domingo, 12 de julho de 2009

Cemitério dos Ingleses.


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Em 2006, a Rainha Isabel II condecorou, com a Ordem do Império Britânico, Adelina Pires. Adelina Pires tinha na altura 97 anos, 70 dos quais passados a cuidar do Cemitério dos Ingleses, à Estrela. Começou a fazê-lo em 1937, quando casou com o sacristão da igreja anglicana de São Jorge. Após a morte do seu marido, continuou a cuidar das campas e dos túmulos. «Sem receber qualquer salário», assinalou o comunicado da Embaixada inglesa.
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Quando alguém dedica setenta anos de vida a cuidar dos mortos, sem receber qualquer salário, não podemos deixar de nos interrogar. Que graça especial tocou Adelina Pires? Que dom lhe foi concedido para ser assim?
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Quantas vezes terá olhado para este dragoeiro? Que terão dito um ao outro?
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Adelina deve ter presenciado o Memorial que aqui teve lugar, em Fevereiro de 1965, para homenagear Winston Churchill. Se cá estava, viu decerto Oliveira Salazar. Não era a primeira vez que cá vinha. Salazar estivera aqui no serviço religioso do Dia da Vitória, em 1945. E também por alturas da morte do Rei Jorge VI, em 1951. E também em 1940, em Agosto, para assistir a um Memorial pelo Duque de Kent, morto num acidente aéreo.
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Em 1962, um incêndio deflagrou na Capela. Adelina Pires deve ter estado presente.
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As relações eclesiásticas entre Portugal e a Inglaterra são um pouco mais antigas do que Adelina Pires. Datam de 1142.
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Blessed are the dead which die in the Lord.
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Henry Fielding (1707-1754), um "grande, esfarrapado trovador".
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Quando por aqui passeamos, esquecemo-nos por momentos de que estamos em Lisboa.
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FIRST LORD: What time o' day is't, Apemantus?
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APEMANTUS: Time to be honest.
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FIRST LORD: That time serves still.
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(William Shakespeare, Timon of Athens).
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Time to be honest. Time to be honest.
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