quinta-feira, 24 de junho de 2010

A não perder. Sábado à noite, às 21h30, na Capela do Rato.



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Cada vez que lê o livro bíblico do Apocalipse, Luís Miguel Cintra percebe que está perante um texto "denso, complexíssimo, assustador, com uma visão terrível do juízo final". Apesar disso, o actor e encenador gosta de o ler: é "um dos textos mais discutidos de sempre e mete medo à própria Igreja". Razões para que Cintra vá no sábado à Capela do Rato, em Lisboa, ler o livro do Apocalipse, na íntegra. Às 21h30.
A ideia surgiu numa conversa com o responsável da capela, padre Tolentino Mendonça. "O Apocalipse tem subjacente uma enorme violência de fé e de paixão", diz Cintra ao P2.
Escrito à volta do ano 95, quando os cristãos eram perseguidos pelo imperador Domiciano, o último livro da Bíblia tem uma forte linguagem simbólica: anjos, elementos naturais enfurecidos, o antagonismo entre o dragão (símbolo do mal) e o cordeiro (Cristo). O número sete, número perfeito na tradição judaico-cristã (os sete dias da criação...), é referência permanente.
A carga simbólica "corresponde a uma fé gigantesca", diz Luís Miguel Cintra. "O que me prende é imaginar alguém capaz de escrever um texto destes. Não é o livro da Bíblia que mais me diz em termos religiosos, mas impressiona-me a atitude religiosa de quem o escreveu" - segundo a tradição, o apóstolo João, em Patmos, mas nada o confirma. "Impressiona-me também sabê-lo escrito numa ilha no meio do mar Egeu."
"Faz parte do texto sagrado, não me importa que haja zonas obscuras, temos que nos confrontar com ele", diz ainda Cintra.
A leitura terminará assim: "[Aos que escutam as palavras proféticas deste livro: Se alguém aumentar alguma coisa, Deus lhe aumentará os flagelos (...). Se alguém retirar palavras deste livro profético, Deus lhe retirará a parte que tem na árvore da vida (...). A graça do Senhor Jesus esteja com todos vós."
(Público)

Cães Danados.



















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Começou a demolição de um prédio que teve Fernando Pessoa como inquilino
Por Cláudia Sobral

Edifício na Avenida de Casal Ribeiro dará lugar a empreendimento de luxo. Directora da Casa Fernando Pessoa não se opõe mas diz que "isto prova que não estimamos o nosso património".
Degradação é tal, alega a empresa, que nem a fachada se vai conservar (Daniel Rocha)

É um prédio de gaveto devoluto, junto ao Largo de Dona Estefânia, com paredes de tijolos a barrar as antigas entradas. Depois de anos e anos de degradação crescente e de polémicas sobre uma eventual demolição, o edifício Arte Nova vai desaparecer, para dar lugar a um projecto de luxo com a assinatura da empresa Cáfe.

Diz-se que foi uma das inúmeras moradas de Fernando Pessoa - a tal Leitaria Alentejana onde, algures entre 1915 e 1916, o senhor Sengo ofereceu dormida ao poeta, num quarto exíguo, que por alguns tempos foi do criador do universo dos heterónimos pessoanos, segundo contou o primeiro biógrafo do poeta, João Gaspar Simões, em Vida e Obra de Fernando Pessoa.

As obras de demolição começaram há pouco - ontem ainda se montavam andaimes em torno do edifício - e deverão estar concluídas dentro de um mês, conforme avançou fonte da proprietária do prédio e responsável pela obra. No seu lugar vai nascer um totalmente novo, de oito andares, para habitação e comércio, no rés-do-chão. Imitará o estilo do antigo, mas será mais alto, à semelhança dos edifícios contíguos, como explicou um funcionário da empresa, que não quis ser identificado.

Nem a fachada se mantém

Segundo a mesma fonte, o prédio chegou a um ponto de degradação que torna impossível a sua recuperação: "O prédio não tem condições físicas para se manter. Nem sequer a fachada." A directora da Casa Fernando Pessoa, Inês Pedrosa, admite que, em certos casos, demolir os edifícios poderá ser a melhor solução. "Se está em degradação, se não está assinalado e se não há lá nada para ver, isto não me choca", afirmou. "Choca-me mais que os locais onde viveu e trabalhou Pessoa não estejam assinalados", acrescentou, adiantando ainda que o facto de ser construído um novo edifício no lugar do antigo não impede que o local seja assinalado como o lugar onde, em tempos, houve outro prédio onde terá vividoFernando Pessoa.

