quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Isto é etnologia, percebem?





Não, não houve nenhum engano no envio das imagens. Estas duas fotografias são mesmo do nosso Museu Nacional de Etnologia.

É do conhecimento público o insuficiente financiamento da Cultura em Portugal - mas isto vai mais além do que políticas actuais da cultura.

Estão assim "equipadas" as instalações sanitárias do Museu Nacional de Etnologia de Portugal.

Caixas de cartão a servir de papeleiras, e outros objectos de idênticos padrões de qualidade.

Isto é um museu nacional da capital. Isto é Portugal em Agosto de 2010.

Fernando Jorge

Instantâneos quotidianos: fechado para férias.

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«Mais de 80 por cento das intervenções de reconstrução e repavimentação previstas para a cidade de Lisboa só vão arrancar depois das férias» (in Público, de 12/8/2010).

40 anitos de espera.



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Classificação do Jardim Botânico como monumento espera aprovação do Governo
Por José António Cerejo

Processo de classificação começou há 40 anos e foi concluído há poucos meses. Projecto de decreto que consagrará o novo monumento nacional já foi elaborado no Ministério da Cultura.
Teoricamente, o jardim já estava protegido por estar em vias de classificação mas há quem duvide da protecção (Foto: Carlos Lopes (arquivo))

O Jardim Botânico de Lisboa, criado em 1873, deverá ser em breve classificado como monumento nacional. Concluídos já na vigência deste Governo, que tomou posse em Outubro, os procedimentos prévios à classificação foram iniciados em 1970, ano em que aquele espaço da Rua da Escola Politécnica foi legalmente declarado "em vias de classificação".

De acordo com um porta-voz do gabinete de Elísio Summavielle, secretário de Estado da Cultura, o processo de classificação foi instruído pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar) em articulação com a Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo. Uma vez terminado, o processo foi submetido à apreciação do secretário de Estado, em data que o seu gabinete não divulgou, seguindo-se a elaboração do projecto de decreto-lei que atribuirá ao jardim centenário a categoria patrimonial de monumento nacional, há muito esperada pelos seus responsáveis e amigos.

O próximo passo será a aprovação do decreto de classificação em Conselho de Ministros, tal como estipula a Lei do Património para o caso dos bens de "interesse nacional" - os bens de "interesse público" são classificados por portaria do Ministério da Cultura. A discussão do projecto no seio do Governo não tem ainda data marcada, dependendo o respectivo agendamento da Presidência do Conselho de Ministros. Após a sua aprovação, o decreto terá ainda de ser publicado no Diário da República.

Protecção já vigorava

Embora não estivesse ainda classificado, o jardim tinha sido declarado "em vias de classificação" por despacho governamental de Agosto de 1970, estatuto este que lhe concedia o mesmo tipo de protecção que decorre da classificação efectiva. Quer isso dizer que no seu interior nada podia ser feito ou desfeito sem autorização prévia do Igespar, o mesmo acontecendo num raio de 50 metros, a partir dos seus limites exteriores.

A lei estabelece que nestas zonas de protecção dos imóveis, conjuntos ou sítios classificados ou em vias de classificação não podem ser licenciadas quaisquer obras de construção, ou outras que alterem a topografia, os alinhamentos, altura, volumetria, coberturas e revestimentos sem parecer favorável do Igespar.

A salvaguarda da integridade do jardim face ao Plano de Pormenor do Parque Mayer, que a Câmara de Lisboa tem estado a discutir, tem preocupado a Liga dos Amigos do Jardim Botânico, que considerou aquele plano como "muito nefasto". A classificação do jardim era considerada uma prioridade para alguns dos seus defensores, que temiam a possibilidade de o processo iniciado há 40 anos caducar já no próximo ano, nos termos de uma lei publicada em Outubro do ano passado.


(Público).

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Não fechamos!


