quarta-feira, 13 de junho de 2012

Fundação José Saramago, finalmente.




Nenhuma Cassandra podia vaticinar que a geração da Utopia que foi a de José Saramago encontraria, entre estes muros lembrados do império perdido, a sua capela ardente e maravilhosamente imperfeita. A realidade superou a ficção. Mas só o fez porque, antes, a ficção, os sonhos de papel de um poeta filho da terra e da sua transcendência, converteu as suas fábulas em fábulas de ninguém e de toda a gente. Os muros sem norte desta casa que a capital do País achou por bem conceder ao romancista que pôs o nome da sua terra no ecrã literário do mundo são o rosário de contos que o nosso fabulista-mor consagrou à sua musa Blimunda e ao numeroso séquito que a acompanhará para sempre. Com Saramago entra nesta casa uma geração que desejou de olhos abertos, se não mudar o mundo, torná-lo digno de ser salvo da sua irredenta inumanidade. Cada um à sua maneira, Jorge de Sena, Vergílio Ferreira, Agustina, traz a sua luminosa sombra para fazer companhia ao autor de “Memorial do Convento” e de “Todos os Nomes”. Cada autor digno de memória resume a literatura do povo a que pertence e do mundo inteiro. Que ao menos aí sejamos a chama da única pátria que os ventos da História não apagam da nossa memória precária.
Eduardo Lourenço, Vence, 12 de junho de 2012









A Fundação José Saramago pretende que os três primeiros pisos deste edifício emblemático sejam espaços públicos em que se celebrem exposições, recitais, conferências, cursos, seminários, de modo que as suas dependências sejam colocadas ao serviço da cultura. A Casa ficará aberta ao público, pondo assim termo a um largo período em que nem os lisboetas nem os turistas podiam apreciar os vestígios de épocas passadas que se albergam no piso térreo: um conjunto de estruturas que remonta às primeiras ocupações do espaço, um troço importante da muralha fernandina, tanques romanos (cetárias) de base quadrangular, destinados à salga e conserva de peixes (o famoso garum), e por restos de cerca moura...
A Fundação José Saramago encarregar-se-á da manutenção da Casa. O edifício é de propriedade municipal, cedido, mediante protocolo assinado em Julho de 2008, à Fundação por um período de 10 anos. Pretende-se que em Junho tenha terminado a primeira fase de restauro e possa, assim, dar-se início ao seu uso público.














































































José Saramago como 'bombista-suicida', armado com livros sobre história universal. Fotografia de Helena Gonçalves.

























































sábado, 9 de junho de 2012

Não há dúvida, Costa mudou o Intendente.

Lisboa: Freiras desistem de bordel mas mantêm apoio

122 prostitutas no Intendente

Na zona do Intendente, em Lisboa, estão referenciadas 122 prostitutas e, na Praça da Figueira, há 59, a maioria das quais são imigrantes e toxicodependentes.

O levantamento foi feito pela Câmara de Lisboa, no âmbito do Programa de Desenvolvimento Comunitário da Mouraria, o mesmo que projectava a criação de um bordel para ser gerido por uma cooperativa de prostitutas na Mouraria. Contudo, esta ideia, das freiras Oblatas e de um grupo de activistas que ajudam toxicodependentes, já não irá por diante, porque "o momento não é o ideal", disse ao CM João Meneses, coordenador do Gabinete de Apoio ao Bairro de Intervenção Prioritária da Mouraria.Para já, o que há é um projecto que orienta as mulheres no sentido do empreendedorismo. "Há uma portuguesa, de 37 anos, que aos fins-de-semana não se prostitui e vende roupa para animais em feiras. É casada e tem o 9º ano. Queremos arranjar--lhe uma costureira e parcerias com estilistas", disse João Meneses. Há ainda uma brasileira que é manicura. "Queremos que preste cuidados aos idosos em centros de dia", adiantou.O programa cria oportunidades de negócio e dá às prostitutas apoio médico e formação sobre cidadania e direitos.
Correio da Manhã

Indignados Lx.



http://indignadoslisboa.net/
NOTA LISBOA SOS: concordemos ou não, isto iria acontecer, mais cedo ou mais tarde. O «sistema» andou a brincar, acumulando milhares de prédios devolutos. Agora, vem a resposta. Merecem-na.



