sábado, 31 de março de 2012

Petiscos, iscas e tragédia na taberna.







Petiscos, iscas e tragédia na taberna


Por Maria Espírito Santo

Recuperar a taberna em Lisboa é o objectivo. Há queijos, enchidos e até tripas aos molhos na casa que guarda Eça nas entre linhas



Não há reservas: é chegar e procurar lugar vago – não fosse esta uma taberna à antiga. Ou então ir ao balcão para beber um copo sem esquecer as compotas e o azeite que falta lá em casa ou ainda a refeição que é pegar e largar. A Taberna da Rua das Flores, perto do Largo Camões, em Lisboa, é o novo espaço da velha guarda que faz questão de fazer tudo como noutros tempos.

“Quando as pessoas dizem ‘iscas só como as que a minha avó faz’, então pode comê-las aqui”, garante Bárbara Matos. Foi com Adriano Jordão e André Magalhães (do restaurante “Clube dos Jornalistas”) que fundou o restaurante/mercearia que faz agora um mês de portas abertas no número 103 da Rua das Flores. Há pratos para aconchegar bem o estômago ao almoço, vinho e cerveja exclusivos para acompanhar e queijinhos e enchidos para petiscar durante a tarde até à noite. As iscas e a meia desfeita são as estrelas do quadro de ardósia, encostado à porta de entrada. Mas também há outros exclusivos como as tripas à moda do Porto, prato incluído por Bárbara, com direito geográfico sobre a matéria.

Tanto no prato como nos mostruários só há produtos artesanais de pequenos produtores, coisas que dificilmente encontrará noutro lugar. Serve de exemplo a marca Granja dos Moinhos com compotas, queijos e até pesto artesanal. “É um projecto agrícola que pertence a um movimento slow-food. Faz produtos em regime biológico, tem o único chévre queijo cabra feito em Portugal artesanalmente”, explica André Magalhães. Nos pequenos armários pregados nas paredes também se destacam as garrafas ilustradas com um retrato antigo. O azeite Angélica é outro produto com história, de um jornalista que herdou um olival da avó e decidiu homenageá-la no azeite que agora comercializa. Nas prateleiras juntam-se também conservas, as sardinhas enlatadas Luças e o bacalhau Naval. Para beber os vinhos da região de Lisboa são os preferidos ou ainda outras novidades, como a cerveja artesanal Sovina.

Além das iscas e da meia desfeita, há sempre pratos novos com produtos do dia, como o peixe fresco. As refeições que se servem à hora de almoço estão na média dos seis euros enquanto que uma tábua de queijos ou enchidos para petiscar – onde não falta o pão fresco de Avintes – chega aos seis e meio.

Se já é tarde e quer algo mais prático, há solução que sirva a vontade a fazer jus à casa. Chama-se miomba e é coisa típica de taberna. “É um bife, carne do cachaço cortado muito fininho com bastante molho” satisfaz a curiosidade André Magalhães ao aproxima-se do largo tacho e mergulhar a concha no molho vermelho. A carne vai para dentro do pão e este para uma caixa de cartão recheada de batatas fritas: por quatro euros se faz uma refeição rápida pronta para levar. Para escorregar melhor um copo de vinho ou cerveja podem ajudar, ambos a um euro e meio.

a rua da tragédia Já foi uma barbearia, há mais de 50 anos, entretanto um depósito de uma farmácia. “Isto estava tudo forrado a prateleiras de madeira antiga e nós reconvertemos em móveis, balcões”, explica André Magalhães sobre a renovação que arrancou em Setembro passado.

Hoje, arrastar um banco de madeira e beber um copo de vinho ao som de acordes da guitarra portuguesa é sensação familiar em casa nova. A tragédia só cabe mesmo no nome. Exposto num mostruário está a primeira edição da “Tragédia da Rua das Flores”. A obra de Eça de Queiroz foi a inspiração para o nome da casa, também ela presa noutro século mas a servir bem neste.

