sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Esplanadas ilegais na Baixa.





In Diário de Notícias (20/8/2010)
por DANIEL LAM

«Mesas e cadeiras invadem cada vez mais a Baixa. Câmara vai lançar regras mais claras

Grande parte das esplanadas da Baixa lisboeta infringe a lei, colocando o triplo do número de mesas autorizado pela Câmara de Lisboa. Quem cumpre as normas queixa-se de concorrência desleal, pois os infractores só pagam à autarquia a taxa anual de um terço do espaço que ocupam. Os peões sentem-se incomodados sem espaço no passeio para andar, enquanto o autarca da freguesia de S. Nicolau alerta que as viaturas dos bombeiros não podem passar e a segurança da Baixa fica em risco. O vereador José Sá Fernandes garante ao DN que "um novo regulamento vai fazer isto entrar tudo nos eixos, já em 2011".

António Manuel, presidente da Junta de Freguesia de S. Nicolau, salienta que "o mais problemático é na Rua dos Correeiros, porque é estreita. Por vezes, põem as mesas a ocupar a rua desde um lado ao outro. As pessoas têm de andar aos 'esses' para passar entre as mesas. E os veículos de socorro dos bombeiros não conseguem passar".

Na sua opinião, "deve haver tolerância zero e fiscalização máxima em relação às esplanadas na Baixa, porque o que está em causa é a segurança da Baixa e de todos".

"Estamos a favor do licenciamento de todas as esplanadas, porque trazem turismo e negócio, desde que cumpram os regulamentos e não interfiram na mobilidade das pessoas e dos veículos prioritários", sublinha o autarca.

Segundo a lei, o empresário paga uma taxa anual à câmara, que determina a área e o número de mesas, cadeiras e chapéus-de--sol que a esplanada pode ter.

Na Rua Augusta, o DN detectou várias esplanadas que só têm licença para doze mesas, mas tinham praticamente o triplo.

Na Rua dos Correeiros, pelas 16.00, quase todas as esplanadas cumpriam as normas, mantendo um corredor de passagem livre no meio. Mais à frente percebeu-se o motivo de tanta legalidade. Tinha acabado de passar ali um veículo da PM, no sentido da Praça do Comércio em direcção ao Rossio.

Mas interrompeu o seu trajecto antes de chegar ao último quarteirão de ligação ao Rossio, onde as mesas das esplanadas se mantinham a ocupar a rua desde um lado ao outro sem formar um canal livre de passagem no meio.

Um restaurante indiano na Rua dos Correeiros só tem licença para três mesas na rua, mas tinha 13.

Na mesma rua, a Marisqueira Popular, com autorização para uma esplanada de quatro mesas, estava com 14, todas ocupadas com clientes. Júlio Alves, responsável do estabelecimento, admitiu ao DN a infracção, explicando que "não há outra hipótese. Se eu pusesse só quatro mesas lá fora, não fazia negócio nenhum, porque as pessoas não querem ficar dentro do restaurante, que está vazio. Iam para outras esplanadas".

Adiantando que "nenhuma esplanada cumpre o limite das mesas licenciadas", o mesmo empresário defende que "nestes meses de Verão, a câmara deveria permitir pôr mais mesas, desde que não seja no meio da rua".

A mesma opinião tem o presidente da Associação de Dinamização da Baixa Pombalina, Manuel Sousa Lopes, advertindo, no entanto, que "as esplanadas não podem ser excessivamente amplas para não prejudicar a passagem dos peões". Critica os abusos e defende "mais rigor no cumprimento das licenças atribuídas".

Considera que "os toldos deveriam ser todos iguais e bonitos, com uma cor viva, como o azul do mar, em vez de serem escuros e sujos. E deviam ter floreiras para dar mais vida e frescura ao local".»

