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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Capela de Santo Amaro, obrigado jornal "i".

Lisboa SOS contactou alguns órgãos de comunicação sobre o caso da Capela de Santo Amaro. O jornal «i» interessou-se pelo caso (obrigado!) e fez a seguinte reportagem:

Graffiti: ninguém tem solução para igrejas degradadas
por Marta Cerqueira.



Entidades competentes não se entendem quanto à responsabilidade das obras de restauro do património.


"Continua a realizar-se a missa ao domingo e as pessoas ainda escolhem a Capela de Santo Amaro para casamentos e baptizados", explica ao i Sónia Salvado, proprietária do café vizinho à capela. Mas depressa riposta: "Está tudo degradado, é uma vergonha". Toda a sua família casou em Santo Amaro e Sónia não quis ser excepção, explicando, no entanto, que na altura a capela "não estava no estado degradado em que está hoje".

Não é preciso entrar no edifício - fechado quase toda a semana - para perceber que o lixo se tem acumulado e que o interior da capela tem servido de depósito para o grupo de escuteiros local.

O historiador Rui Ramos explica que este problema não é único, apresentando a igreja de Santo António em Campolide, Lisboa, e o Mosteiro de Tibães, em Braga, como exemplos de igrejas deterioradas, uma ainda em total estado de degradação e a última aberta ontem ao público, depois das muito reivindicadas obras. Para Rui Ramos, a extinção das ordens religiosas em Portugal no século XIX foi determinante para que alguns edifícios fossem vendidos a particulares ou simplesmente deixados ao abandono.

Igreja singular

Situada em Alcântara, a Capela de Santo Amaro foi edificada em 1549 e classificada como monumento nacional em 1910. A forma circular e os azulejos do século XVI que revestem toda a capela tornam-na num ponto de grande interesse na cidade, "mas muito mal aproveitado", considera o presidente da Junta de Alcântara. José Godinho garante que recebe constantemente queixas dos moradores e ele próprio já foi um dos queixosos: "A Capela de Santo Amaro é monumento nacional, mas não é tratado como tal", explicou ao i. José Godinho relembra que em 1992, com Jorge Sampaio como presidente da Câmara de Lisboa, a zona exterior foi reabilitada, com a aprovação de um projecto que permitiu a total remodelação do pavimento e a qualificação do átrio, mas a estrutura da capela foi ignorada. "É de extrema urgência a remodelação do espaço que devia ser paragem obrigatória nos circuitos turísticos da capital", salienta o autarca, aproveitando para sugerir a valorização do miradouro, devido à vista única da capela sobre o Tejo.
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Longo processo
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Fonte do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) explicou ao i que, actualmente, apesar de o último parecer sobre os projectos pertencer ainda ao instituto, todo o processo de qualificação e reabilitação de património é da competência da Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo. Neste sentido, a direcção regional elaborou um relatório geral de intervenção para a Capela de Santo Amaro, a que o i teve acesso. O documento defende a substituição integral das coberturas degradadas e o restauro dos tectos. Para a parte exterior da capela, aconselha-se a remoção dos graffiti, o restauro dos portões e a remoção do revestimento e impermeabilização existente. O relatório já foi aprovado pelo IGESPAR, mas, segundo fonte próxima do processo, o problema prende-se com a falta de verbas.
A igreja não está afecta à direcção regional, ou seja, não está directamente sob sua tutela, o que condiciona ainda mais a angariação do dinheiro necessário para o restauro.
A mesma fonte explicou ao i que, em 1928, a capela foi reabilitada para culto, passando assim a estar sob responsabilidade da Igreja. Por sua vez, o padre João Valente, pároco na capela, garante que "têm sido feitos todos os esforços para a reabilitação do espaço", mas até ao momento não obtiveram respostas, remetendo a responsabilidade do restauro da Igreja para o IGESPAR e da zona envolvente para a Câmara Municipal de Lisboa.

Para explicar este pingue-pongue de atribuição de competências, Rui Ramos lembra um hábito que considera ser comum em Portugal: "O mérito da responsabilidade da obra toda a gente quer, mas a culpa da degradação, essa morre solteira."

Nota do Lisboa SOS: tudo isto não explica a acumulação de lixo e objectos no interior do edifício. O Padre João Valente devia explicar como permite tudo isso. Aí não entram responsabilidades do IGESPAR nem da Direcção de Cultura. Aí, é só mandar recolher a tralha. Quanto ao exterior, se houver problemas, o Lisboa SOS pinta as paredes de branco, é fácil - e barato. A remoção dos grafitos é coisa para irmos falando com as entidades competentes. Já contactámos o Pestana Palace Hotel, vamos falar com as empresas de remoção de grafitos. Do Patriarcado, ninguém respondeu. Do Corpo Nacional de Escutas, nada disseram. AJUDEM-NOS NESTA CAUSA!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Capela de Santo Amaro: passo a passo... Um apoio de peso!



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A carta enviada ao Patriarca de Lisboa e ao Director-Geral de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo:
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Exmo. Senhor
Cardeal Patriarca de Lisboa
D. José Policarpo
Exmo. Senhor
Prof. Luís Marques
Director-Geral de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo


Vimos por este meio chamar a atenção de Vossas Exas., representantes máximos das entidades que tutelam a Capela de Santo Amaro, Monumento Nacional e jóia de Alcântara, para o estado lastimável em que se encontra o exterior deste templo maneirista, por demais conspurcado não só pelos “graffiti” que vão sendo desenhados nos muros e na escadaria em seu redor, mas também pelo lixo que, aparentemente, é deixado sistematicamente pelos escuteiros que neste momento usufruem da condição de “moradores” no adro murado da Capela.

