sábado, 25 de setembro de 2010
Precisam-se imagens do Salão Pompeia.
O meu nome é Inês Gomes e sou aluna de um curso de restauro de pintura mural da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva. Recentemente fomos informados de que poderemos fazer parte de uma brigada de restauro no Salão Pompeia, que se encontra à espera do mesmo já ha algum tempo. O que acontece é que devido a intervenções anteriores, por mão de obra não especializada, parte das pinturas desapareceram em procedimentos de limpeza não adequados, nomeadamente nos medalhões do tecto, cúpula e figuras femininas nas paredes, das quais sobram apenas vultos. Fiquei agradavelmente surpreendida ao deparar-me com o vosso blog, pois apresenta imagens com pormenores que hoje em dis já não existem. Gostaria de saber se é possívem que nos facultassem as vossas fotografias pois constituem uma base de dados excelente para uma possível reconstituição das pinturas, devolvendo-as ao seu estado mais original.
Agradeço desde já a vossa ajuda, com apreço.
Inês Gomes
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NOTA LISBOA SOS: mandem as imagens para o mail do blogue, que nós reencaminharemos.
Largo do Carro Santo.
Largo do Corpo Santo. Parece mais um exemplar lisboeta de "Largo do Carro Santo"!
Todo este belo espaço público, de génese pombalina, está transformado num prático parque de estacionamento.
Não há um árvore ou banco para os cidadãos usufruirem do que é suposto ser um «espaço público histórico».
Chegaram ao cúmulo de criar lugares de estacionamento mesmo em frente da entrada principal da igreja!
Que outra capital da europa trata assim os seus espaços públicos mais nobres?
Isto acontece a poucos metros da Praça do Município, sede do governo da cidade de Lisboa.
Fernando Jorge.
Boa ideia! Funcionará?
Carlos Filipe
António Costa propõe bónus para captar apoios privados: quem financiar obras nos prédios antigos, poderá construir mais nos seus projectos novos.
Há muito que os inquilinos do prédio reclamam obras de conservação daquele imóvel do centro de Lisboa, mas a resposta do senhorio é invariavelmente a mesma: "Não tenho dinheiro, o banco também não mo dá, mas talvez o conseguisse se vocês me pagassem mais renda." O que a Câmara de Lisboa agora propõe poderá ajudar a resolver o problema de inquilinos e senhorios, através de um sistema de bónus, que funciona como incentivo para ambos.
Segundo os dados oficiais, serão perto de 12 mil os edifícios em mau estado na capital, e é a pensar nestes que a proposta de revisão do Plano Director Municipal (PDM) de Lisboa apresenta um princípio de solução. A ideia é fazer com que chegue dinheiro ao proprietário do imóvel para a realização daquelas obras, sem que venda outra coisa que não um "crédito de edificabilidade".
Troca apoio por construção
Teoricamente, o princípio, que não é inovador, pode ser explicado desta forma: quem compra um "crédito de edificabilidade" pretende construir na mesma cidade, numa área urbana consolidada, mas pretendia construir um imóvel maior; porém, o plano pelo qual se regem as urbanizações da capital não lhe permite mais que "x" metros quadrados de área de construção; se comprar os tais créditos - cujo valor financeiro reverterá para a recuperação de edifícios -, o promotor imobiliário ou construtor poderá assim conseguir aumentar o índice de edificabilidade do seu próprio projecto. Um índice de 1,2 poderá aumentar até 1,5. É uma espécie de bónus, que será sujeito a um regulamento específico. De acordo com a proposta do PDM, haverá mesmo a possibilidade de se atingir o índice 2 de edificabilidade, caso a zona se situe junto aos grandes nós de transportes colectivos.
A Câmara Municipal de Lisboa, que ontem fez uma nova apresentação à comunicação social dos princípios gerais da proposta de revisão do Plano Director Municipal de Lisboa - cuja discussão pela vereação está agendada para 6 de Outubro -, confia que o expediente do bónus, igualmente aplicável à construção de estacionamento automóvel e no que se refere à eficiência energética dos edifícios, contribuirá para a renovação do degradado parque habitacional.
