
domingo, 17 de junho de 2012
Pic-Nic Continente no Terreiro do Paço
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Tony Carreira
Que droga de cidade.

Reportagem: Heroína, cocaína e haxixe a cada esquina
Droga livre nas ruas de Lisboa
Drogas estão acessíveis a todos um pouco por toda a capital.
16 Junho 2012
Pedimos lume e arriscamo-nos em pleno dia na turística rua Augusta da Baixa lisboeta. "Não têm aí nada para vender?" Os dois traficantes desconfiam, mas sedentos de negócio rapidamente se mostram disponíveis. Os repórteres CM, como simples consumidores, limitam-se a ouvir: "Temos tudo e até vos damos a provar para verem como é boa." A cocaína estava escondida numa cabina telefónica. Oferecem um grama de cocaína a 45 euros.
Há uns anos, Lisboa tinha quatro hipermercados de droga: o Casal Ventoso, a Curraleira, (nas Olaias), o Camboja (perto do aeroporto) e o bairro Chinês (em Chelas). Hoje, vende-se heroína, cocaína e haxixe em qualquer esquina - da Baixa à Alta de Lisboa, de Alcântara às Olaias.
No Bairro Alto, à segunda tentativa encontramos a pessoa certa. "Já não há branca", avisa o vendedor. O negócio é adiado para a manhã seguinte. Numa rua do Lumiar, por 45 euros, compramos um grama.
No Intendente, a dois passos do gabinete do presidente da câmara, é um toxicodependente que usamos como guia. "Onde é que podemos comprar heroína?" E ele grita: "Ó Rui, há aqui malta para ti." Encostado a um café, a 15 metros, de boné na cabeça, Rui vem até nós. O grama é a 40 euros mas faz a 35. O perigo espreita nos produtos de corte - comprimidos esmagados, vidro moído e até produtos de veterinária.
"TRÁFICO DE HAXIXE MAIS ACESSÍVEL"
"Nota-se uma alteração no que diz respeito ao tráfico de haxixe. A prática tornou-se mais acessível, banalizou-se", afirma ao CM o subintendente Resende da Silva, comandante da Divisão de Investigação Criminal da PSP de Lisboa. "O traficante comum costumava ser aquele que também vendia drogas duras, estava inserido no meio. Hoje em dia, qualquer grupo de jovens se po-de juntar e comprar droga a Marrocos", explica o responsável. Quanto às zonas mais sensíveis da capital, evidencia "a zona do Intendente, bairros que circundam a avenida de Ceuta e a Alta do Lumiar, onde são feitas mais detenções e apreensões."
"ATINGE 85% DE PUREZA"
Correio da Manhã - Qual a droga mais analisada?
Carlos Farinha (Dir. Laboratório Polícia Científica) - Canábis. Há uns anos chegámos a analisar canábis misturada com vidro moído, que era adicionado para dar peso.
- Qual o nível de pureza nas drogas duras analisadas?
- Nas análises deste ano, o nível máximo na heroína rondou os 60% de pureza, a cocaína atingiu os 85%. Estamos a falar de produto que é apreendido no segmento das importações, próximo da origem.
- Que produtos de corte mais encontram?
- Na heroína, cafeína e paracetamol, parecidos em coloração e granulação. Na cocaína, levamisole, que é um produto veterinário, procaína e fenacetina.
Correio da Manhã
Há uns anos, Lisboa tinha quatro hipermercados de droga: o Casal Ventoso, a Curraleira, (nas Olaias), o Camboja (perto do aeroporto) e o bairro Chinês (em Chelas). Hoje, vende-se heroína, cocaína e haxixe em qualquer esquina - da Baixa à Alta de Lisboa, de Alcântara às Olaias.
No Bairro Alto, à segunda tentativa encontramos a pessoa certa. "Já não há branca", avisa o vendedor. O negócio é adiado para a manhã seguinte. Numa rua do Lumiar, por 45 euros, compramos um grama.
No Intendente, a dois passos do gabinete do presidente da câmara, é um toxicodependente que usamos como guia. "Onde é que podemos comprar heroína?" E ele grita: "Ó Rui, há aqui malta para ti." Encostado a um café, a 15 metros, de boné na cabeça, Rui vem até nós. O grama é a 40 euros mas faz a 35. O perigo espreita nos produtos de corte - comprimidos esmagados, vidro moído e até produtos de veterinária.
"TRÁFICO DE HAXIXE MAIS ACESSÍVEL"
"Nota-se uma alteração no que diz respeito ao tráfico de haxixe. A prática tornou-se mais acessível, banalizou-se", afirma ao CM o subintendente Resende da Silva, comandante da Divisão de Investigação Criminal da PSP de Lisboa. "O traficante comum costumava ser aquele que também vendia drogas duras, estava inserido no meio. Hoje em dia, qualquer grupo de jovens se po-de juntar e comprar droga a Marrocos", explica o responsável. Quanto às zonas mais sensíveis da capital, evidencia "a zona do Intendente, bairros que circundam a avenida de Ceuta e a Alta do Lumiar, onde são feitas mais detenções e apreensões."
"ATINGE 85% DE PUREZA"
Correio da Manhã - Qual a droga mais analisada?
Carlos Farinha (Dir. Laboratório Polícia Científica) - Canábis. Há uns anos chegámos a analisar canábis misturada com vidro moído, que era adicionado para dar peso.
- Qual o nível de pureza nas drogas duras analisadas?
