sexta-feira, 4 de maio de 2012

Ocupar não é estragar.




Inundação provocada por "ocupas" encerrou sede de associação gay


Por Ana Henriques in Público

Ocupantes notificados para abandonarem edifício camarário no prazo de dez dias questionam coerência de posições da vereadora Helena Roseta. Autarca escusa-se a comentar


Uma inundação causada pelos "ocupas" da Rua de S. Lázaro, em Lisboa, obrigou ao encerramento da sede da associação Ilga - Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero. Os activistas gay não sabem quando poderão reabrir. Tanto a linha de aconselhamento telefónico como o serviço de apoio psicológico da associação estão interrompidos e sem data para retomarem o funcionamento.
O problema terá tido origem num cano roto. Pouco depois de se instalarem na casa camarária junto ao Hospital de S. José, há uma semana, os "ocupas" abriram a água, que se encontrava fechada. "Avisámo-los para não o fazerem, porque já há ano e meio tinha sucedido o mesmo durante outra ocupação", relata o presidente da Ilga, Paulo Côrte-Real. A associação está sediada há década e meia no rés-do-chão do prédio camarário da Rua de S. Lázaro, enquanto os "ocupas" invadiram o primeiro e o segundo andar. Depois de vários dias com a água a escorrer por paredes e tectos, a associação teve de fechar ao público, conta o presidente da associação. "Há um bocado de tecto prestes a cair e foi preciso chamar a Protecção Civil e a EPAL para a água voltar a ser fechada".
"Quem pode resolver a situação é a câmara. Já enviámos fotos do sucedido ao presidente António Costa", observa o mesmo responsável.
Entretanto, os "ocupas" foram notificados pelas autoridades para abandonar o local no prazo de dez dias úteis. Antes disso, na quarta-feira, o grupo divulgou no seu blogue (saolazaro94.blogspot.pt) uma carta aberta à vereadora da Habitação, Helena Roseta, questionando a coerência das suas posições no que à ocupação de casas diz respeito. A autarca, que tem criticado a invasão do imóvel municipal mas que se disponibilizou para receber os ocupantes, não quis comentar a missiva.
"No seu programa eleitoral, Helena Roseta apregoou o direito à habitação e denunciou as políticas de degradação e abandono do parque habitacional", recordam os ocupantes. "Surpresa das surpresas, após ter esquecido tudo o que disse até ao dia da sua eleição vem agora opor-se à ocupação e revitalização de um prédio abandonado - enquanto o parque habitacional da câmara continua a cair de podre e o mercado imobiliário especulativo continua a ditar as regras da vida na cidade", acusam.
Os "ocupas" dizem que, apesar de alguns membros da equipa da autarca terem mostrado publicamente o seu apoio ao projecto Es.Col.A do Porto, Helena Roseta "fez passar apressadamente em Abril um despacho que visa reduzir de 90 para apenas dez dias o prazo máximo de permanência de ocupantes em edifícios abandonados pela Câmara de Lisboa", logo três dias depois de terminar o prazo para o despejo na Fontinha. "Curiosa coincidência de datas ou pura matreirice?", questionam. A decisão sobre se irão ou não sair da casa no prazo estipulado, ou reunir-se com a autarca deverá ter sido tomada ontem à noite, já depois da hora de fecho desta edição. Jovens na sua maioria, os "ocupas" garantem estar a promover algumas actividades no prédio, como ioga, música e ateliers de pintura.
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Nota Lisboa SOS: este blogue não tem uma posição oficial nem oficiosa sobre as ocupações. Mas uma coisa é ocupar, outra é prejudicar terceiros. Assim, não.

1 comentário:

fil disse...

http://saolazaro94.blogspot.pt/2012/05/4-comunicado-da-assembleia-de-sao.html