quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A thousand.

Mil processos de classificação à beira de prescrever
por LUÍS MANETA,

Existe património que espera, há dezenas de anos, por classificação que o proteja. Mas, por decreto, todos esses processos podem ir para o lixo em semanas.

Um total de 964 monumentos que se encontram em vias de classificação pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) pode perder todas as protecções legais já em Outubro. Isto porque o Ministério da Cultura publicou, no ano passado, o Decreto-Lei 309/2009, segundo o qual "os procedimentos de classificação de bens imóveis em curso caducam se não for tomada a decisão final no prazo de um ano".

Em termos práticos, a decisão significa que as zonas de protecção criadas de forma automática em torno dos bens em vias de classificação deixam de estar em vigor. E que os processos regressam à "estaca zero".

Estão em causa imóveis como o antigo Liceu Passos Manuel, o Jardim Botânico e um conjunto de cinco edifícios na esquina da Rua da Mouraria com a Rua do Capelão, em Lisboa, a Foz Velha e a Praça General Humberto Delgado, no Porto, o Forte de São Sebastião, em Castro Marim, igrejas e monumentos arqueológicos espalhados por todo o País.

Fonte do Igespar garante ao DN existir a possibilidade de o prazo para a caducidade das candidaturas em curso "ser prorrogado por um ano", através de despacho fundamentado do director do instituto. No entanto, mesmo que o horizonte venha a ser Outubro de 2011, fonte da Direcção Regional de Cultura do Alentejo diz que será "praticamente impossível" ter todos os processos concluídos, "dada a falta de meios humanos".

"Cabe às direcções regionais definir prioridades. Alguns casos arrastam-se há dezenas de anos e até se pode admitir que o bem a proteger já nem sequer se encontre de pé", contrapõe o Igespar.

Para o arqueólogo Manuel Calado, que já instituiu processos de classificação, "não tem sentido decretar a caducidade" das candidaturas, mesmo das que já se arrastam há vários anos, uma vez que isso significa "retirar protecção" aos monumentos. "Há processos em curso que devem ser concluídos. O problema é que o acto de classificar mais património implica uma responsabilidade acrescida para o Igespar e o País tem de se questionar sobre a existência de capacidade financeira para garantir uma real protecção aos sítios classificados."

Trata-se de equacionar até que ponto há "capacidade para garantir que uma figura legal se torne efectiva". Ou, dito de outro modo, se o facto de se acrescentar património à lista de sítios classificados corresponde à salvaguarda desses mesmos monumentos perante a pressão imobiliária ou em relação a actos de vandalismo. "Garantir a preservação de edifícios e locais é complicado, pois exige meios financeiros e humanos que em muitos casos não existem nem nunca existiram, mesmo no património que já se encontra classificado", alerta Manuel Calado.

De acordo com fonte do Igespar, a isenção do pagamento do imposto municipal de imóveis (IMI) é um dos benefícios atribuídos pelo Estado aos proprietários dos imóveis que constem da lista dos monumentos nacionais ou dos prédios individualmente classificados como de interesse público, valor municipal ou património cultural. No caso de edifícios particulares, trata-se de um benefício "residual". Mas da lista dos bens em vias de classificação constam conjuntos urbanos formados por dezenas de edifícios como, por exemplo, o centro histórico de Serpa.

Outro benefício é o reconhecimento do valor histórico e artístico do património classificado, em torno do qual é criada uma zona de protecção de 50 metros onde devem ser "evitadas as obras de construção civil ou a instalação de quaisquer elementos que, pela sua presença, e independentemente do seu valor estético, destruam a harmonia do local". O objectivo é minimizar "impactos construtivos" e salvaguardar solos arqueológicos.

Por outro lado, a Lei do Património atribui aos proprietários privados o "dever especial" de "conservar, cuidar e proteger devidamente o bem, de forma a assegurar a sua integridade e a evitar a sua perda, destruição ou deterioração". Por isso, os projectos de obras de conservação se sujeitam a parecer da entidade responsável pela preservação do património, seja o Ministério da Cultura, governos regionais ou autarquias.

Manuel Calado considera que o arquivamento automático dos processos sem uma decisão final "não põe necessariamente em perigo os monumentos, mas retira-lhes protecção".

(in Diário de Notícias).

Obra a obra, Lisboa melhora.