- Nas análises deste ano, o nível máximo na heroína rondou os 60% de pureza, a cocaína atingiu os 85%. Estamos a falar de produto que é apreendido no segmento das importações, próximo da origem.
- Que produtos de corte mais encontram?
- Na heroína, cafeína e paracetamol, parecidos em coloração e granulação. Na cocaína, levamisole, que é um produto veterinário, procaína e fenacetina.
Correio da Manhã
António Costa: uma nódoa.

Lisboa. Câmara reforça recolha de lixo mas há serviços em pré-ruptura
Por Pedro Rainho
Falta de funcionários na recolha de resíduos pode ser só a ponta do icebergue. Há outros serviços
A semana escolhida pelos cantoneiros e pelos motoristas da recolha de resíduos sólidos da Câmara de Lisboa para fazer greve às horas extra alterou a paisagem da cidade. A noite de Santo António e um feriado pelo meio levaram a acumular o lixo nas ruas da capital, mas possibilitaram uma resposta da autarquia, que promete para “muito em breve” um reforço dos condutores de camiões de recolha destes resíduos. No entanto, o problema pode ser mais grave.
Para já, a solução encontrada para a recolha de lixo leva José Jesus, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local, a considerar que se está a “tapar o sol com a peneira”, porque “23 dos motoristas saem dos cantoneiros”, levando a que a limpeza urbana em breve se ressinta destas ausências. Ao mesmo tempo, a principal reivindicação dos trabalhadores – o pagamento de ajudas de custo – continua sem resposta, motivo pelo qual a greve vai continuar até à próxima segunda-feira, como previsto, ficando em aberto a possibilidade se prolongar o protesto.
caixa de pandora A carência de recursos humanos na recolha de resíduos sólidos trouxe à luz do dia consequências mais alargadas da redução do número de funcionários autárquicos, imposta pela troika. Vítor Reis, do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa, explica que há maior visibilidade desta situação nos serviços com um “impacto mais directo na vida das pessoas”, mas outros problemas têm passado despercebidos.
Nomeadamente, em serviços como o da brigada de calceteiros, onde os cerca de 20 funcionários “têm todos acima de 40 anos”, ou na jardinagem, que não é reforçada “desde os anos 90”, o que levou a que a autarquia “tenha deixado de prestar serviços em vários pontos da cidade por falta de pessoal”. Mas é nos jardins-de-infância da câmara que esta carência é mais sentida.
Vítor Reis fala numa “falta acentuada” de auxiliares de acção educativa, que tem vindo a agudizar-se a partir do Verão do último ano. Desde então, cerca de 40 funcionários da autarquia com contrato a termo certo foram terminando os vínculos. Para colmatar a situação, a câmara “colocou auxiliares de serviços gerais e administrativos nesses lugares, pessoas que não têm habilitação para lidar com crianças”, explica o sindicalista. A sobrecarga de trabalho e a incapacidade de se adaptarem a funções para as quais não têm qualificações levou a que, em alguns casos, os funcionários tenham recorrido ao sindicato dependentes de calmantes psiquiátricos “porque já não conseguiam aguentar”.
Além disso, estes funcionários estão em “permanente rotatividade, de quinzena a quinzena”, para compensar os casos de ausências inesperadas, por estarem a funcionar “nos mínimos dos mínimos”, refere o sindicalista.
O i tentou obter da Câmara de Lisboa esclarecimentos quanto a esta situação, mas até ao fecho da edição não conseguiu qualquer resposta
Para já, a solução encontrada para a recolha de lixo leva José Jesus, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local, a considerar que se está a “tapar o sol com a peneira”, porque “23 dos motoristas saem dos cantoneiros”, levando a que a limpeza urbana em breve se ressinta destas ausências. Ao mesmo tempo, a principal reivindicação dos trabalhadores – o pagamento de ajudas de custo – continua sem resposta, motivo pelo qual a greve vai continuar até à próxima segunda-feira, como previsto, ficando em aberto a possibilidade se prolongar o protesto.
caixa de pandora A carência de recursos humanos na recolha de resíduos sólidos trouxe à luz do dia consequências mais alargadas da redução do número de funcionários autárquicos, imposta pela troika. Vítor Reis, do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa, explica que há maior visibilidade desta situação nos serviços com um “impacto mais directo na vida das pessoas”, mas outros problemas têm passado despercebidos.
Nomeadamente, em serviços como o da brigada de calceteiros, onde os cerca de 20 funcionários “têm todos acima de 40 anos”, ou na jardinagem, que não é reforçada “desde os anos 90”, o que levou a que a autarquia “tenha deixado de prestar serviços em vários pontos da cidade por falta de pessoal”. Mas é nos jardins-de-infância da câmara que esta carência é mais sentida.
Vítor Reis fala numa “falta acentuada” de auxiliares de acção educativa, que tem vindo a agudizar-se a partir do Verão do último ano. Desde então, cerca de 40 funcionários da autarquia com contrato a termo certo foram terminando os vínculos. Para colmatar a situação, a câmara “colocou auxiliares de serviços gerais e administrativos nesses lugares, pessoas que não têm habilitação para lidar com crianças”, explica o sindicalista. A sobrecarga de trabalho e a incapacidade de se adaptarem a funções para as quais não têm qualificações levou a que, em alguns casos, os funcionários tenham recorrido ao sindicato dependentes de calmantes psiquiátricos “porque já não conseguiam aguentar”.