Como Vossas Exas. poderão comprovar facilmente através das imagens já publicadas na Net (http://lisboasos.blogspot.com/2009/09/capela-de-santo-amaro-uma-causa-lisboa.html, http://cidadanialx.blogspot.com/2009/09/ninguem-tem-vergonha-do-estado-que.html, http://blasfemias.net/2009/09/08/coisas-que-nao-se-entendem/), trata-se de uma situação que se arrasta há demasiado tempo e que é urgente acabar, até porque, não sendo aparentemente onerosas as obras de limpeza e manutenção, tal apenas depende da boa vontade e do interesse de Vossas Exas. pela causa pública.
Subsequentemente, serve o presente também para desafiar Vossas Exas. a tomarem a iniciativa de, em conjunto, encontrarem uma solução de longo prazo para este assunto, que garanta que a Capela de Santo Amaro volte a ser motivo de regozijo para todos quantos se interessam pela causa do património; estratégia essa que, a nosso ver, poderá passar por encontrar mecenas que, a par dos cidadãos, garantam não só a preservação da Capela de Santo Amaro mas tamém coisas simples como a sua abertura ao público.

Esperando que Vossas. Exas. acolham como bom este nosso contacto, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Júlio Amorim e Virgílio Marques

domingo, 23 de agosto de 2009

Chegou a servir de carvoaria...


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Malgrado esta selvajaria, um grupo de escuteiros, que parece ter uma sede no interior da capela, bem podia arregaçar as mangas e pintar os muros que fazem parte deste património, tal como os muros junto das escadinhas que lhe dão acesso. Mas tal não acontece.
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Implantada numa colina sobranceira ao Rio Tejo, perto do vale de Alcântara, a Capela de Santo Amaro foi edificada em 1549, conforme indica a inscrição colocada sobre a porta principal do templo. O projecto desta ermida de planta centralizada, única na cidade de Lisboa, é atribuído a Diogo de Torralva (MARKL, PEREIRA, 1986; MOREIRA, 1995; SERRÃO, 2002), um dos grandes arquitectos do século XVI português, que tão bem explorou e entendeu o novo gosto do Maneirismo, nomeadamente as vias da tratadística italiana da época.Templo de peregrinação, a fundação da capela dedicada ao santo milagreiro está envolta em lendas, não se sabendo ao certo se a sua instituição se deve a um grupo de marinheiros galegos ou a uma confraria instituída no local em 1532 por freires da Ordem de Cristo, com autorização régia de D. João III (CORTEZ, 1994, p. 856).Na verdade, a Capela de Santo Amaro destaca-se pela singular, e erudita, estrutura centralizada, composta por "(...) dois cilindros secantes de inspiração serliana, a que se agrega uma original galilé de planta semicircular (...)" (CORREIA, 1991). Espaço ímpar no panorama arquitectónico português, este templo terá sido inspirado numa gravura do tratadista Sebastiano Serlio, que representa o mausoléu dos Crescenzi, na Via Appia, em Roma (MOREIRA, 1995, p. 352).A par com a capelinha de Bom Jesus de Valverde, em Évora, e a capela do Paço de Salvaterra de Magos, é um dos poucos espaços religiosos quinhentistas a explorar a planta centralizada, que voltará ao panorama arquitectónico português apenas na segunda metade da centúria seguinte.O núcleo da estrutura é o espaço circular do oratório, envolvido em metade da sua área pela galilé semicircular, que compõe a fachada, à qual corresponde, do lado oposto, a pequena capela-mor, também cilíndrica.Aberta por uma arcada de cinco vãos, dois dos quais são cegos, a galilé é coberta por abóbada de nervuras abatida, com fechos decorados com símbolos alusivos ao santo padroeiro, cruzes de Cristo, florões e estrelas. Os três arcos principais foram fechados, no século XVIII, com portões de ferro forjado.As paredes deste espaço estão totalmente revestidas por azulejos polícromos tardo-maneiristas, organizados em dois registos, cujas figurações centrais, alusivas a Santo Amaro, são envoltas por ferroneries, putti, motivos de grutesco e pendurados. Nos vãos cegos da arcada foram erigidos dois altares de estrutura maneirista, em trompe l'oeil, executados em azulejo policromo.O acesso ao interior é feito através de três portas, abertas na galilé, estando gravada sobre a porta principal uma inscrição alusiva à data de fundação da capela. A nave circular é coberta por cúpula semi-esférica com lanternim, possuindo coro-alto, ao qual se acede pelo terraço. Um arco de volta perfeita, sem qualquer decoração, abre para a capela-mor, também coberta por cúpula semi-esférica, que ao centro alberga retábulo de talha azul e dourada em estilo nacional. Contígua à capela-mor foi construída a sacristia. Celebrada a 15 de Janeiro, a romaria de Santo Amaro era uma das mais concorridas da cidade, tendo sido realizada pela última vez em 1911. Com o advento da República, a ermida foi abandonada e saqueada, chegando a servir de carvoaria. Em 1927 foi entregue à Irmandade do Santíssimo Sacramento, e no ano seguinte o espaço foi reabilitado para o culto.
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Santo Amaro, que futuro?

