domingo, 14 de fevereiro de 2010

Lisboa, faz figura.


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A Preta Fernanda
Antes vou falar-vos da Preta Fernanda. Chama-se Fernanda e foi prostituta em Lisboa no início do Século XX. Digo “chama-se” e não “chamava-se” porque ainda hoje passo por ela todos os dias. Todos os dias, duas vezes por dia levanto minha cabeça para lhe tirar as medidas. Esta Fernanda do Vale nasceu em Cabo Verde em 1862 e morreu já na República. Negra, muito bela e instruída, foi amante de metade da Lisboa intelectual do virar do século. Parece que ficou viúva muito cedo, ainda com menos de vinte anos. Sozinha e sem recursos numa cidade longínqua pôs o corpinho a render. E que corpinho. Viveu com artistas e fez a cama com ministros. Vestiu-se de odalisca e dançou para príncipes. A cavalo lidou touros em Cascais. O Eça levava a Preta Fernanda para os camarotes do Teatro Trindade para provocar a má lingua das damas de sociedade e dos jornalistas do Bairro Alto. Dizem que cantava o fado ao piano e que com uma navalha na mão ninguém se chegava ao pé dela. Num País que era paisagem e numa Lisboa que era o Chiado ficaram famosos os escândalos da Preta Fernanda.
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Figura popular da vida quotidiana de Lisboa de novecentos, Paulino José da Conceição, também conhecido como Pai Paulino, foi defensor dos direitos dos negros, caiador e gaiteiro da procissão de São Jorge.
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Estes objectos, datados do séc. XIX e que pertenciam à colecção de D. Pedro V, eram usados para acondicionamento do rapé ou dos tabacos vendidos nas estanquerias.

O rapé - tabaco em pó para cheirar - tornou-se um hábito da sociedade lisboeta, constituindo uma moda das elites do séc. XIX, acreditando-se nos seus efeitos terapêuticos. Descoberta a planta após a viagem de Colombo, era já usada nas Índias Ocidentais pelos seus efeitos alucinógeneos. A divulgação do cigarro é posterior ao rapé, passando a ser muito utilizado a partir da segunda metade do séc. XIX, altura em que o uso do rapé é relegado para segundo plano.
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2 comentários:

Gastão de Brito e Silva disse...

Excelente post... a história não se centra apenas nas datas e batalhas....é tão importante a história mundana como a história política...

ana disse...

Concordo em absoluto!

Muito interessante e enriquecedor para uma lisboeta que desconhecia tais personalidades que fizeram história com as suas histórias, e marcaram para sempre a cidade onde nasci! Obrigada.

Cumprimentos!

Ana