.

Helena Roseta diz que 40 a 60 por cento dos imóveis nas zonas históricas estão em mau estado e reclama mais pressão sobre Governo
A derrocada parcial de um edifício de habitação, ontem à tarde, na Rua dos Poiais de São Bento, foi a quarta ocorrência do género na capital nos últimos quatro dias, o que revela o péssimo estado de conservação do edificado de Lisboa, particularmente nos bairros históricos. O diagnóstico já estava feito pela vereadora camarária, mas Helena Roseta pediu ontem ao executivo municipal para que exerça mais pressão sobre o Governo, no sentido de facultar mais meios financeiros, de forma a não deixar cair Lisboa, que sucumbe à idade dos edifícios e aos rigores de um Inverno muito chuvoso.

Roseta, eleita pelo movimento Cidadãos por Lisboa, dirigiu-se ontem ao plenário camarário para fazer o ponto de situação sobre as últimas derrocadas de edifícios na cidade, quando não era ainda conhecida o quarto caso, o de São Bento, que tal como os demais não provocou feridos. A escadaria do edifício ruiu e a sua única habitante, uma mulher de 63 anos, recusou abandonar o imóvel, tendo assinado um termo de responsabilidade para pernoitar na casa, afirmou Manuel de Brito, citado pela Lusa. Ainda segundo o vereador da Protecção Civil, será hoje encontrada uma alternativa de residência para esta habitante.

A vereadora com o pelouro da Habitação explicou também que as outras duas derrocadas ocorreram em edifícios devolutos na Rua do Sol à Graça e nas Escadinhas de São Cristóvão, na Mouraria, precisando que ambos serão demolidos, pois apresentam estruturas instáveis. Exemplificando o mau estado de conservação dos edifícios em Lisboa, Roseta, com recurso a dados do Atlas do Programa Local de Habitação, disse que a autarquia é proprietária de 180 edifícios em mau estado de conservação, dos quais 145 apresentam grave risco de segurança. Segundo o mesmo documento, a idade média das construções quase atinge os 54 anos (dados do INE, relativos ao Censos de 2001), quando se estimava perto dos 51 anos em 1991.

Também está estabelecido um ranking de antiguidade do edificado nas freguesias de Lisboa, surgindo a de Santiago à frente (90,1 anos), seguida de Encarnação (89,3) e por São Miguel (87,9). Segundo a autarca, entre 40 a 60 por cento dos edifícios das zonas históricas estão em muito mau estado.

(in «Público»).

quarta-feira, 28 de julho de 2010

100 são para ir abaixo. Isto não é mesmo Lisboa SOS?

Mais de 100 edifícios para demolir

Tendo em conta o estado de degradação, mais de uma centena de edifícios do património habitaciona disperso da Câmara de Lisboa deverão ser demolidos, de acordo com um estudo feito pela autarquia.

O estudo contou com a colaboração da Universidade Lusófona e serviu de base para a proposta que a vereadora Helena Roseta irá levar à próxima reunião de Câmara.

Do grupo de edifícios propostos para demolição, 40 já têm destino definido e os restantes 62 ainda permanecem com o futuro incerto por haver possibilidade de intervenção. Destes, "30 permitem acções mais imediatas pois libertam terrenos para reconstrução ou nova construção e também eventual alienação" adianta o estudo.

A vereadora responsável pelo pelouro de Habitação propôs a criação de um grupo de trabalho para definir um programa estratégico de intervenção no património habitacional da autarquia e nos prédios propriedade da Câmara Municipal.

Segundo os dados analisados pela Direcção Municipal de Habitação, existem 312 edifícios do património disperso habitacional a reabilitar. Mais de 140 deverão ser alienados e um quarto do património disperso foi excluído das propostas por não ter uso habitacional ou por se tratarem de casas de guarda.

A Câmara Municipal de Lisboa é a maior proprietária de imóveis da cidade e tem um conjunto de edifícios que precisam de obras de conservação e reabilitação, mas para os quais a autarquia não tem meios financeiros imediatos para a reabilitação.