Rua das Flores nº 103; de terça a sábado das 12h às 24h (por motivos logísticos a taberna está temporariamente fechada entre as 15h30 e as 18h30
jornal «i»

quarta-feira, 28 de março de 2012

Cartier em Lisboa




A marca CARTIER em mais um filme: “L’Odyssée”, dirigido por Bruno Aveillan, um dos realizadores publicitários mais conceituados a nível internacional, esta odisseia da Cartier propõe uma verdadeira viagem ao universo da marca, à sua história, aos seus valores e inspirações, aos seus símbolos e à sua dimensão artística e universal. Não bastam as palavras...




Dez anos depois da inauguração, a Cartier encerrou em Junho de 2009 a única loja que detinha em Portugal, no Chiado. Agora a joalharia Cartier, que encerrou em 2009 a loja que tinha no Chiado, irá reabrir em 2013 em Lisboa, desta vez na Avenida da Liberdade.





Não é apenas mais uma loja é uma "marca" da cultura europeia na Avenida da Liberdade em Lisboa.
Entre o sonho e a realidade

Chapéus, há muitos!

Terreiro do Paço vai ter 77 chapéus-de-sol com luz, som e aquecimento



"Todavia, na memória descritiva do projecto, apresentado em Dezembro de 2011, é dito que "a instalação de uma esplanada equipada" seria "totalmente reversível", o que não é o caso. Já na ala oposta, poente, as primeira esplanadas afectas a dois estabelecimentos são sombreadas por chapéus amovíveis que são recolocados de acordo com o horário solar. Também aquelas já dispõem de sistema áudio, mas portátil."

Por Carlos Filipe in Público

O piso da ala nascente da praça foi levantado para a construção de sapatas em betão e instalação de infra-estruturas eléctricas

O piso em laje da ala nascente do Terreiro do Paço, em Lisboa, está novamente a ser levantado para a construção de infra-estruturas de fixação e apoio de 77 grandes chapéus-de-sol que hão-de cobrir as 304 mesas das cinco novas esplanadas dos serviços de restauração e eventos para ali concessionados. Chapéus que não se limitam a fazer sombra, pois estarão também equipados com sistemas incorporados de som e de aquecimento.
Enquanto decorrem os trabalhos de requalificação viária do troço entre as Ruas do Arsenal e da Alfândega, no topo norte da praça - a par da instalação do novo sistema de iluminação pública e mobiliário urbano de apoio aos abrigos dos transportes públicos -, que deverão estar concluídos em Junho, também o piso da ala nascente (do lado do Ministério das Finanças) deverá ser totalmente reposto até ao início do Verão.
Desta vez, o motivo do levantamento das lajes tem a ver com a construção de infra-estruturas de suporte de oito fileiras de chapéus-de-sol para serviço das esplanadas. E ao mesmo tempo que foram colocadas sapatas de betão armado para fixação dos chapéus, abriram-se roços para os cabos eléctricos.
Segundo informação da Associação de Turismo de Lisboa (ATL), gestora e concessionária dos pisos térreos daquela ala nascente, a primeira fase dos trabalhos deverá ficar concluída no final da próxima semana, prevendo-se que a totalidade das obras esteja concluída em Junho.
Sobre a necessidade de remoção das lajes no espaço público e já fronteiro à placa central, explica aquela entidade que, "para evitar que os guarda-sóis das esplanadas tenham bases exteriores, bem como para que possam ter iluminação, aquecimento e som incorporado, sem colocação de equipamentos nem passagem exterior de fios, optou-se por colocar as bases enterradas, fazendo passar por elas as tubagens necessárias para aqueles efeitos".
Ao pedido de esclarecimento do PÚBLICO, a informação escrita da ATL responde ainda que após os trabalhos as lajes serão recolocadas sem que sejam danificadas.