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Sons de Sinos

Tocam os sinos em Montalegre. Faleceu um homem que pertence à Paróquia. Logo, há na rua quem pergunte... Quem morreu? A Senhora é cá da terra? Sou sim. Foi o Malhanga. O do supermercado, conhecia? Claro que conhecia, coitado! Tocam os sinos na Igreja do Castelo de Montalegre / Antiga Igreja Matriz de Montalegre. Igreja de arquitectura maneirista constituída por uma nave e uma capela-mor. A sua origem é medieval sendo, porém, a sua traça actual datada do século XVII. Destaque para a torre sineira que se encontra separada do corpo principal, tendo acesso próprio pelo exterior.






Pertencia ao sacristão tocar os sinos, mas estava longe da Paróquia, fora da região. A missão ficou a cargo do Luís Cascais, o bombeiro de serviço. O som dos sinos. Quando se ouvem anunciam a morte de alguém da terra.
Luís o bombeiro deixa que suba à torre sineira para gravar o som dos sinos.
Luís diz que gosta muito de Montalegre, que só a trocaria por Lisboa.
Porquê Luís?
Não ganhavas com a troca.





terça-feira, 17 de agosto de 2010

Largo do Conde de Barão: uma esplanada...





Porque é que a maioria das esplanadas de Lisboa estão assim? São feias, equipadas com mobiliário de design desqualificado, simples escravas da publicidade das grandes marcas de cerveja, café e de gelados. É nestas esplanadas que nos queremos sentar? O que é que a CML faz? E a ATL? O que pretendem fazer para ordenar, regular e qualificar as esplandas?

Fernando Jorge

Na Guerra Junqueiro, o mais gourmet dos lugares.



http://www.merceariacriativa.com/

Involução.



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A Colónia Balnear Infantil de O Século foi criada em 1927. Ao longo de décadas - quase 100 anos - recebeu milhares de crianças. Deu-lhes alegria, vida, risos. Só este ano, tem 750 visitantes. Ora, vão acabar com os dormitórios. Porquê? Porque um predador sexual abusou de 20 crianças da Colónia. O director decidiu, então, acabar com os dormitórios. Mas não haverá meio de prevenir os abusos? Andámos para trás, recuámos? E que sociedade é esta? Do compromisso, do baixar os braços, da resignação? Hoje há certamente muito mais meios do que em 1927. Há também maior vigilância. E maior repulsa social pela pedofilia. Mas não parece... A solução é fechar a porta a todos, cordeiros e lobos maus, justos e pecadores. Esta demissão das instituições faz-nos pensar que regredimos. Sim, porque se fosse este o espírito, em 1927 nunca teria sido criada uma Casa que tanta alegria deu a tanta gente.

Só pedimos que leia e medite por uns segundos.

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9 de Junho de 2010 - «Colónia Balnear Infantil de O Século recebe amanhã os seus primeiros 150 veraneantes para 10 diaz de férias» (Público).
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15 de Agosto de 2010 - «Abusos acabam com dormitórios na Colónia de O Século» (Diário de Notícias).

Mas isto ainda é notícia?!!

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«Grafitos e degradação tomam conta de palácios históricos» (Jornal de Notícias, de 16/8/2010).

O diagrama da incompetência.





Abastecimento de água cortado em vários bairros de Lisboa
Uma ruptura de grande proporção numa conduta de água no Campo Pequeno, em Lisboa, levou hoje, terça-feira, ao corte do abastecimento em vários bairros da capital, prevendo-se que a situação esteja resolvida às 24 horas.

Segundo fonte dos bombeiros sapadores, a ruptura ocorreu cerca das 13 horas no cruzamento da Avenida Defensores de Chaves com a Avenida João XXI, onde a EPAL, empresa responsável pelo abastecimento da cidade, está já a intervir.

"É uma ruptura bastante grande, que provoca uma grande perda de água. Está previsto normalizar a situação às 24 horas", disse à Lusa fonte da EPAL -- Empresa Portuguesa das Águas Livres.