"Se não se pudesse mexer em cada casa onde viveu Fernando Pessoa, não se podia mexer em muitas casas de Lisboa", sublinhou, num gesto de compreensão. E explicou que a casa onde o poeta português viveu mais tempo está preservada, com o quarto tal qual como ele o deixou e com os seus objectos pessoais. "Mas claro que isto só prova que não estimamos o nosso património", rematou a directora da Casa Fernando Pessoa.

A polémica que envolve o prédio da esquina entre a Avenida de Casal Ribeiro e a Rua do Almirante Barroso arrasta-se há quase uma década. Passados nove anos desde que o primeiro pedido de demolição deu entrada na Câmara de Lisboa - recusado em 2003 - o n.º 1 da Avenida de Casal Ribeiro vai mesmo abaixo. Para a Cáfe, o problema dos entraves à destruição do edifício "já está resolvido". O PÚBLICO pediu informações à autarquia, mas não obteve resposta em tempo útil.

(in Público).

Na imagem, o conselho de administração da Gebalis.














Vereadora da Habitação de Lisboa admite extinguir empresa que gere bairros sociais
Por Ana Henriques
"Estranho que as pessoas responsáveis pelo estado a que a Gebalis chegou venham agora dizer que ela deve encerrar", observa presidente da Gebalis

A Câmara de Lisboa coloca a hipótese de extinguir a empresa municipal responsável pela gestão dos bairros sociais, a Gebalis, admitiu ontem a vereadora Helena Roseta."Pedi ao presidente da Gebalis que encomendasse um estudo rápido, por uma entidade externa, que analisasse os cenários futuros para a empresa, incluindo o cenário de extinção", contou a vereadora da Habitação à agência Lusa. As declarações de Helena Roseta surgem depois de o CDS-PP e o PSD terem defendido o fecho da empresa e a transferência das suas funções e dos seus funcionários para a autarquia. "A Gebalis desempenha uma missão dificílima, na linha da frente da emergência social e a câmara também tem de ter isso em consideração", acrescentou Roseta, que tutela esta área de intervenção. "A empresa deixou de se endividar, mas não conseguiu tapar o passivo acumulado durante os anos em que lhe eram acometidas responsabilidades de obras acima da sua capacidade. Com as dívidas de rendas acumuladas a situação agravou-se", frisou. O presidente da empresa, Luís Marques Santos, explica que o estudo que vai traçar o destino da empresa foi encomendado à consultora Ernst and Young e deverá estar pronto dentro de uma ou duas semanas. "Estranho que as pessoas responsáveis pelo estado a que a Gebalis chegou venham agora dizer que ela deve encerrar", observa. Há vários anos que a câmara se recusa a cobrir os prejuízos da empresa, como manda a lei. Pelas contas de Luís Marques Santos, o município deve à Gebalis qualquer coisa como 20 milhões de euros, relativos quer a esse tipo de compensação quer a contratos-programa que firmou com a empresa, mas que nunca pagou. Questionado sobre a possibilidade de extinção, o presidente da Gebalis responde: "Se o executivo [municipal] entender que a câmara desempenha melhor estas funções do que a Gebalis, com certeza." Em 2009, a empresa teve resultados negativos pelo sexto ano consecutivo, desta feita em 2,2 milhões de euros, tendo acumulado até hoje 18,3 milhões de euros de rendas por pagar. No final de Abril, mais de dez mil famílias deviam rendas à Gebalis, que gere um total de 23.399 fogos.
(in Público)

A morte saiu à rua?


