Longa fileira

A disposição e a dimensão das cinco esplanadas fará com que o espaço fronteiro às arcadas da ala seja praticamente todo preenchido por 304 mesas, com capacidade para acolher 1216 pessoas, mesmo até ao início do torreão. Apenas duas abertas se notam no projecto - uma para o espaço de florista (também dotado de chapéu-de-sol), outra diante do futuro Lisbon Story Centre, o Centro de Interpretação da Baixa Pombalina.
Todavia, na memória descritiva do projecto, apresentado em Dezembro de 2011, é dito que "a instalação de uma esplanada equipada" seria "totalmente reversível", o que não é o caso. Já na ala oposta, poente, as primeira esplanadas afectas a dois estabelecimentos são sombreadas por chapéus amovíveis que são recolocados de acordo com o horário solar. Também aquelas já dispõem de sistema áudio, mas portátil.
As esplanadas, que só deverão abrir em 2013, como anunciou em Junho o presidente da ATL, Vítor Costa, darão apoio à actividade de cinco estabelecimentos de restauração e bebidas (uma cervejaria, um restaurante, dois cafés e um bar), com uma área total de implantação superior a 5100 m2 nos pisos térreo e sobreloja, e que terão como equipamento-âncora o Lisbon Story Centre, com mais de 2000 m2.
Fazem ainda parte do equipamento de atracção turística da zona uma loja de flores, um espaço dedicado às artes do espectáculo, um espaço comercial/show-room, que engloba as instalações sanitárias destinadas ao público.
O edifício do torreão que remata a ala nascente não foi desafectado do Ministério das Finanças, mas apenas o seu piso térreo, que será uma espécie de sala de visitas da cidade, dedicada a eventos e exposições.

terça-feira, 27 de março de 2012

Crime.







Luz oitocentista do Terreiro do Paço vai ser apagada


Por Carlos Filipe in Público

Obras de requalificação do topo norte prevê a substituição das antigas colunas de iluminação de inspiração parisiense

As seis colunas oitocentistas de iluminação pública que ainda resistem no topo norte do Terreiro do Paço serão em breve substituídas pelos altos postes iguais aos que já pontuam as laterais da placa central, abate que está gerar protestos de grupos de cidadãos, que em carta dirigida ao presidente da Câmara de Lisboa pediram que sejam preservados.

Os trabalhos em curso naquele espaço, iniciados em 20 de Fevereiro, para conclusão da requalificação do espaço público do Terreiro do Paço - essencialmente o rearranjo dos pavimentos da ligação entre as ruas do Arsenal e da Alfândega -, prevêem também a remodelação da iluminação pública e do mobiliário urbano. Segundo os serviços de comunicação camarária, aqueles trabalhos ficarão concluídos em Junho próximo.
A colocação das novas colunas de iluminação, de estética nada consensual, ditos "periscópios" na blogosfera, foi decidida pela Sociedade FrenteTejo, entretanto extinta, a quem foi confiada a requalificação da frente ribeirinha de Lisboa, projecto que mereceu a aprovação do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico.
Na carta dirigida a António Costa, os signatários, do grupo Fórum Cidadania Lx, defendem o interesse histórico e estético daquele tipo de luminárias pública que correm o risco de desaparecer, datadas de finais dos anos 80 e inícios de 90 do séc. XIX, de inspiração parisiense, e que, segundo os críticos, deveriam ser recuperadas e preservadas.
O modelo, diz o grupo que contesta a sua substituição, está referenciado em literatura dedicada a Lisboa, semelhante a muitos outros ainda existente em alguma praças europeias, e é considerado mais ajustado a territórios históricos consolidados do que as peças contemporâneas que lhes tomam o lugar.
Aqueles históricos candeeiros mantêm-se no topo norte do Terreiro do Paço, nas laterais da placa central, diante do café Martinho da Arcada e do Ministério da Administração Interna, e nos bordos do Cais das Colunas.

Terça feira




É terça feira, Feira da Ladra











segunda-feira, 26 de março de 2012

Viva a Voz!







Património
A Voz do Operário vai ser classificada como monumento
Por Ana Henriques

A Voz do Operário fica no bairro da Graça


A sede de A Voz do Operário, em Lisboa, vai ser classificada como monumento de interesse público. A abertura do processo remonta a 1986, altura em que a então deputada comunista Maria Santos entregou uma petição ao Instituto Português do Património Cultural para que o imóvel localizado entre a Graça e a Feira da Ladra fosse protegido.