A empresa adiantou que as zonas do Campo Pequeno, Alvalade e Saldanha estão sem fornecimento de água.

(in Jornal de Notícias).

A gente vai levando...



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«Um ano depois da criação, Autoridade Metropolitana de Transportes de Lisboa quase não saiu do papel» (Jornal de Notícias, de 16/8/2010).

Lisboa na Rua.





Na sua 2ª edição, o Lisboa na Rua / Com’Out Lisbon realiza-se entre 12 de Agosto a 12 de Setembro em jardins, praças e miradouros da cidade. De quinta-feira a domingo, ao final da tarde e à noite, apresenta-se um programa ao ar livre de cinema, performance / dança, música e teatro.



Este programa de Verão ocupa o espaço público lisboeta – praças, jardins e miradouros – intervindo na paisagem urbana e promovendo a interacção entre o público e o espaço. Lisboa na Rua / Com’Out Lisbon é um convite à fruição da cidade e da cultura ao ar livre: qualquer sítio de Lisboa pode ser um espaço de cultura.

Lisboa na Rua / Com’Out Lisbon apresenta distintas propostas programáticas:

A Arte da Big Band (música): 5 Orquestras de Jazz em Portugal;

Out Jazz (música): sessões de DJing nos espaços verdes mais emblemáticos da cidade;

Solos Com Convicção (dança/ performance): num projecto inserido na programação das Comemorações do Centenário da República, e programado por Madalena Vitorino, cinco bailarinas prestam homenagem às mulheres da República;

Fitas na Rua (cinema): ciclos de projecção que relacionam o espaço onde decorrem à natureza dos filmes exibidos;

Clássicos na Rua (música clássica): grupos de Metais da Metropolitana, com repertório de diferentes épocas de composição;

VIII Festival Internacional de Máscaras e Comediantes (teatro): nesta oitava edição, cinco encenações de companhias europeias marcam presença no Castelo de São Jorge.

Mais info:

http://www.egeac.pt/DesktopDefault.aspx

Publi-cidade.

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100 táxis de Lisboa vão passar a ostentar publicidade no tejadilho.

Dubai e os novos mundos



Para fugir à «silly season» e ao calor de Agosto colocamos em linha mais um belo artigo sobre uma das mais estranhas e assustadoras paisagens urbanas do planeta: a cidade do Dubai.
A história é muito elucidativa, pegagógica mesmo. Agradecemos ao «New York Review of Books» que nos permite ler gratuitamente artigos como este.
O castelo da Carqueja ou a quinta da Felicidade, em Alcabideche, são apenas esboços de um único universo.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Talk About Local.



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http://talkaboutlocal.org.uk/

Aos blogues locais portugueses, Lisboa SOS lança um desafio: que tal criarmos uma rede semelhante à inglesa «Talk About Local»? É só combinarmos!
Outro modelo, o «Local People»:

http://www.localpeople.co.uk/home

Lisboa a desabar: o olhar de Fernando Jorge.









Este prédio de rendimento foi erguido pelo cidadão Francisco Pereira de Almeida nos primeiros dias da jovem República Portuguesa. O projecto foi aprovado a 27 de Outubro de 1910. No nº 12 funcionava a Leitaria Alentejana cujo dono, o Sr. Sengo, acolheu Fernando Pessoa numa altura crítica da sua vida. Pessoa aqui viveu durante dois anos, num sótão, entre 1915 e 1916.


Desde o início de Julho que o prédio está a ser demolido. Após "profunda análise" foi decidido pela CML aprovar a demolição e proceder ao licenciamento de uma nova construção com quase o dobro de área construída. Depois de muitos anos a tentar, a empresa proprietaria (Cáfe) conseguiu o que pretendia, ou seja, degradar até ao limite o imóvel para assim fazer a clássica especulação imobiliária. De facto, durante anos a empresa abandonou o imóvel, abrindo portas, janelas - tendo até o atrevimento de iniciar a demolição ilegal da cobertura (Outubro 2007)! Depois de anos e anos à chuva e à mercê de vandalismos vários, a CML vem agora dizer que o imóvel já não é recuperável. A CML apenas se esqueceu de apurar, e penalizar, os responsáveis por esta condição de "irrecuperável". Os munícipes só podem concluir que em Lisboa o crime contra o património compensa.