O processo de intervenção, que se prevê que dure mais de uma década, será inteiramente desencadeado por privados, sendo que a autarquia apenas o vigiará através de regulamentação própria. No entanto, o presidente da câmara, António Costa, e o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, enaltecem as suas virtudes. E sublinham que através da reabilitação daqueles edifícios, muitos deles devolutos, Lisboa estará em condições de combater a perda de habitantes, em curso há décadas, para poder atrair mais residentes e jovens casais para o centro, ou estancar a saída de inúmeros dos seus residentes, que têm optado pelas periferias ou pelos concelhos limítrofes, onde o metro quadrado para habitação se transacciona por valores muito abaixo dos que são praticados na capital.
Ainda o T2 a 500 euros
À estratégia da bonificação junta-se uma outra, já abordada pela câmara no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (PÚBLICO, 17/06/2010), segundo a qual o objectivo de atrair ou fixar residentes passará também pelo sistema das rendas controladas.
Manuel Salgado voltou ontem a referir que deverá ser possível garantir um arrendamento em zona urbana entre 500 e 600 euros por mês, de uma habitação T2 (dois quartos), mediante o mecanismo das compensações urbanísticas previsto em regulamento. Esta regra permitirá ao construtor edificar 25 por cento a mais, desde que, em troca, garanta uma reserva de 20 a 25 por cento dos fogos com um valor de arrendamento fixo, pelo prazo de dez anos, e que se situará entre aqueles valores. A possibilidade de aquisição do imóvel após aquele ou outro prazo a fixar também foi adiantado como hipótese.
O executivo camarário conta levar a proposta de revisão do PDM a consulta pública dentro de dois meses, prevendo que comece a ter eficácia a partir do segundo semestre de 2011.
Pela vitalidade do arco ribeirinho
Mais estratégica do que normativa do que o PDM que está em vigor, desde 1994, a actual proposta de revisão apresenta, como tem reforçado o executivo camarário, quatro áreas estruturantes, das quais a extensa faixa ribeirinha é tida como fundamental para a visão futura da cidade, no enquadramento do modelo territorial. Aquela faixa, que o plano classifica como o principal elemento identitário da cidade, ou o seu cartão de visita, dá particular ênfase à ligação ao rio e preconiza uma mais fácil diluição de barreiras formadas pela ferrovia e rodovia, com particular destaque assim que haja uma aproximação ao Terreiro do Paço.
Na proposta ontem apresentada, merece destaque a valorização da vertente portuária da cidade, seja no entreposto de mercadorias, seja pela deslocação do turismo, área em que a câmara deposita grandes esperanças, pela valorização para o uso público dos territórios conquistados ao porto e do anfiteatro do casario da primeira linha de colinas, como referiu Manuel Salgado, destacando a zona onde será feito o terminal de cruzeiros de Santa Apolónia.
O documento identifica também dois sistemas vitais para o futuro da cidade. O primeiro, ecológico, pretende garantir a biodiversidade na cidade, com a valorização dos vales principais, do parque periférico e das ligações a Monsanto e ao rio.
O sistema de mobilidade terá de ter relevante ligação com os restantes territórios da Área Metropolitana, da qual a terceira travessia do Tejo faz parte.
(in Público).
Estatística.
Lisboa perdeu 350 mil habitantes nos últimos 50 anos e há 60 mil casas vazias.
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ENTÃO AS CASAS NÃO DEVIAM ESTAR COM GENTE?
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Lisboa Subterrânea
A Câmara de Lisboa abre ao público, nos dias 24, 25 e 26 de Setembro, as famosas, mas ainda desconhecidas para a maioria, Galerias Romanas da Rua da Prata.
As visitas são gratuitas e decorrem, sob orientação dos técnicos do Museu da Cidade, entre as 10h00 e as 18h00.
Tendo em conta que esta é a única época do ano em que se podem visitar as Galerias Romanas da Rua da Prata são esperadas longas filas de curiosos e, por tal, aconselha-se que chegue cedo, uma vez que a entrada é feita por ordem de chegada.
