sábado, 26 de novembro de 2011

Táxis de Lisboa: a lei da selva

No Lisboa SOS temos o maior respeito pelos transportes públicos da capital. Tanto andamos de metro, de autocarro, de eléctrico ou de táxi. Ontem apanhámos um táxi (matrícula 51-46-SH, propriedade de Matos e Leite Lda, de Lisboa) para um corrida longa, no valor de 6,95 euros, entre a Baixa e a Estrada da Luz. No início éramos duas pessoas com duas pequenas mochilas com computadores portáteis e um saco do Pingo Doce quase vazio: tinha lá dentro dois livros, umas fotocópias, uma toalha de mãos e três camisas. Uma das pessoas saiu na Luciano Cordeiro e a outro seguiu o trajecto. Infelizmente, para além da música em altos gritos, da condução agressiva e perigosa, tivemos que aturar a má educação do taxista, cujo cabelo branco escorrido parecia não ter sido lavado há algum tempo.
Perto do local de destino quando lhe dissemos educadamente, "por favor siga por aquela rua junto ao sítio tal", o senhor respondeu perguntando se achávamos que ele não sabia onde ficava o referido local e o sítio para onde queríamos ir. Ignorámos a má educação. Ao chegar quase ao nosso destino dissemos para seguir em frente e o dito indivíduo resolveu meter por outra rua. Vendo a nossa cara de espanto, ainda respondeu que também chegava ao mesmo local por aquela outra via.
Finalmente, estávamos á porta do familiar que íamos visitar. A corrida fora 6.95 euros, marcados no taxímetro. Demos-lhe uma nota de 10 euros. O troco seria 3,05 euros, coisa fácil. Qual não foi o nosso espanto quando nos foi dado um monte de moedas de 20 e de 50 cêntimos, faltando cerca de 1 euro e 50 cêntimos. Respondemos educadamente que ele se tinha enganado no troco. O senhor, resmungou, conferiu e deu-nos novamente o troco. Tornamos a conferir e continuava a faltar dinheiro. Nova tentativa e eis que agora o problema já não era a iliteracia matemática, a má educação e falta de profissionalismo do motorista, mas o facto de nós termos colocado no banco traseiro do carro o tal saco meio vazio do Pingo Doce que segundo o mesmo indivíduo devia ter ido para a bagageira do carro. Respondemos que se havia esse problema ele nos devia ter alertado no início da corrida e referido as dimensões do volume autorizado (que passo a avisar os incautos é de 55x35x20 cm). Para mais, o saco ia quase vazio com uns livros e alguma roupa. Mais refilada e agora nós já estávamos a fazer confusão, pois o desgraçado do senhor só se tinha enganado em apenas 20 cêntimos no troco. Nova resposta a referir que não só o engano tinha sido maior, como nós só tínhamos a pagar o que estava marcado no taxímetro. À terceira vez lá nos deu o troco correcto e aproveitamos para pedir uma factura/recibo e para dizer que ele estava a ser malcriado e pouco profissional. Nova refilada por causa do saco do Pingo Doce que podia e devia ter ido para a bagageira do carro, apesar de estar meio vazio e de não ter as dimensões exigidas pelo regulamento. A coisa, felizmente, acabou por aqui. Mas depois de tanto tempo perdido e tanto desgaste só pudemos desejar, silenciosamente, que semelhante criatura fosse á falência depressa e que não tivesse mais clientes nos próximos dias.
Depois deste encontro com a selva fomos à internet procurar qual a entidade responsável pela fiscalização dos táxis e onde poderíamos apresentar queixa. E novamente o labirinto português. Se quiser pode deixar uma queixa no forum da ANTRAL, mas eles avisam logo que não serve de nada. Os táxis são fiscalizados pela ASAE, PSP e GNR, mas estas entidades pouco ligam ao sector. A ASAE fez umas raras operações para mostrar serviço, a PSP e a GNR têm ocupações mais importantes. Entretanto, os taxistas de Lisboa vivem num mundo á parte onde os supostos profissionais passam o tempo a queixar-se do dinheiro que não ganham e do gasóleo que gastam, em vez de perceber porque é que as pessoas, muitas vezes, já entram de pé atrás num táxi, imaginando a criatura estranha que pode estar ao volante.
Por isso, se vir um táxi com a matrícula 51-46-SH e um senhor de cerca de 60 anos, cabelo branco escorrido e amarelado, bigode, maus dentes e óculos escuros fuja. Não vale a pena. Espere pelo próximo. Quem sabe não lhe aparece aquele senhor educado e de gravata que ouve a RDP2 baixinho e é um prodígio de correção. Pena ele não ter seguidores.
E lembre-se, só bagagens com mais de 55x35x20cm é que devem ir para a bagageira. Arranje uma daquelas fitas métricas do IKEA e ande com ela no bolso. Não fique à espere da ASAE, da GNR, da PSP ou da auto-regulação pelas associações de profissionais. E já agora, o mais importante, Boa Sorte. 
Para se consolar veja o Roberto Benigni e ria. 






