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domingo, 15 de março de 2009

A gente vai levando.


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Lembram-se da música do Chico Buarque e do Caetano Veloso? «A gente vai levando»...
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Há uns anos, inauguraram esta estrutura em Sete Rios, frente ao Jardim Zoológico. Diziam - lembram-se? - que o desenho pretendia imitar o estilo «déco» do Jardim e, na forma, as palmeiras, evocativas das longínquas paragens de onde vinha a bicharada.
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A bicharada, pelos vistos, estava mesmo aqui. Foram partindo os vidros, o ferro enferrujou, a estrutura empenou, grafitaram aquilo, usaram os recantos como mictórios.
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Não sei se a teoria da «janela partida» ou se a gestão do «mayor» Giuliani foram um sucesso. Mas sei que parece fazer sentido: as coisas vão-se degradando aos poucos. Nós, aceitamos. Num dia, é só um vidro. Noutro, mais um estilhaço. Depois, um «tag». De seguida, um grafito mais composto. No final, custa mais recuperar do que deitar tudo abaixo. É o que de melhor têm a fazer aqui: deitem tudo abaixo. Até por razões de segurança (com a Estação Intermodal do Campo Grande vai suceder o mesmo, acreditem). No fim de contas (e, já agora, falando em contas...), no fim de contas, dizia, esta coisa também de pouco serviu.
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Nós já tínhamos falado desta coisa. Mas voltamos a maçar a atenção dos leitores.
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Sete Rios.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Anita na Intermodal.



A Anita, o Pedro e o Pantufa foram passear à Estação Intermodal do Campo Grande. «Tenham cuidado com as seringas, meninos!», avisou a mãe da Anita.



- Pedro, Aquilo lá em cima parece um colchão. Será um colchão de espuma?



- Anita, não sejas parva! Como é que os responsáveis por esta Estação Intermodal lá iriam deixar estar um colchão? Tu tens cada uma, Anita... Pareces que vives no mundo das crianças.



De repente, o Pantufa fugiu por entre os cartazes de videntes e lança-búzios. E agora, onde estará o cãozito felpudo da Anita e do Pedro? Anita e Pedro começaram a ficar preocupados. «Deixa estar, Anita, que os seguranças da Intermodal são muito eficientes», disse o Pedro, para tranquilizar a Anita.



- O Pantufa terá ido órinar atrás deste poste, Pedro? - perguntou a Anita, muito assustada.



- Talvez, Anita, não te preocupes. Estamos na estação de transportes mais moderna de Lisboa. Agarra uma calma, miúda. As aventuras com esta garina são sempre um ganda stress.



Do Pantufa, nem sinais de vida...



- Olha, Pedro, um buraco no tecto, uma tira de espuma... que giro, não achas?



- Não, giro, giro é o «design» desta coisa toda. Ultramoderno, sofisticado. Que grande aventura esta, não achas, Anita? Não curtíamos tanto desde o «Anita no Bosque». Lembras-te?



- Pantufa, estás aí?, perguntava a Anita. Anita já tinha protagonizado «Anita na Meia Laranja» e sabia que a vida, às vezes, era madrasta para os mais pequenos. O Coelho Jorge, por exemplo, era uma vítima constante dos meninos que lançavam movimentos e petições contra ele.


- Pantufa, diz qualquer coisa!



- Ó Pantufa, meu malandro, não me digas que te foste meter no meio do lixo!



- Pedro, larga o «spray» de tinta! Não é hora de grafitar! Temos de encontrar o Pantufa!



- Ele deve sentir-se perdido no meio de tanto grafito, disse o Pedro. O Pedro também já estava a ficar preocupado com o Pantufa.




Afinal, todos começavam a perder a confiança no modernismo da Estação Intermodal e na eficácia dos seus seguranças.




- Anita, se encontrarmos o Pantufa faço uma loucura! Olha, voto no Costa!



- Estás a ver, eu não te dizia que havia aqui colchões? Montes deles! Bem enroladinhos, como as ganzas que só tu sabes fazer.




- E se pedíssemos uma pizza, Anita? Esta aventura na Intermodal abriu-me o apetite. Pedro era muito guloso. Viu uma caixa da Telepizza e ficou cheio de fome.




- Não, Pedro, vamos embora, aqui cheira muito a chichi, como os senhores leitores do Lisboa SOS podem confirmar se cá vierem.



- Anita, deixa-me apagar o cigarro. Tenho que largar o vício...



- Olha, Anita, eu trouxe preservativos cor de rosa... E se a gente deixasse o Pantufa dar uma volta? Ele não se perde, Anita. Vou buscar o colchão para brincarmos à «Anita no Salão Erótico». Esta Intermodal é muita fixe.
(Continua)

sábado, 4 de outubro de 2008

Museu Pós-Industrial de Arquitectura Apocalíptica.

Depois do Museu Berardo e do Museu do Oriente, Lisboa está de novo nos roteiros artísticos internacionais.
O pólo do Campo Grande do Museu Pós-Industrial de Arquitectura Apocalíptica (MiuPIAA) é um espaço museológico exemplar. Conhecido como «Estação Intermodal» do Campo Grande, o museu é usado diariamente por milhares de pessoas.

«Usado» é o termo certo, pois o princípio conceptual do museu assenta numa dinâmica interpessoal em que as barreiras convencionais entre «artista/ produtor» e «espectador/ consumidor» são subvertidas.

O visitante é convidado a deixar a sua marca crítica no espaço arquitectónico do museu, desmistificando a noção académica e passadista de «conservação».

Ao visitante é conferida a possibilidade de «agir» sobre o espaço. O objectivo é a reunificação do Homem «cidadão» e do Homem «arquitecto».

O Museu Pós-Industrial de Arquitectura Apocalíptica aposta num «mecenato inteligente de valor diferenciado» (cf. MELRO, Alexandre, Amanhã Hoje. Vila Nova de Famalicão: doimprovável, 2008). Assim, empresas como a Cemusa e a Dior participam na interpretação do devir histórico.
Conceitos como «indústria», «produção», «consumo» são justapostos a exibições pungentes de degradação.

De forma arrojada e inovadora, o lixo e o ácido úrico limitam tacitamente o percurso do visitante.


A desolação dos edifícios abandonados...


... e a escala dos vãos abertos interpelam espiritualmente o espectador, convidando-o à contemplação.

Os «néons» reificam (sem, todavia, legitimar) a juventude perdida nos salões de jogos.


As janelas abertas, porém gradeadas, são monumentos às oportunidades que, estando ao alcance da mão, nunca são concretizadas. Ou, como lembrou Camões, «Tra la spica e la man qual muro he messo».

Finalmente, uma nota de apreço pela memória histórica do MiuPIAA que, num gesto de humildade, presta homenagem ao seu congénere do Parque do Monteiro-Mor: o Museu Nacional do Traje.