Bairro Alto
Lojistas recusam fechar à meia-noite
por CARLOS DIOGO SANTOS
Associação dos Comerciantes acusa as lojas de conveniência de concorrência desleal para com os bares.
"Se estiverem licenciadas como loja de conveniência e cumprirem a lei, os agentes não podem obrigar ninguém a fechar antes das 02.00". Foi desta forma que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) reagiu, ontem, às críticas de alguns comerciantes do Bairro Alto, que, tendo mapas de funcionamento que lhes permitem estar abertos até às 02.00, foram notificados para encerrar à meia-noite.
A polémica teve início no mês passado quando alguns agentes da Polícia Municipal distribuíram uma notificação aos proprietários de lojas de conveniência, obrigando-os a encerrar os estabelecimentos à meia-noite. "Ainda por cima com um documento ilegal", disse Carla Lencastre, advogada e sócia de um estabelecimento no Bairro Alto, explicando que "a suposta notificação não identificava a lei nem estava datada".
Segundo Bruno Maia, jurista da autarquia, o problema está no incumprimento da portaria 154/96 de 15 de Maio, que obriga as lojas deste tipo a ter uma área inferior a 250 m2, a cumprir um horário de 18 horas diárias e a dispor de uma oferta equilibrada. "A primeira condição é respeitada, mas as duas últimas não o são e isso leva a que a câmara considere discutível a integração destes estabelecimentos no grupo I. O grupo autorizado a permanecer aberto após as 00.00, a que pertencem as lojas de conveniência e os bares", disse.
Carla Lencastre garante que tudo está a ser mal conduzido, e que, por isso, os visados já avançaram com providências cautelares. "Antes de abrirem as suas lojas, os comerciantes entregaram toda a documentação solicitada pela CML e foi-lhes sempre dito que poderiam estar abertos até às 02.00. Após terem sido feitos grandes investimentos e se terem contratado funcionários, a câmara não pode voltar atrás", frisou.
A mesma fonte da autarquia desvalorizou as críticas, adiantando que o mapa de funcionamento não é um acto administrativo e que os lojistas não se podem apenas basear no horário indicado naquele documento. Bruno Maia admitiu, porém, que "caso estejam licenciados como loja de conveniência e respeitem os requisitos desse tipo de estabelecimento obviamente não poderão ser obrigados a fechar antes das 02.00".
Belino Costa, presidente da Associação dos Comerciantes do Bairro Alto, afirmou, em entrevista ao DN, que estas lojas roubaram muitos clientes aos bares. "Não vou falar só da venda de garrafas de vidro [que constitui um problema de segurança no Bairro Alto], porque também há bares a fazê-lo, mas a verdade é que estes estabelecimentos trouxeram uma concorrência desleal", disse.
Os proprietários admitem não estar abertos 18 horas por dia, dadas as características do local. Mas, para Carla Lencastre, "o correcto seria a autarquia fiscalizar os estabelecimentos, obrigando-os a respeitar a legislação em vigor e nunca alterar o seu estatuto". Alguns lojistas dizem ainda temer pela sua segurança. Tudo porque os donos dos bares vão às suas portas ameaçá-los e, segundo Sheyla Lima, lojista, até sabem o que os agentes vão fazer antecipadamente. "Antes da notificação da polícia, eles andaram por aqui a insultar e a dizer: é hoje que vão fechar à meia-noite."

(in Diário de Notícias).

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

«Triste Ruína».



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Campo de golfe das Amoreiras é uma “triste ruína”

Telma Roque
O cenário é desolador, tanto para quem passa na rua como para quem habita as torres das Amoreiras, em Lisboa. Há anos que as janelas oferecem vistas para um campo de golfe que nunca chegou a abrir. O espaço está abandonado e sem projecto de reconversão.
?Se a relva estivesse tratada, o aspecto era logo outro. Tolerava-se... Agora assim, tudo seco, degradado e com lixo, bem no centro da cidade e junto ao Shopping das Amoreiras??, critica Júlio Fonseca, que trabalha na zona e, por isso, convive há anos com um campo de golfe que, na verdade, nunca o foi. Suscitou tanta polémica que nunca chegou a funcionar. “É uma triste ruína que aqui está, como tantas outras que existem na cidade. Gastou-se dinheiro à toa. O campo nunca serviu para nada. Ao menos, façam qualquer coisa para mudar este aspecto degradado”, pede Alice Santos, que costuma frequentar o Centro Comercial das Amoreiras.
O campo de golfe, situado em terrenos da EPAL (Empresa Pública de Águas Livres), por cima de um dos seus reservatórios de água, começou a ser construído em 1998 e deveria ter sido inaugurado nesse mesmo ano.
A construção de gigantescas torres e a instalação de uma rede de protecção em redor do recinto, com 35 metros de altura ? sem licença de construção e em desacordo com o projecto aprovado ? acabou por ditar a sua ?morte?. Uma comissão de moradores entretanto constituída exigiu o embargo da obra para travar a empreitada. Os moradores do condomínio de uma das torres das Amoreiras, por sua vez, criaram um movimento de contestação contra o que chamavam de ?capoeira?. As torres e as redes acabaram por ser retiradas, mas tudo o resto ficou. Até hoje. Mais de 10 anos depois, a EPAL não tem ainda um projecto de reconversão para o local e, em tribunal, estão por julgar vários processos relacionados com os contratos celebrados para a construção e gestão do campo.
“A EPAL não deixará de avaliar a utilização que se revele mais adequada para aquele espaço, bem como as soluções urbanísticas para a área envolvente que venham a resultar do Plano de Pormenor das Amoreiras que a Câmara de Lisboa tem em curso”, avança apenas a empresa.
A autarquia chegou a manifestar interesse em criar ali um espaço de utilização pública no âmbito do Plano de Pormenor das Amoreiras, mas a EPAL rejeitou a ideia, por considerar que não seria compatível, dada a antiguidade do reservatório, que poderia não suportar o peso dos terrenos.
O treino e ensino de golfe foram objecto de um contrato assinado entre a EPAL, o Clube de Golfe das Amoreiras, o Supergolf Amoreiras e a Gravinor construções S.A.O contrato previa a construção em duas fases: uma a cargo do Clube de Golfe e a outra ao Supergolf, num valor que ascendia, na moeda antiga, a mais de 260 mil contos, para a construção de balneários/vestiários, área de restauração, postos para bater bolas, postos de treino do “putting-green”.
Ficou acordado que as duas empreitadas iriam decorrer em simultâneo e que o campo estaria pronto no prazo de um ano. A EPAL, proprietária dos terrenos, constituiu o Clube de Golfe das Amoreiras que ficaria como arrendatário e que, por sua vez, cederia a exploração do estabelecimento à Supergolf Amoreiras, por um período de 15 anos. Acontece que o recinto nunca chegou a abrir as portas, apesar de a empreitada ter sido concluída e de todo o investimento feito. A EPAL e a Supergolf continuam em litígio nos tribunais.
(in Jornal de Notícias).