Por Ana Henriques in Público

Se imóvel não for reabilitado dentro de dez dias, pode ser ocupado, diz
aviso idêntico a documentos oficiais
Encimado pelo brasão da Câmara de Lisboa, como se se tratasse de um documento
oficial, foi afixado num prédio municipal devoluto de Alfama um aviso que dá
dez dias à autarquia para "reabilitar ou dar alguma utilidade
pública" ao imóvel, prazo findo o qual a casa poderá ser "ocupada a
qualquer momento" por quem assim o entender.
A iniciativa partiu de um grupo intitulado Indignados Lx e surge uma semana
depois de a vereadora da Habitação, Helena Roseta, ter mandado despejar os
"ocupas" de outro prédio municipal na Rua de S. Lázaro, junto ao
Hospital de S. José. Mimetizando a formalidade dos documentos oficiais, o aviso
começa por explicar que existem na cidade vários edifícios pertencentes ao
património público a necessitar de recuperação, "sem que as entidades
responsáveis tenham procedido à sua utilização em benefício dos cidadãos".
"Vem-se por este meio informar a Câmara Municipal desta cidade que tem dez
dias úteis para reabilitar ou dar alguma utilidade pública ao edifício situado
no Largo do Chafariz de Dentro, n.º 25, ou o mesmo passará a estar disponível
para ser ocupado por quem dele necessite para fins de habitação e/ou para
realizar actividades de ordem social ou cultural, comprometendo-se os mesmos a
fazerem as beneficiações que estiverem dentro das suas possibilidades",
anuncia o aviso, datado do passado dia 6.
Paula Montez, dos Indignados Lx, explica que os documentos oficiais produzidos
por Roseta para expulsar os "ocupas" da Rua de S. Lázaro inspiraram a
iniciativa, mas acrescenta que não se trata de uma brincadeira, antes de uma
chamada de atenção e também de uma resposta ao despejo da semana passada.
Avisos como este serão agora espalhados por outro património municipal
devoluto, adianta. Questionada sobre se quando terminar o prazo os edifícios
serão invadidos por "ocupas", Montez diz que "não está por
enquanto agendada nenhuma ocupação por parte dos indignados"

Pedido de ajuda aos leitores.



Na Avenida Columbano Bordalo Pinheiro existia este palácio/palacete. Alguém nos pode ajudar e dizer que edifício era este?

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Metro Entre-Campos.


Entre-Campos.

Mais uma.


Abriu portas em 1917. Fez o pão para Salazar. Fechou hoje. Mais uma. Em vez de abrirem novos espaços na zona, os empresários são tão ESTÚPIDOS que não percebem que podiam tirar partido do valor imaterial destas décadas de História? Entre abrir um vulgar pronto-a-comer, efémero, e saber explorar com arte e imaginação este património, porquê tanta estupidez?

2 anitos... tão crescida!





A paragem do eléctrico 28 na Rua da Conceição foi avançada para após a Rua do Ouro, por indicação da Câmara Municipal de Lisboa em 16 Novembro 2010, deixando portanto de se efetuar no local indicado nesta fotografia. Porque razão a CML ainda não retirou este abrigo de paragem? Estará à espera que se passem 2 anos? Já falta pouco...
Fernando Jorge

Lisboa medieval, os percursos de Fernando Jorge.









terça-feira, 5 de junho de 2012

330%.

Assaltos a casas disparam 330%


Desde o início do ano até finais de abril, já foram atacadas 190 residências. Em igual período de 2011, a PSP contava apenas 44 roubos.

O "Correio da Manhã" escreve que vários grupos criminosos especializados em arrombar portas, mesmo blindadas, têm feito disparar o número de assaltos a residências na Grande Lisboa, que cresceu quatro vezes mais 2011 para 2012.

Desde o início deste ano até finais de abril, a PSP registou 190 casos na área do comando de Lisboa que, além da capital, cobre ainda as linhas de Sintra e Cascais até Loures e Torres Vedras. Em igual período do ano passado, contavam apenas 44 roubos, o que equivale a um aumento de 330%

Diário de Notícias

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Agredido.






Cineasta agredido e roubado



Pontapeado e esfaqueado no pescoço por dois assaltantes armados com uma navalha, o cineasta português José Fonseca e Costa viveu momentos de terror, ontem ao início da madrugada, na rua João Pereira da Rosa, no Bairro Alto, Lisboa, quando regressava a casa. O profissional do cinema, aos 78 anos, teve de receber tratamento médico no Hospital de São José. Ontem à tarde, já estava em casa.



"Tudo isto aconteceu a cem metros da minha residência. Encostaram-me uma navalha de degola e, depois de um golpe de gravata feito com mão de mestre, fui atirado ao chão e pontapeado sem dó nem piedade", descreveu ao CM o cineasta, ainda combalido com a situação.

A PSP recebeu a queixa do realizador por assalto, com fonte policial a confirmar ao CM que no meio da violência foi levada a carteira à vítima. José Fonseca e Costa, também encenador, nunca antes tinha sido atacado e queixa-se de falta de policiamento naquela zona da cidade.

"Moro há 40 anos neste bairro e a câmara ignora que isto está transformado numa lixeira e que é uma tentação para os criminosos. Desta vez a vítima fui eu", acrescentou o cineasta ao nosso jornal.

Quanto aos dois assaltantes puseram-se em fuga e não mais foram vistos. Actuaram de cara destapada e segundo fonte policial estão já referenciados por vários ataques a pessoas na via pública.

Ainda não foram capturados. Durante o dia de ontem vários amigos do realizador português dedicaram-lhe frases de apoio nas redes sociais da internet. José Fonseca e Costa vai ficar nos próximos dias a recuperar em casa.

Do percurso profissional de Fonseca e Costa fazem parte a realização de inúmeros filmes e documentários. Foi dirigente do Centro Português de Cinema e ainda presidente do conselho de administração da Tobis portuguesa. No ano 2000 foi eleito para o conselho de opinião da RTP.



Correio da Manhã