Coveiros de Lisboa admitem paralisar funerais
Cumpriram ontem uma hora de greve, mas avisam que “a luta não fica por aqui”
Luís Garcia
Os coveiros de Lisboa ameaçam suspender a realização de funerais caso não seja colocado mais pessoal nos cemitérios da cidade. Em causa está a dignidade dos serviços fúnebres e a saúde dos profissionais, que cumpriram ontem uma primeira paralisação.
Ontem, entre as 10 e as 11 horas, os coveiros pararam de trabalhar, num protesto ao qual aderiram 98% dos profissionais dos sete cemitérios da cidade, de acordo com Nuno Almeida, do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML). A contestação vai continuar, com intervenções agendadas para as próximas reuniões da Assembleia Municipal e da Câmara Municipal de Lisboa.
Ao JN, Nuno Almeida explica que, caso os trabalhadores não obtenham uma resposta por essa altura, os protestos deverão subir de tom. “A luta não pára aqui. Poderá mesmo passar pela não realização de funerais por um período mais alargado”, admite o sindicalista, de 32 anos, também ele trabalhador do cemitério de Benfica.
Isto apesar de os coveiros fazerem parte dos grupos profissionais obrigados a cumprir serviços mínimos em casos de greve. “Se deixarmos de conseguir assegurar o funcionamento dos cemitérios – e é para lá que caminhamos – não podemos cumprir serviços mínimos”, assevera Nuno Almeida.
A falta de pessoal está no centro dos protestos dos trabalhadores. Segundo Nuno Almeida, das 139 vagas para coveiros no quadro de pessoal da Câmara de Lisboa, 28 estão por preencher. E mesmo entre os 111 lugares ocupados, 22 elementos não prestam serviço total (devido a impedimentos de saúde, por exemplo) e 21 estão afectos aos fornos crematórios.
Ou seja, segundo o sindicalista, os sete cemitérios de Lisboa dispõem de “pouco mais de 60 % dos coveiros que lá deviam estar”, o que cria situações complicadas na gestão dos espaços. “No cemitério da Ajuda, há funcionários que não conseguem folgar ao fim-de-semana há quatro semanas porque não há quem os substitua. Ainda ontem [anteontem], havia quatro coveiros a assegurar todo o serviço”, alerta Nuno Almeida, lembrando que esse número é o necessário para pegar num único caixão.
Segundo o sindicalista, a falta de pessoal – que se deverá agravar durante as férias de Verão – está a “pôr em causa a dignidade do acto e a integridade física dos coveiros”. “Há uns tempos, só havia três trabalhadores para carregarem um caixão e um deles tropeçou num degrau e caiu. Situações destas vão-se repetir”, avisa.
Alberto Rodrigues, 61 anos, 31 dos quais a trabalhar no cemitério do Lumiar, sente na pele a falta de recursos humanos. ?As pessoas reformam-se, outras ficam doentes ou vão para a secretaria e ninguém é substituído?, diz o coveiro, que também se viu forçado a deixar as tarefas pesadas (como abrir valas ou transportar caixões) por motivos de saúde. ?De ano para ano, as coisas pioram. Cada vez há mais trabalho para menos gente?, queixa-se.
(Jornal de Notícias)

Sons de Sinos.


quarta-feira, 23 de junho de 2010

Da segunda lei da termodinâmica.

1) A Gebalis, empresa que gere os bairros municipais de Lisboa, não tem lucros desde 2003.
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2) Em 2009, oa sdministradores previam um saldo positivo de 100 mil euros. Tiveram um resultado negativo de 2,2 milhões de euros. «Imponderáveis», foi a justificação.
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3) Os administradores da Gebalis esperam ter lucros este ano. Alguém acredita? É preciso lata!

Terezín, de Daniel Blaufuks.


Contra o encerramento da Biblioteca Nacional!



















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Como é do conhecimento de alguns, a Biblioteca Nacional de Portugal irá encerrar por um período de dez meses durante o próximo ano, situação que comprometerá profundamente a vida profissional de muita gente.Pede-se que seguindo este link http://www.peticao.com.pt/encerramento-bnp leiam a petição contra o encerramento da Biblioteca Nacional de Portugal e a assinem caso concordem com ela. Pede-se também que a divulguem junto do maior número de pessoas possível.
Obrigado.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Macacos na Corte.


A Portuguesa.


Casa de Alcolena.


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Rua da Alcolena A casa onde Almada pintou o Amor
A italiana Barbara Aniello apaixonou-se por uma casa de Lisboa com características "muito difíceis de encontrar" noutro lugar da Europa. Tem painéis de azulejos de Almada Negreiros, e nasceu de um projecto de quatro amigos que nela quiseram materializar o mito de Psique e Eros. Hoje, afirma Aniello, a casa está em risco. Por Alexandra Prado Coelho

