sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Memória usurpada.





Promovida pelo partido Portugal pro Vida
Filhos de Sophia indignados com referência à poetisa em tempo de antena contra o aborto
Por Natália Faria

Os filhos da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen estão indignados com a referência ao nome da mãe na campanha contra o aborto promovida pelo partido Portugal pro Vida - um movimento que se bateu contra a legalização do aborto, do casamento gay e contra a nova lei do divórcio e cujo líder, Luís Botelho, se assume agora como candidato à Presidência da República, em nome "dos valores da vida e da dignidade da pessoa humana".
Sophia de Mello Breyner (Foto: DR/arquivo)

No site do partido mas também no tempo de antena que irá para o ar hoje, na RTP1, o movimento alude a uma frase que a poetisa terá proferido após um jantar entre amigos, em 1998, ou seja por altura do primeiro referendo sobre o aborto: "Uma vez mostraram-me fotografias de fetos abortados. O que mais me impressionou foi o seu ar de humilhação (ou de humilhados). Espalhem imagens dessas com a frase: "Aqueles que ninguém quis amar.""

Maria Andresen, filha da poetisa que morreu em 2004, mostra-se indignada. "Uma coisa era a minha mãe ser pessoalmente contra o aborto e outra estar contra a sua legalização. Conversámos imensas vezes sobre isso e sei que a minha mãe sempre recusou militar em qualquer movimento anti-aborto, precisamente por respeitar a liberdade de consciência de cada um", declarou Andresen.

Num e-mail enviado ao líder do Portugal pro Vida, Andresen pede que o movimento se abstenha de usar o nome da poetisa. "Trata-se de um uso abusivo numa campanha que a minha mãe não subscreveria", enfatizou, admitindo recorrer à via judicial. Luís Botelho, por seu turno, recorda que a frase atribuída à poetisa já foi usada na campanha para o referendo que se realizou em Fevereiro de 2007 e que vem referida em vários sites. "É uma frase que caiu no domínio público. Referimo-la como referimos as posições de Marthin Luther King ou da Madre Teresa de Calcutá", reagiu, alegando ser "muito difícil" apagar a referência a Sophia, porque "o tempo de antena já foi entregue à televisão".

(in Público).

Triste sina de País.

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«Campus da Justiça [no Parque das Nações] sem condições. Julgamentos com mais de 30 arguidos já estão a ser transferidos para Monsanto» (Sol, de 22/10/2010).

Relógio do Arco da Rua Augusta: quando o acertam?


Pessoa online.




Exemplar da Biblioteca Particular de Fernando Pessoa

Biblioteca Particular de Fernando Pessoa
Toda a biblioteca de Fernando Pessoa online a partir de hoje
Por Isabel Coutinho

Os livros da Biblioteca Particular de Fernando Pessoa estão disponíveis gratuitamente online desde hoje à tarde no site da Casa Fernando Pessoa. “Mais gente vai ter acesso a este espólio, mais gente vai poder estudá-lo e mais Pessoanos vão nascer”, disse o presidente da câmara, António Costa, na cerimónia de apresentação do projecto em Lisboa.
Um dos exemplares de Pessoa, agora online (DR)

Depois da digitalização, continuará a ser feito o restauro das obras. Em Novembro será lançada pela Casa Pessoa, a revista Pessoa (substituindo a Tabacaria) e realizar-se-á o segundo congresso dedicado ao escritor no Teatro Aberto, dias 23 a 25.

Até agora, só uma visita à Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, permitia consultar este acervo que é “riquíssimo”, mas com o site, bilingue (português e inglês, e disponível em http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt) em qualquer lugar do mundo, com uma ligação à Internet é possível consultar, página a página, os cerca de 1140 volumes da biblioteca, mais as anotações – incluindo poemas – que Fernando Pessoa foi fazendo nas páginas dos livros. “Manuscritos que muitas vezes se deterioram com o tempo, pois muitos deles foram feitos a lápis”, disse Inês Pedrosa. Por isso já começaram o restauro destas obras. “Alguns já estão restaurados, pedimos um orçamento à Fundação Ricardo Espírito Santo e estamos agora à procura de outra instituição para o pagar”, disse ao PÚBLICO a escritora. Em Novembro, realiza-se o 2º Congresso Internacional Fernando Pessoa e no dia 23 será lançada a revista, trimestral e bilingue, de literatura e ensaio.