«Abertura do último troço do túnel do Marquês, em Lisboa, adiado para meados de 2011» (in Público).

Gebalis...


Boa, Paulo Ferrero!


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No Jornal de Notícias de hoje, Paulo Ferrero faz a proposta para o Arquivo Municipal transitar para o Hospital de Arroios, antigo Convento de Nossa Senhora da Nazaré. APOIAMOS!

Canavilhices ou summavielladas!?

Pelo visto, a tinta do cabelo anda a fazer mal ao discernimento da ministra e do secretário de Estado da Cultura. Hoje não deve haver sessão fotográfica na Ajuda.
Segue aqui a notícia do DN.

"Mil processos de classificação à beira de prescrever"

Existe património que espera, há dezenas de anos, por classificação que o proteja. Mas, por decreto, todos esses processos podem ir para o lixo em semanas.

Um total de 964 monumentos que se encontram em vias de classificação pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) pode perder todas as protecções legais já em Outubro. Isto porque o Ministério da Cultura publicou, no ano passado, o Decreto-Lei 309/2009, segundo o qual "os procedimentos de classificação de bens imóveis em curso caducam se não for tomada a decisão final no prazo de um ano".
Em termos práticos, a decisão significa que as zonas de protecção criadas de forma automática em torno dos bens em vias de classificação deixam de estar em vigor. E que os processos regressam à "estaca zero".
Estão em causa imóveis como o antigo Liceu Passos Manuel, o Jardim Botânico e um conjunto de cinco edifícios na esquina da Rua da Mouraria com a Rua do Capelão, em Lisboa, a Foz Velha e a Praça General Humberto Delgado, no Porto, o Forte de São Sebastião, em Castro Marim, igrejas e monumentos arqueológicos espalhados por todo o País.
Fonte do Igespar garante ao DN existir a possibilidade de o prazo para a caducidade das candidaturas em curso "ser prorrogado por um ano", através de despacho fundamentado do director do instituto. No entanto, mesmo que o horizonte venha a ser Outubro de 2011, fonte da Direcção Regional de Cultura do Alentejo diz que será "praticamente impossível" ter todos os processos concluídos, "dada a falta de meios humanos".
"Cabe às direcções regionais definir prioridades. Alguns casos arrastam-se há dezenas de anos e até se pode admitir que o bem a proteger já nem sequer se encontre de pé", contrapõe o Igespar.
Para o arqueólogo Manuel Calado, que já instituiu processos de classificação, "não tem sentido decretar a caducidade" das candidaturas, mesmo das que já se arrastam há vários anos, uma vez que isso significa "retirar protecção" aos monumentos. "Há processos em curso que devem ser concluídos. O problema é que o acto de classificar mais património implica uma responsabilidade acrescida para o Igespar e o País tem de se questionar sobre a existência de capacidade financeira para garantir uma real protecção aos sítios classificados."
Trata-se de equacionar até que ponto há "capacidade para garantir que uma figura legal se torne efectiva". Ou, dito de outro modo, se o facto de se acrescentar património à lista de sítios classificados corresponde à salvaguarda desses mesmos monumentos perante a pressão imobiliária ou em relação a actos de vandalismo. "Garantir a preservação de edifícios e locais é complicado, pois exige meios financeiros e humanos que em muitos casos não existem nem nunca existiram, mesmo no património que já se encontra classificado", alerta Manuel Calado.
De acordo com fonte do Igespar, a isenção do pagamento do imposto municipal de imóveis (IMI) é um dos benefícios atribuídos pelo Estado aos proprietários dos imóveis que constem da lista dos monumentos nacionais ou dos prédios individualmente classificados como de interesse público, valor municipal ou património cultural. No caso de edifícios particulares, trata-se de um benefício "residual". Mas da lista dos bens em vias de classificação constam conjuntos urbanos formados por dezenas de edifícios como, por exemplo, o centro histórico de Serpa.
Outro benefício é o reconhecimento do valor histórico e artístico do património classificado, em torno do qual é criada uma zona de protecção de 50 metros onde devem ser "evitadas as obras de construção civil ou a instalação de quaisquer elementos que, pela sua presença, e independentemente do seu valor estético, destruam a harmonia do local". O objectivo é minimizar "impactos construtivos" e salvaguardar solos arqueológicos.
Por outro lado, a Lei do Património atribui aos proprietários privados o "dever especial" de "conservar, cuidar e proteger devidamente o bem, de forma a assegurar a sua integridade e a evitar a sua perda, destruição ou deterioração". Por isso, os projectos de obras de conservação se sujeitam a parecer da entidade responsável pela preservação do património, seja o Ministério da Cultura, governos regionais ou autarquias.
Manuel Calado considera que o arquivamento automático dos processos sem uma decisão final "não põe necessariamente em perigo os monumentos, mas retira-lhes protecção".
Luís Maneta, Diário de Notícias.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Planetário do Museu de Ciência.



