quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Anita na Intermodal.



A Anita, o Pedro e o Pantufa foram passear à Estação Intermodal do Campo Grande. «Tenham cuidado com as seringas, meninos!», avisou a mãe da Anita.



- Pedro, Aquilo lá em cima parece um colchão. Será um colchão de espuma?



- Anita, não sejas parva! Como é que os responsáveis por esta Estação Intermodal lá iriam deixar estar um colchão? Tu tens cada uma, Anita... Pareces que vives no mundo das crianças.



De repente, o Pantufa fugiu por entre os cartazes de videntes e lança-búzios. E agora, onde estará o cãozito felpudo da Anita e do Pedro? Anita e Pedro começaram a ficar preocupados. «Deixa estar, Anita, que os seguranças da Intermodal são muito eficientes», disse o Pedro, para tranquilizar a Anita.



- O Pantufa terá ido órinar atrás deste poste, Pedro? - perguntou a Anita, muito assustada.



- Talvez, Anita, não te preocupes. Estamos na estação de transportes mais moderna de Lisboa. Agarra uma calma, miúda. As aventuras com esta garina são sempre um ganda stress.



Do Pantufa, nem sinais de vida...



- Olha, Pedro, um buraco no tecto, uma tira de espuma... que giro, não achas?



- Não, giro, giro é o «design» desta coisa toda. Ultramoderno, sofisticado. Que grande aventura esta, não achas, Anita? Não curtíamos tanto desde o «Anita no Bosque». Lembras-te?



- Pantufa, estás aí?, perguntava a Anita. Anita já tinha protagonizado «Anita na Meia Laranja» e sabia que a vida, às vezes, era madrasta para os mais pequenos. O Coelho Jorge, por exemplo, era uma vítima constante dos meninos que lançavam movimentos e petições contra ele.


- Pantufa, diz qualquer coisa!



- Ó Pantufa, meu malandro, não me digas que te foste meter no meio do lixo!



- Pedro, larga o «spray» de tinta! Não é hora de grafitar! Temos de encontrar o Pantufa!



- Ele deve sentir-se perdido no meio de tanto grafito, disse o Pedro. O Pedro também já estava a ficar preocupado com o Pantufa.




Afinal, todos começavam a perder a confiança no modernismo da Estação Intermodal e na eficácia dos seus seguranças.




- Anita, se encontrarmos o Pantufa faço uma loucura! Olha, voto no Costa!



- Estás a ver, eu não te dizia que havia aqui colchões? Montes deles! Bem enroladinhos, como as ganzas que só tu sabes fazer.




- E se pedíssemos uma pizza, Anita? Esta aventura na Intermodal abriu-me o apetite. Pedro era muito guloso. Viu uma caixa da Telepizza e ficou cheio de fome.




- Não, Pedro, vamos embora, aqui cheira muito a chichi, como os senhores leitores do Lisboa SOS podem confirmar se cá vierem.



- Anita, deixa-me apagar o cigarro. Tenho que largar o vício...



- Olha, Anita, eu trouxe preservativos cor de rosa... E se a gente deixasse o Pantufa dar uma volta? Ele não se perde, Anita. Vou buscar o colchão para brincarmos à «Anita no Salão Erótico». Esta Intermodal é muita fixe.
(Continua)

Venda de títulos: Judite de Sousa.



Estação Intermodal, Campo Grande

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A Muralha de Aço.

O assunto, de tão conhecido, não carece de grandes explicações. Obrigado, Miguel Sousa Tavares, pela petição contra a muralha de contentores que querem construir em Alcântara. Desde há muito, também vimos denunciando o que se passa no Porto de Lisboa. Entre muitos outros «posts», pode ver, nos «Destaques» ao lado, as reportagens «Há Lodo no Cais» e «Almada, tão Longe».

Assine aqui a petição e dê a conhecer este assunto ao maior número de pessoas, enviando-lhes este link:

http://www.gopetition.com/online/22835.html


Petição:

A ampliação da capacidade do terminal de contentores de Alcântara que o Governo inoportunamente se propõe levar por diante implicará a criação de uma muralha com cerca de 1,5 quilómetros com 12 a 15 metros de altura entre a Cidade de Lisboa e o Rio Tejo. A zona de Alcântara estará sujeita a obras durante um período previsto de 6 anos, impossibilitando assim a população de aceder ao rio pelas “Docas”, levando ao fecho de toda a actividade lúdica desta zona, pondo em risco 700 postos de trabalho. Os terminais de contentores existentes nos portos de Portugal no final de 2006 tinham o dobro da capacidade necessária para satisfazer a procura do mercado. O Tribunal de Contas em relatório de Setembro de 2007 sublinhava que a Administração do Porto de Lisboa (APL) é líder no movimento de carga contentorizada em Portugal, e apresenta desafogadas capacidades instaladas e disponíveis, para fazer face a eventuais crescimentos do movimento de contentores.A prorrogação da concessão do terminal de contentores de Alcântara até 2042 que o Governo pretende concretizar com o Decreto-Lei n.º 188/2008, de 23 de Setembro, e que prevê a triplicação da sua capacidade afigura-se assim completamente incompreensível, desnecessária, e inaceitável para mais sem concurso público.Apesar da lei prever 30 anos para a duração máxima das concessões, com esta prorrogação a duração desta concessão será na prática, de 57 anos, o que, tal como o Tribunal de Contas sublinha, impede os benefícios da livre concorrência por encerrar o mercado por períodos de tempo excessivamente longos. Com esta decisão do Governo perde a Cidade de Lisboa, perdem os cofres públicos, perde o sistema portuário nacional, no fundo perdem os portugueses. Em face do exposto, os abaixo-assinados vêm pelo presente meio solicitar à Assembleia da República que sejam tomadas as medidas necessárias para impedir este atentado estético e económico contra o País, contra Lisboa e contra os seus cidadãos, revogando o DL n.º 188/2008, de 23 de Setembro.











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Lisboa: o olhar de António José Ribeiro.


















































Convidámos o fotógrafo António José Ribeiro a mostrar aqui o seu olhar sobre Lisboa. Ao autor destas fotografias, muito obrigado. Há muitas lisboas dentro de Lisboa. Esta é uma pequena amostra da Lisboa de António José Ribeiro. Estas e muitas outras imagens de António José Ribeiro encontram-se no seu blogue: http://moroemlisboa.blogspot.com/