Tudo começou em 2008 quando o investigador e estudioso da obra de Fernando Pessoa, Jerónimo Pizarro, propôs à directora da Casa Pessoa, Inês Pedrosa, que se fizesse a digitalização dos livros que pertenceram ao poeta. Estão disponíveis em PDF e JPG e na íntegra. A Fundação Vodafone Portugal apoiou a iniciativa com 77 mil euros e assim foi possível concretizar o sonho de Pizarro: “Tornar Pessoa ainda mais universal e ter a sua biblioteca aberta ao mundo inteiro”, disse o investigador que na cerimónia recebeu a medalha de mérito municipal, atribuída por António Costa.

(in Público).

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Lindo!





Secretário de Estado da Cultura diz que programa “nunca funcionou”
Problemas com benefícios fiscais suspendem Cheque-Obra para recuperação de património
Por Alexandra Prado Coelho

O programa Cheque-Obra, a mais emblemática iniciativa do mandato de José António Pinto Ribeiro, e que segundo o antigo ministro da Cultura iria “mudar a face” do património nacional, “está suspenso” devido a problemas com os beneficios fiscais a atribuir às empresas contribuintes, esclareceu hoje ao PÚBLICO o gabinete secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle.
Segundo Elísio Summavielle, o Palácio de Queluz deveria ter sido o primeiro a beneficiar do programa.

Summavielle anunciou ontem a suspensão do programa com que Pinto Ribeiro – que deixou o cargo em Outubro de 2009, substituído pela actual ministra, Gabriela Canavilhas –, garantira “recursos que nunca existiram na história do Ministério da Cultura”. Em declarações à Lusa na inauguração dos recuperados jogos de água do Palácio Nacional de Queluz, Summavielle disse que o Cheque-Obra “nunca funcionou” porque “há uma situação que levanta questões do ponto de vista da fiscalidade”.

A ideia era que cada empresa à qual fosse adjudicada uma obra pública de valor igual ou superior a 2,5 milhões de euros ficasse obrigada a realizar obras de recuperação de património (sob supervisão do Instituto do Património Arquitectónico e Arqueológico, Igespar) no valor de um por cento do total da empreitada (o pagamento seria feito em obra e não em dinheiro). A resolução do Conselho de Ministros que institui o Cheque-Obra refere benefícios fiscais ligados ao programa.

O PÚBLICO tentou esclarecer junto do Ministério da Cultura se o programa terminou ou se vai ser retomado. Segundo o MC, “a resolução está suspensa na sua aplicação”, mas “no próximo ano económico, e no âmbito da Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais, será analisada e reponderada a ideia subjacente ao espírito da resolução”. O Ministério confirma que a suspensão se deve a “questões jurídicas de fiscalidade (majoração no âmbito do Estatuto dos Benefícios Fiscais)” por decisão da Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais.

Ou seja, a questão está nas mãos do Ministério das Finanças (MF), do qual não foi possível obter respostas. Não foi também possível contactar a Associação Nacional de Empreiteiros de Obras Públicas, que reúne várias empresas que aderiram ao Cheque-obra, entre as quais a Mota-Engil, MSF, Opway, Somague, Soares da Costa, Bento Pedroso, e a Construtora Abrantina.

Em Agosto de 2009, o Governo lançou no Palácio de Queluz o Programa de Recuperação do Património Classificado – este palácio seria, aliás, o primeiro a beneficiar de obras no âmbito do programa, que previa o restauro de 28 monumentos nacionais em diferentes zonas do país.

Em Junho deste ano, Canavilhas dizia ao PÚBLICO que o Cheque-Obra estava “parado por um impasse administrativo [...] um impasse que não tem significado” e que havia já “projectos combinados com empresas”.

Para Vítor Cóias, do GECoRPA (grémio de empresas de conservação e restauro do património), o Cheque-Obra foi “a pretensa descoberta da pólvora” porque, na prática, “é o Estado a tirar dinheiro de um bolso e a pôr no outro”. No fundo, diz, é o Estado que paga porque “as empresas, ao saberem que vão ter que pagar mais um por cento, aumentam os orçamentos um por cento”.