A lenta agonia, ou a salvação, de um quarteirão de Lisboa


Por José António Cerejo in Público

Um vasto espaço verde do tempo do Palácio Valle Flôr, no Alto de Santo Amaro, conta com cinco projectos em trinta anos. O último, já aprovado, mas agora em tribunal, é de Souto de Moura. Certo é que tudo ali mudará


Vai para dez anos, em Abril de 2002, um projecto para o Alto de Santo Amaro foi chumbado pelo então Instituto Português do Património Arquitectónico (Ippar). O mesmo aconteceu, quatro anos depois, a uma outra proposta para ali apresentada por outro arquitecto. Mas já em 2007, o organismo que sucedeu ao Ippar, o Igespar, viabilizou no mesmo sítio um projecto de um terceiro arquitecto. Só que esta última solução merecera dos consultores do Igespar objecções semelhantes às que tinham levado à recusa das anteriores.
Em Lisboa, a cidade faz-se e desfaz-se assim há muitos anos: o que não se pode agora passa a ser permitido mais logo; o que é negado a este é autorizado àquele; o que se faz reconhecidamente mal acaba por servir de pretexto para se voltar a fazer mal. Basta haver tempo e meios para esperar. Basta insistir, baralhar e voltar a dar. Basta conseguir apoios onde fazem falta. Mas não é obrigatório que os bloqueios sejam bons e as facilidades perversas. Por vezes é só a burocracia que paralisa projectos e condena a cidade.
No Alto de Santo Amaro, entre Alcântara e a Ajuda, os palacetes e os seus generosos jardins coroavam a encosta, subindo da Junqueira. Ainda nos anos 70 do século passado tinham começado as investidas contra os tesouros que por ali abundavam. Já no final da década seguinte, os poderes públicos reagiram, lançando, para uma área mais vasta, o Plano de Salvaguarda e Valorização de Ajuda-Belém e outras medidas preventivas da destruição dos valores patrimoniais ameaçados. Além disso, vários edifícios e monumentos foram classificados - entre os quais o Palácio Valle Flôr, actual Hotel Pestana Pallace - e uma zona de protecção especial de alguns deles foi criada.
Tudo parecia blindado para que o interesse privado não se sobrepusesse ao interesse público. Regras e regulamentos restritivos não faltaram. Mas as contradições entre eles, as guerras de competências entre serviços públicos e as diferentes interpretações das mesmas normas - entre outros factores - abriram portas que o interesse público parecia ter fechado.
Parte destes instrumentos já estavam em vigor quando, em Dezembro de 1989, ainda com Kruz Abecasis na presidência, a Câmara de Lisboa aprovou um estudo que permitia a construção de um conjunto de edifícios de sete pisos, separado do Palácio Valle Flôr apenas pela Rua Soares de Passos. A viabilidade aprovada, de 16.225 m2 de construção acima do solo, era, porém, inferior em mais de 3 mil m2 aos 19.380 m2 previstos no estudo do arquitecto Ronald Hart. O conjunto ocupava todo um quarteirão verde com 5500 m2, delimitado por aquela rua e pelas ruas Jau, João de Barros e Pedro Calmon e pertencente à Sociedade Agrícola Valle Flôr. Uma das metades tinha ainda grandes árvores tropicais do tempo da construção do palácio, no século XIX. A outra tinha (e tem) quatro moradias, de traça semelhante, que asseguravam a transição entre os palacetes e jardins e os quarteirões de habitação colectiva.
Antes de aprovar o que aprovou, Abecasis pedira o parecer do Instituto Português do Património Cultural (IPPC), o qual foi enviado no final de Dezembro de 1989, dias depois de Jorge Sampaio ter ganho a câmara. Era fortemente negativo, dizia que o projecto violava as medidas preventivas, e foi enviado por telegrama dois dias depois da data em que o município entendera verificar-se a aprovação tácita. Face às relações tensas então existentes entre autarquia e o IPPC, a secretária de Estado da Cultura, Teresa Gouveia, escreveu a Sampaio lembrando-lhe que a aprovação de qualquer projecto para o local exigia a autorização do Ministério da Cultura e que essa nem sequer fora pedida.