O Planetário do Museu de Ciência agora é para toda a família.

O Planetário do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa abrirá, a partir de 2 de Outubro, as suas portas ao grande público depois de década e meia a deliciar grupos escolares. A primeira sessão temática é dedicada aos 20 anos do telescópio Hubble, que se assinalam este ano.

O Planetário do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa irá assinalar os 20 anos de actividade do telescópio espacial Hubble com a abertura das suas portas ao grande público e com a apresentação de uma sessão temática sobre o telescópio mais famoso da actualidade. As sessões decorrem aos sábados entre as 16h30 e as 17h30 e o custo da entrada é de 2€. O Planetário do Museu de Ciência possui 38 lugares o que permite uma grande proximidade e participação da assistência. As sessões são sempre realizadas ao vivo por um astrónomo do Museu.

Na primeira sessão para toda a família pode-se ver o sistema solar em movimento, fotos do telescópio Hubble que documentam o impacto recente de um cometa com o planeta Júpiter, ou o grande cometa de Donati, como foi visto no céu em 1858. Estrelas em nascimento, na famosa imagem dos pilares da criação, ou em final de vida – nos surpreendentes registos de nebulosas planetárias – são outros dos pontos altos da sessão. Será ainda mostrada, no céu nocturno, a localização de alguns dos mais emblemáticos objectos observados pelo Hubble.

Este planetário abriu ao público em Outubro de 1995. A sala está equipada com um Projector Zeiss ZKP2 Skymaster que projecta o céu visível à vista desarmada numa cúpula com 6,5 metros de diâmetro. Ao longo dos anos o Planetário tem recebido milhares de visitantes. Em 2009 acolheu mais de 6300, integrados em visitas escolares.

Museu de Ciência da Universidade de Lisboa
Rua da Escola Politécnica, 56 – 58, 1269 – 102 Lisboa
Telefone: 213 921 872
http://www.mc.ul.pt/

Morrer como um homem.



"O filme de João Pedro Rodrigues, "Morrer Como um Homem", foi escolhido como o candidato português à nomeação para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, na próxima edição dos prémios da Academia de Hollywood.
"Morrer Como um Homem", terceira longa-metragem do realizador, teve antestreia mundial no Festival de Cinema de Cannes do ano passado, e chegou às salas comerciais nacionais em Outubro. A partir do percurso do travesti Ruth Bryden, o filme retrata a vida da personagem Tonia, um travesti veterano dos espectáculos de "drag queen" de Lisboa, que vê as suas convicções pessoais serem questionadas num relacionamento amoroso.
A escolha do filme de João Pedro Rodrigues, de entre as 12 produções que foram estreadas em Portugal entre 1 de Outubro de 2009 e o dia 30 do mês corrente, foi feita por um júri presidido por José Pedro Ribeiro, director do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) - instituição que divulgou a decisão no seu "site" -, e completado por Ana Costa, em representação da Associação de Produtores de Cinema, Margarida Gil, pela Associação Portuguesa de Realizadores, José Carlos de Oliveira, pela Associação de Realizadores de Cinema e Audiovisual, Patrícia Vasconcelos, directora de "casting", e Luís Miguel Oliveira, pela Cinemateca Portuguesa/Museu do Cinema.
A escolha, que teria de ser feita até ao dia 1 de Outubro, foi já comunicada à Academy of Motion Picture Arts and Sciences, em Hollywood. A academia revelará os nomeados de todas as categorias no dia 25 de Janeiro de 2009, e os vencedores serão conhecidos a 27 de Fevereiro, na cerimónia da 83ª edição dos Óscares, em Los Angeles.
"Morrer Como um Homem" foi já distinguido, este ano, como o melhor filme do Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires, na Argentina, e do Festival Gay e Lésbico Mezipatra, da República Checa. O seu realizador vai ser homenageado com uma retrospectiva nos Estados Unidos, na Brooklyn Academy of Music, entre 6 e 8 de Outubro. João Pedro Rodrigues será o convidado do programa "The Next Director", e apresentará os seus filmes em encontros com o público."
Lusa/ Público

Sair à noite em Lisboa: clique, amplie, leia.