Trata-se, na opinião de Cóias, de uma ideia sem condições para funcionar porque “está-se a dar às grandes empresas de construção a incumbência de fazer a gestão de obras de recuperação de património”. Como estas empresas, que fazem grandes obras públicas como auto-estradas, ou aeroportos, não têm experiência de recuperação e restauro, “vão procurar sub-empreiteiros e a selecção é feita com base no critério do preço mais baixo”.


(in Público).

Boa!



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Os deputados municipais de Lisboa vão passar a ter o registo das suas faltas e justificações disponibilizado on-line.

Boa!





Ruído das obras do metro dá indemnização
Moradores recebem 118 mil euros pela construção da linha vermelha
O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) condenou a Metropolitano de Lisboa e a empresa construtora da Linha do Oriente (Metrexpo) a indemnizarem, num total de 118 500 euros, sete moradores, pelo ruído provocado por aquela obra.

As obras arrancaram em 1995 e a partir de Fevereiro do ano seguinte passaram a realizar-se durante 24 horas por dia, incluindo domingos e feriados, uma vez que era urgente terminar aquela linha a tempo da abertura da Expo'98, marcada para Maio.

O ruído provocado pelas obras levou a que sete moradores, entre os quais quatro juízes conselheiros, pusessem o caso em tribunal, depois de terem por várias outras vias tentado, sempre sem sucesso, que fosse respeitado o seu direito ao repouso e ao silêncio.

Segundo o acórdão de 19 de Outubro, a que Lusa ontem teve acesso, o tribunal deu como provado que os ruídos chegaram a ser "de extrema violência" e foram "permanentes e extremamente incómodos" para os moradores, que se viram, assim privados, diariamente, de horas de sono durante a noite.

Um dos queixosos tomava comprimidos para dormir, outro viu-se obrigado a mudar de residência por lhe ser "absolutamente intolerável" a permanência na sua habitação, um outro passou a ter mais dores nas costas, em decorrência da privação de horas de sono.

A Metropolitano de Lisboa e a Metrexpo esgrimiram com a natureza e interesse público da obra, com base num despacho do secretário de Estado dos Transportes, que invocava como "imperativo de interesse público relevante" a conclusão dos trabalhos e o início da exploração da linha do metropolitano entre Alameda e Oriente até à data da abertura da Expo'98.

No entanto, o tribunal considera que "não há justificação para a produção das ofensas durante o período normalmente utilizado para repouso", sublinhando que poderiam ter sido usadas "máquinas ou ferramentas menos poluidoras".

(in Jornal de Notícias).

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Pixelejo: apoiamos!

Boa noite.


Dei com uma referência vossa ao meu projecto, Pixelejo. Não cheguei a perceber se o vosso "obrigado" é positivo ou uma ironia, dado que se trata de arte de rua. Contudo, indico-vos a página oficial do meu trabalho onde podem encontrar mais sítios com o meu trabalho: http://www.facebook.com/pixelejo

Indico-vos também o mapa dos mesmos: http://tiny.cc/pixelejo_maps

Cumprimentos,

TTejo

NOTA LISBOA SOS: não era ironia. Nós apoiamos o Pixelejo, como toda a verdadeira arte de rua!

Rua H & M, ao Chiado.






Fernando Jorge.

Sé de Lisboa: a fachada. Ou a fantochada?





Já viram o grave acto de vandalismo cometido na Sé de Lisboa?

A fachada foi seriamente graffitada e, mais uma vez, com expressões supostamente de teor anarquista.

Todos sabemos que os autores disto são exactamente os mesmos dos graffitis que regularmente aparecem na Praça da Figueira e Rossio.

Lamentável...

Fernando Jorge

NOTA LISBOA SOS: e já viram a fachada de São Vicente. É o grupinho anarquista de sempre, já avisámos umas 543 vezes. Ninguém faz nada? A Polícia?

Pequena dissertação sobre grafitos.