Projecto desenterrado

Passado mais de um ano, no Verão de 1991, e sem que o IPPC tivesse sido consultado, as obras iniciam-se com o derrube de árvores e a escavação de fundações. Convencido de que se tratava da construção dos edifícios previstos no estudo que reprovara, o IPPC, através do seu presidente, Antero Ferreira, pediu explicações a Sampaio e propôs ao secretário de Estado da Cultura que determinasse o embargo dos trabalhos. O presidente da câmara limitou-se a informar, para espanto do IPPC, que o terreno onde estava a ser feita a obra tinha sido vendido pela sociedade Valle Flôr a uma outra empresa (Mistral) e que os cinco edifícios em construção na Soares dos Passos tinham sido aprovados em 1983, tendo as licenças sido emitidas meses antes.
O que acontecera então? Impedida de avançar em todo o quarteirão nas condições que propôs no estudo de Ronald Hart, a sociedade Valle Flôr socorrera-se de uma aprovação camarária velha de oito anos - que os consultores de Sampaio entenderam não ter caducado -, pedira as licenças e vendera metade do terreno pronto a construir. Foi assim, à revelia do IPPC, que ali foi construido em 1992, com as alterações feitas em curso de obra pelo arquitecto Mário Sua Kay, um bloco de cinco edifícios de sete pisos projectado em 1982 por Fernando Ló e que representava a primeira fase do empreendimento então aprovado. Pelo meio, a proposta de embargo do IPPC caiu no esquecimento, tendo Santana Lopes, então secretário de Estado da Cultura, ordenado que o assunto fosse resolvido em reunião com a câmara, que nunca veio a realizar-se.
Volvida uma década, em 2002, a sociedade Valle Flôr voltou a apostar na urbanização da metade sobrante do quarteirão, a das quatro moradias, então em bom estado e ainda ocupadas pelos seus inquilinos. Para esse espaço já não foi possível recorrer à aprovação global de 1982, até porque os projectos de arquitectura, ao contrário do que sucedeu com os da outra metade, aprovados em 1983, nunca chegaram a ser entregues. Daí que, em 2002, tenha submetido ao Ippar (sucessor do IPPC) um projecto do arquitecto Sua Kay que previa a demolição das moradias e a construção de um conjunto de sete pisos com um total de 10.631 m2 acima do solo, semelhante e simétrico ao que fora feito na parte de cima. A resposta foi negativa, entendendo o Ippar que a solução, incluindo a demolição das moradias, alteraria "de modo significativo" as características ambientais da zona, "contribuindo negativamente para o enquadramento aos vários imóveis classificados existentes".
Falhada esta tentativa, os proprietários avançaram em 2005 com uma nova proposta, esta do arquitecto Ângelo Dias, idêntica à anterior e pressupondo também a demolição das moradias. A seu favor, a sociedade invocou o facto de já ali estar construído um bloco equivalente e apresentou um parecer privado, assinado por um professor de Arquitectura, que sublinhava o "pouco valor representativo das moradias" a demolir. A solução em análise, acrescentava o professor, "não ofende a qualidade ambiental e paisagística" e constitui uma "opção adequada ao local (...) seja pelo bom senso e pelo acerto da concepção de princípio, seja porque não agride a tradição sociocultural do bairro e a sua tradição arquitectónica". O autor era Antero Ferreira, o antigo presidente do IPPC que em 1989 se batera contra a destruição daquele espaço verde.
No Ippar, Flávio Lopes, o então director regional de Lisboa que em 1991 propusera o embargo do bloco da Soares de Passos, defendeu a aprovação do pedido, sustentando que a relação harmoniosa estabelecida entre as moradias e o Palácio Valle Flôr "foi quebrada" com a construção daquele conjunto de edifícios. Quem assim não entendeu foi o conselho consultivo do instituto, que, no ano seguinte, em sintonia com uma outra informação técnica interna, se pronunciou pelo chumbo da nova solução. O parecer do conselho, que mereceu em Julho de 2006 a aprovação do presidente do Ippar, Elísio Summavielle, defendia a redução da altura do imóvel, "a avaliação da possibilidade de integração das moradias" e uma "frente construída com interrupções" - por oposição à solução proposta, que teria uma frente contínua de perto de 80 metros ao longo da Rua Pedro Calmon.

(in Público).

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Fábula de Santo Amaro.


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No Alto de Santo Amaro, uma capela maneirista está assim...
Querem fazer o projecto ilustrado abaixo.
Dir-se-á: é em locais diferentes, uma coisa não tem a ver com outra. Na perspectiva do promotor imobiliário, é óbvio. Mas, na perspectiva do decisor político, tudo tem a ver com tudo. Daí ser diferente a qualidade de construtor e a de decisor - este último é eleito para defender o interesse de todos. E creio que não é do interesse de todos - nem sequer do promotor imobiliário... - que, ao lado de um prédio de Souto de Moura, esteja uma capela de vários séculos degradada. Não poderia haver uma contrapartida no restauro, ao menos?
Não. A visão de Manuel Salgado é uma: licenciar, licenciar, licenciar. Sem olhar ao que se passa à sua volta. Desprezando a «envolvente», para usar um termo do urbanês. Assim, Manuel salgado pode ser um bom intermediário dos interesses privados, mas não é certamente um bom defensor de um interesse: o interesse público.
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Imagem virtual do empreendimento pensado pelo conhecido arquitecto

Câmara de Lisboa nega ilegalidades em projecto de Souto de Moura para o Alto de Santo Amaro
Por José António Cerejo in Publico

Autarquia rejeita argumentos de uma providência cautelar, entregue ao tribunal por moradores vizinhos, que sustentam que há violação do Plano Director Municipal

A Câmara de Lisboa rejeita a existência de quaisquer violações do Plano Director Municipal (PDM) no projecto do arquitecto Souto de Moura aprovado, em Dezembro passado, para a Rua do Jau, no Alto de Santo Amaro.