Além disso, estes funcionários estão em “permanente rotatividade, de quinzena a quinzena”, para compensar os casos de ausências inesperadas, por estarem a funcionar “nos mínimos dos mínimos”, refere o sindicalista.
O i tentou obter da Câmara de Lisboa esclarecimentos quanto a esta situação, mas até ao fecho da edição não conseguiu qualquer resposta
sábado, 16 de junho de 2012
Passo o dia a sonhar contigo...
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sexta-feira, 15 de junho de 2012
Obviamente, demita-a.

Demita-a, António Costa!!
Foi ontem lançada na Casa Fernando Pessoa certamente a mais importante publicação para a internacionalização dos estudos pessoanos: a revista online Pessoa Plural, dirigida por Jerónimo Pizarro, o mais distinto estudioso da nova geração, um colombiano, Onésimo Teotónio Almeida, da Brown University norte-americana, e Paulo de Medeiros, da Universidade holandesa de Utreque. A publicação é semestral e muito ilustrada com manuscritos e outros documentos. É uma verdadeira revolução! Pois a esta revolução não estiveram para estar presentes nem Francisco José Viegas, antigo director da CFP, e actual SEC, nem a anfitriã actual, Inês Pedrosa, que no amplo universo das suas solicitações mediáticas e outras não encontrou maneira — sequer — de ditar a um colaborador uma mensagem de gratidão e desculpas que fosse lida naquela ocasião, talvez porque quando o mundo gira à volta do nosso umbigo facilmente se perde a cabeça.
Para mim, isto é duma enorme gravidade, e só me apetece dizer isto: António Costa, demita imediatamente Inês Pedrosa. Quando as pessoas não sabem ocupar os cargos que têm, é preciso que algo mude para que as instituições não percam a sua própria dignidade. Se a quiserem ter, obviamente!
Na fotografia, Onésimo Almeida e Jerónimo Pizarro.
Do blogue Corta-Fitas
O Virtuoso Criador
Comissários: Ana Duarte Rodrigues e Anísio Franco

Muita gente conhece a estátua equestre de D. José I, no Terreiro do Paço ou já terão ouvido falar dos presépios de Machado de Castro. Foi com a estatuária e com os presépios que o escultor se consagrou. Esta exposição quer acrescentar-lhe mais artista. A narrativa da exposição está muito bem conseguida, pelo que, sugiro aos mais interessados que recorram às visitas guiadas. Logo no início está a ampliação de uma gravura onde um cego está representado no atelier do escultor como que a denunciar a diferença entre a pintura e a escultura, dizendo-nos que a última pode ser apreciada até por um cego.

Transporte da estátua para o Terreiro do Paço

Albumina n.d. Colecção Ângela Camila Castelo-Branco e António Faria
Réplica em gesso da estátua equestre de D. José I.
Generosidade, Palácio Nacional da Ajuda
Gratidão, Palácio Nacional da Ajuda
Basilica da Estrela
D. Maria I é a única monarca portuguesa da dinastia de Bragança (excepção feita a D. Pedro, imperador do Brasil, que se encontra em São Paulo) que não se encontra no Panteão dos Braganças mas sim na Basílica da Estrela que ela mesma mandou erguer. Por detrás do imponente túmulo de D. Maria I está o presépio de Machado de Castro.
Fotografia sem data. Produzida durante a actividade do Estúdio Mário Novais: 1933-1983.Presépio em terracota policromada, atribuído a Machado de Castro (ca. 1782/83), localizado na sacristia lateral do lado da epístola.
Trata-se de uma obra de referência nacional, do século XVIII. Dos inúmeros núcleos conhecidos, este é o mais monumental (5,0 metros de frente X 4,0 metros de altura X 3,5 metros de profundidade) e dos poucos que ainda se encontra montado na estrutura em madeira e cortiça. Tem um total aproximado de 500 figuras. Tal como nos outros presépios barrocos, encontram-se representados seis momentos fundamentais: a Natividade, como cena central, com uma estrutura arquitectónica com anjos suspensos, e composta pela Sagrada Família, a vaca e o burro; a Adoração dos Reis Magos, com os respectivos cavalos e estribeiros; a Adoração dos Pastores e Populares, com as várias figuras típicas; o Cortejo Régio, na parte superior; a Anunciação aos Pastores (à esquerda do observador), e a Matança dos Inocentes (à direita do observador). O restante espaço é preenchido com figuras do povo e cenas do quotidiano. Suspensas, cinco nuvens com anjos, querubins e putti. (Fonte: IPCR) [CFT003 080058.ic]
Trata-se de uma obra de referência nacional, do século XVIII. Dos inúmeros núcleos conhecidos, este é o mais monumental (5,0 metros de frente X 4,0 metros de altura X 3,5 metros de profundidade) e dos poucos que ainda se encontra montado na estrutura em madeira e cortiça. Tem um total aproximado de 500 figuras. Tal como nos outros presépios barrocos, encontram-se representados seis momentos fundamentais: a Natividade, como cena central, com uma estrutura arquitectónica com anjos suspensos, e composta pela Sagrada Família, a vaca e o burro; a Adoração dos Reis Magos, com os respectivos cavalos e estribeiros; a Adoração dos Pastores e Populares, com as várias figuras típicas; o Cortejo Régio, na parte superior; a Anunciação aos Pastores (à esquerda do observador), e a Matança dos Inocentes (à direita do observador). O restante espaço é preenchido com figuras do povo e cenas do quotidiano. Suspensas, cinco nuvens com anjos, querubins e putti. (Fonte: IPCR) [CFT003 080058.ic]
quinta-feira, 14 de junho de 2012
5 segundos da sua atenção, só pedimos isso.
