sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A lixeira das Salésias


Mais correcto seria escrever Campo José Manuel Soares, nome que tomaria em homenagem ao grande jogador "Pepe" que levaria o Clube Futebol “Os Belenenses” ao rubro. Duarte Pacheco, Ministro das Obras Públicas de Salazar, projectou que passaria por ali uma estrada. Foi o fim do mítico recinto desportivo.
Hoje, passados que estão cinquenta e dois anos sobre esse factos, o que ficou é um espaço degradado, abandonado, transformado numa lixeira onde despejam entulho e toda a espécie de objectos e detritos.
Este espaço foi o campo de futebol principal do Clube de Futebol "Os Belenenses". Foi aqui que se exibiram glórias do futebol como “Pepe”, "Matateu", Pedroto, foram muitos os nomes que aqui arrancaram aplausos e alegrias. Foi o primeiro estádio relvado e com bancadas em Portugal. Foi palco da final da Taça de Portugal nas épocas de 1938/39 , 1940/41 , 1942/43 , 1943/44 e 1944/45. Durante muitos anos foi o melhor estádio do país. Aí se realizaram os jogos da selecção nacional, até à construção do Estádio Nacional.
“Para agravar ainda mais a injustiça, é obrigatório referir que os tão propalados projectos de urbanização para as Salésias não passaram do papel (nem tão pouco os de um suposto bairro social que deveria lá ser construído). Chegados ao final do Séc. XX, o primeiro campo relvado de Portugal permanece como um terreno baldio rodeado por barracas a um lado e a Escola Marquês de Pombal a outro – que mal pode aproveitar o terreno para os seus alunos. Da belíssima pista de atletismo, vislumbram-se vestígios, erodida em poeira. As balizas, sem redes, são fantasmas a lembrar golos que deram alegrias a milhares. Toda a atmosfera é fantasmagórica, sobretudo para aqueles que ali revisitam os ambientes de euforia e alegria ali vividos - sem conseguir evitar lágrimas de saudade e consternação. Perante tal “zelo” com esta sua propriedade, já só no Séc. XXI a Câmara Municipal de Lisboa parece reconhecer as legítimas aspirações do clube expropriado. Deverá ser devolvido ao Belenenses e devolvido o desporto ao recinto."

Miguel Di Pace


José Maria Pedroto


Vicente Lucas


Sebatião Lucas da Fonseca "Matateu"

Lisboa S.O.S. acredita que este espaço, ao lado da Escola Secundária Marquês de Pombal, ainda possa tornar-se uma infra-estrutura desportiva que sirva a população local e os munícipes em geral. Que se acabe de uma vez por todas com esta vergonha.
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3 comentários:

Rui disse...

Espero sinceramente que tenham enviado um mail para CML com um link para este vosso artigo. É uma vergonha, para Portugal e em especial para Lisboa, que se trate tão mal aquilo que faz parte da nossa memória colectiva.

Juniores disse...

Hoje com 62 anos e ver estas fotografias o meu coração doi-me.
Recordo os Domingos à tarde em que eu e mais rapazes da Boa Hora pedia-mos aos espectadores, "Meu senhor deixe-me entrar consigo, o senhor diz que eu sou seu filho, pode ser senhor"?.
Será que os responsáveis da CML não têm coração? Dão tudo ao Benfica e ao Sporting e nós? Somos os eternos prejudicados no desporto lisboeta. Estes terrenos deveriam ser entregues ao Belenenses.

RUI XARUTO disse...

Uma lástima que não acontece só em Lisboa´. Igual destino teve o lugar do antigo Estádio do Lima, no Porto, recinto que pode ser visto no filme O Leão da Estrela. Tive oportunidade de ler sobre o Campo das Salésias (tanto este como o que existiu primeiro nas proximidades) pela primeira vez no livro História do Futebol em Lisboa, de Marina Tavares Dias,autora também da belíssima obra Lisboa Desaparecida. Mesmo sendo portuense e à distancia que me encontro, não deixo, porém, de sentir revolta pelo estado em que se encontra um local que é património histórico do Belenenses e do futebol português. Isto num país que tanto vive o futebol.
Sou benfiquista e não esqueço que o meu clube teve origem em Belém e também deu os primeiros passos nas Salésias, nos primeiros anos da sua existencia. Mas é sobretudo ao Belenenses, que bem merece que a sua História seja respeitada e enaltecida, que deve ser feita a justiça de devolver a este lugar a didgnidade que se impõe.