Assistimos este ano a uma série de celebrações bizarras do Centenário da República. No início do ano acordamos com a destruição do prédio desenhado pelo Arq. Ventura Terra (Vereador da primeira Vereação Republicana) na Av. da República 46. Agora a CML abençoa a demolição integral deste prédio contemporâneo da implantação da República e com a mais valia de ter sido morada do poeta Fernando Pessoa.

Alguém se lembra de um presidente da CML, chamado Santana Lopes, ter prometido aos lisboetas que este prédio não seria demolido? Provavelmente já poucos se lembram. E dentro de algumas semanas menos lisboetas se vão lembrar deste prédio no Bairro da Estefânia que durante dois anos foi a casa de Pessoa.

Que futuro para as outras moradas de Pessoa que ainda restam na cidade de Lisboa?

Estarão identificadas e protegidas no PDM?

A Casa Fernando Pessoa tem algum projecto para, por exemplo, identificar através de placas os imóveis onde Pessoa habitou?

Fernando Jorge

Uma história deliciosa...





Uma história deliciosa para o SOS.

Uma amiga minha deu com a figueira em frente à porta de sua casa tranformada em lar de agarradinhos.
Vai de escrever para a CML pedindo a remoção de lixo, etc, e dos ditos dependentes.
Depois...... vê a sequência de mails abaixo...
a pérola de hoje é acharem que ela está a falar dos canteiros de flores da Av da Liberdade.... quando a garota mora na Maria Pia, em pleno ex Casal

hi hi hi
beijos

---------- Mensagem encaminhada ----------
De: DHURS
Data: 13 de agosto de 2010 15:17
Assunto: FW: Para conhecimento do Senhor Vereador da DHURS
Para: "daev@cm-lisboa.pt"
Cc: "dalhegas@gmail.com"



À

Divisão de Jardins



Junto reencaminhamos email enviado pelo munícipe Maria Abreu Lima, uma vez que o assunto relacionado com a manutenção e limpeza dos canteiros de flores na Avenida da Liberdade não é da competência deste Departamento, pelo que agradecemos a devida atenção e posterior resposta ao munícipe.



Relativamente aos assuntos de limpeza se encontram a ser acompanhados pelo nosso Departamento.



Com os melhores cumprimentos.



O Chefe de Divisão

Veríssimo Pires



Câmara Municipal de Lisboa

Departamento de Higiene Urbana e Resíduos Sólidos

Rua da Boavista, n.º 9 - 1200-066 Lisboa

(t) 213 253 300 (f) 218 171 257 (e) dhurs@cm-lisboa.pt

Linha de Atendimento ao Munícipe - (t) 213 253 555







Exmo. Senhor:



Tenho pedido à CMLisboa a sua intervenção para efectuar limpezas nos terrenos do Casal Ventoso, mas sempre sem qualquer efeito. Anteontem, enviei o mail infra, apelando para a resolução de uma situação em particular e especialmente degradante. Quando cheguei a casa ontem, pelas 18h, deparo-me com o problema resolvido na forma como atestam as fotos em anexo. Fiquei incrédula, enviei um mail com as fotos aos Espaços Verdes, mas não me conformo com esta atitude por parte da autarquia. Não era uma árvore centenária, mas era uma árvore bem grande e carregada de frutos. Mataram a árvore, levaram a lenha mas deixaram o lixo.



