Já tínhamos dito que haveríamos de mostrar aqui o Pátio 5, no Alto do Varejão.
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Pois aqui o temos.
A entrada promete.
Um azulejo esfacelado. Porquê?
Entremos. Uma rua ou vereda ou caminho abre-se diante de nós.
Andando um pouco, quem olha à esquerda começa a descobrir uma vista soberba sobre o rio. É esta uma das razões pelas quais, disseram-nos, os terrenos do Pátio 5 são cobiçados pelos empreendedores imobiliários. É também por causa da vista que os moradores, de quando em vez, podam os ramos de alguns arbustos mais altaneiros.
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Um muro em derrocada. Pátio 5, Alto do Varejão.
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Uma primeira casa.
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Um primeiro detalhe. As boas-vindas feitas de peluche.
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Ao sol de Inverno.
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Flores, muitas. Lindas. Várias. São o orgulho de uma das moradoras.
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Muitas destas flores irão adornar as campas do Alto de São João, que não fica longe.
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A Dª Maria Emília. Mora aqui. Noutras casas, membros da mesma família. A cunhada, já a mostrámos, tem uma charcutaria na rua em frente. Ao princípio, mostrou algum receio. Mas, depois, gostou de falar da Beira de onde veio um dia, das flores e da sua horta.
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Em pessoas como a Dª Emília, há um tema recorrente: a nesga de terra e as coisas que nela cultivam. Grande ou pequeno, não interessa, é um mundo feito de couves e flores. Os seus amores-perfeitos.
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E, ao longe, o Tejo, que será sempre menor do que o rio que passava na aldeia de Maria Emília.
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Uma das casas, já foi abaixo.
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As outras, são conservadas pelos moradores, arrendatários de um senhorio expectante.
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Isto coloca grandes problemas: manter as couves ou construir T1, T2, T3 com banheiras de hidromassagem?
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É que, deixando-nos de poesias bucólicas, as coisas também não estão bem assim.
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É que, deixando-nos de poesias bucólicas, as coisas também não estão bem assim.
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Contrastes.
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Um barracão guarda as alfaias e muitas outras coisas. A ele voltaremos.
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Ao lado do barracão, a vista para o outro lado. Prédios.
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As fotografias dão uma pálida imagem da vista que daqui se tem.
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Entre o betão e a ruína, não haverá alternativas?
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Maria Emília. Aqui vive há dezenas de anos. Até quando?
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Nós perguntamos neste blogue se é esta a Lisboa onde quer viver.
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Para Maria Emília, a resposta é inequívoca: esta é a Lisboa onde quer viver. Não é mulher de grandes falas nem de grandes alaridos, ao contrário da cunhada. Usa ainda termos antigos, como «granjear acolá». Aqui e acolá, quer apenas que a deixem em paz. E disse-nos frontalmente: se vêem com boa intenção, não me importo de vos mostrar isto tudo. Foi o que fez.
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2 comentários:
Há muita gente em Lisboa que sobrevive porque tem a sua horta e as suas galinhas.
A ideia das hortas urbanas não é uma ideia, é uma realidade.
E não apenas é real como necessário.
Parece-me que se devia apostar nesta realidade, de um modo viável e não utópico.
Isto é:
As hortas e galinheiros fazem-se num terreno próximo da casa do dono ou dona da horta e galinheiro.
Se se pensar como resolver isto, há que não organizar utopicamente as couves e galinhas.
Já agora, era bom pôr gente a estudar criativamente mas muito sensatamente esta questão.
Não estamos em Nova Iorque, somos lisboetas e até comemos caldo verde com muito gosto.
Organizem, esta cidade, que é tão CURIOSA de uma forma inteligente SE FAZ FAVOR.
OBRIGAAAAAADA.
Mas, já agora também era bom pensarem a sério nos senhorios, que fazem a papel que cabe ao Estado Português.
E neste ponto, tão delicado, têm sido inventadas leis que atrasam legalmente a resolução do problema.
Era bom, como o blog também sublinha não esquecer os direitos dos proprietários.
Mas, alterando a lei que desprotege senhorios, simultaneamente emprestando casas a quem delas precisa.
Quando se fala em REABILITAÇÃO URBANA, estão incluídas as justas devoluções das propriedades aos senhorios ???????????????
Porque o que tem havido é um roubo devidamente protegido pela Lei das casas que estão alugadas há décadas.
Devolvam as casas aos senhorios e mudem quem ficar desalojado para a Baixa, por exemplo.
Quanto às hortas, não sei como se resolve.
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