Senhor leitor: saia de casa, mas de olhos abertos. Pedimos-lhe um exercício, 5 segundos: olhe à sua volta. Não vê um grafito na parede? Pois. E não vê os postes de iluminação e as caixas da EDP carregadas de cartazes e autocolantes? Pois.
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Era só isso que pedimos que faça: olhe. Se quiser actuar, é consigo. Mas não se queixe. Actue. Se não gosta, actue. Uma casa não começa portas adentro. A rua é a sua casa. Gosta de a ver assim?
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Lisboa SOS
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Era só isso que pedimos que faça: olhe. Se quiser actuar, é consigo. Mas não se queixe. Actue. Se não gosta, actue. Uma casa não começa portas adentro. A rua é a sua casa. Gosta de a ver assim?
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Lisboa SOS
Botânico: help!

Jardim Botânico. Universidade de Lisboa sem dinheiro procura mecenas para a salvação
Por Nelson Pereira,
Para já foi reposto o sistema de riachos e cascatas. Obras de reabilitação a sério só estão previstas para o ano
As obras recentes de conservação e limpeza devolveram ao Jardim Botânico de Lisboa (JBL) o sistema de riachos e cascatas e, dez anos depois, o lago tem água outra vez. “Com obras de reabilitação previstas para o próximo ano, a Universidade de Lisboa (UL) procura mecenato”, disse ao i o reitor da UL, António Nóvoa.
Quinta-feira o JBL reabre ao público. Uma boa oportunidade para descobrir um dos tesouros verdes da Europa. Num espaço de quatro hectares, no coração de Lisboa, encontram-se mais de 1500 espécies botânicas e um microclima que garante uma diferença de temperatura de cerca de 6 graus em relação ao exterior. Impermeabilizado o fundo do lago e o circuito de água, foram restabelecidos os dois regatos e até já se vêem bandos de patos no lago. Os caminhos foram alisados, os bancos foram limpos e foi criado um lugar de convívio e lazer. E foi retirado da alameda das Palmeiras o parque de estacionamento que ali funcionava há várias décadas. O objectivo é, segundo o reitor, “devolver o JBL à cidade, recuperando a relação próxima que já existiu entre os habitantes e este espaço”.
Para o antigo director do JBL professor Fernando Catarino, “o JBL é uma pérola da cidade, de enorme valor cultural, científico e histórico”. Uma pérola que tem estado votada ao esquecimento, até pelos visitantes nacionais, já que são os estrangeiros que mais visitam o jardim. O JBL necessita de obras de recuperação importantes, depois de um processo de degradação das infra-estruturas e das colecções botânicas aqui cultivadas. A UL tem previstas para 2013 obras de recuperação que incluem a restruturação do Observatório Astronómico, a organização de um novo sistema de rega e a reabilitação das cisternas, a reposição dos viveiros, a reabilitação da estufa e a construção de infra-estruturas de apoio aos visitantes. Procura para isso apoio de empresas privadas e concorre a dinheiros públicos e fundos comunitários: “Temos projectos de requalificação, mas é necessário financiamento. Decidimos candidatar-nos ao orçamento participativo de Lisboa e a fundos europeus”, adianta António Nóvoa. Segundo o reitor da UL, as recentes acções de manutenção foram pagas com verbas que ficaram das comemorações do centenário da universidade.
“Este jardim não é um jardim qualquer, pois encontram-se aqui muitas espécies – um património ecológico que é importante preservar e valorizar”, disse ao i Filipe Duarte Santos, catedrático da Faculdade de Ciências da UL. “Além de ser um exemplo notável à escala europeia, o JBL conserva espécies muito antigas e tem condições climatéricas de excepção – graças ao declive de cerca de 80 metros e à exposição do terreno a nascente, há aqui espécies que não se encontram ao ar livre na Europa”, acrescenta.
No JBL encontram-se espécimes vegetais oriundos das mais variadas latitudes e de todos os continentes. Entre as colecções vivas que ali são conservadas destacam-se gimnospérmicas, cicadácias, palmeiras e figueiras tropicais. Um banco de sementes e ADN preserva sementes de espécies raras ameaçadas e faz parte de uma rede internacional de bancos de sementes.
Mas não há só árvores frondosas. “No JBL faz-se investigação de ponta de nível mundial em criptogamia, com um trabalho muito vasto sobre musgos, biófitos e líquenes pouco conhecidos”, disse ao i Alexandra Escudeiro, bióloga do JBL. “Trata-se de um projecto de sistematização de bioindicadores de impacto ambiental”, explica. “Seria bom que a revitalização do JBL trouxesse mais pessoas a este lugar”, disse ao i Ireneia Melo, investigadora principal do JBL. “Quanto ao risco de má utilização, transmitir ao público visitante a necessidade de preservar este património cabe na função educativa do JBL”, frisa a investigadora.
ionline
Quinta-feira o JBL reabre ao público. Uma boa oportunidade para descobrir um dos tesouros verdes da Europa. Num espaço de quatro hectares, no coração de Lisboa, encontram-se mais de 1500 espécies botânicas e um microclima que garante uma diferença de temperatura de cerca de 6 graus em relação ao exterior. Impermeabilizado o fundo do lago e o circuito de água, foram restabelecidos os dois regatos e até já se vêem bandos de patos no lago. Os caminhos foram alisados, os bancos foram limpos e foi criado um lugar de convívio e lazer. E foi retirado da alameda das Palmeiras o parque de estacionamento que ali funcionava há várias décadas. O objectivo é, segundo o reitor, “devolver o JBL à cidade, recuperando a relação próxima que já existiu entre os habitantes e este espaço”.