O grupo de trabalho proposto pela vereadora Helena Roseta deverá sugerir uma estratégia de intervenção no património habitacional municipal

A proposta da vereadora da Habitação indica ainda que o programa de intervenção estratégica, que deverá estar concluído em Março de 2011, terá de incluir a avaliação económico-financeira dos usos e das intervenções sugeridas e uma estimativa de encargos e receitas, a identificação dos serviços responsáveis e o faseamento das intervenções.

(in Jornal de Notícias).

domingo, 28 de março de 2010

Em defesa da Vila Ana e da Vila Ventura!



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Benfica pede obras para salvar vilas antigas

Dois edifícios apalaçados parecem estar abandonados à espera de demolição, mas ainda têm três inquilinos

A população de Benfica, em Lisboa, está unida numa petição que luta pela preservação de duas vilas centenárias existentes no número 674 da Estrada de Benfica e que, apesar de ainda serem habitadas por inquilinos, apresentam um avançado estado de degradação. Técnicos da Câmara de Lisboa até já fizeram uma vistoria aos dois imóveis e aconselharam os seus proprietários a realizarem obras de reabilitação. Mas nada foi feito.

Receando que estes edifícios acabem por ser demolidos, moradores decidiram criar o Movimento de Cidadãos pela Preservação da Vila Ana e da Vila Ventura. Os dois imóveis "são representativos das chamadas Casas do Brasileiro e são um dos últimos testemunhos históricos e arquitectónicos das casas apalaçadas e quintas através das quais a freguesia de Benfica era conhecida no século XIX", revelou Alexandra Carvalho, daquele movimento.

Lembrou que ali "viveram pessoas ilustres, como António Spínola, o escritor Luiz Pacheco e um dos priores de Benfica, o padre Francisco Xavier da Silva".

Segundo explicou ao DN, "a Vila Ana tem projecto de 1890 e a Vila Ventura é de 1910. Estão salvaguardadas por estarem incluídas no Inventário Municipal do Património (IMP), só podendo ser demolidas se correrem o risco de ruir. Ainda não estão, mas se continuarem sem receber obras, poderão chegar a essa situação".

"O problema foi apresentado à Câmara de Lisboa, que, em Março de 2009, vistoriou as vilas e informou a empresa proprietária - Ormandy Portuguesa - que iria intimá-la para fazer obras", contou.

Adiantou que, "depois, a empresa entregou, na Divisão de Projecto do Departamento de Conservação de Edifícios Particulares da câmara, relatórios, referindo que "nada justifica a inserção daquele conjunto no Inventário Municipal de Património, pelo que se justifica plenamente a sua demolição".

O movimento de cidadãos "pretende que as duas vilas se mantenham no IMP e recebam obras de recuperação. É um património histórico e cultural de Benfica, que não se pode perder. Os únicos vestígios antigos que ainda restam são as casas pequeninas da Rua Ernesto da Silva, que estão a ser recuperadas", frisou Alexandra Carvalho. Adiantou que "os moradores e comerciantes de Benfica querem que as vilas se mantenham e muitos têm assinado a petição".

Junto de fonte da Câmara de Lisboa, o DN soube que o processo encontra-se na Estrutura Consultiva do PDM, que vai deci- dir manter ou não as vilas no IMP.

O DN contactou a empresa Ormandy Portuguesa para algum responsável se pronunciar sobre a questão, mas quem atendeu o telefonema referiu não ser possível, "porque estão ausentes no estrangeiro e só voltam para a semana".

Nas duas vilas, que muita gente pensa estarem abandonadas devido ao aspecto degradado, ainda vivem três inquilinos.

(in Diário de Notícias).

quarta-feira, 17 de março de 2010

Desapareceu. Porreiro, pá!



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Processo do prédio em que Sócrates teve a primeira casa desapareceu da câmara.

O processo de demolição interior e reconstrução do número 4 da Calçada Eng.º Miguel Pais, junto à Praça das Flores, desapareceu da Câmara de Lisboa.
Sócrates viveu até 1996 no terceiro andar, o que tem varanda, do prédio do meio (Jonatas Luzia)

O vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, ordenou em Abril passado a sua localização e, se necessário, a sua reconstituição - depois de o PÚBLICO ter feito perguntas sobre ele -, mas até agora não aconteceu uma coisa nem outra.

