quinta-feira, 24 de junho de 2010

Da SNS Sociedade Nacional de Sabões à Ongoing




















































Esta romântica estrutura é o último vestígio da nobre quinta que aqui foi edificada por D. António Luis de Menezes 1º Marquês de Marialva. Era uma enorme propriedade que no tempo do segundo marquês foi ampliada pela unificação de outra contigua, a "Quintinha", como era então conhecida, confinada ao convento de S. Bento de Xabregas, à Rua Direita de Marvila e ao rio Tejo, onde é hoje a Rua do Açúcar. Pela morte do 5º e último marquês de Marialva , D. Diogo José Vito de Menezes Noronha Coutinho, em 1823, esta propriedade e o titulo foram herdados pela casa de Lafões, por o duque estar casado com D. Henriqueta Maria Júlia de Lorena e Menezes , filha mais velha da casa Marialva.Há passagens nas memórias de William Beckford que relatam algumas descrições desta quinta. Estas descrições referem apenas o jardim e a sua luxuriante vegetação, além deste mirante. Uma vez que a residência do marquês era em Belém, esta quinta era uma propriedade secundária, por isso, já nessa altura o palácio se encontrava degradado.Desde a sua construção que o mirante tem sofrido intervenções, como prova a sua traça que é marcadamente romântica, num estilo muito posterior à morte do último marquês. A escadaria era revestida por azulejos do Séc. XVII e há ainda vestígios do rendilhado estuque que estoicamente resistiu a todas as intempéries.Foi neste mirante que D. Pedro V assistiu à passagem do primeiro comboio em 1856, tornando este monumento num marco histórico. Hoje todo este terreno é um enorme descampado com alguns vestígios de arquitectura que dificilmente se podem identificar. Entre alguns escombros e entulho podemos distinguir ainda algumas formas que foram parte da quinta ou da fábrica que aqui viveu.Foi numa permilagem desta propriedade que se instalou a Fábrica Nacional de Sabões, que resultou da união de várias indústrias que aqui laboravam. Em 1919 as empresas Sousa &Ciª e João Rocha, um importante industrial , associaram-se e formaram uma poderosa indústria. Era daqui que saiam as marcas Sonasol, Margarina Extra, Sabonete Beato e outros produtos igualmente famosos. A produção atingiu o seu auge nos anos 40 tendo a SNS então adquirido este terreno sob a designação de “Quinta do Brito”.Foram demolidas todas as estruturas do antigo solar, para dar lugar a esta enorme unidade fabril que laborou durante várias décadas.A SNS entrou em falência no início dos anos 90 e de toda esta aventura sobrou apenas o mirante, que teimosamente continua a testemunhar os gloriosos dias de Marvila. [Eu não sei se, como diz o Ruin’art, a SNS entrou em falência, o que sei é que a SNS da família de João Rocha dos Santos é hoje a Ongoing de Nuno Rocha dos Santos de Almeida Vasconcellos. Palavras para quê!]











































































































O que é a Ongoing
“[...] família Rocha dos Santos no final do século XIX, corporiza a tradição de investimento que conduziu à criação da Sociedade Nacional de Sabões (SNS), a qual, após 1974, chegou a ser o maior grupo privado português. Capacidade empreendedora e visão estratégica transformaram um negócio familiar num conglomerado industrial, pela mão de três gerações. Em 1989, o grupo integrava 25 empresas, empregava 1.500 pessoas e tinha vendas superiores a 20 milhões de contos (cerca de 100 milhões de euros), o que representava 0,2 por cento do produto interno bruto (PIB) português. A decisão tomada pela família Rocha dos Santos, na última década do século passado, de desinvestir no grupo SNS e de diversificar as suas aplicações através do mercado de capitais, culminou com a criação, em 2004, da Ongoing Strategy Investments, presidida por Nuno Vasconcellos. A Ongoing incorporou o objectivo de racionalizar e profissionalizar a gestão dos investimentos da família, com um foco estratégico em Portugal e no mercado da lusofonia. Estrategicamente, foram identificados como prioritários os sectores de Telecomunicações, Media e Tecnologia (TMT), Serviços Financeiros, Energia, Infra-estruturas, Imobiliário e Serviços, com a principal aposta a ser feita no desenvolvimento e consolidação de um Grupo sólido e coerente nas TMT, cumprindo a visão assumida pelo Grupo. [...]”





























Esta árvore também é património.





Está em ruínas o que resta do mirante de onde D. Pedro V assistiu à passagem do primeiro comboio em 1856. O terreno abandonado serve de pasto a uma dúzia de cavalos. Em 1919 as empresas Sousa & Ciª e João Rocha, associaram-se e formaram uma poderosa indústria. Entre escombros e entulho ainda resistem alguns vestigios da SNS - Fábrica Nacional de Sabões, que resultou da união de várias indústrias. Era daqui que saíam as marcas Sonasol, Margarina Extra, Sabonete Beato. A produção atingiu o seu auge nos anos 40 tendo a SNS então adquirido este terreno sob a designação de “Quinta do Brito”. Foram demolidas todas as estruturas do antigo solar, para dar lugar a uma enorme unidade fabril.
É comovente como (não) tratamos o nosso património.