Caro Lisboa SOS,

Vi o vosso blogue e tive vontade de partilhar convosco a minha opinião sobre os graffitis que pululam na cidade:

1. Os recentes avanços da neurologia, da biologia, da psicologia e de outras áreas ligadas ao conhecimento do funcionamento do cérebro humano, têm vindo a comprovar aquilo que a experiência pessoal e a história colectiva já nos indicavam. A condição humana deve-se tanto à sua genética, como ao ambiente em que se desenvolve. A forma como o cérebro humano se desenvolve, desde a tenra idade até à idade adulta, é permitido tanto pelos genes que gerem e programam o funcionamento da vida humana, como pelo uso que lhe é dado. Ou seja, a plasticidade cerebral que caracteriza o ser humano permite-lhe que o cérebro se transforme consoante aquilo que aprende. Há inúmeras experiências de neurologia que demonstram como muda o cérebro humano consoante a aprendizagem a que é submetido. Há um estudo clássico com animais, os pobres gatinhos que em criança tanto gostamos, que revela que se à nascença lhes for vedado um olho, quando este é destapado os gatinhos se revelam “cerebralmente” cegos; ou seja, mesmo que funcional e biologicamente o olho não tenha problemas, as partes do cérebro do gatinho que deveriam processar a informação visual, pura e simplesmente não foram estabelecidas. O mesmo se passa com os humanos. Há relatos médicos de situações análogas, criadas por infortúnios normalmente fruto de acidentes.

2. Estes conhecimentos revelam aquilo que já aprendêramos (alguns) com tantos anos de história humana: somos portugueses porque assim somos ensinados a ser, chineses, britânicos, etc. O que o resultado das teorias eugénicas nos revelou na prática, que éramos todos iguais na diferença, são agora comprovados pelos métodos que chamamos científicos. Sem guerras e sem sofrimentos (com excepção dos gatinhos e dos infortunados acidentados).

3. O ambiente a que somos sujeitos tolda e molda a forma como pensamos, reagimos e sentimos o mundo. A mesma vaca a atravessar a rua não é a igual para um indiano, um escalabitano ou um cabo-verdiano (habituado que está a vê-las comer pedras no meio das acácias ácidas). Enquanto passamos pela tenra idade, o nosso cérebro é extremamente plástico; absorve tudo, numa situação que alguns médicos e psicólogos apontam de “consciência plena”. As crianças estão constantemente alerta de tudo quanto se passa em torno delas. Não são capazes de escolher com facilidade para onde dirigir a sua atenção. Absorvem praticamente tudo. À medida que envelhecemos, os nossos cérebros vão diminuindo a plasticidade, fechando circuitos neuronais que são pouco utilizados e fortalecendo os mais utilizados. Partes ligadas à especialização e ao controlo da consciência e da atenção desenvolvem-se. Se não ouvirmos música ao longo da infância,
dificilmente poderão os nossos cérebros, mesmo que geneticamente predispostos sejam, levar os nossos dedos a tocar harpa ou piano. “Burro velho não aprende línguas”. Um passeio pela praia do Tarrafal, na ilha de Santiago, pode revelar-nos, numa experiência pessoal vívida, o que a ciência nos ensina: como podem os tarrafenses gostar de estar numa praia com tanto lixo empilhado mesmo ali ao lado? (Note-se que a mesma experiência se pode viver, sem custos de passagens aéreas, junto a Alcochete numa das praias do Mar da Palha). Eles nem sequer reparam no lixo, sempre ali esteve, em maior ou menos quantidade (antes da abertura da mercearia com sacos de plástico), pelo que o cérebro não regista qualquer pensamento ou sentimento de alerta. É a normalidade, a vaca a comer pedras. As crianças são mais conscientes a isso que os adultos. Só não lhe dão um valor “moral”.

4. O que se passa com o lixo, passa-se com os graffitis. Se eles por ali andam e por ali permanecerem, os adultos de amanhã não darão por eles. O mesmo podemos aferir dos buracos nas ruas, dos jardins mal cuidados, dos tracejados inexistentes nas estradas, enfim, da falta de organização. Os nórdicos não dão mais valor ao colectivo que os mediterrânicos só por causa do frio. É porque o cérebro de cada um é moldado de acordo com ambiente em que cresceu. Enfim, os lindos prédios de Lisboa, que vão caindo sem que um terramoto os atinja, vão sendo substituídos por terríveis construções modernas, sem que os camarários vereadores percebam que a capital lusa é a única da Europa que desbarata o seu património arquitectónico… como outros não reparam que as vacas não comem pedras.