Comer em Lisboa: clique, amplie, leia e saboreie.


ISTO É ISTO e EX-FOTOS de Fernando Lemos


O jantar caiu-nos mal
Fernando Lemos
Série EX-FOTOS, 2005/09
impressão jacto de tinta colada / pvc
67 x 100
cmed. 2/5


Vergonha pelo atrazo
Fernando Lemos
Série EX-FOTOS, 2005/09
impressão jacto de tinta colada / pvc
67 x 100
cmed. 2/5






Duarte Amaral Netto: um olhar singular.














http://duartenetto.com

O senhor Duque está à espera!





Duque de Ávila espera por cara limpa há mais de um ano
por ISALTINA PADRÃO


Conclusão da Linha Vermelha foi em Agosto de 2009. Só agora se reabilita a superfície.

Totalmente esventrada. É assim que está a Avenida Duque de Ávida, em Lisboa, mais de um ano após a conclusão das obras da Linha Vermelha do metro que liga a Alameda a S. Sebastião, passando pelo Saldanha e unindo todas as linhas da rede subterrânea. Após este trabalho no subsolo, que ficou concluído cinco anos depois do previsto, a requalificação daquela artéria à superfície só começou a ser feita há pouco mais de um mês. Algo que os comerciantes locais não entendem. E reclamam.

"Esta empreitada tem tido uma sucessão de atrasos que só têm vindo a prejudicar o comércio. O último foi este. Como é que é possível que os trabalhos de recuperação à superfície, que são extremamente simples, só se tenham iniciado um ano e tal após a conclusão das obras no subsolo [a 29 de Agosto de 2009]?" A questão é colocada por Luís Cunha, director técnico da Farmácia Cardeira, no n.º 32 da Duque de Ávila.

O DN remeteu a pergunta para o Metropolitano de Lisboa (ML) que diz ter sido "necessário proceder a alguns ajustamentos ao projecto inicial. Só foi possível avançar com as obras após a necessária articulação com a Câmara Municipal de Lisboa". O ML adianta que "prevê-se que a obra [à superfície] seja concluída seis meses após o início da mesma".

Com marcas mais profundas do que já sofreram desde 2004, aquando do início da escavação para a execução da Linha Vermelha, há quem já não acredite nos prazos que são indicados pelas entidades responsáveis. "São promessas vãs", dizem, revoltados.

É o caso de Maria de Fátima Pires, proprietária do café S. Reno, situado no n.º 30. Quando o DN entrou no seu restaurante, esta mulher estava a almoçar, mas rapidamente largou o prato para denunciar o quanto tem sido penalizada por esta empreitada que teve início em finais de 2004. "A clientela ausentou-se e a pouca que ainda ficou foi em consideração à casa. Há quem até tenha pena de mim", lamenta.

Segundo Maria de Fátima, as obras iniciaram-se a 11 de Agosto, mas as máquinas começaram a rasgar em força o quarteirão entre a Avenida da República e a Defensores de Chaves a 17 deste mês, dia em que o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, tinha agendada uma visita à empreitada, mas essa visita não se realizou.

No entanto, o DN esteve no local e viu escavadoras e homens a trabalhar incessantemente. Viu peões caminhar até gradeamentos que os obrigam a voltar para trás devido à sinalética "colocada recentemente ser pouco esclarecedora". "Com estas placas a apontarem sei lá para onde é difícil a gente ler e não seguir em frente", queixa-se uma mulher que, de saltos altos, fez um percurso em terra batida totalmente em vão.

A juntar a estes problemas, há um barulho ensurdecedor constante e pó que se infiltra na garganta de quem passa e não dá descanso aos comerciantes. "Nem vale a pena fazer montras, já para não falar dos estragos causados em certos materiais como as peles", frisa a empregada de uma sapataria, que não acredita que "daqui a seis meses o cenário esteja melhor". A ver vamos...

(in Diário de Notícias).

Aqui caiu a República.