A reconstrução de todo o miolo do edifício, à excepção do rés-de-chão, que já tinha sofrido obras, foi feita em 1991, pouco depois de os seus cinco pisos terem sido vendidos a outros tantos compradores. Entre eles contava-se o jovem deputado José Sócrates, eleito pela primeira vez em 1987, que decidiu fazer o mesmo que o seu colega António Vitorino: comprou um andar em mau estado de conservação, bem perto de São Bento, para depois ser reconstruído.

Ao contrário do seu companheiro de bancada, que adquiriu dois andares no prédio ao lado e dias depois requereu pessoalmente o licenciamento da obra - cujo processo se encontra nos arquivos municipais -, Sócrates negociou o apartamento e deixou as obras e a respectiva aprovação a cargo do vendedor. Transacção idêntica foi efectuada com os restantes andares, à excepção do rés-do-chão, que já tinha sido recuperado.

Por conta do terceiro piso, o deputado pagou seis mil contos (30 mil euros) em Maio de 1990, que era o máximo com direito a isenção de sisa. A reconstrução dos andares, de acordo com as plantas dos compradores, foi feita pelo vendedor (um construtor que formalmente agiu como procurador dos antigos donos) - desembolsando cada cliente cerca de 16 mil contos (80 mil euros) por fora.

Na altura em que fez as escrituras, Emanuel Ataíde Teixeira Pinto, o procurador, já tinha na câmara, em seu nome, um processo relativo à execução de "obras de beneficiação geral do prédio". Foi com base nesse processo - que está nos arquivos e dispensava licença, mas nada tem a ver com o da demolição e reconstrução do edifício - que os trabalhos arrancaram. De acordo com os elementos existentes na câmara, as obras - não se sabe bem quais - estavam em curso em Agosto de 1991, embora a ocupação da via pública só tenha sido autorizada em Outubro.

Uma informação da fiscalização, desse mesmo mês, indica, contudo, que no local estavam a ser feitas "obras de modificação aprovadas pelo processo 5072/OB/89, licença 5646, de 30/11/1990", e não as obras de beneficiação geral. Supostamente, terá sido com base nos projectos aprovados nesse processo que foram demolidos e reconstruídos os quatro pisos superiores do prédio, à excepção das fachadas.

Supostamente, porque o processo, incluindo os projectos e a licença, não se encontra nos arquivos municipais, e as diligências para a sua reconstituição, ordenadas pelo vereador Manuel Salgado em Abril de 2009, não deram qualquer resultado. Tudo o que se sabe é que o requerente foi Emanuel Teixeira Pinto.

"Fizemos todas as diligências possíveis, nos serviços da câmara e no Registo Predial, mas não conseguimos encontrar o processo nem contactar o requerente", disse na semana passada um responsável da Unidade de Projecto da Rua de São Bento, o departamento camarário encarregado de reconstituir o processo.

O vazio existente nos arquivos deixa, no entanto, várias questões em aberto. Por exemplo: se o projecto foi apresentado em 1989 pelo vendedor, como é que o andar de Sócrates, que só foi comprado no ano seguinte, foi feito de acordo com as suas instruções e com um desenho diferente de todos os outros? E será que as obras feitas, incluindo um quinto andar recuado de outro proprietário, correspondem ao projecto supostamente aprovado? Mais do que isso: será que houve mesmo um projecto aprovado e uma licença emitida, ou tratou-se de uma obra ilegal?

José Sócrates vendeu a fracção que ali possuía em 1996, por 30 mil contos (150 mil euros), adquirindo pouco depois o andar da Rua Castilho em que agora reside. A transacção foi feita com dispensa de licença de utilização, devido ao facto, declarado na escritura, de o prédio ter sido registado antes de 1952. Naquela altura, todavia, as licenças emitidas para reconstrução de edifícios tinham como condicionante a apresentação de telas finais, após as obras, e a obtenção de licença de utilização sem a qual as obras são consideradas ilegais.