A entrada para as Galerias Romanas da Rua da Prata fica localizada junto ao n.º 77 da Rua da Conceição
O que se pode ver:
Estas galerias, desde a sua descoberta em 1771, têm sido alvo de diversas interpretações, de Termas a Fórum Municipal. Propostas mais recentes indicam tratar-se de um criptopórticos - construções abobadadas empregues com alguma frequência pelos romanos em terrenos instáveis ou de topografia irregular para criar uma plataforma de suporte a outras edificações, normalmente públicas.
A inscrição dedicada ao Deus Esculápio, parece confirmar o carácter público do edifício.
Actualmente, a parte visitável é constituída por uma rede de galerias perpendiculares, de diferentes alturas, onde se destacam pequenos compartimentos (celas) dispostos lateralmente a algumas das galerias, que podem ter sido utilizadas na época romana como áreas de armazenamento, bem como arcos em cuidada cantaria de pedra almofadada, técnica típica dos inícios da época imperial romana.
Os visitantes podem ainda ver “Galerias das Nascentes”, também chamada “Olhos de Água”, que ostenta a fractura, a partir da qual brota a água que invade todo o recinto.
O Fado Mora em Lisboa.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Deo gratias!

Portugal e Espanha juntam-se à Iberdrola para recuperar 33 igrejas românicas
Por António Gonçalves Rodrigues
Em Portugal, são 18 as igrejas a intervencionar, nos distritos de Porto (seis), Vila Real (sete) e Bragança (cinco), havendo mais 15 em Espanha, sete na província de Zamora e cinco em Salamanca no Plano de Restauro do Românico Atlântico.
A Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, destacou a “conjugação de esforços que resulta numa parceria transfronteiriça” em defesa do “património cultural comum base indispensável para a afirmação regional” e “um motor de economia local, de afirmação das pequenas empresas de restauro, das profissões tradicionais ligadas a esta área”, muitas das quais “tendem a desaparecer”.
Cada parceiro comparticipará o projecto com 1,5 milhões de euros. Para já, vai ser criada uma comissão coordenadora que deverá reunir-se pela primeira vez a 4 de Outubro, em Valladolid. “Este é um protocolo de intenções. Não quer dizer que não possam ser associadas outras igrejas ou mesmo retirada alguma”, explicou ao PÚBLICO Paula Silva, Directora Regional de Cultura do Norte, que chama atenção para a igreja de Castro de Avelãs, em Bragança, com uma intervenção anterior “que permitiu pôr a descoberto o único mosteiro medieval da região de Trás-os-Montes”.
Doze dos edifícios vão ser restaurados integralmente. Para os restantes 21 será haverá um programa de manutenção, iluminação e controlo. Mas há outras igrejas, como a Sé de Miranda do Douro, que já está incluída na rota das catedrais, ou as de Freixo de Espada à Cinta e Torre de Moncorvo (todas no distrito de Bragança) que estão a ser recuperadas ao abrigo de um outro programa, com a junta de Castela e Leão.
Segundo Ignácio Galán, presidente da Iberdrola, o Plano de Restauro do Românico Atlântico vai permitir a criação de uma nova rota do Xacobeo, ou seja, um novo Caminho de Santiago, através do interior Norte de Portugal, “que vai criar riqueza e turismo para a região”. “Uma larga maioria das obras de arte do país são de origem religiosa. Valorizando as igrejas, valoriza-se também a sua componente cultural”, sublinhou o Bispo da diocese de Bragança-Miranda, D. António Montes-Moreira, apontando o “reconhecimento da implantação cultural da Igreja ao longo dos séculos”. As obras devem arrancar no início do próximo ano.
(in Público).
Uma cidade é uma coisa maravilhosa.

Um centro comercial de outro tempo
por CARLOS DIOGO SANTOSO
São poucas as pessoas que conhecem o espaço da Praça da Figueira, mas lojas de luxo requisitam os serviços
Podia ser mais um andar de habitação ou comércio da Baixa de Lisboa. Mas não. É uma verdadeira viagem no tempo até aos anos em que os centros comerciais não existiam - pelo menos como os conhecemos hoje. No segundo andar do número 222 da Rua dos Douradores, a porta está aberta durante todo dia e, em vez de haver quartos ou escritórios, existem lojas. Cerca de 14 espaços antigos, alguns abertos desde a década de 60.