Há em Lisboa uma casa muito falada mas pouco conhecida. Chamam-lhe a Casa da Rua da Alcolena e por ela fizeram-se petições, lançaram-se apelos, indignaram-se estudiosos, arquitectos e simples cidadãos. A historiadora de arte e investigadora italiana Barbara Aniello veio para Portugal há cinco anos, apaixonou-se pela obra de Almada Negreiros, e pela Casa da Rua da Alcolena, situada no Restelo, em Lisboa. Escreveu um livro e espera que, se mais pessoas conhecerem a história desta casa, talvez ainda se possa salvar - possivelmente já não tudo, mas alguma coisa. A casa, do arquitecto António Varela, tem estado em obras de ampliação que, segundo Barbara Aniello e vários especialistas, a descaracterizam de forma irrecuperável. E não apenas por causa dos painéis de azulejos de Almada terem sido, por agora, parcialmente retirados. A casa é uma "obra de arte total", afirma Barbara Aniello (que chegou a ela através do seu trabalho de pós-doutoramento O Diálogo Interartes no Século XX em Portugal, no qual Almada é uma figura incontornável). Tocar nela é destruir aquele que foi o sonho de quatro amigos. "É difícil encontrar no âmbito europeu uma casa que reúna estas características", garante - e é isso que defende no e-bookA Casa da Rua da Alcolena - História, Mistério, Símbolo, que escreveu a partir de uma investigação que foi possível por ter ganho o primeiro prémio de apoio à edição do Serviço de Belas-Artes da Fundação Gulbenkian, e que, por vicissitudes várias, só conseguiu até agora editar na Internet (http://casadaruadealcolena.blogspot.com).Temos que recuar aos anos 50 para perceber como tudo começou. Para entrar no espírito do que foi este grupo de amigos o melhor será começar por uma imagem que Barbara Aniello reproduz no seu e-book e que mostra José Manuel Mota Gomes Fróis Ferrão, o proprietário da casa, sentado na biblioteca, com o seu cão, um fox terrier chamado Jagodes, ao colo. José Manuel, vestido de escuro, está sentado num sofá, em primeiro plano, e ao fundo vê-se o vitral Eros e Psique, da autoria de Almada, e que por razões técnicas terá sido retirado logo nos primeiros anos de existência da casa (pertence hoje ao Museu da Assembleia da República). "Era aqui que José Manuel se reunia com os seus amigos eleitos, os colaboradores da revista Eros, que ele escreveu e editou precisamente nos anos em que a casa era concebida", explica a investigadora, que ouviu algumas das memórias ligadas à Rua da Alcolena da filha do proprietário, Madalena Ferrão. É nessa representação de Eros e Psique do vitral de Almada que está, segundo Barbara Aniello, a chave para compreender toda a casa. Esta é "um conjunto de poesia, porque José Manuel era poeta, de pintura de Almada, escultura de António Paiva e arquitectura de António Varela". Até o jardim faz parte do projecto cúmplice dos quatro amigos. "O jardim, com as suas plantas, foi pensado a partir de uma ideia unitária: o mito de Eros e Psique. Toda a casa conta as metamorfoses de Psique à procura de Eros."A investigadora teve acesso a uma planta autografada de António Varela, que estava no espólio de Madalena Ferrão, e na qual ele "não só desenha o alçado, mas põe os nomes das plantas que iam decorar o jardim, segundo um circuito bem definido". Na leitura que Barbara faz, "Psique parte da dúvida, representada pelos oleandros, uma planta considerada venenosa desde a antiguidade que, por isso, está associada à dúvida". A bela filha do rei grego que acreditava estar casada com um monstro, e não sabia que o amante era o próprio Eros, não podia ver o rosto do marido. "Duvida se o ser que está amando é um monstro ou não porque não o pode ver, essa é a condição [para estarem juntos]."Obra de arte totalHavia ciprestes em dois pontos do percurso - relacionados com a morte e a imortalidade, os ciprestes marcam também momentos do percurso de Psique, que, depois de trair Eros, vendo-lhe o rosto, passa por uma série de provações até poder regressar novamente aos braços do amado. São estes, e ainda o alecrim-do-norte (a memória do amado), a magnólia (perseverança), e outras plantas que, ao longo do tempo, foram desaparecendo e que a investigadora defende que deviam ser "replantadas de acordo com o plano original". Mas de onde veio a ideia de José Manuel de fazer da casa uma "obra de arte total"? Barbara acredita que o ponto de partida possa ter sido um texto do filósofo luso-brasileiro Eudoro de Sousa chamado precisamente O Mito de Psique - Quem Vê Deus Morre, e que é dedicado a Almada Negreiros. "O texto é de 1949, a casa foi feita entre 1951 e 55, e é quase uma transposição literária, filosófica, figurativa e arquitectónica dessa leitura do mito feita por Eudoro de Sousa."Na altura, José Manuel, o dono da casa, tinha apenas 25 anos, e, segundo contou Madalena Ferrão a Barbara Aniello, "era fascinado" por Almada, que tinha então já 58. "Estranho proprietário este, homem de fortuna, vivendo com sua mãe, amigo do seu arquitecto e do seu escultor, e de Almada, em grandes frequências, autor de dez livros de poemas, entre 1944 e 1964, de limitadas tiragens e que se perderam bibliograficamente, sem registos de história ou de crítica que ao autor eram certamente indiferentes...", escreve José-Augusto França, descrevendo José Manuel, no prefácio que faz ao livro de Barbara Aniello. E prossegue: "Poeta precioso, num simbolismo esotérico, José Manuel (como assinava) dirigiu, ao mesmo tempo que fazia a sua casa, entre 1951 e 1958, quinze números de uma revista de pouco público também, Eros - que eu fui lendo na altura...". Segundo Barbara, é Almada "o motor" do projecto, e é provável que tenha sido ele também a influenciar Varela, o arquitecto, na altura com 48 anos. Mas Varela estaria já predisposto a um projecto deste tipo. O investigador Hugo Nazareth Fernandes, que tem estudado a obra do arquitecto, dedicou uma monografia à "família simbólica das arquitecturas de Varela", explica Barbara, e a casa da Rua da Alcolena "é a última destas obras, pertence à caixa fechada das casas simbólicas". 1+1=1A biblioteca era o centro. A investigadora nunca conseguiu visitar a casa por dentro, mas ouviu as descrições da filha de José Manuel e conhece-a pelas imagens que o fotógrafo Paulo Cintra fez do interior antes de ela ter sido vendida ao actual proprietário. No exterior dessa biblioteca, azulejos geométricos feitos por Almada desdobram-se por duas paredes como se fossem um livro aberto. E no interior, nas paredes negras, surgia, desenhada a branco, uma estrela de cinco pontas. Os onze painéis de azulejos em vários pontos exteriores da casa, todos eles de Almada, repetem o tema de Eros e Psique, do amor sob diferentes formas: Columbina e Arlequim, Maternidade e Paternidade, um par de circo, outro dançante, outro ainda, enlaçado, num barco chamado Eros. Primeiro separados, depois unidos. É a busca da unidade, numa soma mais filosófica do que aritmética. "O casal, diz Almada, resolve-se numa equação impossível: 1+1=1. O que é matematicamente absurdo é filosoficamente exacto e rigoroso."O que Barbara Aniello lamenta profundamente é que essa unidade que terá feito parte do projecto dos quatro amigos para a casa da Rua de Alcolena se perca com as obras que estão em curso desde Março. Apesar de os protestos públicos - denúncias dos herdeiros de Almada, da vereadora Helena Roseta e do presidente da Ordem dos Arquitectos, João Rodeia, recolha de assinaturas, petição à Câmara Municipal de Lisboa - terem permitido travar os planos para a demolição da casa (que tinham dado entrada na CML em Janeiro de 2009) e de a retirada dos painéis de azulejos ter sido embargada, a investigadora considera que o anexo que está a ser construído (um projecto do atelier do arquitecto Vasco Massapina) constitui um "horrível compromisso". A nova construção "não só anula a continuidade do jardim simbólico como apaga o calçado sudeste da casa, cancelando a sua perspectiva geométrica, o seu valor cúbico, a sua orientação metafórica" (virada a sudoeste, orientação "mítica e simbólica, que tem a ver com o Quinto Império e o destino mítico de Portugal"). Alguns dos azulejos de Almada que já tinham sido retirados estão à guarda do Museu da Cidade e deverão ser repostos - em frente da casa um grande cartaz anuncia que o projecto prevê "a reintegração e restauro dos painéis de Almada". "Mas não é suficiente", diz Barbara Aniello. O actual projecto de arquitectura "destrói completamente parte do jardim, o circuito mítico, o alçado sudoeste onde estão os azulejos, porque estes ficam em continuidade com uma casa que não tem nada a ver com o espírito modernista do edifício de Varela." O que a investigadora gostaria de ver nascer na Rua de Alcolena era um Centro de Estudos Permanente do Modernismo Português e de Almada Negreiros. Mas neste momento o sonho de José Manuel e dos amigos parece mais próximo dos versos escritos nos anos 50 por Fernando Guimarães num dos números da fugaz revista Eros: "Assim vais tu morrendo, lentamente,/Na incerta imagem de um vitral antigo/ Iluminado pelo sol poente...".
(in Público)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Publi-cidade: fim à vista?



