Obras feitas foram licenciadas?
As dúvidas suscitadas pela forma como foram feitas as obras poderão nunca ter resposta, caso o processo não seja descoberto na Câmara de Lisboa. O PÚBLICO tentou esclarecer algumas delas junto do vendedor, mas, tal como a câmara, não conseguiu localizá-lo. O mesmo fez, também sem sucesso, junto de pessoas que ali adquiriram fracções em 1989/1990. No caso de Sócrates, as perguntas feitas por escrito no ano passado, e novamente na semana passada, não tiveram resposta. No que respeita às obras, a questão fundamental reside em saber se cumpriram o projecto alegadamente apresentado pelo vendedor à câmara e se este foi efectivamente objecto de aprovação e licenciamento. Uma porta-voz do gabinete do vereador do Urbanismo disse ao PÚBLICO que o desaparecimento de processos de obras é "uma situação anormal" na Câmara de Lisboa.

(in «Público»).

domingo, 21 de março de 2010

Mais árvores no Casal Ventoso.

Mais árvores e demolições no Casal Ventoso
Requalificação da encosta será completada com a demolição de prédios devolutos na Rua Maria Pia

Unir as duas encostas de Alcântara, efectuar uma ligação a Monsanto e demolir alguns edifícios degradados na Rua Maria Pia são algumas das metas traçadas pela Câmara de Lisboa para a zona, agora que terminou a campanha de florestação do Casal Ventoso.

"Falta unir bocados da cidade. As pessoas já têm caminhos para conquistar a encosta, mas o desafio é unir as duas encostas. Depois há que tratar parte da rua Maria Pia, que tem muitos edifícios devolutos", frisou José Sá Fernandes, vereador dos Espaços Verdes, no final da requalificação e florestação da encosta do Casal Ventoso.

De acordo com o responsável, existem seis a sete prédios praticamente em ruínas, "uns particulares e outros da Câmara, que têm que ser demolidos, embora um deles ainda tenha dois ou três moradores". Referiu, contudo, que as demolições não serão feitas a curto prazo. "A encosta é sensível e as demolições têm que ser feitas com toda a cautela".

A ligação a Monsanto é outro dos objectivos futuros, mas terá que aguardar pelo novo Plano Director Municipal, que está ainda em revisão. O vereador também não avançou datas definidas para a construção de mais equipamentos sociais e desportivos, há muitos reclamados. Porém, não deixou de reconhecer que são promessas antigas que terão que ser satisfeitas. "As pessoas tiveram aqui um problema grande com a Estação de Tratamento de Águas Residuais. Ao Bairro do Loureiro foi prometido um pavilhão desportivo. A piscina estava degradada, impraticável, e teve que ser fechada", sublinhou Sá Fernandes.

Embora tenha admitido que "há muito por fazer" na zona, o vereador afirmou que a campanha de requalificação e florestação feita na encosta do Casal Ventoso, "é um bom princípio" e que "a diferença já é muito visível".

Quanto à toxicodependência, uma chaga que tem ainda uma forte presença, considerou que se trata "de um problema social e de segurança pública", acrescentando que é necessário "sensibilizar e ajudar essas pessoas".

Cinco mil árvores na cidade

Ao abrigo da campanha - realizada em parceria com a empresa de tratamento de resíduos Valorsul no âmbito da acção da Comissão Europeia "Plante uma Árvore" - foram plantadas mais de 600 árvores e 16500 arbustos na zona.

Ao mesmo tempo que nasciam novas árvores, foram removidos entulhos e restos de construções que deram lugar a escadarias, rampas, espaços de lazer, bancos, papeleiras e nova iluminação. Um dos objectivos foi justamente facilitar as ligações entre o Casal Ventoso e o empreendimento Ceuta Norte, Centro Social José Luís Coelho e o núcleo urbano da freguesia de Santo Condestável.

Em jeito de balanço do que trabalho que foi feito, José Sá Fernandes destacou "a limpeza, o reforço da segurança da encosta e a esperança no futuro".

Segundo Sá Fernandes, nos últimos dois meses, foram plantadas mais de cinco mil árvores por toda a cidade.

(in «Jornal de Notícias»).