"O edifício projectado em 1912, da autoria do arquitecto Norte Júnior, é um interessante exemplar do início do século XX em que o ferro é utilizado como novo material de construção", refere um parecer do conselho consultivo do instituto. O mesmo documento dá conta de como a funcionalidade do edifício se alia a uma certa monumentalidade, visível na grande escadaria interior e no salão nobre, numa "intencionalidade política de elevar o carácter social e assistencial da arquitectura, numa altura em que o operariado começava a movimentar-se com alguma expressão". Apesar de todas as obras interiores que foi sofrendo ao longo das décadas, o mesmo organismo considera que A Voz do Operário não perdeu a sua identidade original, razão pela qual continua a justificar-se a sua classificação. Outro parecer do Instituto do Património (Igespar) destaca a "ousadia" e o "carácter inovador" da construção, considerada "uma obra notável de grande qualidade e referência no panorama português". Mas não só: "Para além do valor cultural inerente ao próprio edifício, acresce o facto de ser um lugar de memória da vida cultural e associativa e de se manter em actividade".

Vila Sousa caducou

Rodeiam A Voz do Operário vários outros edifícios de grande interesse histórico e arquitectónico. Entre eles contam-se a Igreja de S. Vicente de Fora e o antigo Convento das Mónicas, que um dos técnicos que se debruçou sobre esta zona da cidade entende dever ser "objecto de atento cuidado e preservação", até porque ainda não está classificado. Tanto a igreja, que é monumento nacional, como o convento serão inseridos na zona especial de protecção da Voz do Operário, o que significa que qualquer obra a desenvolver neste perímetro terá de ser objecto de aprovação prévia do Igespar. O mesmo técnico chama a atenção para a existência de importantes exemplos de arquitectura operária nas imediações, como é o caso da Vila Sousa - já sem protecção legal por o respectivo processo de classificação ter caducado, refere a página oficial do instituto na Internet - ou a Vila Berta.

Entretanto, muitos imóveis em vias de classificação correm o risco de perder também a protecção legal, graças a uma moratória que estabelece o final deste ano como o final do prazo para que os seus processos sejam concluídos. Segundo informações fornecidas pelo Igespar, "estão por concluir 567 procedimentos, 215 dos quais se encontram à espera de audiência dos interessados."



Público

Os candeeiros do Terreiro do Paço.







Exmo. Senhor
Presidente da Câmara Municipal de Lisboa,
Dr. António Costa


Como é do conhecimento de V. Exa., tem sido causa deste Movimento a defesa e a manutenção do "mobiliário urbano" de época, em especial dos candeeiros que fazem parte da História da cidade mas que, paulatinamente, têm vindo a ser abatidos e substituídos pelos serviços da CML ao longo do tempo, com particular ênfase na última década.

No presente, preocupa-nos bastante o abate iminente das colunas de iluminação do topo Norte do Terreiro do Paço (foto em anexo), no seguimento da empreitada de requalificação do espaço público a decorrer naquela praça.

Vimos chamar a atenção de V. Exa. para o seguinte:

Aquela meia dúzia de candeeiros é, na realidade, "apenas" o que resta das colunas de iluminação fabricadas em finais de 80, princípios de 90, do século XIX, provalvelmente ainda para iluminação a gás. São colunas inspiradas no modelo parisiense e originalmente teriam uma lanterna a encimá-los, que seria substituída por um globo translúcido, modelo conhecido por "nabo", no final dos anos 20 do século passado. (fonte: "As Praças Reais", Livros Horizonte, 2008). Este modelo apenas aparece nesta praça de Lisboa, o que por si só é paradigmático do seu valor e carácter de excepção. Em França, nomeadamente em Paris, este tipo de mobiliário é acarinhado e preservado nas grandes praças reais. Porque não fazemos isso em Lisboa? Porque insistimos em impor peças contemporâneas em contextos históricos consolidados?

Daí que consideremos o abate das 6 colunas de iluminação de finais de Oitocentos, a verificar-se, uma perda irreparável na estética e história da praça mais emblemática da cidade e do país, perdendo-se, inclusive, a preocupação de simetria com que foram ali colocados em sintonia com o conjunto de candeeiros que bordejam o Cais das Colunas.