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Câmara quer proibir painéis publicitários com os quais tem lucrado ilegalmente
Por Ana Henriques
Autarquia fez orelhas moucas até agora aos acórdãos que dizem que não podem cobrar estas taxas, que o Supremo Tribunal Administrativo considera um imposto, num acórdão deste mês
A Câmara de Lisboa quer proibir a afixação de telas publicitárias nos prédios da cidade, negócio com o qual lucra de forma ilegal, há pelo menos década e meia. A inconstitucionalidade das taxas cobradas pela autarquia às empresas que afixam cartazes nas fachadas e empenas dos edifícios foi, uma vez mais, decretada este mês pelo Supremo Tribunal Administrativo, com base em vários acórdãos emitidos no passado pelo Tribunal Constitucional. Porém, à semelhança de outras autarquias do país, a Câmara de Lisboa sempre fez orelhas moucas à jurisprudência nesta matéria, continuando a exigir dinheiro pelo licenciamento das telas.O PÚBLICO perguntou à porta-voz do município as razões da sistemática violação da lei e quanto ganha anualmente a câmara com isso, mas não obteve qualquer resposta. Certo é que, em 2006, a cobrança de taxas publicitárias rendeu cinco milhões de euros aos cofres de Lisboa. Foi precisamente nesse ano que o executivo camarário colocou as primeiras restrições à publicidade de grandes formatos, de forma a reduzir o ruído visual. O vereador actualmente responsável pelo espaço público da cidade, José Sá Fernandes, quer ir mais longe, autorizando as telas publicitárias apenas nos edifícios que estejam em obras. As outras excepções serão os cartazes que promovem os imóveis a nível imobiliário ou que anunciam eventos ali realizados. Nem todos os operadores de publicidade criticam a medida. Vasco Perestrelo, da Multimédia Outdoors Portugal, pensa que a publicidade nas paredes cegas devia continuar a ser permitida, mas não acha chocante que a autarquia exerça um controlo firme. E a cobrança de dinheiro é uma forma de exercer controlo, diz. Os juízes das instâncias superiores têm entendido que, uma vez que as autarquias não prestam qualquer serviço aos operadores publicitários quando lhes licenciam cartazes em prédios particulares, não podem por isso pedir-lhes o pagamento de uma taxa. A mais recente sentença do Supremo Tribunal Administrativo diz respeito a uma empresa à qual a Câmara de Lisboa cobrou 4000 euros. "O tributo pela emissão de licença (...) não tem a natureza de taxa, devendo ser qualificado como um imposto", refere o acórdão. Como a criação de impostos "é da exclusiva competência da Assembleia da República, salvo autorização do Governo", as normas do regulamento de publicidade do município que criaram esta receita fiscal autárquica são "organicamente inconstitucionais".
(in Público)

