sexta-feira, 8 de maio de 2009

«Ao adquirir o seu bilhete está a ajudar a obra social da Fundação o Século».


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Estes animais que nos governam ou “que se governam”. Ironia das ironias, neste mesmo local foi construído em 1888 o Mercado Central de Gados, do arquitecto Parente da Silva, com modificações de Faria e Maia. Não confundir com o Matadouro Municipal de Lisboa fotografado por Henrique Nunes.
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Quero começar por uma declaração de interesses: nunca gostei de “feiras de diversão”. Vou tentar explicar porquê. Não simpatizo com a barraquinha do “óhhh freguêêês vai um tirinho?”. As diversões mais arriscadas sempre me inibiram. Se era arriscado, não percebia muito bem o interesse em caminhar voluntariamente para o perigo – para cúmulo tinha que pagar a ousadia. Outros equipamentos, supostamente para amedrontar, como o comboio-fantasma ou a casa assombrada, eram assustadoramente confrangedores. Aquelas teias artificiais, a sugerir serem de verdadeiras aranhas e que nos acariciavam o rosto... repugnavam-me. Só o facto de saber que tinham afagado o rosto do bêbado suado que seguia na carruagem da frente... A estudante a recibos-verdes que em part-time aparecia histérica aos berros quando o público visitava a Casa Assombrada e que retirava todo o mistério e encanto ao local. Não apreciava nem os barquinhos nem os carrinhos de choque. Não gostava da cigana metida numa caixa que nos lia a sina por 5 escudos. Não gostava do Poço da Morte, tinha medo que José Lito morresse, e levasse os filhos atrás naquela loucura, rodopiando. Irritavam-me os jogos em que nada me saía e as rifas em que me saía sempre alguma louça barata ou um peluche que eu não tinha coragem de oferecer a ninguém. Incomodava-me com os fumos do frango no churrasco e o cheiro das sardinhas assadas. Enjoava na montanha-russa. Concluindo, a única coisa que ali me levava era acompanhar os amigos e sobrinhos na loucura que sentiam pela Feira Popular de Lisboa. Esperavam com ansiedade a reabertura da Feira e não faltavam ao último dia. Bem, o que ali me levava era também a rapariga que vendia iogurtes num pavilhão da Mimosa... Feito aqui o reparo, também eu me diverti, o que podia, na Feira Popular de Lisboa.
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Teatro Vasco Santana.
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Auditório Municipal Ana Bola.
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Prometeram-se milhões. Ninguém ficaria de fora. Chegava para todos. Haviam promessas e grandes planos traçados em nuvens. Foi construída uma maqueta do projecto de um americano famoso (que nos custou milhões) do que seria no futuro o Parque Mayer, cujo espaço tinha servido como permuta na aquisição dos terrenos da Feira Popular a Entrecampos. Havia um casino à mistura e muitas promessas de circunstância. Não faltaram os políticos esclarecidos, os mágicos e os megalómanos. Os patos-bravos por detrás de cada governante medíocre e irresponsável. Houve episódios com malas e gravações lícitas e ilícitas, tipo polícia que se esconde para poder apanhar os prevaricadores, numa atitude pidesca que denota falta de formação. Houve depois os tribunais a arrastarem o assunto até já ninguém poder ouvir falar. Calados, prescindimos do Parque Mayer e dos espectáculos de revista. Prescindimos do espaço de cultura que foi o Teatro Vasco Santana. Prescindimos da Feira Popular, único espaço de diversão do género. Porquê? Porque continuamos a tolerar estes feirantes que nos governam? Desde 1961 em Entrecampos, a Feira Popular acabou por encerrar a 5 de Outubro de 2003, pondo fim à fantasia de milhares de pessoas que ali se divertiam (eu não, já o disse). Entretanto, tudo continua na mesma. Como se estivéssemos no melhor dos mundos. Um monte de entulho num terreiro que é o espelho da nossa cidade.
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5 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Deixe-me que lhe diga que prefiro ver o terreno assim como está - uma ruína - que assistir à bunkerização que a comandita e adjacente ralé decerto terão em mente. Basta de lixo, de Cortes Ingleses, Altas de Campolide e outras "machimbas" do estilo. Basta!

Rafael Santos disse...

Eu sou suspeito a falar da feira popular. Não era daqueles que esbanjava dinheiro na feira até porque não o tinha em abundância, mas creio que a feira era a distracção dos pobres que ali se reuniam com amigos, encontravam familiares e onde esqueciam algumas das amarguras. Hoje é precisamente amarguras que ali se vê.

Para quem dizia que a guerra estava no medio-oriente, creio que estas imagens até nos parece que também por aqui passou. É esta a Lisboa que se quer transmitir, sobretudo aos turistas que nos visitam e permanecem hospedados ali nos hotéis da redondeza.

Simplesmente LAMENTAVEL!

DEON disse...

Um jardim sem grande necessidade de manutenção, ambientalmente eficiente...o Teatro arranjadinho, recuperado, e abriam um restaurante adjacente...um espaço no resto do jardim para skaters, etc (há que agradar a todos...).

M Isabel G disse...

Os azulejos com os galináceos são bem giros!:)

E é uma pena ver uma placa com o nome de uma actriz completamente abandonada

paco nassa disse...

o melhor espaço de diversão k Lisboa já teve! agradeçam ao FDP do sacana flopes!!!