segunda-feira, 15 de junho de 2009

Mistérios do Hospital de Arroios.


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Igreja do Convento de Nossa Senhora da Conceição de Arroios, actual Hospital de Arroios, Eduardo Portugal, s.d, Arquivo Municipal de Lisboa, AFML - BO 94585
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Convento de Nossa Senhora da Conceição de Arroios, actual Hospital de Arroios, s.a. s.d, Arquivo Municipal de Lisboa, AFML - BO94577
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Convento de Nossa Senhora da Conceição de Arroios, actual Hospital de Arroios. Painel de azulejos, Armando Serôdio, 1960, Arquivo Municipal de Lisboa, AFML - A31305
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O Hospital de Arroios encontra-se na Praça do Chile, no princípio daquilo que, em tempos idos, se chamava a «Estrada de Sacavém». O Hospital estava instalado no antigo Convento de Nossa Senhora da Nazaré, que foi colégio dos jesuítas missionários da Índia, fundado em 1705. Junto a ele, o local onde apareceu morto, em 4 de Outubro de 1910, o almirante Cândido dos Reis. Agora talvez perceba o motivo pelo qual se chama à avenida próxima Avenida Almirante Reis. Mas, se esse mistério se resolve, outros se adensam.
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O Hospital está fechado há muito. A magnífica igreja serve hoje - e bem! - o culto ortodoxo.
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Um pouco mais de História:
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Construído em 1705 a partir do financiamento de D. Catarina de Bragança, filha de D. João IV e de D. Luísa de Gusmão, funcionou até 1755 nesse espaço conventual o colégio de formação dos Jesuítas, tomando o nome de colégio de São Jorge de Arroios.
Resistiu ao terramoto de 1755 mas não à expulsão dos Jesuítas em 1759, altura em que Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal (1769), determinou a ocupação do convento pelas freiras Concepcionistas Franciscanas, ficando o espaço a ser conhecido por convento de Nossa Senhora da Conceição de Arroios.
O convento ficou devoluto em 1890, ano em que morreu a última freira e em 1892, o Estado decidiu que o seu espaço fosse convertido em hospital e ficasse sob a administração do Hospital Real de São José. Foi então determinado que funcionasse um hospital de isolamento para doentes com peste bubónica, cólera, varíola, lepra e tuberculose.
A partir de 1898, o antigo convento tomou o nome de Hospital Rainha Dona Amélia e destinou-se somente ao tratamento e prevenção da tuberculose, para em 1911 após a Implantação da República se passar a chamar Hospital de Arroios. Funcionou até 1993, altura em que foi definitivamente desactivado, encontrando-se actualmente devoluto.
Foi na igreja do convento que permaneceram os restos mortais do Marquês de Pombal trasladados do convento de Santo António de Coimbra, antes de serem transportados para a Igreja de Nossa Senhora das Mercês.
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É irónico que os restos mortais do Marquês de Pombal tenham estado aqui. O Marquês, que expulsara os jesuítas daqui, aqui veio parar. As voltas da vida, não é? E hoje, sabe onde estão os restos mortais de Sebastião José? Ah, aqui morreu Câmara Pestana, já agora mais uma informação.
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Em Fevereiro de 2005, dizia o «Público»:
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A Câmara Municipal de Lisboa aprovou recentemente a demolição quase integral do antigo Hospital de Arroios, à Praça do Chile, onde uma empresa imobiliária do grupo Fibeira, de Armando Martins, irá construir um empreendimento de habitação e comércio, com perto de 150 apartamentos. O projecto é da autoria do arquitecto Miguel Correia, que já antes assinara um projecto anterior indeferido pela câmara em Março de 2004, por não ter em conta a salvaguarda dos valores patrimoniais do imóvel - onde existia um antigo colégio conventual da Companhia de Jesus, que resistira ao terramoto de 1755. "O projecto de arquitectura também já foi aprovado, com alterações. Actualmente, além da igreja [que dá para a Rua Quirino da Fonseca], é também mantido o claustro do antigo convento", disse ao PÚBLICO António Rosa de Carvalho, assessor da vereadora Eduarda Napoleão, responsável pelo licenciamento urbanístico. Na versão inicial, o projecto previa a construção de vários blocos de edifícios, com alturas variáveis, uns com seis pisos, outros com sete pisos e um mais elevado, com oito