domingo, 20 de junho de 2010

Lisboa: em último...

Aí está a lista MONOCLE das 25 cidades do mundo com melhor qualidade de vida - este ano Munique volta ao 1º lugar e Lisboa ainda se mantém na última posição...

http://www.monocle.com/specials/35_cities/


25 most liveable cities:

As you run your mouse over the Monocle list of top 25 cities, have you wondered why your hometown didn't make the cut? Each year we send researchers to urban centres that we've heard good things about, or that have been included in previous surveys, but in the end, do they really merit being named as one of the top 25 places to live in the world?

Sometimes it's crime that lets a place down. This year we headed to Chicago, for example, but when you see its murder rate - in 2009, 453 people were killed out of a population of 2.85 million (Tokyo with 13 million people had 179 murders) - it's hard to make it a winner.

Other times cities may be safe but lack other key ingredients. Take Düsseldorf where there were just two murders but which is missing the softer aspects that make a city work. Even a few more places open on a Sunday just to buy groceries would help.

We also put Hong Kong to the test. Here's a city we like so much we are opening a bureau there, but on our metrics test it misses out. Traffic congestion, air quality, housing and conservation all need attention.

In the end the cities that make the cut are not just OK, but places that are benchmarks for urban renaissance and rigorous reinvention in everything from environmental policy to transport.

Fernando Jorge

Arte Nova: o olhar do Ruin'Arte.


sábado, 19 de junho de 2010

Populismo ou realismo?