Sociedade Guilherme Cossoul: o princípio do fim.


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Casa onde Solnado começou obrigada a mudar de bairro
por CARLA BERNARDINO
Sociedade Guilherme Cossoul tem de abandonar as instalações históricas do Palácio dos Távoras.
Durante décadas, a Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul foi considerada o "Conservatório da Rua da Esperança". Foi ali, em Santos, que Raul Solnado deu os primeiros passos como actor e terminou a sua carreira como professor de teatro. Na data em que passa o primeiro aniversário da morte do humorista, esta associação com 125 anos vai ter de mudar para Campolide. É que o prédio onde está instalada pertence a privados, que pretendem rentabilizar este palácio que, segundo a Câmara de Lisboa, foi propriedade dos Condes de Aveiro, ou seja, os Távora.
A solução para evitar a erradicação total da Guilherme Cossoul ainda foi encontrada por Raul Solnado nos últimos anos de vida. "Ele sempre acompanhou o José Boavida [actor e presidente da colectividade] nas reuniões com a Câmara e batalhou muito para que a Guilherme Cossoul não saísse do palácio. Foi uma luta dele, porque foi lá que começou, mas agora há dificuldades", desabafa Joselita Alvarenga, ex-mulher do humorista que também trabalha no espaço. "Nós pedimos à Câmara de Lisboa a possibilidade de ficar, fazendo algumas obras, ou ficar noutro sítio perto. O presidente, António Costa, foi quem nos arranjou este novo espaço e o Raul ainda participou nas reuniões. Nós estávamos no olho da rua e poderíamos mesmo deixar de existir", recorda José Boavida. Raul Solnado ainda teve tempo de conhecer o novo local - a Escola Primária n.º 13, perto das Amoreiras - que considerou "interessante". 2010 é agora o ano limite para a despedida.
A iminência da saída da Sociedade Guilherme Cossoul do palácio já é uma história antiga, mas nada pode ser feito perante uma ordem de despejo, mediante a falta de pagamento de renda a proprietários privados. "É uma situação que se arrasta desde 2000 em que houve uma tentativa de despejo. Acabou por ser aumentada a renda para 350 contos mensais", começa por explicar ao DN o director municipal da Cultura, Francisco Mota Vargas. E segue: "Em 2006, a Câmara deixou de apoiar a Sociedade e eles deixaram de pagar a renda. Em Outubro de 2007 foram confrontados com a possibilidade de despejo e, no mês seguinte, a questão ficou resolvida com uma verba de 22 mil euros. No entanto, a situação com o senhorio não ficou clarificada e sofreram nova ordem de despejo em 2008."
O actual espaço foi encontrado em Fevereiro de 2009 e será lá que a associação tem morada garantida até 2018. Já a saída definitiva de Santos, está por meses. Porém, José Boavida avança: "Nós vamos ficando aqui enquanto pudermos e enquanto as obras em Campolide não estiverem todas concluídas."
É neste espaço que está albergada a escola de teatro Raul Solnado, criada pelo actor há quatro anos e que é dirigida por Joselita Alvarenga e pelo filho, Renato Solnado. "O José Boavida diz que podemos ficar lá até ao final do ano", adianta esta actriz.
Quanto ao futuro, a ex-mulher de Raul garante que a formação de actores vai continuar, só desconhece ainda o local. "É possível que nos mudemos para o novo espaço se houver lugar para nós. Se não, vamos procurar outro", diz, que também lamenta que a Sociedade Guilheme Cossoul termine o seu "reinado" na Avenida D. Carlos I.
Agora, o momento da saída é de tristeza. "Há o lado emocional, passaram por aqui tantos actores, encenadores, cenógrafos", enumera o presidente da colectividade. "Há uma grande nostalgia, são muitos anos e isto faz parte do coração da Madragoa. A Junta de Freguesia de Santos-o-Velho não queria que saíssemos daqui, mas não havendo outra solução, vamos continuar noutro sítio", declara o responsável.
Francisco Mota Vargas, director municipal da Cultura, defende: "O espaço anterior tem a memória, mas para a Câmara Municipal de Lisboa era importante dar as condições para que esta Sociedade pudesse dar continuidade ao seu trabalho e, hoje, é dado um apoio anual de 21 mil euros e fá-lo com a consciência de que é uma estrutura com uma mais-valia cultural em Lisboa que deve ser apoiada."
Manuel Cavaco, um dos actores que também começaram na Guilherme Cossoul, apelida todo este processo de "miserável". "Condói-me muito ver as coisas morrerem. É um sítio onde passei a minha infância até aos dez anos, foi lá que pisei pela primeira vez um palco, em que senti o que era o aplauso do público. Recordo-me do Raul Solnado, do Jacinto Ramos, do Varela Silva, do José Viana", desabafa o actor. Recentemente, Manuel Marques e Pepê Rapazote foram dois actores que deram os primeiros passos na representação neste palco.
(in Diário de Notícias).