Para o antigo director do JBL professor Fernando Catarino, “o JBL é uma pérola da cidade, de enorme valor cultural, científico e histórico”. Uma pérola que tem estado votada ao esquecimento, até pelos visitantes nacionais, já que são os estrangeiros que mais visitam o jardim. O JBL necessita de obras de recuperação importantes, depois de um processo de degradação das infra-estruturas e das colecções botânicas aqui cultivadas. A UL tem previstas para 2013 obras de recuperação que incluem a restruturação do Observatório Astronómico, a organização de um novo sistema de rega e a reabilitação das cisternas, a reposição dos viveiros, a reabilitação da estufa e a construção de infra-estruturas de apoio aos visitantes. Procura para isso apoio de empresas privadas e concorre a dinheiros públicos e fundos comunitários: “Temos projectos de requalificação, mas é necessário financiamento. Decidimos candidatar-nos ao orçamento participativo de Lisboa e a fundos europeus”, adianta António Nóvoa. Segundo o reitor da UL, as recentes acções de manutenção foram pagas com verbas que ficaram das comemorações do centenário da universidade.
“Este jardim não é um jardim qualquer, pois encontram-se aqui muitas espécies – um património ecológico que é importante preservar e valorizar”, disse ao i Filipe Duarte Santos, catedrático da Faculdade de Ciências da UL. “Além de ser um exemplo notável à escala europeia, o JBL conserva espécies muito antigas e tem condições climatéricas de excepção – graças ao declive de cerca de 80 metros e à exposição do terreno a nascente, há aqui espécies que não se encontram ao ar livre na Europa”, acrescenta.
No JBL encontram-se espécimes vegetais oriundos das mais variadas latitudes e de todos os continentes. Entre as colecções vivas que ali são conservadas destacam-se gimnospérmicas, cicadácias, palmeiras e figueiras tropicais. Um banco de sementes e ADN preserva sementes de espécies raras ameaçadas e faz parte de uma rede internacional de bancos de sementes.
Mas não há só árvores frondosas. “No JBL faz-se investigação de ponta de nível mundial em criptogamia, com um trabalho muito vasto sobre musgos, biófitos e líquenes pouco conhecidos”, disse ao i Alexandra Escudeiro, bióloga do JBL. “Trata-se de um projecto de sistematização de bioindicadores de impacto ambiental”, explica. “Seria bom que a revitalização do JBL trouxesse mais pessoas a este lugar”, disse ao i Ireneia Melo, investigadora principal do JBL. “Quanto ao risco de má utilização, transmitir ao público visitante a necessidade de preservar este património cabe na função educativa do JBL”, frisa a investigadora.
ionline
Transparência....
A Câmara de Lisboa está a restringir cada vez mais os conteúdos do seu site no que respeita às reuniões do executivo
Município da capital, que tem um dos sites mais completos entre as autarquias do país, tem vindo a recuar em matéria de transparência. Agora deixou de facultar aos jornalistas as propostas que vão ser discutidas
Por José António Cerejo in Público
Até há cerca de ano e meio qualquer cidadão podia aceder no site da Câmara de Lisboa às ordens de trabalhos das reuniões do executivo municipal, aos resumos das actas, aos textos das propostas que iam ser discutidas e às deliberações e moções aprovadas, com os resultados das votações. De então para cá, um após outro e em diferentes momentos, estes documentos deixaram de ser colocados nos espaços a eles destinados na página do município. Só no espaço do Boletim Municipal, com muito atraso e sem que se percebam os critérios de selecção dos materiais divulgados, é que se encontra, no meio dos mais variados documentos, uma parte das deliberações aprovadas.
A consulta do site permite verificar que a última "acta em minuta" divulgada (versão reduzida da qual constam apenas o sumário das deliberações aprovadas e os resultados das votações) tem data de 26 de Outubro de 2010. Também as moções aprovadas pela vereação deixaram de ser reproduzidas na página em Janeiro de 2011, enquanto a ordem de trabalhos das reuniões foi colocada pela última vez em 29 Junho de 2011. Já as deliberações aprovadas pelos vereadores (acompanhadas das respectivas "actas em minuta") deixaram de ser publicitadas no site em Setembro de 2011. Quanto às propostas levadas à discussão e votação dos vereadores (que dão origem às deliberações do executivo), acompanhadas das ordens de trabalho das sessões, a última disponível tem data de Fevereiro deste ano.
As mudanças nos procedimentos de disponibilização de informação sobre as reuniões do executivo não se ficam, porém, pela restrição dos conteúdos do site. Esta semana, a assessora de imprensa do presidente da câmara, Luísa Botinas, transmitiu ao PÚBLICO que as propostas que vão ser discutidas nas reuniões da vereação já não são antecipadamente fornecidas por mail aos jornalistas que as solicitem "porque podem ser alteradas à última hora".
Até agora, os jornalistas antecipavam os debates camarários, noticiando aquilo que ia ser discutido, com base nas propostas apresentadas pelos vereadores da maioria e da oposição e nas posições que uns e outros, bem como as entidades e cidadãos interessados nos temas em causa, entendiam assumir.