5. Por tudo isto, é a educação (e talvez a genética num futuro muito próximo) o garante de dias melhores para a humanidade. E para os lisboetas. Sem graffitis, sem lixo e, quiçá, sem guerra. Não é isso que a experiência europeia parece querer ensinar?

Cumprimentos

Pedro Marinho

Uma nova vida.





Cirurgiões nos EUA removeram tumor de mais de cinco quilos a "homem sem rosto"
Por Andrea Cunha Freitas

A notícia foi dada na segunda-feira pela cadeia de televisão norte-americana ABC. José Mestre abandonou, nessa tarde, o Hospital de St. Joseph, em Chicago (EUA), após ter sido submetido a quatro cirurgias, duas para a remoção de um tumor com mais de cinco quilos que lhe cobria o rosto e outras duas para a reconstituição possível da face. A operação - bem como todos os custos associados (alojamento e viagens) - terá sido inteiramente suportada pelo Serviço Nacional de Saúde.
José Mestre regressará a Lisboa dentro de seis semanas (DR)

As imagens mostram José Mestre com a cara envolvida em ligaduras e de mão dada com a irmã, Edite Margarida Abreu. O "homem sem rosto" - como ficou conhecido após um documentário do canal Discovery sobre a sua história - que antes andava pelas ruas de Lisboa, na zona do Rossio, viajou há três meses para Chicago, onde deverá permanecer por mais seis semanas. Ramsen Azizi, um dos cirurgiões envolvidos na delicada operação, declarou à ABC que os resultados só poderão ser avaliados dentro de um ano. Porém, as imagens mostram já um considerável progresso. José Mestre ainda tem (e terá) o rosto visivelmente deformado - os especialistas são unânimes em considerar que era impossível remover o tumor totalmente - mas desapareceu a enorme massa tumoral que o cegou, o impedia de dormir e que lhe tornava o simples acto de respirar cada vez mais difícil. "É uma nova vida", afirma a irmã de José Mestre. Ele agradece a Edite todo o apoio e espera agora conseguir algo parecido com uma "vida normal".

"Do ponto de vista médico, o resultado é muito bom, sem qualquer dúvida. Era muito difícil ou impossível fazer melhor do que isto", comenta Vítor Fernandes, presidente do Colégio de Especialidade de Cirurgia Plástica Reconstrutiva e Estética da Ordem dos Médicos (OM), após assistir às imagens pós-cirurgia.

Antes de viajar para Chicago, José Mestre consultou a equipa de especialistas do Hospital Amadora-Sintra para avaliar a possibilidade de fazer esta operação em Portugal. O colégio de especialidade da OM também se pronunciou sobre o caso, acabando por concordar com a equipa do hospital português na decisão de referenciar o doente para a unidade especializada nos EUA. Um dos motivos que pesaram na decisão, alega Vítor Fernandes, foram as "altas expectativas" de José Mestre. "A confiança do doente é muito importante. A cirurgia era de altíssimo risco. E ainda que fôssemos capazes de o fazer aqui, mesmo com os mesmos resultados, a extraordinária vitória da medicina norte-americana seria sempre um extraordinário fracasso nosso. Por causa das expectativas, nunca iria ser um resultado satisfatório", argumenta.

Cláudio Correia, responsável da Direcção-Geral de Saúde (DGS), sublinha que a decisão de referenciar o doente baseou-se exclusivamente em "critérios clínicos". O mesmo responsável admite, no entanto, que o estado psicológico do doente pode ser importante numa decisão deste tipo. "Mas só referenciamos um doente quando não há capacidade de resposta no nosso SNS", conclui. "O que é importante aqui é que este senhor foi muitas vezes maltratado nas ruas de Lisboa, teve ajuda e está melhor. Aproveitámos esta janela de oportunidade", diz Cláudio Correia. Sobre os custos da operação, o responsável da DGS refere que ainda não recebeu "a factura", adiantando apenas que as estimativas para a cirurgia podem rondar os 60 mil euros.