60 milhões.


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Lisboa
EPUL exige 60 milhões à câmara
por RUI PEDRO ANTUNES
Empresa municipal quer que a CML devolva somas pagas a entidades como o Sporting e o Benfica.
A EPUL (Empresa Pública de Urbanização de Lisboa) exige ser ressarcida pela Câmara Municipal de Lisboa, presidida por António Costa, pelos mais de 60 milhões que foi "obrigada a pagar" a entidades como o Sporting, o Benfica ou o atelier de arquitectos de Frank Ghery, entre 2002 e 2004. O director de Planeamento e Controlo da EPUL, Jorge Alves Ferreira, adiantou ao DN que a empresa municipal necessita que a autarquia "devolva à EPUL aquilo que opções políticas tomadas noutros anos retiraram à empresa", lembrando que as actuais dificuldades financeiras da EPUL - já no limiar da falência técnica - se devem a estes gastos.
Alves Ferreira garante que neste momento a administração está a fazer esforços para "despolitizar" a EPUL, pois acredita que "quando a política se mete na gestão, dá maus resultados". É por isso que agora exige que a empresa seja ressarcida, "em dinheiro ou de qualquer outra forma pela autarquia" pelas tais "opções políticas" alheias à a empresa municipal. O dinheiro que a EPUL agora reivindica à CML para equilibrar as suas contas, foi gasto durante o mandato do social-democrata Pedro Santana Lopes.
61,2 milhões de euros foi o valor encontrado pela auditoria externa feita à empresa (terminada em 21 de Julho de 2009), onde foram elencados os casos "mais significativos" que contribuíram para a má saúde financeira da empresa. A auditoria foi feita pela PricewhaterhouseCoopers, que destacou por exemplo (ver caixa) os 2,9 milhões pagos ao atelier de Frank Ghery, os 19,7 milhões pagos ao Benfica por terrenos na zona do antigo estádio e no Vale de Santo António, os 11,6 milhões ao Sporting relativos a fogos na Quinta José Pinto ou até os 2,1 milhões pagos ao arquitecto Jean Nouvel no âmbito do projecto que este realizou para Alcântara-Mar.
Alves Ferreira defende que foram estes gastos que "obrigaram" a empresa a recorrer à banca e afirma que "se a autarquia devolvesse este valor, a EPUL deixaria de ficar numa situação débil". O director de planeamento e controlo ressalva que "a EPUL não recebe qualquer dinheiro do Orçamento de Estado nem da Câmara de Lisboa, vive apenas dos seus próprios ganhos". Para fazer frente à delicada situação financeira, a EPUL avançou com diversas medidas de contenção de despesa que não têm sido consensuais, tendo uma delas - a "redução voluntária de salários" - provocado o descontentamento de alguns trabalhadores.
(in Diário de Notícias).

domingo, 8 de agosto de 2010

Anthony Lanier: alquimista urbano?



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Anthony Lanier
Um novo conceito urbano para Lisboa
por NYSSE ARRUDA

Com o Príncipe Real Urban Project, o empresário americano Anthony Lanier aposta não apenas na requalificação de edifícios históricos mas principalmente numa forma contemporânea de viver a cidade, onde o luxo, a cultura e a tradição conviverão lado a lado.