Na segunda-feira, o PÚBLICO pediu por escrito aos assessores de António Costa uma série de esclarecimentos sobre os conteúdos do site e sobre a não-divulgação generalizada das propostas - que agora são enviadas apenas aos jornalistas que os vereadores escolhem -, mas não obteve qualquer resposta.
A lei é extremamente vaga em relação àquilo que tem ou não de ser objecto de publicitação pelos municípios, havendo apenas uma referência explícita à obrigatoriedade de serem publicadas nos boletins municipais as deliberações "destinadas a ter eficácia externa". Relativamente aos conteúdos dos sites a lei nada estabelece, variando muito as práticas das diferentes câmaras. Umas colocam nas suas páginas muitos documentos, como faz a de Lisboa, outras, como a do Porto, põem lá muito pouca informação.
"Infelizmente, as autarquias tabelam-se sempre pela letra da lei e pelos requisitos mínimos, quando nas coisas da ética e da transparência deveríamos dar sempre um passo mais à frente", comenta Luís de Sousa, presidente da associação Transparência e Integridade. Também o politólogo André Freire, reportando-se apenas à situação descrita pelo PÚBLICO sobre a recusa de divulgação antecipada das propostas, entende que, a ser assim, "a situação anterior era mais transparente e deixava ver o que estava em confronto" nos debates camarários, "permitindo avaliar melhor o processo de tomada de decisão".
Município da capital, que tem um dos sites mais completos entre as autarquias do país, tem vindo a recuar em matéria de transparência. Agora deixou de facultar aos jornalistas as propostas que vão ser discutidas
Por José António Cerejo in Público
Até há cerca de ano e meio qualquer cidadão podia aceder no site da Câmara de Lisboa às ordens de trabalhos das reuniões do executivo municipal, aos resumos das actas, aos textos das propostas que iam ser discutidas e às deliberações e moções aprovadas, com os resultados das votações. De então para cá, um após outro e em diferentes momentos, estes documentos deixaram de ser colocados nos espaços a eles destinados na página do município. Só no espaço do Boletim Municipal, com muito atraso e sem que se percebam os critérios de selecção dos materiais divulgados, é que se encontra, no meio dos mais variados documentos, uma parte das deliberações aprovadas.
A consulta do site permite verificar que a última "acta em minuta" divulgada (versão reduzida da qual constam apenas o sumário das deliberações aprovadas e os resultados das votações) tem data de 26 de Outubro de 2010. Também as moções aprovadas pela vereação deixaram de ser reproduzidas na página em Janeiro de 2011, enquanto a ordem de trabalhos das reuniões foi colocada pela última vez em 29 Junho de 2011. Já as deliberações aprovadas pelos vereadores (acompanhadas das respectivas "actas em minuta") deixaram de ser publicitadas no site em Setembro de 2011. Quanto às propostas levadas à discussão e votação dos vereadores (que dão origem às deliberações do executivo), acompanhadas das ordens de trabalho das sessões, a última disponível tem data de Fevereiro deste ano.
As mudanças nos procedimentos de disponibilização de informação sobre as reuniões do executivo não se ficam, porém, pela restrição dos conteúdos do site. Esta semana, a assessora de imprensa do presidente da câmara, Luísa Botinas, transmitiu ao PÚBLICO que as propostas que vão ser discutidas nas reuniões da vereação já não são antecipadamente fornecidas por mail aos jornalistas que as solicitem "porque podem ser alteradas à última hora".
Até agora, os jornalistas antecipavam os debates camarários, noticiando aquilo que ia ser discutido, com base nas propostas apresentadas pelos vereadores da maioria e da oposição e nas posições que uns e outros, bem como as entidades e cidadãos interessados nos temas em causa, entendiam assumir.
Na segunda-feira, o PÚBLICO pediu por escrito aos assessores de António Costa uma série de esclarecimentos sobre os conteúdos do site e sobre a não-divulgação generalizada das propostas - que agora são enviadas apenas aos jornalistas que os vereadores escolhem -, mas não obteve qualquer resposta.
A lei é extremamente vaga em relação àquilo que tem ou não de ser objecto de publicitação pelos municípios, havendo apenas uma referência explícita à obrigatoriedade de serem publicadas nos boletins municipais as deliberações "destinadas a ter eficácia externa". Relativamente aos conteúdos dos sites a lei nada estabelece, variando muito as práticas das diferentes câmaras. Umas colocam nas suas páginas muitos documentos, como faz a de Lisboa, outras, como a do Porto, põem lá muito pouca informação.
"Infelizmente, as autarquias tabelam-se sempre pela letra da lei e pelos requisitos mínimos, quando nas coisas da ética e da transparência deveríamos dar sempre um passo mais à frente", comenta Luís de Sousa, presidente da associação Transparência e Integridade. Também o politólogo André Freire, reportando-se apenas à situação descrita pelo PÚBLICO sobre a recusa de divulgação antecipada das propostas, entende que, a ser assim, "a situação anterior era mais transparente e deixava ver o que estava em confronto" nos debates camarários, "permitindo avaliar melhor o processo de tomada de decisão".
A tradição nunca vai ser o que era.