Muito grata e com os melhores cumprimentos,

Maria Abreu de Lima




Exmo. Senhor Vereador dos Espaços Verdes:



A encosta do Casal Ventoso está a tornar-se numa lixeira a céu aberto, no perímetro adjacente à Rua Maria Pia e contíguo à Rua Guilherme Anjos. Acumula-se o lixo que não é removido há meses e meses, apesar de ter já pedido ajuda à Autarquia nesse sentido. Entulhos, seringas, e outros dejectos perigosos impedem as pessoas de ali se deslocarem e agora os toxicodependentes já dormem de baixo de uma figueira localizada a 5 metros da Guilherme Anjos. É o espectáculo degradante com que nos deparamos todos os dias. Colchões, papelões, garrafas, roupas e afins, além de ser uma casa-de-banho de todos os que por ali circulam diariamente. O departamento de Higiene e Resíduos Urbanos informou-me que a limpeza das zonas verdes compete ao departamento de Espaços Verdes. Eu apelo à CML e a esse Gabinete, em especial, para que nos ajude no sentido de manter aquele espaço minimamente limpo. A população não merece conviver com esta realidade. Afinal a CML veio em 2009 anunciar um "Parque Urbano do Casal Ventoso" que não traduziu qualquer mudança nem mais-valia para os seus moradores e que se degrada de dia para dia. Estamos exactamente na mesma situação terceiro mundista de sempre numa das freguesias mais emblemáticas do coração da cidade de Lisboa. As crianças não têm aqui onde brincar, os mais velhos não têm um lugar ao ar livre onde estar, quando há área de sobra aproveitável e que podia ser devolvida à população.

Agradeço os vossos bons ofícios no sentido de, pelo menos, retirarem o lixo e de tratarem desta questão dos sem-abrigo que nas últimas semanas dormem quase à porta das nossas casas em condições desumanas.



Grata e com os melhores cumprimentos,

Maria Lima


Limpar Portugal: contra os incêndios florestais.


Caros Voluntários:

Muitos de nós certamente poderemos colaborar num novo esforço de cidadania cuja necessidade será óbvia para todos, a PREVENÇÃO DOS FOGOS FLORESTAIS, um fenómeno que está a assolar Portugal com gravidade este Verão.

Nesta rede “Limpar Portugal” está a ser proposto por alguns voluntários um desafio, em colaboração com a Protecção Civil (http://limparportugal.ning.com/forum/topics/prevencao-de-incendios-448) para, reunir com urgencia VOLUNTÁRIOS de todos os pontos do País que criem dinâmicas regionais.

Em todo o Distrito do Porto, essa acção já está no terreno, como é o caso de Gondomar (recentemente palco de ocorrências trágicas):

http://limparportugal.ning.com/group/gdmgondomar/forum/topics/prevencao-de-incendios-5

Venho por aqui desafiar todos.



Paulo Pimentel Torres



Visite LimparPortugal - Mãos à Obra em: http://limparportugal.ning.com/?xg_source=msg_mes_network

O que estão à espera?





Turismo
"Lisboa é o paraíso vista do Ginjal, faz lembrar um quadro"
por ROBERTO DORES, Setúbal

Quem atravessa o Tejo é unânime: a capital vista da outra margem é surpreendente.

Há quem lhe chame "cais da desgraça" pela degradação e ruínas que acumula. Há quem prefira o epíteto de "cais da boa esperança", olhando para os projectos que estão a caminho, anunciando o rejuvenescimento do Ginjal. Uma coisa é certa: Há em Cacilhas (Almada) um miradouro privilegiado sobre Lisboa, à beira do Tejo, que, mesmo sem estar na "onda" dos roteiros turísticos, continua a ser descoberto. Não falta quem regresse todos os anos. Nem que seja apenas para contemplar a silhueta da capital

Que o digam Van der Elst e Irene Hens, um casal belga que está a passar uma quinzena de férias em Portugal. Após os primeiros três dias de descanso em Lisboa decidiu cruzar o rio, a bordo do ferry e suportando os escaldantes 35 graus, para atracar em Cacilhas. De roupa desportiva e garrafa de água, preparam-se para voltar a percorrer a muralha do Ginjal e recordar as "vistas" de outros anos.