Nascido no Brasil, educado na Áustria, casado com uma portuguesa e residente nos EUA, o empresário Anthony Lanier, presidente da Eastbanc, tem uma visão muito peculiar do que é um empreendimento imobiliário em qualquer lugar do mundo. "A minha ideia é criar um brand, trazer valor para os empreendimentos. E é o ambiente que dá valor. Para o Príncipe Real quero trazer a ideia da cidade vivida de volta, a ideia de aldeia, de lugar de encontro numa sociedade global", diz Lanier, que desde 2007 tem em mãos um projecto revolucionário para esta área de Lisboa - o Príncipe Real Urban Project.

Considerado um visionário nos EUA e não só, Lanier ganhou uma reputação de distinção na sua carreira de empresário imobiliário ao recuperar Georgetown, em Washington (uma área da cidade que estava completamente degradada), transformando-a numa das zonas mais trendy da capital norte--americana. "Eu tento aproveitar o que está no local e fazer melhor. Os edifícios antigos são a verdadeira alma de uma cidade", comenta ele, que já recebeu a alcunha de "alquimista urbano".

A ideia central do Príncipe Real Urban Project envolve um mix de detalhes contemporâneos e estruturas históricas, com a recuperação e revalorização de 20 edifícios históricos e respectivos jardins, especialmente o Palacete Ribeiro da Cunha, o encantador edifício oitocentista em estilo neo-árabe defronte à Praça do Príncipe Real, que será o centro de todo o projecto.

"Inicio sempre um projecto com uma ideia grande, daí ter adquirido os 20 edifícios mais emblemáticos do bairro. A minha abordagem na renovação urbana, seja em qual cidade for, é sempre de continuidade, é um processo que não tem fim. É esta a nossa especialidade e disto que gostamos", revela Lanier, dizendo que os lucros virão a seu tempo, não no curto prazo.

Com 50 milhões de euros já investidos na compra dos imóveis, Anthony Lanier prevê um investimento total de cem milhões de euros e espera arrancar com os trabalhos já em 2011, altura em que terá todas as licenças necessárias. "O vereador do urbanismo da CML, e também arquitecto, Manuel Salgado, entendeu o projecto desde o início e apoiou a ideia. Como as ideias são grandes, os processos são complicados, especialmente por causa da nossa peculiaridade de trabalhar em continuidade, num work in progress", disse ainda Lanier, mencionando que os arquitectos Eduardo Souto de Moura, Frederico Valsassina e Falcão de Campos também adoptaram esta nova visão de reurbanização.

"Queremos trazer as pessoas de volta para a cidade, oferecendo não só imóveis de alto nível mas também serviços variados e uma vivência urbana nova, onde a tradição convive lado a lado com a contemporaneidade", acrescenta ainda o empresário, que já está a apoiar a divulgação do bairro, com os eventos Príncipe Real Live, e a criar um cluster de artistas jovens das mais variadas áreas, que já se sediaram no bairro graças à estratégia de arrendamento temporário por ele criada.

(in Diário de Notícias).

Arqueólogos de Lisboa.



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Arqueólogos de Lisboa
Em busca da muralha escondida
por FERNANDA CÂNCIO

Lisboa romana, Lisboa moura, Lisboa dos cruzados: o desenho da cidade fez-se entre muros e depois galgou-os, digeriu-os, apagou-os. Procurar, estudar e iluminar o que resta é o projecto do Museu da Cidade.

Numa rua do bairro da Sé, as picaretas abrem o que parece uma vala. Telefone? Gás? Cabo? À volta, uma cerca de metal isola o trabalho. Um cartaz explica: é de "Estudo e Valorização da Cerca Velha de Lisboa" que se trata. A cerca velha (em oposição à cerca nova, a muralha mandada construir em 1373 pelo rei D. Fernando para suster as invasões castelhanas e que ganhou o cognome de "fernandina), passa algures por aqui, não se sabe exactamente onde.

