sexta-feira, 7 de agosto de 2009

«Farrobodó»: os devaneios do Conde de Farrobo.


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Retrato do jovem 1.º conde de Farrobo por Domingos Sequeira.
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Palácio das Laranjeiras.
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Joaquim Pedro Quintela, 2º Barão de Quintela e 1º Conde de Farrobo, nasceu em Lisboa, no palácio de sua família, na Rua do Alecrim, a 11 de Dezembro de 1801, onde veio a falecer, a 24 de Setembro de 1869. Seus ascendentes eram das nobres e ilustres famílias dos Pereiras e dos Rebelos, fidalgos de linhagem. Seus pais foram o 1º Barão de Quintela e D. Maria Joaquina Xavier de Saldanha.
Era um entusiasta da monarquia constitucional e da causa de D.Maria II que muito lhe deveu, principalmente em auxílio monetário. A proclamação do regime absolutista em 1828 deu-lhe um grande desgosto.
O título de conde foi-lhe conferido por D. Pedro IV, tirado do nome de uma propriedade sua - Quinta do Farrobo, próxima de Vila Franca de Xira e uma das mais importantes dos arredores de Lisboa, onde teve palácio e teatro.
Joaquim Pedro Quintela não foi uma figura banal do seu tempo e não pode separar-se da história da sumptuosa propriedade que lhe engrandeceu a sua personalidade de artista.
O palácio Farrobo recebeu de si a divisa «OTIA TUTA», isto é «Toda Prazeres», os prazeres colhidos das manifestações artísticas.
Aqui o repouso era absoluto, e as preocupações terrenas diluíam-se no ambiente celestial da arte.
Rodeou-se de imensa grandiosidade e organizou sumptuosos festejos, de um viver opulento que deram origem à expressão popular «farrobodó», derivada do seu título nobre.
Na sua época foi considerado um grande mecenas sobretudo da arte musical portuguesa e a quem todas as fantasias musicais eram permitidas.
Cantor e excelente executante de orquestra, perito em trompa, Farrobo foi ainda presidente da Academia de Música e segundo empresário do Teatro Nacional de S. Carlos, em 1838. A sua gerência tornou-se principalmente notável pelos artistas célebres que contratou, entre os quais se contavam os de maior renome de então.
Dispensou, no entanto, a sua atenção a outras manifestações artísticas e exerceu as funções de Inspector-Geral dos teatros. Porém, não foi apenas animador de festas mundanas, nem exclusivamente amigo das artes. Tendo exercido outras actividades, nomeadamente a gestão do monopólio dos tabacos, pelo qual entregava ao Estado 1200 contos anuais.
Quando faleceu em 1869, estava à beira da ruína. Perdera uma importante demanda comercial, e nos últimos dias vivia duma pensão do Estado, tendo renunciado ao título.
O empobrecimento do conde de Farrobo determinou a venda dos seus bens em hasta pública.
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O palácio Farrobo, mais conhecido por palácio das Laranjeiras, está edificado na Quinta com o mesmo nome, onde se instalou, em 1905, o Jardim Zoológico. É uma construção seiscentista, restaurada e embelezada na primeira metade do século XIX.
Denominada inicialmente Quinta de Santo António, pertencia no final do século XVII a Manuel da Silva Colaço, passando para a posse de Luís Garcia Bívar, em 1760 e, posteriormente, para Fransisco Azevedo Coutinho. Foi a este último que a adquiriu o Desembargador Luís Rebelo Quintela em 1779, por 24 contos, herdando-a em 1802, seu sobrinho Joaquim Pedro Quintela, feito 1º Barão de Quintela, quatro anos mais tarde. Porém, a edificação do palácio, em substituição das decrépitas casas existentes até então, esteve a cargo do Padre Bartolomeu Quintela, tio do 1º Barão. Deste modo, o palácio e quinta foram reconstruídos segundo a traça do Congregado do Oratório. Contudo, foi o 2º Barão de Quintela, 1º conde de Farrobo -o qual muito novo entrara na posse da enorme fortuna de seu pai e na administração do morgado de Farrobo- quem promoveu, no palácio das Laranjeiras, os melhoramentos e embelezamentos que pelo fausto e bom gosto, deram brado em Lisboa, durante a primeira metade do século XIX.
Já no último quartel do século XIX o palácio, cujo brilho iluminara a época e deslumbrara os contemporâneos, foi a leilão. A morte poupou, no entanto a Farrobo aquela afronta. Adquiriu-a então, em 1874, um fidalgo espanhol, duque de Abrantes e Liñares, que o mandou novamente restaurar. Mas a 11 de Abril de 1877 foi comprado pelo comendador José Pereira Soares, que adquiriu também as Quintas contíguas das Águas Boas e dos Barbacenas.
Em 1903, foi a vez do conde de Burnay comprar o conjunto das quintas e do palácio cedendo, em 1905, os jardins da primitiva Quinta das Laranjeiras e Águas Boas ao Jardim Zoológico que, até então, ocupava um local no Parque da Palhavã.
Os restantes espaços ficaram na posse da sua família até 1940, ano em que, para efeito de partilhas se procedeu à venda dos mesmos, tendo o palácio das Laranjeiras sido adquirido pelo Ministério das Colónias, para aí instalar o museu da Marinha. Desde então vários ministérios tiveram sede nas Laranjeiras sendo que, desde Abril de 2002, com a tomada de posse do XV Governo Constitucional, se instalou o Ministério da Ciência e do Ensino Superior, actualmente Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (XVII Governo Constitucional).
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Esta é a História. Agora vejamos a história.
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Os devaneios do conde de Farrobo foram recentemente objecto de uma obra ficcional, «O Milionário de Lisboa», de José Norton. O conde é antepassado do actor/comediante José Diogo Quintela. E, realmente, isto parece um cenário dos «Gato Fedorento».
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Além do Teatro, que devia ser restaurado (foi lá representada pela primeira vez a peça «Frei Luís de Sousa»...), nada se faz a esta construção de recreio. Para aqui está, solitária e triste. Os azulejos a degradarem-se de dia para dia. Um «farrobodó».
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Se isto não é património, o que é património?
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1 comentário:

lili disse...

É de partir o coração.

E este tipo de informação também: https://sites.google.com/site/faceocultadeportugal/lisboa/palacio-farrobo