"É um cenário lindíssimo. Lisboa é o paraíso vista do Ginjal. A começar pela ponte, passando por toda a zona ribeirinha. As igrejas. Sabemos que há por aqui praias muita boas, mas preferimos gastar aqui umas horas. Faz lembrar um quadro", assumiu Van der Elst. O casal desconhece a carga histórica do local e os tempos áureos vividos nas décadas de 50 e 60, época áurea da pesca portuguesa, onde as antigas fábricas de salga de peixe e de gelo davam trabalho a milhares de pessoas.

Mais uma razão para que Van der Elst não entenda o abandono que rodeia o cais desde a década de 80, com edifícios vulneráveis ao vandalismo, onde grassa a destruição e a ameaça de derrocada, apesar de ali viverem 15 famílias carenciadas. "Isto acaba por intimidar as pessoas. Quem não conhece, não vem cá, porque tem medo logo à partida que haja violência. O cais é inseguro por ser muito isolado", alerta este turista.

Uma opinião partilhada por Sílvia Gomes. A jovem arquitecta de Cascais, que visitou pela primeira vez o Ginjal com a família, tinha acabado o almoço na esplanada do conhecido Atira-te ao Rio, confessando a sua "admiração" sobre a paisagem que tinha pela frente. "Não é vulgar, porque transmite uma tranquilidade incrível. Duvido que tenhamos uma beleza destas na Europa tão mal aproveitada, ao ponto de gerar algum receio de criminalidade entre os visitantes", desabafou ao DN, garantindo ter atravessado a Ponte 25 de Abril movida apenas pela "curiosidade das vistas. Até ousei subir no elevador panorâmico, porque isto é deslumbrante".

Eis o argumento que leva os turistas a percorrerem o cais do Ginjal, a maioria oriunda de Lisboa, embora Susana Santos, uma "repetente" da capital, não entenda "como é que ainda ninguém teve a ideia de rentabilizar isto. Na vazante até existe uma pequena praia (junto aos dois restaurantes), mas que está sempre suja e com garrafas partidas. É incrível", refere, enquanto sobe a escadaria que conduz à mesma escarpa que no último Inverno provocou mais estragos, na sequência de vários
aluimentos que fizeram resvalar enormes pedras para a muralha, ameaçando vidas.

É por entre outra fotografia lá do alto que lança um olhar sobre Lisboa para estabelecer uma arrojada comparação: "Até parece que de um lado é Cuba e que do outro está Miami."

(in Diário de Notícias).
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NOTA LISBOA SOS: qual é o país do mundo que tem um potencial destes? Isto poderia ser uma baía como a de Sidney ou São Francisco. A encosta carregada de casas de luxo, condomínios, mas também habitação para jovens e classe média. A zona nobre desta região não seria Lisboa, mas o Ginjal, a encosta de Almada - vista para a capital, areal da Caparica à porta. Mas nós preferimos ajavardar tudo, não é? É.

Vagueando pelas Ruas.



http://vagueandopelasruas.blogspot.com/

Lisboa Lixo.





Há mais recolha selectiva em Lisboa mas um terço continua a falhar o alvo

Carlos Filipe

Aumenta a consciência de que a reciclagem contribuirá para melhorar o ambiente. O pior é que ainda é atirado para o sítio errado muito do lixo que se separa.

A percentagem de resíduos sólidos urbanos produzidos em Portugal e que seguem para valorização e reciclagem continua a aumentar, estimando o Instituto Nacional de Estatística que, em 2008, representava 12 por cento do total do lixo produzido, cinco pontos abaixo da média da União Europeia. Em Lisboa, de acordo com dados fornecidos pela autarquia, aquele valor aumenta para 20 por cento.