A sondagem não resulta: fecha-se o buraco e recomeça-se mais abaixo, no largo de Santo António da Sé, onde, crê-se, estará situada a "porta de ferro", a entrada principal da cidade moura. Um buraco, dois, e nada. "Estamos a tentar perceber onde ela está. Andamos mais para oeste ou para este, à procura." A arqueóloga Manuela Leitão, 47 anos, coordenadora do projecto, tem uma explicação para a dificuldade: "Esta zona sofreu obras de reestruturação urbanística depois do terramoto de 1755. Limparam muita coisa e as cotas das ruas foram rebaixadas." Pode ser até que nada se encontre e que o traçado da muralha permaneça estimado, como na obra de referência do olisipógrafo Vieira da Silva (que nos finais do século XIX desenhou o traçado com base em estudos documentais), numa curva que prossegue a linha recta da Rua da Padaria e sobe na direcção do castelo, talvez sob os jardins suspensos que fazem das traseiras da Rua de São Mamede ao Caldas uma das maravilhas invisíveis de Lisboa. Mais um sortilégio escondido, então, o desta muralha que na sua zona oriental é visível em vários troços - aquilo que Manuela chama "panos". "Com o tempo a muralha foi 'engolida' pelo crescimento da cidade. Há uma série de edifícios que a usaram como mais uma parede, as torres foram sendo ocupadas. Mesmo quando não se consegue ver ela continua perceptível pelo alinhamento das ruas, das fachadas dos prédios." Também as escavações da parte oriental da muralha têm tido mais sucesso: a parte da cidade que lhe corresponde mantém as mesmas características há muito e os solos não sofreram aquilo a que a arqueóloga dá o nome de "desmobilização de terras", estando preservados todos os níveis ou estratos antigos: "Os níveis mais antigos que encontrámos pertencem à Idade do Ferro, século VI antes de Cristo."

Viabilizado financeiramente em 2008 através de uma parceria com o Instituto do Turismo, este projecto, no qual concorrem "dezenas de pessoas", incluindo, além dos investigadores - arqueólogos, geólogos, historiadores e antropólogos - desde cavadores a polícias, passando por bombeiros, existia como ideia no Museu da Cidade desde o final dos anos 90, como forma de recuperar a memória e a presença de um monumento que, afirma Manuela Leitão, "estava esquecido". A ideia é localizar e assinalar com o máximo de certeza possível as portas e alinhamentos dos cerca de dois quilómetros da muralha medieval, restaurar os panos expostos e proceder à sua iluminação monumental, assim como estabelecer percursos pedonais com sinalização ao longo da muralha. "A última fase do projecto será a instalação de um centro interpretativo sobre a muralha de Lisboa, que terá como objectivo principal o dar a entender a muralha inserida nas várias cidades onde esteve." Várias muralhas, várias cidades: se o nome dado à cerca medieval é "velha", não se trata afinal da mais idosa. Há vestígios de uma muralha do século I e de outra construída mais tarde, no século III/IV, ambas pelos romanos e cujo traçado terá sido, crê-se, aproveitado em parte pelo muro medieval - primeiro islâmico e depois cristão - que se lhe seguiu. É dentro desse mistério, o de saber a que ponto as muralhas romana e medieval se sobrepõem, que Vítor Filipe, 35 anos, passa os dias, no rés-do-chão da Casa dos Bicos. "Estamos a tentar perceber coisas que as escavações mais antigas não esclareceram. Encontrámos algumas estruturas que não eram conhecidas e estamos a tentar interpretá-las." O trabalho, de paciência - "A arqueologia às vezes é um pouco chata, não corresponde à ideia romântica que as pessoas têm e a parte mais interessante, a da descoberta, acaba por ser reduzida" -, e muito complexo, explica o arqueólogo, pela segmentação que torna mais difícil compreender a articulação das estruturas encontradas e pela presença da água, que não só dificulta a visão como mistura os níveis. "Temos todas as sondagens ao nível freático, algumas com mais de dois metros de profundidade. Às vezes é um pouco frustrante, mas também é aliciante por ser tão complexo." Até ao final de Agosto, altura em que está calendarizado o final da intervenção na Casa dos Bicos, Vítor espera satisfazer duas grandes curiosidades: "Uma é a da cronologia da construção da muralha romana tardia (que já encontrámos) e se a cerca fundacional romana passa ali. Outra é de quando é a construção da fábrica romana de salga de peixe cujos tanques se encontraram. Sabemos que a muralha fundacional romana tem dois metros de espessura e que a muralha a seguir, do séc III, tem três. Está lá uma muralha com um metro de espessura, mais antiga que essa, mas não sabemos se é a fundacional ou outra, por exemplo da fábrica."

Vítor Filipe, que não faz parte dos quadros do Museu da Cidade, entrou no projecto em Dezembro, tendo começado pela escavação da rua São João da Praça (junto à Sé de Lisboa), onde foi descoberto um pano da muralha durante as obras de um restaurante, o Páteo de Alfama (em todas as obras que envolvam "remexer terras" na zona classificada tem de haver escavações arqueológicas antes), que o integrou no seu espaço. Aliás, o acolhimento dos habitantes e comerciantes da zona de incidência ao projecto tem sido, diz Manuela Leitão, de bastante interesse. "Por exemplo: há um snack bar que se chamava Arco Íris e mudou de nome, para 'Porta de Alfama', porque uma das portas da muralha era naquela zona; vêm-nos perguntar quando fazemos uma exposição para mostrar o que encontrámos, comen- tam 'Ai que giro'. É bom que as pessoas tenham esse entendimento, porque o património é de todos."

