sexta-feira, 29 de agosto de 2008

TV Rural: a Tapada da Ajuda.

Diz o guia que foi o Marquês de Pombal que mandou plantar para D. José caçar. 100 hectares no meio da cidade. Hoje é do Instituto Superior de Agronomia. Bute lá ver.

Antiga vacaria. O relógio está certo duas vezes por dia.


Pavilhão de Exposições, Auditório da Lagoa Branca e a dita cuja. Os funcionários dizem que o Auditório abre uma vez por ano, se tanto. A Lagoa está seca. Parece que dantes o Instituto Superior de Agronomia não pagava a conta da água. Depois começou a ter de pagar. Realmente é chato.






Lá está, a cena de pagar a água. Tudo normal.

Ouvi dizer que existe na Tapada o "Banco de Junot", onde o franciú supostamente descansava no caminho para o Palácio da Ajuda (devia ir lá para pedir uns subsídios ou assim). Mas não deve ser este:
Nem este:

Este também não:

Também não me cheira que seja este:

Será que os gajos se enganaram no guia e era a "cadeira de Junot"?

Poltrona, cadeirão, sofá, sei lá pá.

Ah. E é "do" Junot. Compincha. Isto na antiguidade havia menos diferenças sociais.

Então? Bué de água, afinal.

Mas deve ser para regar isto. Campo de râguebi. Não sei se é assim que se escreve, que os gajos no site têm Rugby. Gandas Lobos, é assim mesmo. Ganda prestação no Campeonato do Mundo. Só vitórias. Nada como esses badamecos que foram aos Jogos Olímpicos.

Rugby, Sevens, Club House. Depois dizem que não é um desporto elitista. Um gajo tem de falar estrangeiro para poder jogar. O que vale é que os Wolves cantam o hino aos berros antes de cada jogo. Como é que se diz "levar uma cabazada" em inglês?


Isto da Tapada está muita bem feito porque é tal e qual como quando um gajo anda a passear pelo campo em Portugal, digam lá se não é?


E não é só no entulho que é parecido. Nas estradas, a mesma coisa:

Agora só um intervalo rápido que eu já venho.

Eh lá, União Europeia, Ciência e Tecnologia, projecto, deixa lá ver isto.

Eu gostava mesmo é que o pessoal nos países ricos da Europa que pagaram esta cena toda viessem cá ver como cá também se fazem coisas fabulosas com os impostos dos gajos.


A estufa é para aquecer as plantinhas mas depois fica quente demais e é preciso a ventoínha. Tem lógica.

Mas também há outras estufas que já vêm sem paredes, e já não é precisa a ventoínha. Está tudo calibrado automaticamente e poupa-se energia. Deve ter sido no tal projecto que inventaram esta cena. Ganda patente.


Estes aparelhos que eles põem nas árvorezinhas é que devem ter custado balúrdios.

Mal sabia eu que o pessoal que planta as hortas à beira da IC19 andou aqui em Agronomia a aprender a fazer estas cenas com as garrafas de plástico.

É pena é não terem inventado um sistema para pôr as placas direitas, mas com outro projecto na FCT...

Mas isto não é só estufas e hortas, claro. Também é preciso maquinaria moderna:

E hoje já não se faz nada sem computadores, claro.

E tubos e cenas, sei lá.

Observatório Astronómico. Isto de esperar que apareça Saturno deve dar cá uma sede...

Mais União Europeia. Arranjo do caminho da Terra Grande. Ficou fixe, mas é um bocado curto.



Senhores ladrões de azulejos, como é?

Por acaso estes podiam levar todos.

E um miradouro de onde não se vê népia.


Apícola é abelhas, não é?

Olha elas. Cheira a mel, aqui.

Mas é linda, a Tapada, e não devo ser o único a achar. Merecia melhor.

Piqueniques, não era? Actividades de Verão e visitas de estudo para a miudagem, ver as abelhinhas e plantar hortas e tal. E um mercado de produtos do campo? No Botânico da Ajuda fazem. E restaurantes e cafés que estivessem abertos em Agosto? Não era mal visto.


E aproveitar o auditório para uns concertos ao ar livre, sei lá.


Até podiam cobrar mais pela entrada que a gente não se importava. Enfim, este people não tem imaginação nenhuma. Deviam ir ao Terreiro do Paço e aprender como se anima um espaço público comodevedesser.

9 comentários:

Ponto Verde disse...

Lamentável! Com esta Faculdade de Agronomia extrapolamos para o estado da nossa agricultura... e para tudo o resto...

Xica disse...