Os responsáveis da DGS referem que ainda aguardam informações detalhadas sobre a cirurgia da equipa do hospital de Chicago, nomeadamente sobre o custo da operação. Por lá, a unidade hospitalar norte-americana já está a fazer apelos para quem quiser ajudar José Mestre e a sua família a superar dificuldades financeiras e já abriu uma conta bancária de apoio. Dentro de seis semanas, José Mestre estará de regresso a Lisboa.

(in Público).

O Homem sem Rosto: uma figura de Lisboa.






Chama-se José Mestre e tem 51 anos. É conhecido por ter a face completamente desfigurada não se lhe reconhecendo qualquer contorno do rosto. Há mais de vinte anos que é pedinte no largo do Rossio por não ser capaz de arranjar trabalho nestas circunstâncias. O tumor que aumenta desde os tempos de adolescente tem de momento dez quilos. Tem recusado fazer qualquer tipo de cirurgia devido à sua opção religiosa, testemunha de Jeová, que é contra a transfusão de sangue. E é este aspecto que me faz escrever este post. Como é possível recusar-se por diversas vezes qualquer tipo de ajuda médica apenas por opção religiosa? Como é possível não tentar acabar com esse sofrimento diário? José Mestre neste momento está cego de um olho, mal consegue comer e começa a ter problemas respiratórios. É preciso ser muito crente para que não deixasse fazer qualquer cirurgia ao seu rosto por uma opção religiosa. E se ele é assim tão crente com certeza que o seu deus o compreenderia, não? Afinal trata-se da vida dele, e vida só há uma. Desde criança que me lembro deste homem sentado perto do café Nicola estendendo a mão mostrando o bilhete de identidade de quando era novo, ainda no começo do tumor, e desde essa altura que me faz impressão a sua cara, o seu aspecto, e penso nas dificuldades diárias que deve passar todos os dias. Por isso mesmo, se fosse eu, faria de tudo para que melhorasse não ligando a religião alguma. Ele não, recusou-se sempre, manteve-se fiel à sua crença... até hoje. Parece que aceitou a cirurgia de uma equipa de médicos britânica que, através de ondas ultra sónicas, irão coagular o sangue antes de cada cirurgia para que não seja necessário qualquer transfusão. É preciso muita fé para se ser tão relutante em aceitar a transfusão de sangue e é-me dificil pensar que há pessoas assim. Basta pensar nos árabes que se fazem explodir por uma causa que, penso, só eles compreendem. São pessoas que levam a religião de uma maneira totalmente diferente daquela que se deve ter. A vida é o máximo da religião, seja ela qual for, e tem de funcionar como mecanismo espiritual para aumentá-la ainda mais, nunca como entrave para se ter saúde. A José Mestre só espero que corra tudo bem e que, daqui a algum tempo, possam olhar para ele sem nenhum tipo de preconceito ou descriminação. A ele, tudo do melhor.

http://pagina23.blogspot.com/


Boas notícias.





Saúde: ‘Homem sem rosto’ foi submetido a quatro cirurgias

José ficou sem o tumor na cara
José Mestre, que dividiu grande parte da sua vida entre o cruzamento de Carenque (Amadora), onde orientava o trânsito, e o Rossio (Lisboa), conhecido como o ‘homem sem rosto’, foi operado no Hospital de St. Joseph, em Chicago, EUA, tendo-lhe sido removido um tumor com 40 centímetros e 5,5 quilos. Todas as despesas (cirurgia, alojamento, viagens e acompanhamento) foram pagas pelo Ministério da Saúde, no valor de 60 mil euros.



0h30
Nº de votos (23) Comentários (7) Por:João Saramago


O tumor, que cobria na totalidade o rosto e punha em risco a vida de José Mestre, foi retirado depois de três meses de preparação. Foram necessárias quatro cirurgias, com períodos de pausa de cinco meses, num processo de cerca de dois anos. "Finalmente teve uma hipótese de levar uma vida mais ou menos normal, porque antes disto [José Mestre] sentia que, apesar de nunca o ter pedido, era o centro das atenções em todo o lado", referiu o seu tradutor, numa reportagem emitida pelo canal norte-americano ABC após a cirurgia.

As intervenções cirúrgicas foram lideradas pelo médico Iain Hutchinson, que se ofereceu para realizar uma cirurgia inovadora para devolver o rosto a José, que desde criança se vinha a deformar, comprometendo a respiração, a visão e a capacidade de comer e dormir.