"O acto de aprovação do mesmo projecto respeitou todas as normas legais e regulamentares aplicáveis", lê-se numa resposta enviada ao PUBLICO, no passado dia 29, pelo Departamento de Marca e Comunicação da autarquia. O esclarecimento prende-se com um pedido de informação, feito 17 dias antes, sobre a aprovação daquele projecto, que foi objecto de uma providência cautelar interposta por um grupo de moradores na zona (ver PÚBLICO de 19/09).
De acordo com a resposta da autarquia, não se verifica qualquer incumprimento do índice máximo de construção previsto pelo PDM para o local, ao contrário do que alegam os moradores, porque, tratando-se da construção de um único edifício, e não de um loteamento, a obra "não está sujeita a um qualquer índice de utilização máximo".
De igual modo, a câmara recusa qualquer ilegalidade na aprovação do estacionamento subterrâneo, porque o projecto "assegura" a infiltração das águas pluviais que caiam sobre a camada de terra que revestirá a cobertura das caves, sem que as mesmas sejam encaminhadas, como dizem os autores da providência cautelar, para o ramal de águas pluviais.
Sobre este aspecto, a informação municipal acrescenta que o PDM em vigor, "contrariamente ao que acontece com o projecto de versão final da respectiva revisão, actualmente em fase de aprovação", admite nas áreas consolidadas a total ocupação dos logradouros com estacionamento em cave. No caso do projecto de Souto de Moura, adianta que "nem sequer se verifica uma impermeabilização da totalidade do logradouro, dado que a proposta prevê uma faixa de 1,5 metros em terreno natural, ao longo de toda a extensão da parcela, além de que está prevista uma camada de terra de 0,80 metros sobre os pisos de estacionamento".
Relativamente à profundidade das empenas, que os vizinhos dizem ultrapassar os 15 metros regulamentares, a câmara garante que "não existe qualquer incumprimento (...), até porque se trata de um edifício isolado, que não está inserido numa frente urbana". Quanto às invocadas discrepâncias entre as áreas verdes e as áreas construídas, que somariam uma área total superior à do próprio terreno, justifica-as com o facto de o edifício não ter construção nos pisos térreos, por ficar assente em pilares de sete metros de altura.
Finalmente garante que ao projecto em causa não se aplica a obrigação municipal de estimular a preservação das quatro moradias anteriores à década de 40, que existem no local e serão demolidas, porque as mesmas não estão inscritas no inventário do património municipal, nem a proposta prevê uma alteração do respectivo uso.

domingo, 20 de setembro de 2009

Capela de Santo Amaro: passo a passo...



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Recebemos este comentário:
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Bom dia:
A Academia de Santo Amaro, na rua com o mesmo nome, abaixo da capela, esta disposta a fazer representações da sua revista à portuguesa "isto agora asae ou racha" e o valor de bilheteira pode ajudar na recuperação da "nossa capela". Falem com a direcção da A.S.A o contacto é Patricia Braz. Contem com a A.S.A para recuperar a capela de Santo Amaro
:) saudações teatrais

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Obrigado à Academia de Santo Amaro. Isto é um «case-study»: a sociedade civil mexe-se, apoia, está disposta a ajudar. Já recebemos apoio de blogues, de empresas de limpeza de grafitos, de personalidades como Helena Roseta. Do Patriarcado de Lisboa e do IGESPAR (mais propriamente, da Direcção Regional de Cultura), não recebemos NADA.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Porque não em Lisboa?

Idosos fazem reparações
Trabalhos gratuitos são forma de voluntariado adoptada
Um grupo de reformados de Buarcos, Figueira da Foz, faz pequenas reparações gratuitas em escolas, espaços públicos e ainda apoia famílias carenciadas. Trata-se de um projecto de voluntariado promovido pela Junta de Freguesia.
Eleito presidente da junta nas últimas eleições autárquicas, José Esteves, 65 anos, antigo maquinista de embarcações de pesca longínqua, é o mentor da brigada voluntária, que ele próprio integra.
"Há uma grande vontade de colaborar com a população. Reformado não quer dizer acabado", sustenta o autarca.
Dois Franciscos, Moura e Santo Amaro, igualmente sexagenários, completam a equipa que, em dois meses de actividade, de segunda a sexta-feira, é já presença habitual nas escolas e espaços públicos de Buarcos.
Vidros partidos prontamente substituídos, reparação de quadros eléctricos, arranjo de instalações sanitárias, troca de lâmpadas ou fixação de balizas e outro equipamento desportivo são exemplos de situações que, frisa o autarca, "dentro das possibilidades" o grupo de voluntários tenta resolver.
"É um trabalho magnífico, a título gracioso, voluntário. Têm sido realmente muito eficazes", comentou Pedro Mota Curto, director do agrupamento de escolas de Buarcos.
Francisco Moura foi pedreiro "até aos 20 anos", antes do serviço militar na Guiné, e, no regresso a casa, ingressou na celulose Celbi, onde esteve 32 anos, por entre caldeiras e maquinaria diversa e, mais tarde, numa empresa de construção civil. Destaca as competências adquiridas ao longo da vida e não se vê, agora reformado, "a ficar parado". "Temos de ajudar quem precisa, o povo tem muitas necessidades", sublinha.
Já Francisco Santo Amaro, antigo maquinista marítimo, "uma vida no mar", advoga que outros reformados da freguesia deviam abraçar o voluntariado. "Aqui não há políticos. Todos juntos devíamos apoiar os nossos filhos e netos", acrescenta.
Francisco Moura e Francisco Santo Amaro baptizaram a equipa de "brigada do reumático", condição que o autarca José Esteves, no entanto, rejeita: "Não são nada reumáticos, são activos, têm muita força. Assim todos os jovens lhes seguissem o exemplo".
(in «Jornal de Notícias»).
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Nota Lisboa SOS: já falámos dos «Tutores de Bairro» em Cascais. Em Setúbal, reformados vigiam a Avª Luísa Todi. Lisboa, com a população idosa que tem, não poderia aproveitar esta fonte de ajuda? Lisboa não é gente, dizia o outro?