Não há nenhuma relojoaria de luxo - como nos actuais grandes espaços comerciais -, mas existe um relojoeiro que faz os arranjos "quase impossíveis" de que essas lojas se gabam. Não há nenhuma grande superfície de material informático, mas existe um quarto- -museu com várias relíquias dessa área, e um especialista na reparação de máquinas registadoras e de escrever antigas. Não há ourivesarias, mas existem artesãos que fundem e moldam o ouro à vontade do cliente - que muitas vezes é a loja conceituada do shopping mais próximo.
Quem visita o espaço, na esquina da Rua dos Douradores com a Praça da Figueira, fica com a sensação de que o tempo não passou por este verdadeiro centro comercial à antiga. "Um local onde até Fernando Pessoa pode já ter entrado, porque não sabemos ao certo quando este espaço nasceu", diz com orgulho Filipe Cipriano, um relojoeiro que trabalha naquele sítio desde 1968.
Antes de entrar, de frente para a porta (escancarada), um conjunto de setas de madeira aponta para a direcção das várias lojas. Mas, dada a sua pequena dimensão, nem era preciso. Para a direita, um guardador de livros e a casa das máquinas registadoras. Para a esquerda, o relojoeiro, o ourives e o gravador. O corredor, cheio de portas, é estreito nos dois sentidos. O cruzamento de duas pessoas não é tarefa fácil.
"Quando cheguei aqui, no fim dos anos 60, isto já era assim, com várias lojas. Mas muitas delas já fecharam, como o calista, os armazéns de ouro e o alfaiate" disse, ao DN, Sousa Martins, o inquilino do andar especialista em máquinas registadoras. O silêncio do espaço - que à primeira vista parece fantasmagórico - é interrompido pelo som do telefone. Do outro lado, uma senhora desesperada pede ajuda para pôr a sua registadora a trabalhar. Sousa Martins dá todas as explicações e no fim diz em tom de brincadeira: "Agora mando a factura da ajuda por pombo-correio, trate-o bem."
Na ponta oposta do corredor tudo continua calmo. Enquanto arranja mais um relógio - usando apenas a luz das janelas que deitam para a Praça da Figueira -, Filipe Cipriano revela que não gosta muito de relógios. O homem que vê o salazarismo como a melhor fase do seu negócio garante que aquilo que lhe dá prazer é "fazer aquilo que os outros dizem que é impossível". "Nunca deixei uma máquina por arranjar", contou.
Num recanto, que existe naquela ponta do corredor, está a oficina de Joaquim Martins. O gravador, que tem expostos os seus melhores trabalhos, mostra-se pouco confiante quanto ao futuro do espaço. "Já ouvi dizer que isto vai ser um hotel. É uma pena."
A necessidade de explicar a responsabilidade dos seus ofícios é comum entre todos. Sousa Martins, responsável pela loja de registadoras, lembra os tempos em que as máquinas de escrever da Presidência da República eram reparadas por ele. "Mas não foi só da presidência...", disse. Quase entrando numa disputa para mostrar quem teve o trabalho mais importante em mãos, Carlos Fortes avançou que já fora responsável por arranjos "no colar do gibão de D. Dinis."
A Grande Ilha do Lixo.


Uma ideia para António Costa.
Cities of Love (Cidades do Amor, em tradução livre) é uma franquia cinematográfica idealizada e criada pelo produtor, roteirista e diretor francês Emmanuel Benbihy.
Já foram realizados dois filmes extraordinários: «Paris, je t'aime» e «New York, I love you».
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Na calha estão cidades como Jerusalém e o Rio de Janeiro.
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Porque é que a Câmara e o Turismo, em vez de pensarem em cobrar taxas aos estrangeiros, não se mexem e tentam que seja feito um filme sobre Lisboa? O retorno, a nível mundial, seria enorme. Mas não. Vistas curtas e paroles, paroles, paroles. Parolos.