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Bairros sociais "não podem servir de abrigo a criminosos", diz vereador do CDS
Por Ana Henriques

Autarca quer saber quantas casas da Câmara de Lisboa estão atribuídas a presos. Helena Roseta diz que a lei está a ser cumprida e que há que olhar às famílias


Deve a Câmara de Lisboa permitir que pessoas que estão presas mantenham o direito às suas casas de renda social? Esta é uma das questões que o vereador do CDS-PP António Carlos Monteiro vai pôr à autarquia, depois de vários moradores dos bairros da Cruz Vermelha e do Casalinho da Ajuda terem sido recentemente detidos nas suas habitações pela PSP, por suspeita de tráfico de armas, tendo participado em tiroteios naqueles bairros. A vereadora da Habitação, Helena Roseta, já respondeu, dizendo que a câmara apenas cumpre o que está previsto na lei.

"Os bairros sociais da Câmara de Lisboa não podem servir de abrigo a criminosos", observa António Carlos Monteiro, recordando a extensa lista de pessoas carenciadas a aguardar vaga nos bairros sociais. "Alguns dos detidos já possuem antecedentes criminais, devido à prática de actos ilícitos com recurso a armas de fogo", salienta, referindo que a empresa municipal que gere estes bairros, a Gebalis, tem neste momento 18,3 milhões de euros de rendas em atraso, e 172 dos seus fogos ocupados abusivamente.

Em comunicado ontem divulgado, Helena Roseta explica que o despejo de habitações cedidas pela câmara está regulado pela Lei n.º 21/2001. Aquele só pode ocorrer caso se verifique o "não uso da habitação pelo ocupante por período superior a seis meses ou pelo agregado familiar por período superior a dois meses". Mas a lei estabelece ainda que o despejo não é permitido quando o não uso da habitação se verificar por um período inferior a dois anos e, cumulativamente, for motivado por detenção em estabelecimento prisional.

Helena Roseta acrescenta que a câmara ainda não foi informada das detenções a que o CDS se refere e que "não há decisão judicial a confirmá-las, além de que não passaram dois anos sobre os casos referidos".

O CDS quer saber quantas são as casas geridas pela Gebalis que estão atribuídas a presos preventivos ou a cumprir penas de prisão e se já houve fogos que foram retirados aos seus beneficiários por esse motivo ou se os apartamentos que estão atribuídos a detidos se mantêm vazios.

A esta questão, a vereadora responde que no seu mandato já foi retirada pelo menos uma casa por motivo de ausência relacionada com detenção superior a dois anos. No entanto, sublinha Helena Roseta, "a situação do agregado tem sempre de ser analisada", de modo a não penalizar toda a família pelo crime cometido por um dos seus membros, pelo que o seu gabinete "tem actuado de acordo com esse entendimento".

O vereador do CDS-PP vai também perguntar à autarquia por que é que as casas ocupadas ilegalmente ainda não foram despejadas e entregues "a quem tem verdadeiramente carências sociais", de acordo com os critérios do regulamento de atribuição de fogos em vigor.

"Que políticas de integração social existem por parte da câmara e da Gebalis para quem sai da cadeia e pretende regressar ao seu bairro?", prossegue António Carlos Monteiro. "Que medidas estão previstas para as famílias dessas pessoas, durante o tempo em que estão presas?" com Marisa Soares

(in Público).

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Escola EB1/JI Mestre Querubim Lapa




























Directora da Escola Mestre Querubim Lapa, Professora Nicha











Isabel, Rosa, Selma e Maria José







Santo António é a Professora Fernandinha






























Ahmado foi o ardina.

























Dino Fayade, Nuno Castelo-Branco e Rui Jorge















Dino Fayade, Mauro Miranda, Nuno Castelo-Branco e Rui Jorge


























Patricia Abreu
















Fonseca e o anel de fim de curso














Rafael e Raquel























Na despedida houve lágrimas... Ainda bem! Quer dizer que a escola não foi só números e letras.










Mais um que vai abaixo?






















O belo imóvel na Rua Rosa Araújo, 16 torneja Rua Mouzinho da Silveira está em risco de ser demolido. Iremos perder mais um vizinho do Jardim Botânico?


O processo 2028/EDI/2007, que consubstancia um projecto de ampliação ainda em apreciação pela CML, prevê a demolição integral do miolo, a ampliação de 2 andares e a construção de caves para estacionamento. A proposta prevê a instalação de 2 lojas no piso térreo, 29 fogos e 44 lugares de estacionamento em cave.


Mais um projecto que vai contra a ideia de uma cidade sustentável (44 lugares de estacionamento num arruamemto que já foi impermeabilizado para a construção de um parque de estacionamento público!). É também mais um atentado ao património arquitectónico do antigo Bairro Barata Salgueiro, nosso vizinho.