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Capela de Santo Amaro: obrigado, Fernando Jorge.

Parabéns pela iniciativa «Capela de Santo Amaro». Parece que na nossa cidade (país?) as autoridades se demitem cada vez mais das suas responsabilidades.Pelo menos a sociedade civil está cada vez mais activa, tomando iniciativas que provam o crescente sentido de cidadania mas também provam que Estado e Municípios são inacapazes de gerir eficientemente o interesse público. Basta pensar no movimento PASSEIO LIVRE e a CAMPANHA ANTI-MARQUISES para constatarmos a vergonhosa incapacidade de fazer cumprir a lei em Portugal! Enquanto o IGESPAR e a CML passam a lata de tinta de mão em mão, o SOS LISBOA pode organizar a pintura dos muros e a remoção dos graffiti! Tentem convencer uma empresa a oferecer à cidade a limpeza dos graffiti da Capela de Santo Amaro. Envio em baixo dois contactos de empresas especializadas na remoção de graffiti:
C2H5- Conservação e Restauro Lda.
Largo Conde Ottolini nº 20 1º Esq.
1500-201 Lisboa
Tel/Fax 217782833
Telm. 934993981
Responsável: Artur Cerqueira
c2h5@sapo.pt

Tecnograffiti, Lda.Rua Entre-os-Muros nº 54NÚCLEO EMPRESARIAL IArmazém AM2660-395 São Julião do TojalTEL: +351 21 301 31 04FAX: +351 21 301 31 06
tecnograffiti@tecnograffiti.com

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Obrigado, Helena Roseta.


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Em comentário enviado para o nosso blogue:
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Venho juntar a minha voz à defesa da capela de Santo Amaro. Tenho além de todas as razões óbvias para o fazer uma razão pessoal: o primeiro trabalho de equipa que fiz quando entrei no curso de Arquitectura foi um levantamento da Capela de Santo Amaro. Correu tudo muito bem até ao momento em que precisávamos de medir a altura do pé-direito interior. Alguém teve então uma ideia brilhante: lançar um balão com um cordel agarrado e quando o balão tocasse no tecto medir o comprimento do cordel. Assim se fez. E eu aprendi uma lição que dura até hoje: em todos os trabalhos temos de incluir alguma coisa de novo e criativo. Assim haja criatividade para encontrar os meios necessários à salvaguarda desse edifício belíssimo que é a Capela de Santo Amaro.
Helena Roseta

Capela de Santo Amaro: carta ao Patriarcado.

Ao Patriarcado de Lisboa,

Exmos. Senhores

Vimos por este meio chamar a atenção de Vªs. Exªs. para a degradação do espaço exterior da Capela de Santo Amaro, a qual se deve em parte à presença de um grupo de escuteiros no local.

Tratando-se de um monumento nacional, o caso encontra-se amplamente noticiado:

http://lisboasos.blogspot.com/2009/09/capela-de-santo-amaro-uma-causa-lisboa.html

http://cidadanialx.blogspot.com/2009/09/ninguem-tem-vergonha-do-estado-que.html

http://blasfemias.net/2009/09/08/coisas-que-nao-se-entendem/

Nesse sentido, como as obras de limpeza não parecem ser muito onerosas, e dada a natureza do edifício, sugerimos respeitosamente um contacto com o IPPAR, actual IGESPAR/Ministério da Cultura, ou com um mecenas (Pestana Palace Hotel) para limpeza dos grafitos na fachada.

Com os melhores cumprimentos,
Lisboa SOS
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NOTA: se quiser participar nesta campanha, escreva também para
Endereço: Mosteiro de S. Vicente de Fora, Campo de Sta. Clara, 1100-472 LISBOA. Tel. 218810500; http://www.patriarcado-lisboa.pt/.
Vigararia Geral (Secretaria de Apoio): Fax 218810584;
vigararia.geral@patriarcado-lisboa.pt

Secretária: Maria Manuela B. L. Almeida Santos

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Museu da Carris: 10 anos.


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No 10º aniversário do Museu da Carris, cortejo de 7 eléctricos antigos. Saída de Santo Amaro, dia 17 de Janeiro, às 15 H. Percurso: Santo Amaro-Praça da Figueira Belém-Santo Amaro. É GRATUITO.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Lisboa na Rua.

Lisboa na Rua - Verão nos Coretos e Jardins de Lisboa

CLÁSSICOS NA RUA
Museu Nacional de Arte Antiga
Rua das Janelas Verdes
213 912 800
JARDIM
Quarteto da Camerata de Lisboa
7 Ago: 19h
Recital de Piano - Fernando Altube
8 Ago: 19h

Parque Recreativo dos Moinhos de Santana
Alto do Restelo
213 021 580
Duo Vienalis
14 Ago: 19h
Recital de Piano - Cathal Breslin
15 Ago: 19h

Miradouro de São Pedro de Alcântara
Rua de São Pedro de Alcântara
Recital de Flauta e Violoncelo
21 Ago: 19hSet
Sax Quarteto
22 Ago: 19h