Apelamos, portanto, a V. Exa., para que interceda junto dos Serviços a fim de ser garantida a manutenção in situ dos referidos candeeiros!
E que se estude o regresso dos candeeiros entretanto abatidos em 2010!

Na expectativa, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos.


Luís Marques da Silva, António Branco Almeida, Fernando Jorge, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Nuno Caiado, Jorge Pinto, Alexandre M.Cruz, Rui C. Dias, João Leonardo, José Soares, Irene Santos, Carlos Matos

Centro Comercial Saldanha.

Padrão dos Descobrimentos.



Belém.

domingo, 25 de março de 2012

sábado, 24 de março de 2012

Espelho de Água.




































Belém.

Monstra - Festival de Animação de Lisboa


Fritz the Cat no Cinema City Alvalade dia 25 de Março




Monstra - Festival de Animação de Lisboa 2012

Game On.





GAME ON, a maior exposição de videojogos do mundo chega a Lisboa


De 22 de março a 15 de julho de 2012, o Museu de Arte Popular será o palco mundial dos videojogos, com a apresentação de Game On, uma exposição produzida pelo prestigiado Barbican Centre, que dá a conhecer a história, cultura e futuro dos videojogos do século XX e XXI.

Produzida, em Portugal, pela empresa Mercado da Cultura, através da sua marca Artstation e em colaboração com o Museu de Arte Popular, Game On é um evento único, quer pela presença de peças de coleções privadas, não acessíveis ao grande público, quer pela oportunidade de os visitantes poderem jogar mais de 120 videojogos e arcadas, bem como participar nas atividades paralelas e, ainda, conhecer a exposição interativa de jogos tradicionais portugueses.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Lisboa medieval: Santa Catarina.
















Santa Catarina. É preocupante tanta falta de civismo nas ruas de Lisboa: graffitis e deposição selvagem de resíduos nos passeios logo pela manhã, como revelam as imagens. Todos estes sacos de plástico comuns, cheios de lixo, constituem focos de insalubridade inaceitáveis (muitas vezes os gatos abrem os sacos e espalham o seu conteúdo). E depois, ainda as esquinas dos edifícios conspurcadas de rabiscos sem sentido.
Fernando Jorge


SOS Cinema Europa.







SOS Cinema Europa. O cinema foi abaixo, mas Campo de Ourique must go on
Por Clara Silva,
O movimento pela existência de um espaço cultural do bairro lisboeta criou uma programação para o fim de semana e até o mercado se vai transformar em discoteca


Amanhã o after-hours das discotecas de Lisboa não é no Bairro Alto. Muito menos nas Docas ou no Cais do Sodré. A partir das 10h30 da manhã e até à uma da tarde, o after é no Mercado de Campo de Ourique. Isso mesmo, leu bem. A ideia é do movimento SOS Cinema Europa que desde 2005 luta pela existência de um espaço cultural neste bairro de Lisboa. À falta de espaço, porque ainda não o tem, vai ocupar no fim de semana vários sítios públicos de Campo de Ourique, do Jardim da Parada ao mercado, “para mostrar como o bairro precisa mesmo de um sítio cultural e consegue organizar uma programação deste género”.

Tudo começou em 2005, depois de uma notícia do “Público”, que dava conta da demolição do lendário Cinema Europa, construído nos anos 30, onde se chegaram a gravar muitos programas de televisão. “Na altura, dois amigos, o António e a Inês, decidiram imprimir a notícia em folhas A4 e colar cartazes na fachada do cinema”, conta José Albuquerque, um dos voluntários do “núcleo duro”, como lhe chama, do movimento SOS Cinema Europa. “O António telefonou-me e fomos telefonando a outros amigos do bairro e marcámos encontro num banco de jardim nesse domingo para impedir a demolição do cinema.” Do banco do jardim, as reuniões depressa passaram para auditórios e salas da junta de freguesia e começaram-se a distribuir panfletos e a recolher assinaturas para um abaixo assinado.