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Moradores do Bairro Alto invadem hoje a Câmara
Moradores do Bairro Ato exigem sossego

Cansados do ruído e do lixo que, aos fins-de-semana, invadem o Bairro Alto, em Lisboa, um grupo de moradores vai hoje, quarta-feira, exigir medidas ao executivo camarário. Há quem use tampões nos ouvidos e comprimidos para dormir, mas nem assim escapam ao barulho.

“Queremos dizer ao senhor presidente que é preciso dizer basta. Ele que deixe de se preocupar tanto com os gatafunhos nas paredes e limpe as ruas”, diz “Maria”, uma das moradoras, que prefere não revelar a verdadeira identidade por temer represálias.

Esta moradora, que fará parte do grupo que hoje se desloca à reunião pública de câmara, refere que, além do ruído, há ainda a questão da limpeza, que está a ser feita cada vez mais tarde. “Por vezes, às 10, 11 horas ainda as ruas estão cheias de garrafas”, queixa-se, acrescentando que, recentemente, uma criança sofreu um corte num pé por causa de um vidro.

Nem por magia seria possível conquistar uns minutos de silêncio no Bairro Alto. Os bares e lojas de conveniência são tantos que quem insiste em morar por aquelas bandas já esgotou todos os truques para fugir ao ruído. “São directas, atrás de directas. Dentro das casas, o som dos bares faz estremecer camas, candeeiros e sofás. “Vivemos num autêntico Inferno”, acrescentam.

Quem pode, dorme de dia e faz a lida da casa à noite. Outros tomam comprimidos para dormir ou usam tampões nos ouvidos. Outros ainda, limitam-se a aturar as tropelias e insultos, rezando para que amanheça depressa. “Eles tentam arrombar-nos as portas para se drogarem ou fazerem sexo. Sentam-se nas soleiras das portas, encostam-se e andam ali aos encontrões”, queixa-se, por sua vez, “Isabel”. Um dos moradores até arranjou uma artimanha para impedir que a soleira servisse de banco, mas desistiu de ali morar e foi para casa de familiares na margem Sul do Tejo.

E como se não bastasse o ruído e as pilhas de garrafas nas ruas, o cheiro a haxixe que entra pelas casas adentro, os insultos e os arrombamentos, há ainda os roubos insólitos. A Gracinda, roubaram-lhe as cuecas do estendal, no primeiro andar da varanda. O roubo terá pesado na consciência do ladrão, que lhe deixou cinco euros.

Gracinda diz que já nem ousa chamar a atenção de ninguém. “Se pedimos silêncio, somos insultados e ameaçados. Ficamos com medo. O problema é que há bares a mais. Cada rés-do-chão que fica vago é um bar que abre”.


“Rosa”, outra moradora, nem queria acreditar quando, há poucas semanas, foi ofendida apenas por estar a tossir na cama. “Ó velha, vê lá se te calas”, gritavam os jovens que estavam sentados junto à sua porta. E Rosa, lá foi para a cozinha, o local mais afastado da entrada da casa, onde ficou alguns minutos a acalmar a tosse.

Manuel Madureira fala sem reservas e garante que, um dia destes, “passa-se dos carretos”. No mínimo, diz, alguém vai levar com um balde de água na cabeça. Conta que um grupo andou pelas ruas a tocar trombone até às quatro da madrugada. Sem pudores, diz que sente saudades dos tempos em que o único problema era a prostituição. “Ao menos respeitavam os moradores”.

E só não há mais queixas, dizem em surdina, porque há bares que “gratificam” os moradores para que estes não reclamem.

(in Jornal de Notícias).

Kaleidoskópio.

´

Parece que o edifício do Caleidoscópio, no Campo Grande, vai ser recuperado, através de um protocolo da CML com a Universidade de Lisboa. Boa! E que vai acontecer ao «chalet» WC do jardim do Campo Grande? E à piscina? E ao café do lago, miserável?

Restos de Colecção: mais um blogue colega a seguir.



http://restosdecoleccao.blogspot.com/

E uma manif de polícias?


África: see you, see me!

Exposição de fotografia.
Pavilhão Preto, Museu da Cidade.
De 1 de Outubro a 28 de Novembro de 2010.
Curador: Professor Awam Amkpa da New York University
Debate sobre a exposição no dia 1 de Outubro, pelas 18:00 horas, no local, com a participação de Okwui Enwezor, Nuno Porto e Emilia Tavares.