Obviamente que não tem conhecimento sobre quem paga as contas da água clube de rugby dos Antigos Alunos do Instituto da Agronomia...
Nem que neste momento, as obras que acontecem por ali são de melhoramento das infraestruturas, financiadas por sócios do clube. Nem que por lá existe um restaurante bastante agradável e onde se come muito bem e um bar com vista para o rio, explorados pelo clube de rugby, que permitem passar momentos mais agradáveis na Tapada da Ajuda.
Só é pena é que os sócios do clube de rugby da Agronomia, que para além das cotas ao clube, tenham de pagar 40 euros ao Instituto anualmente, para poder entrar na Tapada da Ajuda, e mesmo assim depois não vejam melhoramentos nenhuns na estradas dentro do Instituto. E quem diz sócios, diz estudantes e professores. E olhe que ainda são um bom números de furos nos pneus por ano...

Patricia disse...

Se isto não fosse tudo tão triste, até dava vontade de rir, de tão patético que é.
A ultima vez que fui ao ISA foi há 10 anos e do que me lembro, as coisas naquela altura já não estavam bem, por isso não é de espantar que em 2008 continue tudo na mesma e ainda pior. Não se admite, a meu ver, que uma Universidade ligada natureza/agricultura e espaços verdes tenha a sua envolvente paisagistica nessa vergonha! Ja para não falar do seu valor histórico! Mas estamos em Portugal, por isso acho que já começo a achar este tipo de situações "normais" para o País que temos..

Luis disse...

Na sequência das fotografias e de algumas opiniões expressas no blog, ocorreu-me o seguinte comentário:

A gestão da Tapada da Ajuda é da responsabilidade do Instituto Superior de Agronomia (ISA), integrado na Universidade Técnica de Lisboa. Como as demais Universidades públicas, tem tido grandes dificuldades financeiras em resultado dos cortes nas verbas de funcionamento inscritas no orçamento geral do Estado, sua principal fonte de financiamento, dificuldades essas que se agravaram nos últimos anos. Não admira, portanto, que os aspectos menos essenciais da gestão sejam prejudicados pela necessidade de reservar os escassos recursos disponíveis para os sectores mais prioritários. Esta é uma das causas do triste abandono que as fotografias documentam.

Não se julgue, porém, que a desolação que agora observamos é coisa recente. Em boa parte, a decadência da Tapada da Ajuda vem de mais longe, logo na sequência das convulsões que agitaram o país e as universidades após o 25 de Abril. As causas são complexas e a sua explicação não cabe no espaço deste simples comentário. De uma forma muito simplista apenas direi que a decadência resultou, em grande parte, da limitação quase absoluta das contratações de certas categorias de funcionários, afectando muito os técnicos dedicados às tarefas de manutenção. Como consequência, deixou de se fazer a natural substituição dos funcionários, à medida que se iam aposentando, levando à desertificação dos quadros. Carências deste tipo, aliás, tiveram graves consequências em outras instituições como, por exemplo, o Parque da Pena, também vítima de um deplorável processo de abandono e degradação, do qual ainda está longe de ter recuperado.

Mas há ainda outras causas para além dessa. Uma delas é a falta de imaginação da instituição para encontrar outras formas alternativas de financiamento que permitam a recuperação e manutenção de algumas das estruturas existentes. Que fazer com a apicultura, a cultura mecânica, a pateira, a parada, o auditório, etc, etc? É preciso encontrar para elas novas utilizações com interesse público, uma vez que aparentemente deixaram de ter o interesse técnico, científico ou simplesmente estético em razão dos quais foram criadas.

Segundo creio, há já algum tempo que o observatório astronómico vem desenvolvendo algumas actividades de divulgação da astronomia que considero muito interessantes. Mas será que tais actividades têm suficiente divulgação entre a população? Receio que apenas uma pequena fracção de potenciais interessados beneficie desta oportunidade.

A equipa de rugby de Agronomia, de longa tradição no desporto universitário e nacional, é apenas um exemplo de como dar alguma vitalidade e utilização com interesse público, à Tapada da Ajuda. Mas certamente que algo de mais se poderá fazer na vertente desportiva.

O problema é deveras complexo. Será porventura demais esperar que os dirigentes do ISA, prioritariamente assoberbados pelas responsabilidades de docência, investigação e gestão, dispersem mais a sua actividade na procura de utilizações alternativas para as estruturas existentes. É compreensível que não tenham tempo ou não sintam grande motivação para "inventar" novas fontes de preocupações e responsabilidades.