Passaram-se cinco anos até que, em Janeiro de 2010, o orçamento participativo da Câmara, votado por 400 pessoas, decidia que Campo de Ourique teria direito a um espaço cultural, mas que o cinema seria demolido – as obras começaram há um ano e prevê-se que estejam prontas no Verão de 2013. “Vai ser construído um condomínio de luxo, mas o piso térreo vai ter uma mediateca e duas salas polivalentes para actividades culturais”, explica José.

João Afonso é um dos músicos moradores do Bairro que anseia “lançar um disco acústico neste novo espaço”. Juntou-se ao movimento porque “o bairro respira cultura por todo o lado e precisa de um espaço cultural”. Como ele, juntaram-se outros artistas moradores, de Manuel João Vieira a João Peste, que vão dar um concerto no sábado à tarde na Casa Fernando Pessoa.

Enquanto se espera pelo fim das obras, Campo de Ourique enche-se de cultura e até de um passeio de 8 km de bicicleta. Consulte a programação ao lado.


(jornal i)

A Catedral dos Graffitis em Lisboa








Em português banco é banco!



segunda-feira, 19 de março de 2012

Cais do Sodré.





No Cais do Sodré há mais do que uma praia escondida debaixo do asfalto


A enorme rampa servia no século XVI para lançar os barcos ao rioVestígios de cerâmica encontrados na escavação

Por Ana Henriques in Público

Enorme rampa de lançamento de barcos do séc. XVI foi descoberta debaixo da Praça D. Luís, juntamente com vestígios de estruturas de séculos posteriores


A descoberta tem menos de um mês. Os arqueólogos encontraram uma enorme rampa de lançamento de barcos do séc. XVI junto ao mercado da Ribeira, em Lisboa. Feita com troncos de madeira sobrepostos, a estrutura ocupa 300 metros quadrados e data de uma época em que a cidade sofria os efeitos de sucessivos surtos de peste e epidemias, graças aos contactos com outras gentes proporcionados pelos Descobrimentos.
Para continuar a trazer de além-mar o ouro, a pimenta e o marfim que lhe permitiam pagar as contas, o reino investia na construção naval, e a zona ribeirinha da cidade foi designada como espaço privilegiado de estaleiros. Os relatos da altura dão conta de uma cidade cheia de escravos vindos de além-mar, mas também de mendigos fugidos do resto do país para escapar à fome.
Os arqueólogos nem queriam acreditar na sua sorte quando depararam com a rampa enterrada no lodo debaixo da Praça D. Luís, a seis metros de profundidade, e muito provavelmente associada a um estaleiro naval que ali deverá ter existido. "É impressionante: é muito difícil encontrar estruturas de madeira em tão bom estado", explica uma das responsáveis da escavação, Marta Macedo, da empresa de arqueologia Era. No Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico o achado também tem sido motivo de conversa, até porque os técnicos desta entidade foram chamados a acompanhar os trabalhos, que estão a ser feitos no âmbito da construção de um parque de estacionamento subterrâneo. A subdirectora do instituto, Catarina de Sousa, diz que esta e outras estruturas encontradas são, apesar de muito interessantes, perecíveis, pelo que a sua conservação e musealização na Praça D. Luís é "praticamente inviável". Como a escavação ainda não terminou, os arqueólogos acalentam a esperança de ainda serem brindados, em níveis mais profundos, com algum barco submerso no lodo, como já sucedeu ali perto, tanto no Cais do Sodré como no Largo do Corpo Santo e na Praça do Município. "É possível isso acontecer", admite Catarina de Sousa.