O património como casa de família e morada, como um lugar em que se caminha em camadas de tempo e sentido, aprendendo a ver. É o caso do historiador Miguel Gomes Martins, 45 anos, da divisão de arquivos da Câmara Municipal de Lisboa. "Comecei a tomar mais um pouco de atenção aos locais onde ponho os pés e a olhar um pouco mais para as paredes em vez de só olhar para cima à procura das torres." Há três meses no projecto da cerca velha, este medievalista, cujo trabalho é o completar, informar ou contrapor, através da pesquisa documental, as descobertas arqueológicas, já teve algumas surpresas: "Foram achadas barbacãs - que são uma espécie de pré-muralhas, uma primeira cintura de muralhas, erguidas em locais considerados mais sensíveis -, uma a leste do perímetro e outra no local onde, de acordo com os documentos, se julgava estar."

Os documentos em causa são sobretudo descrições - de geógrafos muçulmanos, nomeadamente - e registos (de transações e alugueres de casas), assim como alguma iconografia, já que a primeira planta cartográfica de Lisboa digna desse nome é de 1650. Quanto à descoberta na cidade material, é sobretudo "um jogo de puzzle mental". Ver a cidade medieval na Lisboa de hoje: "Um emaranhado de casas, algumas de cinco pisos, ruas apertadas e sinuosas, pisos poeirentos no Verão e enlameados no Inverno (as vias empedradas em Lisboa são bastante tardias), com palácios, muitas igrejas, alguns edifícios conventuais que se destacavam pela dimensão, com montes de lixo sobretudo junto às portas da cidade..." Uma cidade sem esgotos onde os dejectos eram lançados na rua (apesar de haver ordens em contrário) e onde a maioria das pessoas não teriam como prioridade tomar banho (apesar das estruturas criadas pelos mouros para as abluções diárias em Alfama, cujo nome virá exactamente de "nascente") - mesmo se, leal à sua paixão por uma época sempre associada à sujidade (no sentido material e espiritual), o historiador tenta desmistificar "a ideia de que durante uns séculos ninguém tomou banho". Uma cidade de cuja muralha velha escolhe um troço desaparecido: "O meu favorito é o da torre da Escrevaninha, que se situaria no quarteirão onde está hoje a igreja da da Conceição Velha (na rua da Alfândega). É o local onde uma das torres dos cruzados adossou à muralha, facto que foi decisivo para a rendição muçulmana." À falta dessa, escolhe ser fotografado noutro lugar de "combates intensos em 1147": a porta de ferro, no largo de Santo António da Sé, a tal que ainda não se descobriu. Só um pouco de imaginação, então: uma muralha, uma porta enorme revestida a ferro e os gritos e sons da batalha entre os cruzados invasores e os sitiados muçulmanos. E nós, resultado disso.

(in Diário de Notícias).

Instantâneos quotidianos: tem-te não caias.

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«Desalojados ameaçam entrar no prédio da Rua de São Bento em risco de ruir. Foi prometido aos moradores que podiam tirar os seus bens no início de Setembro. Mas a Câmara diz que a promessa não pode ser cumprida» (Público, de 7/8/2010).

Instantâneos quotidianos: o fim do passe?

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«Os operadores privados de transportes públicos de Lisboa ameaçam deixar de vender passes sociais se o Estado não lhes pagar a dívida. Luís Cabaço Martins, da ANTROP, diz que os operadores "não terão outra saída senão abandonar o sistema do passe social"» (jornal «i», de 7/8/2010).

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

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O TERREIRO DO PAÇO NUNCA CHEIROU TÃO MAL !
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INCOMPETENTES !
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PARA QUE SERVIRAM AS OBRAS QUE ACABARAM HÁ POUCO ?

À atenção dos serviços.



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A saga do Jardim das Francesinhas foi grande. O presidente da Junta da Lapa queria arranjar. O vereador Zé Sá Fernandes disse que não era preciso. Depois, arranjou ele... gastou uns milhões. Mas o Jardim, de facto, ficou óptimo. E tem uma esplanada estupenda. SÓ QUE A CANALIZAÇÃO DA FONTE REBENTOU. Está tudo alagado. Águas paradas, imundas. Poucos meses depois da inauguração. O Príncipe Real está destruído. E agora, José? Toca a tratar da manutenção das Francesinhas, ok?

Instantâneos quotidianos: sementes de violência.

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«Violência escolar aumenta na Grande Lisboa. Em seis meses houve 118 casos» (jornal «i», de 6/8/2010).

Hospital de Arroios.

Hospital de Arroios é embaraço sem solução

Telma Roque
Há mais de 15 anos ao abandono, o antigo Hospital de Arroios, em Lisboa, é um incómodo cada vez maior para os moradores da zona. É todo um quarteirão situado junto à Praça do Chile que mais não serve senão para grafitar e consumir droga. "É triste", dizem.