Mas talvez entre os estudantes e funcionários do ISA e porventura outros cidadãos conhecedores das estruturas existentes e das potencialidades que a Tapada possui, possam surgir novas ideias interessantes. Será desejável que visem a ampliação do seu papel cultural, social e lúdico e permitam a recuperação e melhoria das infra-estruturas numa base de auto-sustentabilidade. Talvez seja possível encontrar e motivar no exterior parceiros interessados, numa base de complementaridade de interesses.

Obviamente que quaisquer soluções a adoptar devem ser compatíveis com a principal razão de existência da Tapada, que é sediar e suportar a actividade da principal escola agrária do país. Em caso algum deverão ser aceites soluções que possam prejudicar ou perturbar o funcionamento do ISA e das outras instituições sediadas na Tapada.

Utopia? Ingenuidade?

L. Gomes da Costa

Heidi disse...

É realmente uma pena, mas o dinheiro do Instituto não chega para tudo, visto que recebe apenas como uma faculdade normal não tendo em conta os custos de manutenção da Tapada ou Jardim Botânico. Em relação a visitas para escolas tem e pic-nic basta querer fazer como já lá fiz umas tantas vezes...

TONINHO disse...

Lembro em pequeno da enorme e fabulosa estufa, chamada agora de Pavilhão de Exposições.

Estava repleta de enormes paineis de azulejos e frescos que retratavam a fauna e a flora de determinadas zonas do planeta. Tinha uma enorme fonte central e balcões trabalhados e adornados de cor por onde estavam colocadas variadissimas especies de plantas, inclusive palmeiras. Aliás esse era mesmo o intuito dessa belissima estufa, as plantas tropicais.

Do miradouro de onde agora nada se vê pelo descontrolado e desorganizado crescimento da mata, podia-se observar calmamente o rio, sentado nos bancos de azulejo que continham plantas floridas nas exremidades e uma arvore central.

Havia inumeros lagos, muita agua de nascente, muitos peixinhos e imensos tipos de aves que ali viviam ou ancoravam nas migrações.

Havia os magnificos jardins, tratados e ordenados, repletos de estatuas.
Havia as hortas e os pastos e tambem a mata replecta de plantas conhecidas e desconhecidas onde nos perdiamos em corridas de bicicleta e aventuras misteriosas... E havia tambem os familiares piqueniques ecologicos de fim de semana.

Havia cuidado e respeito por tudo, não se roubava, não se estragava e o que se sujava, limpava-se, para que de cada vez que voltassemos a Tapada nos acolhesse com aquele frescor sorridente nos Verões demasiado quentes da cidade.

Nada tinha a ver com dinheiro, mas com as pessoas e com reais valores.

Eramos partecipativos, felizes e bem educados!

Augusto Costa disse...

Ahh a minha Tapada!

Nasci em 1980. A minha mãe trabalhava no OAL, na altura organismo independente, que respondia directamente ao Ministério, e como funcionário do OAL tinha habitação garantida (como todos os que lá trabalharam desde 1861) no edificio contiguo do lado oeste do OA.

Lembro-me de andar mt de bicicleta até à noitinha, lembro-me que todos os funcionários do OAL tinham direito a uma parcela de terreno e que os meus pais e vizinhos cultivavam..
Havia a família vasconcelos no 2º andar do meu prédio; o sr.costa, guarda; ai o tempo passa a correr...
haviam pelo menos 6 familias no meu prédio até 1998. no outro 3.
à dois anos a minha mãe e a minha tia (astrónoma) reformaram-se.
A Tapada está a morrer.
já ninguém habita aquelas paredes..
Tudo fechado... os drogados já tentaram entrar, mas conseguiu-se que fossem corridos.
Tive 1 cão, o Castor; tive gatos, o Mozart, a Smif...
Os jardim do OA eram lindos, chegou-se a gravar cenas para uma série francesa, debaixo de um dos monumentais dragoeiros...
Que saudades da Tapada..

Alice disse...

Eu concordo plenamente com a falta de imaginação, andava eu à procura de informação a tentar compor um artigo sobre as hortas de ic19 que ouvii até dizer que se consideram património nacional, e foi assim que vim aqui parar, e é mesmo sobre a falta de imaginação que queria falar, por isso não podia cocordar mais, onde é que esta ela

antoniomcascais disse...

LOBO VILLA
Falou-se aqui de tudo para explicar a decadência da Tapada: falta de pessoal,falta de dinheiro,falta de imaginação...
A decadência da Tapada vai de par com a decadência do país,ou seja com a decadência dos VALORES todos: da pátria, da família, da solidariedade em geral,enfim de tudo... que a corrupção da política dos últimos anos tem trazido ao país,culminando com a bancarrota económica do abominável Sócrates !
A Tapada e o país terão de renascer destas vergonhosas cinzas !!!