Todavia, há um dado que prejudica o esforço colocado nessa boa prática ambiental: há demasiados resíduos que chegam contaminados às linhas de triagem. Então no caso do ecoponto amarelo (embalagens de plástico e metal) eles representam um terço do total. Em última instância, a incineração ou aterro são os destinos finais.

A situação torna-se menos sustentável, quando se sabe que é o ecoponto amarelo que representa o maior fluxo de trabalho e de complexidade no processo de separação, pois é naquele contentor que são colocadas as embalagens de plástico, metal e pacotes de leite e outras bebidas, produtos estes que em Lisboa, segundo os dados fornecidos pelos serviços camarários, representaram em 2009 um aumento de 18 por cento relativamente a 2008, passando de 6262 toneladas para 7384 toneladas.

Porém, e segundo os dados da Valorsul, uma das operadoras na Área Metropolitana de Lisboa (AML), que serve os municípios de Lisboa, Amadora, Loures, Odivelas e Vila Franca de Xira, cerca de um terço das quantidades provenientes daqueles receptáculos são constituídas por materiais indesejados (contaminantes), casos de papel, cartão, vidro, electrodomésticos, sapatos, chapéus de chuva, ou restos alimentares.

Diz Ana Loureiro, directora de comunicação da empresa, que aquelas embalagens mal colocadas, ou que não podem ser recicladas, mas que foram depositadas nos ecopontos, ainda assim "podem ser objecto de valorização através da produção de energia eléctrica" na central. "Mas os resíduos que são contaminantes, por não se enquadrarem em nenhuma categoria de reciclagem, seguem para incineração, o que acontece na Valorsul, ou para aterro sanitário, nos casos de operadores que não disponham deste sistema", esclareceu Ana Loureiro.

A situação não será igual em todo o território nacional, mas no caso destes cinco municípios da AML (desconhecem-se os valores em Cascais, Oeiras, Mafra e Sintra, operados pela Tratolixo, que não respondeu às questões do PÚBLICO), também cinco por cento dos materiais depositados nos receptáculos azuis (papel/cartão, que a nível nacional representam o maior valor, 36 por cento, do total de resíduos) são indesejados, encontrando-se entre os principais contaminantes sacos de plástico, esferovite, papel de prata, vegetal, plastificado e autocolantes.

Ainda de acordo com os dados da Valorsul, no ecoponto verde (embalagens de vidro) entre um a dois por cento do que ali é depositado é rejeitado na triagem - casos de loiças, plásticos, cerâmicas, vidro plano, cristais, espelhos, lâmpadas.

Mais erros, mais custos

Sejam "erros de pontaria" na cor dos contentores, desleixo/negligência, ou simples enganos por desconhecimento, a verdade é que a má separação dos resíduos pelos utilizadores acarreta maiores custos ambientais, sejam eles na operação de triagem, pela menor quantidade de produtos reciclados, pela utilização de combustíveis fósseis no processo produtivo de novos produtos (por exemplo, nos plásticos), ou pela necessidade de construção/aumento de aterros sanitários.

Ana Loureiro admite que a má separação "leva à existência de maiores custos, porque obriga a uma maior eficiência dos sistemas". "Como exemplo, refiro a existência ainda em elevada quantidade de papel/cartão no ecoponto amarelo. Este erro por parte de população obriga a um esforço adicional para tentar recuperar um material que é reciclável, mas que não deveria estar a aparecer naquele fluxo."

Foi também esta uma das razões apontadas pelo município de Oeiras - ainda que muito criticada por associações ambientalistas - como justificação para a decisão de interromper a recolha selectiva porta a porta no concelho. "Recuo ambiental", disse a Quercus, "lixo contaminado", alegou a câmara, salientando que cerca de 70 por cento daqueles detritos estavam mal separados, razão pela qual optou por substituir aquele sistema de recolha pela contentorização enterrada, garantindo também que assim haverá uma "melhoria substancial da quantidade e da qualidade dos resíduos recicláveis.