José Mestre nasceu há 54 anos em Lisboa, com uma mancha escura no rosto. A malformação vascular e o angioma de que padecia foram progredindo, apesar de ter sido operado ao lábio inferior, aos 14 e aos 18 anos, para tentar conter a progressão da doença. O tratamento agora realizado foi possível devido a uma técnica que não implica transfusão de sangue - José Mestre rejeitava a transfusão por ser contra a sua fé de testemunha de jeová.

Iain Hutchinson explicou que a cirurgia foi feita com recurso a um bisturi harmónico, "que usa ondas de ultra-som para coagular os vasos sanguíneos", reduzindo a perda de sangue. José Mestre foi submetido a quatro cirurgias, de sete horas cada. Primeiro, foi retirado o grosso da protuberância e, depois, foram reconstruídos o volume do lábio e a forma do nariz.

(in Correio da Manhã).

Na minha terra, já estavam todos corridos a pontapé. Não acertam uma, camandro!





O adiamento

Falta de parecer adia estatutos da EMEL
A discussão da proposta de alteração de parte dos estatutos da EMEL foi ontem adiada pela segunda vez, na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa. A presidente da assembleia, Simonetta Luz Afonso (PS), justificou o adiamento com a falta de um parecer da comissão municipal de Finanças. A proposta prevê o alargamento das competências da empresa municipal responsável pelo estacionamento a toda a mobilidade.
(in Público).

Estes tipos não acertam uma?





Igespar chumbou telas publicitárias no Chiado que a câmara licenciou
Por Carlos Filipe

Parecer negativo justificado com o impacto visual e a descaracterização da envolvente urbana

Duas telas de grandes dimensões com referências publicitárias em andaimes de obras num imóvel junto à Igreja de Nossa Senhora dos Mártires, no Chiado, em Lisboa, continuam visíveis, apesar de já terem sido mandadas retirar pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar), que emitiu parecer negativo, alegando "forte impacte visual" e "descaracterização da envolvente urbana".

A Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo e os Serviços de Bens Culturais manifestaram concordância com o sentido desse despacho, de 28 de Setembro. Mas a autarquia diz ter registado o documento na Direcção Municipal de Ambiente Urbano a 6 de Outubro. O despacho conclui que foi indevida a instalação da publicidade - já montada antes da avaliação no local - e exige aos serviços camarários que procedam à urgente retirada das telas. Os elementos publicitários, com uma área de 275 metros quadrados, revestem as fachadas principal e lateral de edifício da Rua Garrett que torneja para a Rua Anchieta.

Casos de excepção

É referido pelo Igespar que podem ser abertas excepções a este tipo de instalações, no caso de edifícios devolutos ou que vão ser objecto de obras, mas excluindo as situações que envolvam imóveis classificados ou em vias de classificação. Aquele prédio alberga a livraria Bertrand e a alfaiataria Picadilly, confinando com a Igreja dos Mártires, imóvel de interesse público e exemplo da arquitectura pombalina, numa zona em vias de classificação.

Segundo a informação do Igespar, em 20 de Setembro não havia no local publicitação de obra ou trabalho em curso. Um mês depois, continua sem haver movimentações, a não ser o anúncio de obra, em que se lê que será feita uma ampliação, com data de licenciamento de 16 de Setembro.

Os serviços do vereador com o pelouro, José Sá Fernandes, referem que a 13 de Outubro foi enviado ao Igespar informação relativa ao licenciamento de obra e que não haverá razão, agora, para que aquele organismo se pronuncie desfavoravelmente.

Não é a primeira vez que a câmara licencia publicidade contra os pareceres negativos do Igespar. Em Abril de 2009, autorizou uma tela com 70m2 para um edifício no Rossio (e que, após alteração da mesma, voltou a ser chumbada) e, em Março deste ano, permitiu outra instalação, também não autorizada, de 360 m2, num edifício na Avenida de Fontes Pereira de Melo, em frente ao Palácio Sotto Mayor, este em vias de classificação.

(in Público).

Só trapalhada e trafulhices.





