sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Anos 70 no Centro de Arte Moderna.


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Reviver os anos 70 é um dos principais objectivos da exposição Anos 70 - Atravessar Fronteiras, organizada pelo CAM em conjunto com o Serviço Belas Artes, patente a partir de hoje na Fundação Calouste Gulbenkian e que pretende encetar uma viagem através de uma das mais conturbadas décadas da História de Portugal.
Para a exposição, organizada em três núcleos, foram estudadas as linhas direccionais da década e procuraram-se, segundo a curadora Raquel Henriques da Silva, "gerar zona temáticas, misturando géneros e gerações, sem qualquer tipo de hierarquias". Com grande ênfase na revolução do 25 de Abril, os três núcleos designam-se Necessidade de Intervir, em que as noções de espacialidade, paisagem e ambiente estão presentes, e que incluem, por exemplo a intervenção Ocultação/Desocultação de Ana Vieira, as iconografias de António Sena, as Memórias de uma Performance de Rui Orfão e as fotografias Vilarinho das Furnas de José Barrias.
No segundo núcleo o tema é Experimentar: Série e Variação, em que, como o próprio nome indica, se retratam obras influenciadas pelo movimento conceptualista dos anos 60 e 70. Aqui podem ser encontradas intervenções de Lourdes Castro, que manifestam o "confronto com o corpo e o sexo", a "crítica urbana e da sociedade do consumo" de Eduardo Nery, pinturas de Paula Rego, o cartazismo de José Guimarães e a recriação do painel de pintura pública realizado em 74, que foi perdido no incêndio da Galeria de Bélem de 1981.
A intervenção Ruptura de Ana Hatherly, as obra de Jorge Martins sobre a luz e o desenho minimalista de Joaquim Bravo, Pires Vieira, entre vários outros, integram Expermentar: Série e Variação. Neste terceiro núcleo, situado no primeiro piso, registam-se ainda intervenções como o Homo Sapiens de Alberto Pimenta e o tecno-poema de Silvestre Pestana que, segundo Raquel Henriques da Silva, se trata de uma "obra singular, em que fotografia, som e luz convergem num só lugar". A curadora da exposição acrescenta que "toda a informação sobre esta peça é muito escassa e foi difícil de encontrar."
Paralelamente, Jesper Just traz pela primeira vez a Portugal a sua videoart, em que expõe por ordem cronológica filmes como No Man is an Island (2002), This Love is Silent (2003) e um trabalho inédito, rodado em Detroit, nos EUA.
Acerca da sua obra, Just assume que nos seus filmes gosta de "colocar pessoas comuns em situações estranhas" e que a combinação da exposição é uma "exclusividade para os portugueses". O artista, nascido em Copenhaga em 1974, disse ao DN, que prefere o "ambiente intelectual" deste tipo de exposições aos comuns cinemas em que "a expectativa e a reflexão é muito menor".
Pequenos Mundos (2000), Não Tem Que Me Conta Seja o Que For (2006-2007) e interpretação dos sonhos (em letras pequenas para não se confundir com a obra de Sigmund Freud), são as três exposições de Jorge Molder, lisboeta de origem e vencedor do AICA Prize em 2007.
Molder utiliza frames de filmes que segundo o próprio foram "escolhidos aleatoriamente". Entre os frames podem ser identificados filmes de John Ford, Billy Wilder e Alfred Hitchcock, todos remniscentes da idade de ouro do cinema americano. "É uma coincidência" diz Molder. "Mas de facto, o meu realizador preferido é o John Ford" acrescenta.
Na terceira série de fotografias, que dá nome a toda a exposição, estão 21 fotos, "recorrentes, obsessivas e espessas de sentidos. Uma homenagem a Freud, com objectivo de retratar o carácter crepuscular de todas as imagens."

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