pisos, no remate da fachada virada à Praça do Chile, além de três pisos subterrâneos destinados a estacionamento (com 437 lugares). Na altura do indeferimento, Eduarda Napoleão baseara-se nas críticas feitas pelo Núcleo de Estudos do Património (NEP) da câmara, que considerava não haver justificação para a demolição do imóvel."A forma como esta intervenção foi encarada contraria os princípios básicos que devem nortear intervenções em áreas urbanas onde coexistem edifícios de várias épocas. Nada está fundamentado: parte-se para a demolição integral como se se tratasse de qualquer construção menor. Quem ler a memória descritiva pensa que se está a intervir num lote onde apenas existe uma igreja, que se transforma numa peça completamente descontextualizada", dizia o parecer do NEP, já que o templo era integrado nas novas edificações.Câmara "tentou ao máximo qualificar o projecto"O Núcleo de Estudos do Património recomendava que se mantivesse não só a igreja como o volume setecentista do antigo convento e, embora admitisse a sua remodelação interior, sustentava que devia ser preservado o pátio, as galerias e o sistema de corredores. No entender do NEP, só era admissível "demolir dois edifícios confinantes a norte da Praça do Chile e os corpos que haviam sido adossados ao convento nos anos 40/50 do século XX".O promotor da obra, a imobiliária Imofrança, considerava, porém, difícil, senão impossível, acatar estas recomendações. "Aproveitar mais do que a igreja e os claustros é complicado", disse em Março de 2004 Vítor Reis, da Imofrança. Ontem não foi possível apurar junto dos serviços camarários, ou do arquitecto Miguel Correia, se as recomendações do NEP foram acatadas e quais as alterações introduzidas no projecto, decorrentes da decisão de manter o claustro do antigo convento."A vereadora tentou ao máximo qualificar o projecto. Na parte que é virada para a Praça do Chile mantém-se a intervenção contemporânea", disse António Rosa de Carvalho.Um alçado do que irá ser construído na Rua Quirino da Fonseca revela a manutenção do claustro, mas sobre ele é erguido um edifício que se eleva quatro pisos acima do topo dos arcos.O PÚBLICO tentou ontem ouvir quer o autor do projecto, quer o promotor da obra, mas até ao fecho da edição nenhum deles esteve disponível para prestar esclarecimentos.
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Em 2006, o Cidadania Lx perguntava:
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Depois das peripécias mais variadas, desde falcatruas a processos disciplinares, de avanços e recuos de projectos a mudança de promotores, de roubo de azulejos a delapidações várias (ver extracto do Público, de Fev.2005), eis que o antigo Convento e Hospital de Arroios continua na mesma, como a lesma. Ou seja: em vias de classificação e como as fotografias (fonte: DGEMN) documentam. Em que ficamos? A classificação do IPPAR é para valer? O projecto de construção de apartamentos destruirá tudo à excepção do claustro e da capela? Há resultados do processo disciplinar interno? Notícias que dêem conta que o promotor terá cumprido as deliberações da CML?
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Os imigrantes de Leste utilizam a igreja como ponto de troca de mensagens. Mais uma das curiosidades de Lisboa. Uma experiência interessantíssima.
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Hoje, as janelas estão partidas. De fora, vêem-se os paramentos dos sacerdotes.
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O Hospital vai ser demolido. Que restará da Igreja e dos claustros? Os azulejos, esses, já voaram há muito.
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Os cartazes já lá estão. O processo arrasta-se há anos... Mistérios de Lisboa.
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3 comentários:

odete pinto disse...

Os restos mortais de Sebastião José estão na Igreja da Memória, à Ajuda, se não me engano.

Bic Laranja disse...

E não repararam no sinal de trânsito avisando 'Hospital' no início da Pereira Carrilho?
O desprezo da Câmara pela cidade é tanto que dá vómitos. Arroios carrega tantos, tantos exemplos disso que até dá dó.
Cumpts.
P.S.: o Marquês está na igreja da Memória, sim.

Rogerio Marinho disse...

Há uma série de anos trabalhei num "Insdtituto de Utilidade Pública" que pertencia ao famoso Mistério da Saúde ouvi falar em obras realizadas não sei em que local nem parapara que encontrado um género de "Cemitério". Não quero que isto seja tomado como acusação ou prova pois não há quem testemunhe.