O promotor é a Imonormandia - Soc. Imobiliária, Lda.

Após Vistoria Patrimonial da CML (Outubro de 2007), o edifício foi dado como recuperável pelos técnicos. As conclusões do parecer apontavam no sentido de preservação do edifício. Era admitida a possibilidade de alterações pontuais do interior, desde que não fosse posta em causa a integridade construtiva, arquitectónica e decorativa do edifício. Também se equacionava uma ampliação controlada da volumetria, através de uma alteração do desenho da cobertura.

Lamentavelmente, um parecer anterior do IGESPAR (Julho de 2006), considerou os interiores do imóvel banais, aceitando a demolição dos interiores e a manutenção da sua fachada.


Entretanto, o imóvel foi deliberadamente abandonado pelo promotor pelo que passados 3 anos é fácil de prever uma maior degradação dos elementos construtivos e decorativos interiores.

Após consulta ao PUALZE, verificamos que se classifica este edifício como "Bem Patrimonial de Referência" sendo permitida apenas obras de reabilitação e ampliação com a possibilidade de se aumentarem 2 pisos nos edifícios que possuem 4 ou 5 pisos acima do solo.


Em 2010 este belo prédio de rendimento faz 100 anos. Foi concluído em 1910, conforme se pode verificar num tímpano que remata a fachada (ver fotos). Seria uma lamentável coincidência ver a demolição deste imóvel precisamente no ano do seu centenário. A LAJB solicita a todos os vereadores da CML a salvaguarda desta notável obra de arquitectura da cidade.

(no blogue «Amigos do Botânico»)

O Jogo da Política.


12 anos depois...



Uma placa a assinalar o caminho para a Expo 98. Não acabou já a Expo? O desleixo, pelos vistos, continua (imagem de Zé Quitoles).

Povo, na Fundação EDP.






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POVOpeople
19 JUNHO a 19 SETEMBRO 2010
Aberto todos os dias das 10h às 18h
Sábados até às 20h
Entrada livre




A Fundação EDP associa-se às comemorações do Centenário da República com a exposição internacional POVOpeople. A pergunta, «O que é o povo?» serviu de linha orientadora a esta exposição que propõe ao público/povo de hoje várias respostas possíveis através de uma nova reflexão visual, estética, simbólica, sociológica e política sobre a génese e a evolução do conceito de POVO.

o povo é sereno; o povo é quem mais ordena; ganharás o pão com o suor do teu rosto; casas do povo; se isto não é o povo, onde é que está o povo? ; queres fiado, toma… são alguns dos slogans e dizeres que grafitam os espaços do Museu da Electricidade, nos quais se exploram arquivos de som e de imagem, obras de pintura, escultura, desenho, fotografia, vídeo e cinema, textos literários, memórias e testemunhos populares e eruditos. Através do recurso a novas tecnologias, a exposição assume as características de uma «instalação» em permanente interactividade com o PÚBLICO – POVO. A Kameraphoto, colectivo de fotógrafos independentes, foi convidada a criar um mural dinâmico de fotografia.

POVOpeople oferece enquadramento para um projecto editorial, em parceria com a Tinta da China Edições, que se traduz no lançamento de três livros:

– Como se faz um povo Ensaios originais de investigadores portugueses acerca das práticas e representações populares, com apresentação de José Neves.

– A política dos muitos Antologia de textos teóricos de autores universais sobre os temas dos sujeitos colectivos (do POVO às «massas», entre outros).

– O que é o povo? Respondem… depoimentos de artistas, políticos, empresários, gestores, jornalistas e desportistas a propósito do conceito de POVO. À pergunta colocada respondem, entre outros, Aníbal Cavaco Silva, Frei Bento Domingos, Eduardo Lourenço, Jorge Sampaio, Marcelo Rebelo de Sousa, Mário Soares, Paulo Teixeira Pinto, Vasco Graça Moura. Para além dos 40 depoimentos recolhidos, esta publicação contará com a participação de conceituados ilustradores. São eles Alice Geirinhas, João Fonte Santa, Henrique Cayatte, Luís Afonso e Cristina Sampaio.

A equipa de comissários reúne José Manuel dos Santos, Director Cultural da Fundação EDP (coordenação), José Neves, investigador do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa (comissariado científico), Diana Andringa (comissária para o audiovisual), e João Pinharanda, historiador e crítico de arte (comissariado artístico).