terça-feira, 16 de setembro de 2008

French Kiss. Voltem, Francesinhas, estão perdoadas...


Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa

Faz falta neste jardim uma placa com o nome, até porque nem toda a gente conhece a história que lhe deu origem. Uns chamam-lhe uma coisa, outros outra. Na maioria dos casos, as designações dadas são incorrectas. O jardim foi construído no local de um antigo convento, o Convento das Francesinhas. Nos anos 40, foi ali construído por Gustavo de Matos Sequeira um parque temático que se chamou «Lisboa Antiga». Ao jeito do «Portugal dos Pequenitos», recriava a vida no local à época em que nele existia o Convento. O parque teve muito sucesso, mas acabou por ser demolido. Só em 1949 se desenhou e construiu o jardim que até hoje existe. Mesmo ao lado do Palácio de São Bento. Ao lado da Assembleia da República e da residência oficial do Primeiro-Ministro.

O Convento das Francesinhas foi fundado em 1667 pela Rainha de Portugal Maria Francisca de Sabóia, esposa de D. Afonso VI e, em segundas núpcias, de D. Pedro II (era fresca para a rambóia, a Francisca da Sabóia!). Quando morreu, a rainha foi sepultada no convento que fundou. Em 1912, o corpo foi trasladado para o Mosteiro de São Vicente de Fora, dando-se então início à demolição do convento. Nos terrenos foram deixadas durante muito tempo as pedras do Arco de São Bento, desmantelado ali perto (hoje, na Praça de Espanha). Nos jardins do Convento encontra-se actualmente o Instituto Superior de Economia e Gestão. Só em 1949 se desenhou o jardim na sua forma actual. Com uma homenagem à Família numa escultura de Leopoldo de Almeida que ornamenta um chafariz de 8 bicas. Posteriormente, foi inaugurado um monumento em homenagem a Bento de Jesus Caraça. O jardim tem tudo para ser um local aprazível. Então, porque não é?




Não é aprazível por isto?



Ou por isto?



Por isto?



E por isto?



Ou será por isto?


Não é aprazível, por causa disto?

Ah, por causa disto?



E disto?



E também disto?



E, já agora, também por causa disto?


Não é aprazível... por causa do quê? Disto?


Disto?


E disto também?

Ou disto?

E, claro, disto?


Disto também?

E ainda mais disto...

Mas é bonito, lá isso é.



Pode haver quem não goste...



Mas é bonito. Aprazível, pronto.




«A Junta de Freguesia da Lapa garantiu ao DN que já pediu à autarquia para "tomar conta do jardim" mas a câmara recusa-se a ceder o espaço até porque garante que o "jardim não se encontra em mau estado, sendo que a parte da área verde do jardim tem sido limpa e conservada. Tem havido acções de limpeza frequentes no jardim". Quanto à parte de mobiliário urbano, caminhos ou lancis de passeios, José Sá Fernandes, vereador dos Espaços Verdes, admite que "carecem de uma intervenção".» (...) «"É uma vergonha. Está uma vergonha", exclama Nuno Ferro. O presidente da Junta de Freguesia da Lapa lamenta o facto de aquele espaço, "localizado numa zona tão frequentada por altas personalidades", se encontrar no estado actual. "Quem trata do jardim é apenas um homem, mas como tem tantos jardins para tratar fica aqui umas horas que acabam por dar em nada", denuncia o presidente.».

Aquele discurso do vereador José Sá Fernandes acaba por nos surpreender se tivermos em conta um concurso recente que pretende adjudicar melhoramentos no Jardim e cuja base de licitação é de 312.095,45 €, não incluindo o imposto sobre o valor acrescentado. Tudo contadinho, se não houver atrasos nem acertos, vai quase para os 400 mil euros. Convenhamos que é obra: 80 mil contos para um jardim que, segundo o vereador Sá Fernandes, não está mal... Até receamos saber quanto custará a recuperação daqueles que necessitam mesmo de ser recuperados.

Voltem, francesinhas do Convento. No Porto, as francesinhas saem mais baratas. Porto SOS?

4 comentários:

virgilio disse...

Realmente, é impressionante,tenho 53 anos ,a partir dos 6 anos de idade,brinquei com muita regularidade neste espaço,pois morei sempre na rua Miguel Lupi,onde ainda moram os meus Pais,quando me recordo,o que brinquei neste jardim,as festas de santos populares que ali se realizaram,fico imensamente triste,pois é um caso que vivi ao longo de toda a minha infância.
Penso que seja qual for o vereador chamado a resolver esta situação,não vai resultar,quem tem que resolver isto,será a junta,que é quem pode ter algum sentimento mais chegado,se for de alguém ,que tenha vivido aqui neste local,,,,as brincadeiras como eu as lá vivi.

augusto gracio disse...

Também eu brinquei neste jardim pois nasci há 63 anos no Bairro da Lapa.Pura e simplesmente sinto-me horrorizado com o estado de degradação a que chegou este jardim que tem quase a minha idade.Um jardim lindíssimo e maravilhoso. Se a Câmara não toma conta desse espaço público que deixe
a Junta fazê-lo.Faltam espaços verdes na cidade não deixem morrer os poucos que restam. Deixem-se de guerras e assumam as responsabilidades.

Mowack disse...

Jà la vão mais que 65 anos que brincàvamos todos là.
Enviàva o meu filho todos os anos passàr dois meses a casa dos avòs,nem lhe mostro o estado de degradação em que se encontra!!Hoje com 43 anos, prefiro que veja as fotos que os tios lhe tirava:choro cada vez que vejo o estàdo em que se encontra Lisboa.Tens um formidàvel blog!Continua Bravo

augusto gracio disse...

Esperava que,por quem de direito. tivesse já resolvido ião deplorável situação,mas pelo que vejo está tudo na mesma.No tempo das remessas de dinheiro houve verba para estragar-fazendo obras no jardim do palácio de S.bento.para abrigaros carros dos srs deputados, mas para reabilitar este histórico e lindo jardim a verba já não chegou.