15 comentários:

pmc disse...

Reportagem EXCELENTE! Já mandaram para a Ongoing? Eles têm agora um prédio "à maneira", na colina de São Francisco, ao lado da CGTP;-)

Gastão de Brito e Silva disse...

And going on... to the ruin...

Excelente reportagem...é muito com orgulho que contribuo para este blogue...

Com LUZ

G;-)~

Marina disse...

Referentes a este reportagem sobre a fabrica de sabão..sabem me dizer qual é a situação do terrenos hoje em dia? obrigada

Anónimo disse...

Acabaram com uma unidade fabril que empregava 1500 pessoas, para criar um grupo economico, que não deve empregar nem metade das pessoas..
É este o nosso país..

agraf74 disse...

Fiquei muito impressionado por encontrar isto!
Ontem, vi aquela torre linda e rebrilhante, a fábrica de sabões em pleno funcionamento, uns duzentos operários a sair da fábrica ao apito das 5 horas da tarde!
Deviam ter estado comigo na Cinemateca Portuguesa, a rever o filme de António Macedo, "A Revelação" (1969).
Só os cavalos parecem os mesmos, e aquela árvore magnífica permanece, mas sujíssima.

www.lxdesigninteriores.com disse...

Existe aqui alguma confusão, a ONGOING não é o culminar da SNS...nem a SNS se desfez para dar lugar à segunda..

brjnica disse...

Mas que grande confusão que para aqui vai. Não sei a partir de que data, mas quando se deu o 25 de Abril já há muito tempo que a família Rocha dos Santos era minoritária na SNS. Quem mandava era a sócia maioritária Maria Helena Marques de Sousa Beirão da Veiga. E foi ela quem levou a empresa à falência. Se a memória não me falha, os Rocha dos Santos tinham 40% do capital.

Fernando Miguel disse...

Tendo em conta o seu conhecimento peço-lhe, se possível, que me possa informar se existe alguma publicação, ou arquivo, sobre evolução histórica da SNS. Sei que, em 1956, foi criada a Sovena - parceria da SNS, CUF, MACEDO & COELHO. O meu interesse específico, no contexto de estudo sobre as fábricas de Cerâmica de Palença e fábrica de Macedo & Coelho, a este desta, na Arrábida (Pragal), é encontrar associações entre estas, nomeadamente sobre a gestão da família Beirão da Veiga ( e futuras gerações) que terá controlado a fábrica d' Arrábida ( que, segundo uma informação publicitária, de1913, produzia óleos pra pintura e saboaria, bagaços para alimentação de gado e massa de purgueira). Tinha, também, interesse em saber o que esta fábrica produziu ao longo dos anos em que operou, e quando foi extinta. Grato, com os melhores cumprimentos.

brjnica disse...

Não creio que o possa ajudar. Entre 1970 e 1984 o meu pai trabalhou para o "grupo" SNS. Alguns destes nomes são-me familiares porque os ouvia mencionados lá em casa (Sovena, Macedo & Coelho...) mas não tenho qualquer memória de uma fábrica "Arrábida". O pouco que sei refere-se mais às agitações pós-25 de Abril e ao colapso do grupo. Basicamente, o grupo foi feito pelo pai de Maria Helena Beirão da Veiga, que aparentemente era um empresário dinâmico. Após a morte deste as empresas passaram a ser controladas pela filha (Maria Helena) que eu conheci bem e que era para lá de "um zero à esquerda". A combinação de uma sócia maioritária que eu classificaria de "surreal" e as complexidades do Verão quente de 1975 ditaram a morte das empresas.

Fernando Miguel disse...

Muito obrigado. Se atravessar a ponte no sentido norte sul, verá à sua direita, prestes a chegar ao "garrafão" uma pequena enseada (praia da Arrábida) onde são visíveis duas chaminés e ruínas. É o que resta da fábrica Macedo & Coelho, que acabou por fazer parte do universo SNS.

brjnica disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
brjnica disse...

Sabe a versão mais completa dos apelidos dos donos da Macedo & Coelho? Talvez com os apelidos completos se reavive algo na minha memória.

Fernando Miguel disse...

Sei que a Macedo & Coelho foi fundada por Carlos Augusto Silva que, também, foi um dos cinco fundadores da Cerâmica de Palença, em 1884, sob a firma "Silva & Filgueiras

brjnica disse...

Perguntei à minha mãe (à beira de fazer 88 anos...) o que se lembra da Macedo & Coelho. Resposta: Então não me lembro, um dos sócios era o pai da mulher do Jaime Lança de Morais, que estiveram connosco várias vezes em Vila Nova de Milfontes. E tinham um palacete ali para os lados de Sintra... Eu sei mais coisas de certeza, quando me lembrar digo-te. / Jaime Lança de Morais é um nome que aparece na net, se contactar essa família talvez eles saibam coisas sobre a fábrica. Contacto directo comigo: lordubu@sapo.pt

brjnica disse...

A minha mãe diz que tem um livro sobre o dito senhor, sobre as antiguidades que ele tinha, e as histórias da vida dele. Vai tentar encontrá-lo. Até eu estou a ficar curioso...