A Empresa Municipal de Ambiente de Cascais anunciou há dias que vai reforçar a capacidade de recolha de resíduos sólidos urbanos, com um investimento superior a 2,5 milhões de euros, com comparticipação de fundos do Programa Operacional Regional de Lisboa.

A empresa diz que avançará em Setembro uma nova fase de colocação de "ilhas ecológicas" no concelho, com a instalação de 465 novos contentores subterrâneos que aumentarão, respectivamente em 274% e 40% a capacidade de recolha de resíduos recicláveis e indiferenciados.

Já a Câmara de Lisboa conta abranger toda a cidade, até 2013, com o sistema porta a porta.

Segundo dados fornecidos pelo gabinete do vereador responsável pela higiene urbana, actualmente cerca de 25 por cento das habitações da cidade têm já à sua disposição este tipo de recolha de resíduos sólidos. E especifica que, na sua totalidade, já estão abrangidas as freguesias das Mercês, Santa Catarina, Santa Maria dos Olivais e São Miguel.

Existem ainda quatro freguesias que têm recolha selectiva porta a porta quase na totalidade - Nossa Sra. de Fátima, Socorro, São Cristóvão e São Lourenço -, mas que ainda têm áreas servidas por outros sistemas. Já a Quinta do Lambert, Alameda das Linhas de Torres (sul) e área envolvente ao Estádio de Alvalade experimentam este sistema desde o início do corrente ano.

Ainda segundo a Câmara Municipal de Lisboa, existe também uma evolução significativa em termos económicos. As contrapartidas financeiras obtidas pela autarquia com a entrega de materiais para reciclagem continuam a aumentar, cifrando-se em 3,6 milhões de euros para 2009, a que acresce uma economia de mais de dois milhões no tratamento e destino final dos resíduos. Tal reflectiu-se num acréscimo da poupança para os cofres municipais em mais de 160 mil euros relativamente a 2008.

Ainda há muita gente com dúvidas sobre a maneira correcta de utilizar os ecopontos

Apesar das muitas campanhas nos meios de comunicação, da familiarização dos mais jovens na escola com as boas práticas ambientais, que as transmitem aos pais, subsistem dúvidas na hora da deposição dos resíduos nos contentores. Há quem ainda se interrogue se deve lavar as embalagens nas quais foram usados óleos ou outras gorduras, temendo que, se não o fizer, aquela embalagem poderá não ter um final feliz, ou seja, um renascer em forma reciclada.

Responde Ana Loureiro, da Valorsul: "Não devemos gastar água para lavar lixo, e esta regra é válida em todas as situações. Devemos apenas escorrer as embalagens e se possível espalmá-las. E não é possível detectar na linha de triagem se uma garrafa está lavada ou não. São todas tratadas por igual."

É também frequente haver dúvidas quanto ao destino final do resíduo que se colocou no contentor colorido. Será que todo o resíduo é encaminhado para as respectivas rotas de reaproveitamento/reciclagem?

Ana Loureiro afiança que sim: "E quanto mais houver para reciclar, melhor. Na nossa área, e julgo que em todo o país, todos os materiais possíveis de enviar para reciclagem seguem esse caminho."

Mais recentemente surgiu uma nova dúvida: as embalagens descartáveis de café para máquina, revestidas a alumínio ou plástico, muito em voga, são recicláveis ou não? Há fabricantes que garantem que sim e pedem aos seus clientes que as levem a pontos de recolha. "Para nós, essas embalagens são um resíduo indiferenciado [não devem ser colocados nos contentores de deposição selectiva, pois contaminariam a linha de triagem], mas quem sabe se no futuro será possível valorizá-las", explicou Ana Loureiro.

(in Público).

Instantâneos quotidianos: a morte só.

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«Abandono: os cadáveres não reclamados em Lisboa são cada vez mais de idosos que morrem sós. Ficam na morgue à espera da família, à espera que a Misericórdia os sepulte» (in Expresso, de 14/8/2010).