Câmara de Lisboa ocultou gastos de 228 mil euros com visita de Bento XVI
Por Ana Henriques
A Câmara de Lisboa gastou afinal 228 mil euros com a visita do Papa Bento XVI, em Maio passado, apesar de todas as declarações do presidente da autarquia e de responsáveis da Igreja sempre terem ido no sentido de não haver dinheiros públicos envolvidos na missa campal do Terreiro do Paço.
“A César o que é de César, a Deus o que é de Deus”, disse D. José Policarpo antes da visita (Foto: Giampiero Sposito/Reuters)

Questionado ontem sobre a proveniência das verbas que pagaram a cerimónia religiosa, na qual estiveram 200 mil pessoas, o padre Mário Rui Pedras, da comissão organizadora da visita, declarou não poder responder, uma vez que "o relatório final" das contas "não foi feito" ainda. Em Abril passado, o mesmo responsável mostrava mais certezas: graças aos donativos "de famílias individuais e de empresas", a vinda de Bento XVI a Lisboa ia ficar a custo zero. Antes disso, já o cardeal patriarca D. José Policarpo tinha afirmado que não iria pedir dinheiro para o altar à câmara presidida por António Costa, por entender que as cerimónias litúrgicas não deviam ser financiadas pelo poder autárquico ou político. "A César o que é de César, a Deus o que é de Deus", disse, na altura, D. José Policarpo.

Uma consulta ao portal dos contratos públicos mostra uma realidade bem diferente. Só em altifalantes e ecrãs gigantes para a missa, o município gastou 68 mil euros, entregues sem concurso público, à Tecnilaser - uma empresa especializada na produção de espectáculos multimédia e no aluguer e montagem de equipamentos audiovisuais. O lançamento do computador Magalhães e a assinatura do Tratado de Lisboa foram alguns dos eventos em que o Governo recorreu à Tecnilaser.

Aos 68 mil euros somam-se mais 82.460 euros, entregues em quatro parcelas à empresa responsável pelo altar, a Multilem. Para pagar o quê? O PÚBLICO tentou, sem sucesso, obter informações junto da firma. Segundo o portal dos contratos públicos, 35 mil euros foram despendidos com o aluguer de uma tenda para a missa, 23.700 com a própria missa campal e outro tanto com "serviços de meios técnicos audiovisuais".

"A câmara assumiu os custos relativos à montagem de dois ecrãs (Praça do Município e Rua Augusta) na perspectiva de que a Praça do Comércio seria pequena para acolher todos quantos quisessem assistir à cerimónia - o que se veio a revelar de toda a utilidade", justifica a autarquia. O portal dá conta de mais dois ajustes directos relacionados com a cerimónia: a montagem e desmontagem de estruturas e o fornecimento de refeições. Tudo somado, dá quase 170 mil euros. Juntando aos 59 mil euros que a autarquia estima que tenha custado o trabalho extraordinário dos seus funcionários, o total ascende a 228 mil euros.

PCP zangado, CDS satisfeito

Vereadores das diferentes forças políticas mostram-se surpreendidos com este facto. O comunista Ruben de Carvalho diz que sempre pensou que o apoio da câmara se tivesse limitado a questões logísticas, como a limpeza do Terreiro do Paço e imediações. O vereador diz-se admirado e zangado pela forma como estes gastos foram ocultados. Já António Carlos Monteiro (CDS-PP) - que tinha desafiado António Costa a conceder um apoio financeiro à Igreja para o altar - mostra-se satisfeito por a câmara ter afinal optado por financiar a cerimónia, embora "de forma envergonhada". Sublinhando que não é raro a autarquia conceder "apoios mais substanciais" a eventos menos relevantes que este, António Carlos Monteiro ironiza: "Se António Costa viu a luz, quem sou eu para o criticar?" O PSD optou por não se pronunciar.


(in Público).

Está aqui o cheque!


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«O cheque-obra está parado». Foi assim, com esta lata, que o Secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, justificou o facto de ainda não terem começado as obras de recuperação da fachada do Palácio de Queluz, prevista desde... 2008.

Estatística.

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Dos cerca de 357 mil contratos de arrendamento existentes no País, perto de metade tem uma renda inferior a 60 euros.
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Há 117 mil rendas abaixo dos cinco euros.

A partir de amanhã, Pessoa online!



http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/