Musealização em estudo

No séc. XVI toda a zona entre o mercado da Ribeira e Santos era de praias fluviais. Mas não era para lazer que serviam os areais banhados pelo Tejo. Na História de Portugal coordenada por José Mattoso, Romero Magalhães conta como, poucos anos após a primeira viagem de Vasco da Gama à India, "a zona ribeirinha da cidade é devassada pelos empreendimentos do monarca [D. Manuel I] e dos grandes armadores".
Depressa surgem conflitos com a Câmara de Lisboa, ao ponto de o rei ter, em 1515, retirado ao município a liberdade de dispor das áreas ribeirinhas para outros fins que não os relacionados com o apetrecho e reparação das naus, descreve o mesmo autor. São as chamadas tercenas, locais dedicados à função naval e representados em vários mapas da época. Mais tarde a mesma designação passa a abranger também o lugar onde se produziam e acondicionavam materiais de artilharia.
O espólio encontrado pelos arqueólogos inclui uma bala de canhão, um pequeno cachimbo, um pião, sapatos ainda com salto - na altura os homens também os usavam -, restos de cerâmica e uma âncora com cerca de quatro metros de comprimento, além de cordame de barco. Também há uma casca de coco perfeitamente conservada, vinda certamente de paragens exóticas para as quais os portugueses navegavam.
Um relatório preliminar dos trabalhos arqueológicos em curso explica como a zona da freguesia de S. Paulo se transformou de um aglomerado de pescadores, fora dos limites da cidade de Lisboa, num espaço importante para a diáspora: "A expansão ultramarina contribuiu para uma reestruturação do espaço urbano de Lisboa, que se organiza desde então a partir de um novo centro: a Ribeira". Em redor do Paço Real reúnem-se os edifícios administrativos. "É na zona ocidental da Ribeira que a partir das doações de D. Manuel se irão instalar os grandes mercadores e a nobreza ligada aos altos funcionários de Estado, que irão auxiliar o rei (...) na expansão ultramarina e na centralização do poder", pode ler-se no mesmo relatório.
A escavação detectou ainda restos de outras estruturas mais recentes. É o caso de uma escadaria e de um paredão do Forte de S. Paulo, um baluarte da artilharia costeira construído no âmbito das lutas da Restauração, no séc. XVII. E também do vestígios do cais da Casa da Moeda, local onde se cunhava o metal usado nas transacções. Por fim, foram descobertas fornalhas da Fundição do Arsenal Real, uma unidade industrial da segunda metade do séc. XIX.
"Esta escavação vai permitir conhecer três séculos de história portuária", sublinha outro responsável pela escavação, Alexandre Sarrazola. Embora esteja ciente de que a maioria dos vestígios terá ser destruída depois de devidamente registada em fotografia e desenho, o arqueólogo diz que algumas das peças encontradas poderão vir a ser salvaguardadas e mesmo integradas no projecto do estacionamento, como já sucedeu com os vestígios do parque de estacionamento subterrâneo do Largo do Camões - ou então transportadas para um museu.
"Face ao desconhecimento do que ainda pode vir a ser encontrado por baixo da estrutura de madeira do séc. XVI está tudo em aberto", salienta, acrescentando que a decisão final caberá ao Instituto do Património Arquitectónico e Arqueológico.

Ao Ministro da Educação.

Exmo. Senhor Ministro da Educação e Ciência
Dr. Nuno Crato

Sendo uma das causas maiores do Fórum Cidadania Lx a defesa do património da cidade de Lisboa, somos a enviar a Vossa Excelência o presente alerta sobre três casos concretos que, a não serem resolvidos a curto, médio-prazo, poderão significar a perda irreparável de um património valiosíssimo não só da cidade mas do país, de todos nós.
Dirigimo-nos a V. Exa porque todos eles são propriedade, directa ou indirecta, do Ministério da Educação e Ciência. E fazemo-lo porque cremos que havendo interesse disposições claras da tutela no sentido de se resolverem os problemas, os mesmos serão resolvidos e o património salvo. Passamos a elencar:
1.Salão Nobre do Conservatório Nacional
No seguimento da petição “Alguém acuda ao Salão Nobre do Conservatório, por favor!” (http://www.gopetition.com/petition/14127.html ), que contou com 4.600 assinaturas e foi entregue na Assembleia da República e discutida em sede de plenário em Outubro de 2008, constatamos que nada de efectivo daí resultou em termos de obras no interior do Salão (um dos balcões laterais continua a ser suportado por varões de ferro para não cair, continua a existir um número considerável de cadeiras destruídas, os tectos continuam com buracos, as cortinas rasgadas, os camarins em precárias condições, etc.), já que a única intervenção ocorrida, já com a ex-Ministra da Educação, Dra. Isabel Alçada, foi a reparação do telhado com vista a impedir-se o agravar das infiltrações, evitando-se assim, aparentemente, danos maiores nos tectos pintados por Malhoa. Mais nenhuma obra foi realizada. O Salão mantém-se na mesma.
Somos, portanto, a solicitar a V.Exa., Senhor Ministro, para que, finalmente, o Ministério da Educação e Ciência inclua em sede de Orçamento de Estado para 2013 a verba necessária para que as obras necessárias à recuperação deste importantíssimo equipamento cultural sejam de facto iniciadas. Não serão precisos projectos profundos, muito menos megalómanos (como previstos em tempos), mas tão só o restauro e a salvaguarda do que já existe.