A imponente carcaça embaraça a zona de Arroios e a cidade. Não têm faltado projectos imobiliários, mas encalham muito antes de saírem do papel. O último, que previa a construção de um condomínio de luxo, esbarrou no Plano Director Municipal de Lisboa, que não permitia a construção dos dois últimos pisos pretendidos pela empresa promotora, nem a demolição quase integral daquele complexo.

Sem um rumo traçado, é o tempo que comanda, imprimindo as suas marcas no que resta do Hospital de Arroios, outrora Hospital Rainha D. Amélia. As paredes caem aos pedaços, os grafitos multiplicam-se e a vegetação vai crescendo e engolindo o betão.

Por enquanto, o único projecto existente passa pelo aproveitamento do espaço exterior para a criação de uma bolsa de estacionamento provisória com mais de uma centena de lugares. Uma mão cheia de nada para um complexo que integra um convento e uma igreja setecentista de elevado valor arquitectónico, mas cujos azulejos, por exemplo, foram já há muito pilhados.

?É triste este cenário, além de causar muita insegurança, devido ao entra e sai de toxicodependentes e sem-abrigo. Há pouco mais de um mês, a polícia tirou de lá um homem morto. Uma miséria?, sublinha Joaquim Ferreira, que mora em Arroios há 40 anos. ?Bem que podiam fazer um jardim?, sugere. Como ele, também Maria de Lurdes, outra moradora, ainda se lembra do velho Hospital em funcionamento. ?E tanta falta que faz?, desabafa a mulher.
“Houve uma altura em que havia seguranças. Depois, deixou de ser vigiado e foi o descalabro. Os portões estão fechados mas eu vejo gente a saltar lá para dentro todos os dias”, assegura, por sua vez, Abílio Lourenço, que trabalha na Praça do Chile.

Ainda esta semana, o partido ?Os Verdes? entregou um requerimento na Assembleia Municipal a pedir esclarecimentos sobre o parque de estacionamento temporário e o destino a dar ao património do hospital, nomeadamente a igreja, pátio e convento.

O antigo Hospital de Arroios nasceu em 1892 a partir do Convento de Nossa Senhora da Nazaré, um colégio de jesuítas fundado em 1705. Acolhia doentes com peste, cólera, varíola, lepra e tuberculose. Em 1898, e já como Hospital Rainha D. Amélia, passou a unidade especializada no tratamento e prevenção da tuberculose. Ganhou o nome de Hospital de Arroios em 1911.

(in Jornal de Notícias).

Instantâneos quotidianos: o imenso adeus.

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«Adeus final ao Quarteto. Nem privados nem a autarquia salvaram uma sala mítica da capital» (Correio da Manhã, de 6/8/2010).

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Mataram o Mordomo.


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Fechou há uns meses, o «Mordomo», na Rua Doutor Gama Barros, à Avª de Roma. Serviu gerações, quase com 40 anos de vida - que agora morre. Com ele morre um pouco das nossas memórias.

Pelo regresso do 24!



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Não queremos estendais! Queremos sim o eléctrico 24 de volta ao Carmo!!!!

Abraço,

Rafael Santos

Adesivo tapa-buraco: o inacreditável acontece na Avª de Roma.


Emel, Emelda, Emelga.










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A Calçada do Marquês de Tancos está sem canal pedonal desde o início do ano devido às obras de iniciativa municipal que visam transformar o antigo Mercado do Chão do Loureiro em Silo de Estacionamento.

Do lado do antigo Mercado do Chão do Loureiro (propriedade Municipal) o passeio foi integralmente ocupado pelo estaleiro da obra da EMEL, enquanto que do lado do Palácio Tancos (propriedade Municipal) o passeio está cronicamente ocupado com estacionamento selvagem.

Desde 2004 que vários munícipes têm pedido a colocação de pilaretes neste arruamento mas até hoje nada foi feito para salvaguardar a mobilidade pedonal.

A situação atingiu uma gravidade inaceitável pois os peões não têm canal pedonal para circularem.

O Vereador da Mobilidade, Sr. Fernando Nunes da Silva e o Vereador do Ambiente Urbano, Sr. José Sá Fernandes já foram alertados para que resolvam este assunto com urgência, apurando responsabilidades por esta falta de consideração pelos direitos elementares dos peões.

Desde os primeiros alertas enviados à EMEL - em Abril de 2010 - ainda não se recebeu acusação de recepção nem qualquer tipo de esclarecimento.

A EMEL proclama num slogan «As pessoas em primeiro lugar» mas o que as imagens mostram é claramente «Os carros em primeiro lugar».

Fernando Jorge