5 comentários:

Julio Amorim disse...

Hummm.....os taxistas são em parte o espelho das cidades. Em Lisboa esta profissão já era ocupada por muitos primatas lá para a déc. de 60. Passados 50 anos, a imagem no retrovisor....continua bem parecida.

el_lopez disse...

Em relação à dimensão da bagagem para efeitos da cobrança do suplemento de bagagem, a mesma é a soma do conjunto da bagagem que transporta e não de cada volume individualmente, ou seja, se transportar por exemplo três volumes, o cálculo da dimensão da bagagem é a soma das dimensões desses três volumes. Pela sua lógica ("E lembre-se, só bagagens com mais de 55x35x20cm é que devem ir para a bagageira."), se transportar 50 sacos do Pingo Doce, e visto que nenhum atinge as dimensões mínimas, vai tudo dentro do carro... ok... Mas atenção: só lhe podem cobrar esse suplemento se o mesmo estiver registado no taxímetro.
"Depois deste encontro com a selva fomos à internet procurar qual a entidade responsável pela fiscalização dos táxis e onde poderíamos apresentar queixa. E novamente o labirinto português.". Bastava olhar para para a tabela de preços que está afixada no vidro da porta traseira esquerda em todos os táxis, que está lá bem visível as entidades onde pode efectuar as reclamações. E garanto-lhe que se efectuadas correctamente, têm efeito...
Para a próxima, se houver diferenças entre o que o taxímetro marca e o que lhe pedem, diga que paga o serviço numa esquadra de policia e vai ver que resolve o problema sem grandes alaridos por parte do taxista.

Francisco Ratinho disse...

bom olá muito boa noite referente a este comentário quero só escrever fui farmaceutico 44 anos e ao mesmo tempo não taxista mas sim motorista de taxi, já me aposentei a cerca de 3 anos e abracei esta profissão por gosto e muito orgulho, o sr. que escreveu posso dizer que não passa de uns poucos clientes que não passam de uns imbecis porque quando entram no taxi pensam que ´~ao meros escravos de uns escravos e digo mais quando fala de uma grande corrida de 6€ brr...brrrr ignorante.... por favor respeite os sr motorista de taxi ...temos realmente muita gente mal formada e o resto não conta ?????

Francisco Ratinho disse...

27 anos de profissão com grande orgulho , nunca tive problema com clientes porque felismente tenho uma preparação académica que não permite que certos clientes graças adeus são muito poucos duvidem da minha capacidade ao contrario até me riu quando os ditos cujos saem do taxi não passam de uns grandes estupidos sem um minimo de inteligencia e pensam que são ...... nada..... a esses só deseijo que não me apareçam mas se vierem são bem vindos mas acho graça uma corrida de 6.00€ grande corrida só demontra a falta corencia e estupides ..... vuiva os motoristas de taxi

Francisco Ratinho disse...

bom todos os lisboetas tem que ser o espelho da cidade sem duvida...... aminha pergunta e os paraquedistas que aterram cá alias quem não é de lisboa não deviam ter um minimo de respeito pela minha cidade ?pois eis a grande questão somos hospitaleiros mas não somos estupidos