2.Casa Ventura Terra (Rua Alexandre Herculano, nº 57)
O edifício em causa é Imóvel de Interesse Público desde 1999, Imóvel de Interesse Municipal desde 1983 e foi agraciado com o Prémio Valmor em 1903. Foi doado pelo próprio Arq. Ventura Terra às Escolas de Belas-Artes de Lisboa e Porto, «destinando o seu rendimento líquido para pensões a estudantes pobres e a escolas que mostrem decidida vocação para as belas-artes», conforme consta da placa afixada na sua fachada principal.
Como será do conhecimento de V. Excelência, Senhor Ministro, o edifício encontra-se actualmente em estado de degradação: telhado a necessitar de substituição, paredes com infiltrações graves, etc. Foi, inclusive, aprovada pela Assembleia Municipal a Recomendação em anexo. Várias vezes instada pela Câmara Municipal de Lisboa e pela Direcção-Geral do Tesouro e Finanças a avançar com as necessárias obras de conservação, a Academia de Belas-Artes, instituição na dependência do Ministério da Educação e que será a proprietária de facto do imóvel, usufruindo das rendas dos inquilinos que nele habitam, recusa-se a executar as obras alegando falta de verba.
Face a este impasse, que poderá pôr em causa, a breve trecho, a estrutura deste notável imóvel legado à cidade e ao país pelo Arq. Ventura Terra, somos a solicitar a V. Excelência, Senhor Ministro, para que providencie no sentido de se encontrar uma solução para este assunto, que se arrasta há já demasiado anos, avaliando a hipótese de transferir a propriedade ou a sua tutela para a CML, ou encontrar outra forma de administrar aquele imóvel, uma vez que a Faculdade de Belas-Artes se tem revelado incapaz de zelar minimamente por aquele importantíssimo legado.

3.Sociedade de Geografia de Lisboa
Como é do conhecimento de V. Excelência, o património histórico da Sociedade de Geografia é único, pelo que a eventual perda do mesmo, ainda que parcial, terá custos incalculáveis em termos do legado histórico e do saber da nação.
Considerando que o quadro eléctrico do edifício da Rua das Portas de Santo Antão, pela sua antiguidade e estado de conservação, inspira os maiores cuidados a todos quantos se preocupam com este património; somos a alertar V. Excelência, Senhor Ministro, para a urgência em dotar a Sociedade de Geografia de Lisboa de um quadro eléctrico novo, por forma a evitar que aconteça o pior. São do conhecimento público as dificuldades financeiras por que passa aquela Instituição, o que só agrava a situação e reforça este nosso alerta, sendo que também neste caso o modelo de gestão devia ser repensado de forma a poder, pelo menos, dar resposta a despesas de manutenção corrente como a substituição de um quadro eléctrico.
Na expectativa, e alertando ainda para o facto da demora na realização de obras de manutenção equivale, regra geral, ao aumento exponencial do custo da subsequente intervenção, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos,

António Branco Almeida, Virgílio Marques, Luís Marques da Silva, Bernardo Ferreira de Carvalho, Nuno Caiado, Fernando Jorge, António Araújo, Diogo Moura, António Sérgio Rosa de Carvalho, Júlio Amorim, Rui Cláudio Dias, João Oliveira Leonardo, Gonçalo Maggessi, Maria Albina Martinho, Ana Maria de Mendonça Alves de Sousa, Carlos Moura, Maria Helena Barreiros

domingo, 18 de março de 2012