Os últimos dias dos tronos de Santo António
Rita Dias Baltazar
A receita: uma caixa de cartão, um napperon, um prato para o tostão, as velas, uma jarra de flores e o santo
Do tamanho de uma caixa de sapatos ou tão grandes como a imaginação, os tronos de Santo António são hoje uma tradição quase extinta. É um costume que vive em memórias e arquivos.
Caminhando pela Alfama dos anos 1950, Maria de Portugal rendeu-se aos tronos de Santo António. Ao santo há muito que se havia rendido. É de lá que fala. O seu olhar ficou preso "nos miúdos que faziam tronos à porta de casa com bancos e a imagem do santo".
A antiga presidente da Associação de Artesãos de Lisboa, hoje com 94 anos, facilmente se perde no seu álbum de recordações. O Concurso de Tronos de Santo António conheceu forma pela primeira vez em 1982, ano em que Maria de Portugal fundou a associação. O objectivo era "preservar tradições que não se devem perder". Em Junho celebra-se o santo, mas o famoso "um tostãozinho para o Santo António" do Pátio das Cantigas já se começava a ouvir em Maio pela Lisboa dos manjericos. A frase ficou. Os tronos são hoje mais difíceis de encontrar.
Alfama parece esquecida. Muitas portas e algumas perguntas depois, no número 34 da Rua da Regueira, Margarida Almeida confirma que esta tradição não era só enredo de filmes. "Na minha criação, todos fazíamos. Faziam-se os tronos consoante o jeito e as possibilidades." E acrescenta: "Os que dizem que não se lembram é porque têm vergonha de dizer que pediam."
A dona da mercearia explica que tinha sempre "um banquinho à porta, com uma gaveta para o tostão, em que punha um napperon todos os dias limpinho". O marido, Augusto, assente e até traz um banco da mercearia para exemplificar.
A saudade daquele tempo está-lhes estampada no rosto. Dizem que na mesma Alfama que não envelhece "está tudo a morrer, o bairrismo está a morrer. Só temos uma marcha que é uma doença".
Os tronos, que na origem eram réplica do altar da Igreja de Santo António, ficaram presos "ao engodo do dinheiro, agora anda-se de lata na mão [a pedir para o santo]", contam. Alfama, que em nova "vestiu a blusa clarinha", veste o velho, o novo e o usado, sempre bordado com linhas de recordações. E pelos "becos, escadinhas, ruas estreitinhas" enxerga-se o medo a quem não se conhece.
Com a promessa de que ao final da tarde muita gente lá estaria, o largo do chafariz de dentro está deserto, mas na padaria, quando se ouve falar em tronos de Santo António, as vozes levantam-se. Dulce é a primeira a falar. Do Santo António só sabe o "responso" que lhe reza quando alguma coisa precisa de encontrar: "Gosto muito dele, agora trono? Isso nunca fiz", conta.
Todos riem e é Maria Hermínia quem leva o assunto num tom mais sério e recorda: "Pedia um tostãozinho ao Santo António para comprar uns sapatinhos." Uma voz apressada interrompe: "Eu e os meus irmãos gastávamos tudo em doces e guloseimas. O meu pai não gostava, assim que ele chegava fugíamos todos para casa." A crise chegou ao santo e, por isso, em Alfama, "vêem-se muitos retiros para vender sardinhas. Santo nem vê-lo", diz Fátima Brito, funcionária da padaria. E "este ano ainda vai ser pior", acrescenta.
Fim da tradição
Os tronos eram por vezes obra de muitos. Os pátios reuniam-se para a construção dos tronos com o apoio das colectividades do bairro. Os concursos promovidos por jornais como o Diário Popular e pela autarquia de Lisboa, com direito até a prémio pecuniário, funcionavam como incentivo.
Talvez por isso, o mais célebre trono de Alfama seja o da Rua dos Corvos, elaborado com o apoio do Corvense, uma das colectividades do bairro. Jorge Antunes foi um dos últimos envolvidos na construção do trono e não é fácil convencê-lo a falar sobre o tema: "Alguns dos tronos do Corvense correram o mundo", diz. E conta que chegou a fazer "uma réplica da Igreja de Santo António com o seu altar-mor", ou a "representação do Sermão de Santo António aos Peixes", entre outros.
Os materiais que utilizava eram, essencialmente, madeira, esferovite, plástico, papel autocolante de várias cores e tempo. Muito tempo. "Todas as horas livres, até as de almoço, eram para trabalhar no trono. Contava também com a ajuda da minha mulher." No Adicense, a outra colectividade do bairro, mantém-se a tradição, embora, como reconhece o presidente, os tronos que ali se constroem sejam "menos elaborados" do que os da concorrência. Noutros bairros de Lisboa também existiu este costume. Contam-se entre eles a Mouraria, a Lapa e a Bica.
Foram, aliás, os tronos de Santo António que em 1989 "ajudaram ao ressurgimento do Sport Lisboa Marítimo", explica Fernando Duarte, o homem dos tronos desta colectividade do bairro da Bica. Ali não havia a tradição dos tronos mais pequenos, mas até meados dos anos 1990 conseguiram vários prémios no concurso promovido pela Câmara de Lisboa. Fernando parece estar resignado com o facto de esta tradição, que ainda não está morta, estar moribunda. No entanto, acredita que, se voltarem a existir "financiamentos e com o apoio da autarquia", se pode recuperar este uso, já que o maior problema "é que, ao contrário dos arraiais, por exemplo, este é um investimento sem retorno".