Museu Nacional de História Natural
Rua da Escola Politécnica, 58213 921 800
JARDIM BOTÂNICO
Quarteto Liandara
28 Ago: 19h
Recital de Canto e Piano
29 Ago: 19h

FITAS NA RUA
Largo de Santo Antoninho
Cais do Sodré
A Janela (Marialva Mix)
Filme de Edgar Pêra.
Vestígios
Curta-metragem de Tiago Afonso.
1 Ago: 22h

Tapada das Necessidades
Largo das Necessidades
213 932 111
Blow Up
Filme de Michelangelo Antonioni.
Antes de Amanhã
Curta-metragem de Saguenail.
2 Ago: 22h

Miradouro de Santo Amaro
Alto de Santo Amaro
Death Proof
Filme de Quentin Tarantino.
Corações Plásticos
Curta-metragem de Sérgio Brás Almeida.
8 Ago: 22h

Museu Nacional de Arte Antiga
Rua das Janelas Verdes
213 912 800
JARDIM
Os Olhos Azuis
Filme de Yonta de Flora.
História Trágica com Final Feliz
Curta-metragem de Regina Pessoa.
9 Ago: 22h

Jardim da Parada
Campo de Ourique
Almoço de 15 de Agosto
Filme de Gianni de Gregório.
Um Dia Frio
Curta-metragem de Cláudia Varejão.
15 Ago: 22h

Praça do Comércio
CAIS DAS COLUNAS
Através das Oliveiras
Filme de Abbas Kiarostami.
Tronco & Nu
Curta-metragem de Regina Guimarães.
16 Ago: 22h

Rua Neves da Costa
Carnide
O Céu
Filme de Sueli de Karim Ainauz.
Deus não Quiz
Curta-metragem de António Ferreira.
22 Ago: 22h

Torre de Belém
MoonFleet
Filme de Fritz Lang.
Remains
Curta-metragem de Sandro Aguillar.
23 Ago: 22h

Miradouro da Capela de São Jerónimo
Rua Pêro da Covilhã
Restelo
O Verão de Kikujiro
Filme de Takeshi Kitano.
Circa Me
Curta-metragem de Amarante Abramovici.
29 Ago: 22h

Praça Martim Moniz
Os Lisboetas
Filme de Sérgio Tréfaut.
China, China
Curta-metragem de João Pedro Rodrigues e João Rui Mata.
30 Ago: 22h

OUT JAZZ
Parque Recreativo dos Moinhos de Santana
Alto do Restelo
Percundim
2 Ago: 17h
Ummadjam
9 Ago: 17h
kilu Live Act
16 Ago: 17h
André Carvalho Quinteto
23 Ago: 17h
Audible Arquitecture
30 Ago: 17h

Jardim da Estrela (Coreto)
Largo da Estrela
Groov 4Tet
6 Set: 17h
Júlio Resende 4Tet
13 Set: 17h
Filipe Melo/Bruno Santos Duo
20 Set: 17h
Jam Sessions
26, 27 Set: 17h

LUGAR À DANÇA
Jardim Guerra Junqueiro/Jardim da Estrela
Largo da Estrela
VenDança pela companhia Cia. EntreMans. Alexis Fernández e Catarina Varela, coreografia e interpretação.
29 Ago: 17h30
Site-SpecificDança pela companhia Tok’Art.
29 Ago: 17h50
Oxymoron
Jordi Vidal, autoria e interpretação.
29 Ago: 18h15
Under Construction
Lília de Carvalho.
29, 30 Ago

Parque das Nações
JARDIM DA ÁGUA
Site-SpecificDança pela companhia Tok’Art.
30 Ago

JARDIM DAS ONDAS
18-20Vero Cendoya & Lluc Fruitos.
30 Ago
Local a confirmar
Ariane NúmeroDança pela companhia Sofie Leso & Marc Pablo. Sofie Leso e Marc Pablo, interpretação.
30 Ago
Internet: www.myspace.com/lisboaoutjazz
Informações Úteis: Entrada livre

domingo, 25 de setembro de 2011

Ai o PDM...







Vizinhos acusam câmara de ter aprovado projecto de Souto de Moura que viola o PDM

Quatro moradias, uma delas com um jardim infantil, ocupam actualmente o local previsto para o projecto

Vizinhos acusam câmara de ter aprovado projecto de Souto de Moura que viola o PDM
Por José António Cerejo in Publico

Queixosos dizem que o prédio previsto para o Alto de Santo Amaro ultrapassa índices de construção e conta com terrenos que não são do promotor. Câmara e arquitecto não comentam

O menos que se pode dizer é que há lapsos na memória descritiva de um projecto aprovado pela Câmara de Lisboa em Dezembro passado. O projecto tem a assinatura do arquitecto Souto de Moura e prende-se com um edifício de seis pisos e 32 apartamentos que a Sociedade Agrícola Valle Flôr (grupo SLN) pretende construir na Rua do Jau, no Alto de Santo Amaro.

Inconformada com aquilo que considera serem as "gritantes violações do Plano Director Municipal" que caracterizam o projecto, a administração de um condomínio contíguo interpôs há duas semanas uma providência cautelar em que pede a suspensão da eficácia do despacho do vereador Manuel Salgado, que aprovou o projecto. Entre os argumentos dos vizinhos consta o facto de o projectista contar com terrenos que são deles e não da Valle Flôr. De acordo com a memória descritiva assinada por Souto Moura em 2009, a parcela desta empresa tem 2.425 m2, enquanto que a área de implantação do imóvel a construir é de 1.264 m2 e a superfície permeável verde ocupa 2.028 m2.