Da mesma opinião partilha Manuela Alegre. Contudo, e a provar que o que se joga aqui é a imaginação, mostra um pequeno trono de Santo António, erguido todo o ano no cimo de um móvel, no seu local de trabalho, a Voz do Operário. Fica a receita: uma caixa de cartão vestida de alegres cores, um napperon ou uma colcha, um prato para o tostão, as velas, uma jarrinha de flores e, por último, o santo.
Três séculos e muitos tronos depois, esta tradição parece estar a conhecer aqueles que são os seus últimos dias. Pedro Moreira, director do departamento de gestão cultural da EGEAC-Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural, tutelada pela câmara, afirma que "nos últimos oito anos, os tronos de Santo António nunca foram do acometimento e missão desta empresa municipal". Muito embora a EGEAC seja responsável pela programação das Festas de Lisboa e tenha por missão "criar uma personalidade cultural única e distintiva para a cidade de Lisboa", o dirigente acredita que a "continuidade desta tradição dependerá de uma maior adesão da comunidade local e muito em particular das instituições comerciais e do associativismo", e admite que esta prática "tem sido algo esquecida no panorama cultural de Lisboa."
Maria de Portugal, por seu turno, manteve até ao fim a sua missão. Embora nos últimos anos os tronos a concurso "não tenham sido o que eram", organizou em Junho do ano passado, quando ainda presidia a Associação de Artesãos de Lisboa, mais uma edição do Concurso de Tronos de Santo António e relembra que "há tradições que não se devem perder." Quem também acredita na tradição é A Vida Portuguesa, então designada Uma Casa Portuguesa, que criou em 2006 um kit para se montar um altar popular em casa.
Até 15 de Junho podem ver-se os tronos a concurso, nas instalações da associação, hoje presidida por Manuela Castro.
Uma velha tradição
A tradição dos tronos de Santo António remonta já ao século XVIII. Terá começado após o terramoto de 1755, quando a igreja daquele que no século XVI se tornou o santo nacional português ficou parcialmente destruída. Particularmente querido dos lisboetas, que o preferem ao santo padroeiro da cidade, S. Vicente, Santo António não podia ficar sem casa. Daí a necessidade de se pedir "um milreizinho para o Santo António" e arrecadar fundos a fim de reconstruir a igreja. Santo António de Lisboa e de Pádua nasceu Fernando de Bulhões em 1195, próximo da Sé de Lisboa, no sítio em que, no século XV, D. João II erigiu a sua igreja. Tornou-se frade franciscano em Coimbra e terá partido para Pádua a convite de Francisco de Assis, onde acabou por falecer a 13 de Junho de 1231.
Público
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Sereias voltam a ser avistadas no Tejo
Há muitos anos que se tinha tornado um fenómeno invulgar avistar sereias no Tejo, o que não é de admirar, já que os esgotos de mais de 100 mil lisboetas corriam diretamente para o rio. Esta semana, é a segunda vez que se regista a sua presença. António Costa diz que é consequência da despoluição do estuário.
O presidente da Câmara afirma que o facto de estar próximo o Arraial Pride no Terreiro do Paço, marcado para o próximo dia 30 de Junho, pode estar a atrair a espécie para a desova. Mas, tal não está cientificamente comprovado, afirma António Costa.
Os exemplares da espécie que tem sido vista - também conhecida como sereia hermafrodita de Nariz de Garrafa - foram avistados junto do cais das colunas. O momento foi registado por um turista, mas surgem rumores de ter sido avistado um grupo da mesma espécie junto a Cacilhas.
Segundo o presidente da Quercus, é provável que este pequeno conjunto de sereias passe a visitar-nos com maior regularidade. Esta espécie já viveu no Tejo no passado. Nos últimos dois anos têm sido registados vários avistamentos, como aconteceu em julho de 2011, e que se podem tornar cada vez mais comuns, afirmou o presidente da Associação Nacional de Conservação da Natureza.
Apesar de não existirem dados concretos, a melhoria da qualidade da água parece ser a principal razão para o regresso desta espécie ao estuário do Tejo. "Com a construção de algumas ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais), como a de Alcântara, e deslocação de indústrias pesadas na Margem Sul, a qualidade da água tem vindo a melhorar", explica o mesmo ambientalista.
Menos poluído, o rio é assim um lugar com mais alimento para esta espécie que como as garoupas, distingue-se por um tipo de hermafroditismo insuficiente, ou seja, os indivíduos possuem órgãos sexuais masculinos e femininos, mas apenas um dos tipos se encontra activo num determinado momento. Normalmente, o animal atinge a maturidade sexual com um determinado sexo e, no processo de crescimento, as gónadas convertem-se no outro sexo e tornam-se activas mais tarde.
Marcha do Alto do Pina 2012
A marcha do Alto do Pina é a grande vencedora das festas de Lisboa. É o segundo ano consecutivo que este bairro lisboeta vence. Desta vez ganhou com 261 pontos, mais 18 do que o segundo classificado.
Desta vez o tema da marcha foi a chegada dos ciganos ao Alto do Pina. A marcha teve como padrinhos a fadista Filipa Cardoso
e o actor Joaquim Monchique. Em segundo lugar, ficou a marcha de Alfama e em terceiro o bairro de Alcântara.
Desta vez o tema da marcha foi a chegada dos ciganos ao Alto do Pina. A marcha teve como padrinhos a fadista Filipa Cardoso
e o actor Joaquim Monchique. Em segundo lugar, ficou a marcha de Alfama e em terceiro o bairro de Alcântara.
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