Aparentemente, estes valores são inconciliáveis, na medida em que a área verde somada à área coberta do edifício (3.292 m2) ultrapassa em 867 m2 a superfície do lote da Valle Flôr. A menos que, dizem os vizinhos, o promotor tenha contado com os 872 m2 do jardim privado do condomínio em que habitam, que está murado e escriturado em seu nome.

Segundo a memória descritiva, o novo edifício ficará assente em pilares de sete metros de altura, "dando continuidade física e visual para dentro do logradouro, transformado num grande jardim de usufruto público". Na acção interposta em tribunal, os vizinhos citam, porém, uma carta da Valle Flôr à câmara em que aquela diz que "as áreas verdes projectadas são propriedade privada para uso exclusivo dos condóminos".

Quanto a confusões, diz um dos queixosos, conta-se também a contradição entre a fotomontagem do prédio a construir que faz parte da memória descritiva e o texto da mesma: a fotomontagem mostra um bloco de cinco pisos e o texto fala em seis.

Os reclamantes insistem, sobretudo, em que o índice de utilização bruto do projecto é de 2,965 ( relação entre a área bruta de construção e a área do lote), quando o PDM estabelece um máximo de 2. Igualmente posta em causa é a ocupação da quase totalidade do logradouro com caves de estacionamento, sem que o sistema de drenagem da cobertura assegure a inflitração da água no solo.

Quanto à profundidade das empenas do edifício, os queixosos alegam que os próprios técnicos camarários reconhecem no processo que ela é superior ao máximo de 15 metros e acusam Souto de Moura de ter tentado escamotear esta violação do PDM recorrendo ao "expediente grosseiro" do desfasamento das empenas, que, segundo a memória descritiva, "simula a presença de dois edifícios paralelos, vazados entre si".

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Porta-aviões nuclear francês Charles de Gaulle fundeado no Tejo





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O tráfego fluvial resultou no alargado número de docas construídas no porto de Lisboa para tráfego local e não só... Destaco para fins militares: as docas do Bom Sucesso (aviação naval; hoje usada como marina), Belém (submarinos; hoje continua a ser usada como marina - é, aliás, a mais antiga doca de recreio de Lisboa); e Terreiro do Trigo (mais tarde tomou o nome de Doca da Marinha - ainda terminal das ligações com a Base Naval do Alfeite, junto à Cova da Piedade. Anteriormente esta ligação era feita a partir do antigo Arsenal da Marinha, hoje sem acesso directo à margem devido ao aterro da Avenida Ribeira das Naus).Para pesca: doca de Pedrouços (construída nos anos 60 e desactivada desde 2005. A população piscatória de Lisboa foi deslocada para o porto de Sesimbra e a pesca local para o simulacro de doca na antiga Cova do Vapor. Hoje é usada como base dos Pilotos da Barra de Lisboa, dada a proximidade da Torre (inclinada) de Controlo do Tráfego Marítimo).Para cargas, recreio e estacionamento de embarcações desactivadas: docas de Santo Amaro (conhecida pela doca do pinho - onde se fazia a descarga de lenha e carvão - hoje é usada pelos clubes de remo (ANL e CF) e o restante espaço é uma das seis marinas da margem Norte: Bom Sucesso, Belém, Santo Amaro, Jardim do Tabaco, Poço Bispo e marina do Parque das Nações - de momento desactivada por assoreamento); Alcântara (a maior - com extensão e fundos que permitem receber navios oceânicos); Jardim do Tabaco (junto a Santa Apolónia, sede da Aporvela e de uma das réplicas das caravelas de 500); Poço do Bispo (hoje é depósito de navios a aguardar abate e de embarcações de recreio); e Cabo Ruivo (hoje é a doca dos Olivais, exclusiva do Oceanário e usada como pista de recreio para "gaivotas" de pedais e outras embarcações juvenis - anteriormente foi o terminal das carreiras de hidroaviões para Inglaterra, Madeira, Estados Unidos e Argentina, entre as companhias aéreas que usaram este primeiro Aeroporto Internacional de Lisboa, lembramos a British Imperial Airways, Aquilla Airways, Aerotop, Pan American e FAMA. Até à Expo'98 a secção náutica do Clube TAP usou o antigo terminal de Cabo Ruivo como sede das actividades da náutica de recreio dos seus sócios. Cabo Ruivo faz parte integrante da história dos pioneiros da aviação em Portugal).
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Para a Doca de Pedrouços está prevista a requalificação do espaço público, a criação de uma área de actividades económicas e outra ligada às ciências médicas, por reconversão da antiga Doca Pesca, e a criação de novas ligações directas (viárias e pedonais) entre a cidade e o rio e o concelho de Oeiras. Abrange igualmente a criação de um percurso pedonal de atravessamento de toda esta zona, desembocando no rio, em frente do Forte do Bom Sucesso.Prevê igualmente a integração do centro náutico para vela e motonáutica, compatibilizando a organização da ‘Volvo Ocean Race’ para 2011/2012, a reabilitação da praia de Algés, criando um espaço lúdico recreativo com zona de praia e uma piscina flutuante, tudo em articulação com o município de Oeiras.
Tudo da responsabilidade da Parque Expo!
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Agora a realidade...